Do Amor à Redenção
63 Capítulo 57
Notas iniciais
Capítulo 57
Assim que a morena saiu, avistou Crowley, ele não falou nada apenas a levou para outro lugar, sabia de alguma forma que o Demônio não far-lhe-ia mal. Olhou ao redor e percebeu que foram parar em um lugar bem estranho para dizer a verdade, uma obra, parecia que uma casa estava sendo construída no final de um ferro velho.
— Onde estamos? – Amy tinha leve suspeita mas perguntou assim mesmo.
— Sioux Falls. — Respondeu o demônio com um arquear de sobrancelha.
— Espera... estamos na casa do meu avô? Você está reconstruindo a casa dele? — Ela agora estava confusa.
— Sim e sim. — Ele respondeu já começando a andar.
— Por que? — Crowley não respondeu, mas o olhar do demônio foi o bastante para que a jovem entendesse. — O que você quer de mim?
— Por mais que eu conheça o Robert, você passa mais tempo com ele, pude repor livros e objetos, mas queria que tivesse tudo que ele mais gosta. — Disse o demônio em tom de palestra.
— Livros, o boné dele e cerveja. – Brincou mas logo ela piscou para o demônio e sorriu. — Mas entendi, você quer que eu te ajude a redecorar
— Mais ou menos.
— Crowley eu vou ficar muito feliz de você entrar definitivamente para a família. — Falou a jovem, olhando para a casa que já recebia seus retoques finais.
— Obrigado. Mas agora ao trabalho! — Ele diz cortando o assunto. – Ah! e não fale com ninguém além de mim, Berith e Nádia.
— Sim senhor! — Diz sorrindo e logo Nádia vem falar com ela sobre os móveis.
Sam observava Gabriel à espera do que o Arcanjo iria dizer, este estava calado e pensativo, o coração do Winchester apertava por saber que por sua culpa seu amado estava tão retraído, queria abraçar e beija-lo até que seu amante esquecesse toda a magoa, no entanto sabia que o certo era esperar. O Trickster estava parado na porta e depois de um leve balançar de cabeça aproximou-se do caçador que estava no meio do quarto sem saber o que e como falar, cada passo que os aproximava aumentava a tensão no ambiente, o loiro o olhou nos olhos e passou a língua pelos lábios fazendo Sam engolir em seco, era sempre tentador estar perto de seu companheiro e os dias em que estiveram separados foi doloroso física e mentalmente, não conseguia dormir direito pela ausência do corpo menor ao seu lado, sentia falta dos risos, carinho e voz sussurrante e só o pensamento de ter isso de volta estava o fazendo arrepiado, faria o que fosse para que seu amor o perdoasse.
— Gabe. – Falou baixinho olhando marejado.
— Não vamos falar sobre isso. – O Arcanjo quase grudou seus corpos.
— Só quero que você saiba que estou arrependido, não devia ter falado aquelas coisas, fui bobo e preciso que me desculpe. – Olhou esperançoso e o mais baixo aproveitou-se disso para bicar seus lábios. — Me perdoe por ter te julgado tão mal e grosseiramente?
— Não quero falar sobre isso. – Disse passando a mão pelo abdômen do mais alto. – Senti sua falta e quero você.
Aquela frase fez o corpo do caçador incendiar-se, tinha saudades de tudo no arcanjo e saber que ele sentia o mesmo era demais, o puxou para um beijo faminto, o outro não se fez de rogado, pressionou sua ereção em seus quadris e foi empurrando-o para a cama, assim que sentiu suas pernas tocarem o colchão sentou-se e puxou o menor para o colo. Gabriel assim que acomodou-se, começou a distribuir beijos e mordidas pelo pescoço de Sam, que gemia e forçava suas pélvis para cima em busca de mais contato. O menor não perdeu tempo e num movimento que espantou o caçador, rasgou ambas as blusas que o Winchester usava. Empolgado pela selvageria do companheiro, o mais alto virou e jogou-o para a cama.
Sam estava focado no momento, em seus sentimentos e não percebeu o reflexo assustador no espelho, que em vez de mostrar o arcanjo exibia uma criatura grotesca que no primeiro beijo dado já tinha o Winchester hipnotizado pelo seu canto de sereia.
No céu as coisas estavam indo muito bem, os irmãos ainda divertiam-se com as conversas e conselhos, todos sorriam e ajudavam o pequeno serafim em suas manobras de voo, era um dos momentos mais felizes dos últimos séculos até que Gabriel encolheu-se na dor, sentiu algo absurdamente doloroso, como se um demônio tivesse tocado em um pedaço de sua graça, era ruim e errado. Fechou os olhos, se concentrou na origem e logo descobriu que a macula veio de sua ligação com o Winchester do meio, forçou o vínculo, preocupado com o bem estar de seu amado pois o mesmo estava numa caçada com o primogênito, mas ao invés de dor podia sentir prazer e desejo. Abriu os olhos e puxou desnecessariamente o ar, seus irmãos o olhavam e por isso mascarou sua magoa.
— Que foi? — Perguntou Balthazar que era quem estava mais próximo de Gabriel.
— Nada, só a prova de que não devemos nos envolver com garotos imaturos. — Disse sério e de maneira sisuda, coisa rara no Arcanjo.
— Tá com problemas...
— Não quero falar disso Balth, vou espairecer. — Disse e voou para longe, queria ir lá e tirar satisfação, arrancar da existência a pessoa que ousou tocar o que era seu, sabia que era idiota pensar nisso não podia deixar-se levar pelos ciúmes, se o Winchester tinha escolhido isso, ele não iria interferir por mais que lhe doesse até a graça.
Os irmãos ficaram preocupados, não que Gabriel ser estranho fosse algo incomum, mas a maneira que falou e agiu preocupou o Serafim de cabelos pretos, mas já era hora de voltar e Gabriel tinha dessas coisas além do mais estava bem grandinho, sabia o que fazia por isso Castiel que olhava para o loiro voltou-se para o filho e deixou o assunto para a aproxima vez que visse o irmão.
Quando a manhã chegou os primeiros sons de transito acordaram Sam que sente-se tonto e desnorteado, sua cabeça dói como o início de uma tremenda ressaca, tenta lembrar o que houve e assim como quando acorda de um porre, tudo o que consegue recordar é enevoado e obscuro força-se a sentar mas algo chama sua atenção, na verdade uma respiração ofegante e gemidos contidos de dor o fazem olhar para o chão e ver jogado no tapete uma criatura sobrenatural. Em um salto o Winchester sai da cama e pega a arma apontando diretamente para o monstro.
— Caçador... antes de me matar... É melhor me ouvir. – Avisa a horrenda sereia.
— O que você é? — Sam praticamente grita, não consegue entender absolutamente nada e a última lembrança que têm é de Gabriel o perdoando.
— O que.... Você estava caçando! – A criatura fazia enorme esforço para falar e estava em posição fetal enquanto espasmos assolavam seu corpo grotesco.
— Como você entrou aqui? O que houve? – Pergunta sem saber o que fazer, precisa chamar seu irmão mas não podia virar as costas para o ser de pele cinza escuro, que tinha um buraco na cabeça e boca sem lábios com fileiras de dentes afiados, já havia lidado com sereias em um caso anterior mas esta coisa era totalmente diferente.
— Não consegui.... Fugir... Nem... Ficar em minha... Forma humana... precisava...
— Precisava de que? — Perguntou confuso.
— De você... – Puxou o ar com um barulho e focou seus estranhos olhos negros no caçador antes falar soltou um grunhido estridente. – Estou... Morrendo... E vou dar à luz ... Ao nosso bebê.
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