Do Amor à Redenção
40 Capítulo 36
Notas iniciais
Capítulo 36
O caso parecia mais um beco sem saída, não que eles fossem desistir, mas estava muito difícil achar uma ligação, Sam já estava cansando de pesquisar e Dean há muito estava deitado na cama zapeando os limitados canais da pequena televisão, sem contar que o Winchester mais velho sempre ficava bem preocupado com as crianças e Castiel.
— Isso não vai dar em nada! Talvez não seja o nosso tipo de caso. — Dean sentando-se e jogando o controle remoto.
— Como não é o nosso tipo caso? Doze adolescentes estão em coma e parecem estar morrendo...
— Sammy espera, isso não te lembra nada? — Perguntou o primogênito de John.
— Não. – Respondeu sinceramente.
— Shtriga!
— Eu também tinha pensado nisso, mas sabe que essas coisas só atacam crianças! — Disse Sam um pouco frustrado afinal havia sido uma das primeiras coisas em que pensou.
— Não. Eles preferem crianças. — Dean explicou e rapidamente pegou o celular já ligando para Bobby.
Amy estava se divertindo cortando o cabelo de Emma enquanto Claire apenas olhava. A loira não estava muito afim de levar bronca dos pais por isso preferiu ficar na sua, demorou apenas um segundo e então percebeu que estava pensando em Dean e Castiel como seus pais, sentiu-se bem mas por outro lado aquela sensação de traição começou a apertar em seu peito, perguntou-se mentalmente se estava traindo seus pais, os verdadeiros, os que tinham morrido por ela, uma lágrima rolou pelo seu rosto, o que não passou despercebido pelas irmãs.
— O que Claire? Está se sentindo mal? — Perguntou Emma sem mover a cabeça.
— O que? Não tá tudo bem. — A menina falou dando um pequeno sorriso que não enganou nem uma das irmãs.
— Não, não tá! Eu te conheço Claire e sei que não está! — Disse Amy.
— Vamos voltar ao corte de cabelo? — Claire propõe fugindo do assunto.
E não demorou muito para as coisas entre elas voltarem ao normal, claro que a cabeça de Claire estava a mil, mas estar com ali com suas irmãs era ótimo, talvez a loira devesse seguir o conselho do namorado e conversar com Bobby, mesmo que não quisesse levar mais problemas ao Singer, isso parecia o melhor.
Robert Singer estava na biblioteca com Daniel e Crowley, que mesmo já tendo sido liberto resolveu continuar por lá com a desculpa de livre acesso a biblioteca do bunker. O rei do inferno sabia que não podia ficar longe de suas obrigações e embora tivessem coisas interessantes demais neste lugar sua hora de partida estava próxima.
— Não se preocupe, eu vou, mas assim que Berith ligar aviso ao Esquilo! — Disse o Demônio de forma despreocupada enquanto terminava de ler um pergaminho em aramaico.
— Tudo bem! — Bobby falou, sem querer dar o braço a torcer, afinal iria sentir falta do maldito demônio, ambos haviam caído numa boa rotina na biblioteca.
— Eu não quero que você vai tio Crowley! – Daniel falou chateado fazendo biquinho.
— Mas eu não vou para sempre mini Esquilo. — Disse bagunçado os cabelos da criança.
— Mas "cê" é da família e o papai falou que a família não se separa! — Disse o menino já com algumas lágrimas nos lindos olhos, era interessante que um ser que podia ver sua verdadeira face nunca demonstrou nenhuma reação negativa.
O pequeno Winchester acabou pulando para o colo do demônio e o abraçando. Crowley não é acostumado a afeto, na verdade nunca foi, mas por fim ele retribuiu. O Rei nunca vai admitir, mas aquele gesto inocente de Danny, mexeu com ele por isso rapidamente afastou-se para não ter sentir novamente.
— Crianças são sempre sinceras Fergus! — Bobby falou fingindo ainda estar ocupado com seu livro.
Paz e silêncio ajudavam a bruxa a relaxar, tinha saído do banheiro após um maravilhoso banho de espumas e agora vestida em seu roupão fofo e confortável, deitou-se na cama perfeita, pena que seu relaxamento durou pouco, pois assim que um começava a cochilar Cassie Robinson chegou batendo a porta e indo para a outra parte do quarto conjugado.
— O que fez com essa desmilinguida? — Perguntou a bruxa.
— Primeiro: Por que tenho que ter feito algo com ela? E segundo: Por que não deixei você matá-la quando quis? — Ele disse se sentando na beira da cama.
— Nossa como estamos estressados hoje. — Ela falou se aproximando dele e massageando levemente seus ombros.
— Não estou. Na verdade estou aqui tentando entender o porquê? — Perguntou olhando diretamente nos olhos da ruiva.
— Porque o que?
— Por que vocês querem se vingar dos seus próprios filhos? Não que esteja julgando pois não tenho esse direito, já fiz muita merda durante toda minha existência, fiz coisas realmente imperdoáveis e me divertir as fazendo, mas eu realmente não entendo como podem querer fazer mal aos seus próprios filhos...
— Não compreendo totalmente seu interesse nesta história mas já que deseja saber, devo admitir que não me importo e nem nunca me importei com ele, por que sempre foi um medíocre, alguém sem ambições concretas um empecilho não só na minha vida mais parece que até a sua mulher percebeu o imprestável que era. Eu acreditava que estava morto e não nego que isso pouco me importava no entanto séculos depois o encontro e ele finalmente parece ter conseguido algo grande, parece ter aprendido a ter fibra mesmo que para isso tenha se tornado um demônio imundo, sem ofensas. – Fala a última frase olhando para Berith. – Pensei que ao menos uma vez em sua existência eu poderia me orgulhar dele, ledo engano! Meu filho não passa de uma vadia para os Winchester! — Ela falou agora bem seria, nunca tinha falado essas coisas com ninguém.
— Você não entende mesmo não é? — Perguntou ele ao sustentar um pequeno sorriso que a irritou.
— Entender o que?
— Seu filho nunca foi um medíocre, ele começou como um demônio de encruzilhada comum e em menos de dez anos já era parte da elite, em cem anos já era o Rei das encruzilhadas, ficou no cargo por um longo tempo, mas quando a oportunidade surgiu ele aplicou um golpe e virou Rei do Inferno. Crowley colocou ordem naquele lugar, tudo ficou organizado e todos tinham funções claras, até mesmo Demônios antigos como eu, que até então não se curvavam a ninguém fora o próprio Lúcifer, agora o respeitam, pelo que sei mesmo que indiretamente foi com a ajuda dos Winchester que conseguiu o trono, os irmãos não prejudicam seu filho, de certa forma, daquele jeito estranho, eles são amigos e mesmo que você finja não perceber, eles também estão lá quando o seu filho precisa, então fazer mal a eles é sim prejudicar Crowley. — A ruiva olhou para Berith com raiva.
— Não vemos as coisas do mesmo jeito! — Ela falou e o demônio a fitou por um tempo até que se sentou na poltrona e ligou a grande tevê.
— Rowena, o que quero dizer é que esta briga e vingança é sem propósito, seu filho vai ficar do lado dos Winchester por que eles foram positivamente muito mais participativos na vida dele do que você. Não pense que tudo será como deseja, conheço o quanto as coisas mudam drasticamente e digo muito sincero que aqueles irmãos têm muita sorte e não estou disposto a arriscar minha existência num plano... Como foi mesmo a palavra que você usou? – Perguntou cinicamente. – Ah claro, medíocre! Sou vou dizer uma vez e espero que entenda pois quando tudo der errado e vai dar! Eu vou livrar a minha pele, afinal gosto muito desta casca. Estou te dando a oportunidade de deixar tudo cair nas costas de outra pessoa e viver sua vida como sempre quis, cercada de luxo e sem ter que fugir e se esconder, voltar a ser uma bruxa respeitada como sempre quis, posso te conceder tudo isso basta me ouvir e deixar toda essa ideia para trás. — Ele sorriu e voltou a assistir a televisão deixando a bruxa com seus pensamentos.
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