Do Amor à Redenção
14 Capítulo 13
Notas iniciais
Capítulo 13
O homem que entrou no bar tinha cabelos pretos, bagunçados e sujos, barba por fazer e um olhar frio que logo chamou atenção das pessoas no local. Andou calmamente e causou arrepios de medo por onde passava, era visível que mexer com aquele homem era brincar com o perigo. Chegando no balcão do bar ele parou ao lado do único homem que não se virou para olhar, pôs o mesmo já sabia que Berith estava a sua procura e não haveria lugar na existência em que se pudesse esconder. A criatura em questão é um demônio de auto escalão, pouco se sabe além do fato de que é um rastreador extremamente perigoso, poderoso e incansável, como um cão que nunca desiste de seu objetivo.
Berith andou até onde o outro demônio estava e pós uma das mãos em seu ombro, apertou bem forte, para causar dor.
– Acho que devemos conversar lá fora! — Ele disse, sua voz era grave e sinistra.
– Não tenho nada para falar com você! – Respondeu nervoso o demônio de segunda classe. — O que vai fazer no meio de tanta gente afinal? — Berith sorriu e jogou ele no chão, todos do bar se afastaram, ninguém se meteu.
– Eu disse que precisamos conversar. — Disse entre dentes e logo abriu um pouco da jaqueta para mostrar um pedaço de uma adaga dourada que segundo umas das poucas lendas sobre o demônio milenar prendia qualquer criatura em seu corpo e está sofria de dores excruciantes e sem fim.
– Acho bom saírem do meu bar! — Disse o dono do local com uma espingarda na mão, Berith sorriu abertamente.
– Ouviu o homem saco de lixo! — Disse arrastando o demônio caído para fora do estabelecimento. Ele largou o outro alguns passos à frente do bar e antes que o desgraçado no chão pudesse virar fumaça, Berith atirou nele.
– Você é burro ou o que? — Disse o demônio loiro se levantando do chão e rindo descaradamente.
– Sabe dizem que não dá para ensinar truques novos para cavalos velhos. — Ele sorriu. – No entanto o rei me ensinou esse truque, que sinceramente achei muito criativo, veja como é muito simples: resume-se a uma cilada do diabo gravada numa bala, uma ideia e tanto, um pouco difícil de fazer, mas ainda sim muito boa! — Ele rodeava o loiro e sorria com deboche, enquanto o outro demônio em pânico tentava em vão sair do corpo possuído.
– O que você quer desgraçado? – Perguntou quase as lagrimas.
– Agora chegamos a um ponto. Mas não acredito que aqui seja o local mais apropriado para a nossa conversa.
Levantou o outro e deu uma última olhada para o bar, ninguém se atreveu a sair, mas olhavam pela janela, ele jogou o demônio na traseira da caminhonete e seguiu até um galpão abandonado. Estacionou assobiando uma música qualquer, como se não estivesse fazendo nada demais, tirou o loiro da traseira do carro e o levou para dentro do galpão, onde o acorrentou a uma das pilastras.
– Podemos fazer isso do modo fácil, ou do difícil! – Disse enquanto puxava de uma bolsa no chão uma espécie de alicate fino e comprido- Tô torcendo para você escolher o modo difícil.
– Eu escolho o modo fácil. — Respondo o que você quer saber cara, olha nós nunca tivemos um problema e não vai ser agora que vou começar. – Falou tremendo, sabia muito bem da fama de Berith, o cara tinha a fama de ser pior que Alastair.
– Verdade. Mas agora eu tenho informações que você atrapalhou meu serviço e por isso temos um problema, sei que deixou a bruxa fugir! — Disse o demônio, sua voz que se mantinha em um tom sempre calmo, causava muito medo no outro.
– Senhor Berith, ela é mãe do rei, se eles querem brincar de gato e rato beleza! Afinal o problema é deles, mas eu não vou me meter! Convivi na corte o suficiente para perceber que nosso rei não quer encontrá-la de verdade e ela é uma vadia perigosa que usa artimanhas para conseguir o que quer!
– Entendo. Onde ela está? – Berith estava começando a achar essa história verdadeiramente interessante.
– Não tenho a mínima ideia, ela nunca ia me dizer, afinal nos considera uma raça inferior e fraca – Disse ansioso para convencer o poderoso demônio de sua inocência.
– Se isso é tudo o que sabes, então você não é mais útil para mim! — Berith não perdeu tempo e deu um tiro na cabeça do demônio fazendo uma luz vermelha sair pelos olhos e ouvidos da criatura.
– Outra invenção do chefe, lâmina anjo derretida e em forma de bala! – Arrumou suas coisas calmamente e assobiando ligou seu carro e suspirou. — De volta à estaca zero.
Estava escurecendo e Amy mesmo apreensiva acabava de pentear seus cabelos e desamarrotar seu vestido, sabia que mesmo que seu pai estivesse chateado não poderia deixar de ir ver sua família materna, pois todos acreditavam que ela havia morrido e não poderia os deixar sofrendo desse jeito. Caminhou para sala onde Michael e Dean a estavam esperando.
– Estamos indo pai, acho que iremos demorar. – Ela deu um beijo na bochecha de Dean.
– Cuidarei dela Dean winchester! – A Espada Celeste anunciou antes de tocar a testa da morena fazendo ambos desaparecer antes que Dean pudesse começar uma nova discussão.
Quando Amy e Michael chegaram à casa da Audrey, encontraram a mulher e a pequena Stacy na sala de estar, o rufar de asas fez ambas olharem para os recém chegados. Depois de observar por um instante Audrey levantou e aproximando-se da neta perguntou.
– Amy? – A jovem podia ver claramente a esperança e sofrimento na expressão da avó.
– Sim vovó, sou eu. – A morena disse ao abraçar apertado a mais velha que agora já chorava copiosamente.
– Meu anjinho! Você está tão linda – Ela examinava as mudanças na neta. – Rezei tanto para te encontrar, sabia que estaria bem, tinha fé em Deus que você estaria segura.
– Vó foi tudo tão difícil! Estava tão preocupada com Stacy, mas papai me contou que ela e Victor estavam bem e assim que resolvi os problemas que enfrentávamos vim para dar notícias.
– Você é uma boba! Quando voltou e porque me deixou tanto tempo sem notícias suas?
– Tenho tanto para lhe contar mas primeiro quero abraçar o amor da minha vida! – Amy correu para pegar a irmã que estava olhando curiosa para as duas mulheres.
– Mimi? – A garotinha perguntou quando foi colocado no colo.
– Sim, amorzinho!
– Senti saudades!
– Eu senti mais ainda. – A morena disse sorrindo.
– Eu mais.
– Não, eu senti mais.
– Eu mais. – A bebê dizia sorridente.
– Meninas, não comecem! – Audrey ralhou sorridente ao ver suas meninas tão bem, mesmo que Amy agora fosse uma linda mulher em vez de sua menininha. – E você meu rapaz, vai ficar aí parado?
– Desculpe-me senhora. – Michael disse estoico e sentou-se numa das poltronas afinal das coisas que aprendeu vendo os mortais é que eles ficavam incomodados com quem não agia e parecia com eles.
– Agora você mocinha comece a me explicar o que aconteceu.
Depois de contar toda a verdade para sua avó, Amy agora estava sentada com Stacy, esperando Victor e Cassie chegarem. Sabia que a conversa com sua mãe seria totalmente diferente. Sua avó sempre fora uma mulher forte e mesmo sendo cética fazia o possível para compreendê-la, já Cassie era autoritária e detestava ser contrariada, a conversa que viria não seria nada agradável.
– Deixe-me colocar Stacy na cama, já passam das 21:00h e é melhor que ela esteja dormindo. – Sua vó não completou a frase mas estava visível que ela queria o bebê longe da sala quando a filha chegasse.
– Boa noite princesa! – Amy disse e depois de beijar e abraçar a irmã, entregou ela a avó. Quase trinta minutos depois o som de um carro estacionando fez a tensão na sala extrapolar, quando Cassie e Victor cruzaram a porta, Amy aproximou-se da avó, assim como uma criança pequena procura proteção em quem confia.
– O que aconteceu? – Cassie perguntou olhando para a jovem mulher. – Quem é ela?
– Querida, acho melhor você sentar pois o que vamos dizer é bem chocante. – Audrey disse suavemente.
– Sem essa! Quero saber porque me chamou e quem são esses dois? – Cassie insistiu ainda olhando fixamente para a filha.
– Cassie, olhe bem para ela e me diga o que você acha? – Audrey insistiu e quando um brilho de reconhecimento atravessou os olhos da mulher Amy saiu de perto da avó.
– Sou eu mesma mãe! – Ela aproximou-se devagar mas a mãe rapidamente mudou da expressão surpresa para raiva.
– Isso é ridículo! Como você ousa vir a esta casa inventar uma mentira tão repugnante como essa?!
– Mãe olhe para mim.
– Não me chame desse jeito. – Cassie gritou indignada. – E você mãe como pode aceitar uma loucura dessas?!
– Talvez porque esta “loucura” seja a verdade. – Victor que até então estava calado e só observando se pronunciou. – Olhe para ela Cassie, esta mulher é Amy e você não pode negar.
– É difícil acreditar mas se você me deixar contar tudo logo as coisas serão esclarecidas mas caso você queira uma confirmação por mim tudo bem, pode perguntar o que quiser! – A jovem mulher dá de ombros.
– Certo. – Diz Victor. – Então qual seu nome do meio?
– Agora é Mary mas antes era Rose assim como a vovó, mamãe e Stacy.
– Ok! Mas só para confirmar, qual é o sabor favorito de sorvete da Stacy.
– A Stacy não gosta de sorvete, pois ela reclama que é muito “quente”. – A Winchester respondeu sorrindo. Victor que apesar de ter percebido a semelhança ainda estava um pouco desconfiado agora não resistiu e puxou a jovem para um abraço.
– Fiquei tão preocupado com você. – Ele disse ainda abraçando a morena. – Obrigada por ter salvado sua irmã.
– Não era mais que meu dever.
– O que diabos aconteceu com você? – Cassie perguntou ainda sem se aproximar da filha.
Amy explicou as coisas mas ao contrário do que falou para a avó ela editou muitas partes do acontecido, e mesmo quando Audrey olhou inquisitiva, a Winchester fingiu ignorar.
– Era disso que eu estava falando! – Cassie disse histérica. – Sempre soube que estando ao lado daquele homem isso ia acontecer com você, mas parece que vocês só me escutam quando as coisas dão errado! E agora o que vamos fazer com essa sua aparência?
– Você não precisa se preocupar com isso, estou bem e minha aparência não mudou em nada minha saúde física ou mental.
– Como não me preocupar? Como vamos coloca-la numa escola? – Cassie ralhou.
– Mãe por favor a senhora realmente acha que vou voltar para a escola?
– E você vai fazer o quê? Acha que só porque cresceu vai direto para a faculdade?
– Presta atenção no que você está falando mãe, depois de tudo o que passei a senhora está achando que vou simplesmente voltar a estudar e esquecer tudo. É impossível!
– E você está pensando em fazer o que? Porque debaixo do meu teto sem fazer nada você não vai ficar.
– E quem disse que vou morar com você? – A morena disse desafiadoramente.
– E onde você acha que vai morar?
– Com meu pai é claro!
– Você só pode estar louca se acha que vou deixar você voltar para aquela vida imunda.
– Quero ver você obrigar uma mulher de 21 anos a morar com você? — Quando Amy sentiu a mão de sua batendo em seu rosto, com força o bastante para machucar seu lábio inferior, ela não sabia o que fazer, pois não esperava a agressão.
Michael que até então, estava sentado sem se meter no assunto familiar, rangeu os dentes e num piscar de olhos estava em pé com sua espada angelical nas mãos, ele aguentou ouvir os absurdos de Cassie, mas quando ela bateu em Amy, sua fúria tomou níveis alarmante fazendo até as pilastras da casa tremerem, mas Audrey interviu antes dele.
– O que pensa que está fazendo Cassie? — Gritou a mais velha.
– Fazendo ela cair na real e parar com esses absurdos! — Respondeu sem nem se importar com o que tinha feito.
– Cair na real? Eu sei muito bem qual é minha realidade Cassie e mais que nunca sei que ela é o mais longe de você possível! — Amy falou, nunca havia apanhado de sua mãe, fisicamente a dor passou rápido, mas emocionalmente a dor e decepção era grande demais, Amy podia ter mudado tornando-se uma adulta, mas sua mãe mudou de uma maneira que ela não sabia mais como reconhecer a mulher a sua frente. Cassie mais uma vez levantou a mão para agredir Amy, mas percebeu que não podia, alguém a segurava e ao olhar para trás percebeu que Audrey a mantinha presa.
– Me larga! — Rosnou.
– Não toque mais na Amy! — Audrey disse soltando a mão da filha. – E saia daqui!
– O que?
– Você não é surda e me ouviu muito bem! Sai daqui! — Audrey disse com uma firmeza que ela nunca antes havia usado com a filha, Cassie por sua vez olhou chocada para a mãe, por um segundo não entendeu muito bem o que se passava, até Audrey repetir. — Saia!
Não tendo o que fazer, ela apenas pegou sua bolsa e saiu, e quando Cassie atravessou a porta Audrey caiu em prantos, ela nunca havia falado daquela maneira com a filha, mas jamais permitiria que Cassie agredisse Amy, a sua neta já havia sofrido demais e graças aos céus a menina saiu com o mínimo de danos, Cassie devia estar feliz de ver a filha viva, devia estar grata.
– Amy... Audrey me desculpem... eu...
– Victor você não tem culpa de nada! — Amy disse, indo em direção a avó para conforta- lá.
O som da buzina se fez presente, Cassie estava chamando.
– Eu tenho que ir! Vê se não some princesa! — Disse Victor carinhosamente passando a mão nos cabelos de Amy.
– Tudo bem. — Respondeu a jovem.
Ele saiu de encontro ao carro, já tinha pensado no divórcio, agora mais que nunca estava decido, se Cassie agia assim depois de ver que Amy está viva, o que ela fará quando Stacy não acatar uma ordem? Ele não podia permitir isso, então sabia que a conversa que teria com Cassie seria derradeira.
Depois de mais um tempo com a avó, Amy subiu para dar um beijinho de boa noite em Stacy, a pequena dormia tranquilamente, alheia a tudo o que aconteceu no andar de baixo.
– Devemos ir Amy. — Michael falou ao aparecer atrás dela.
– Eu sei... — Sabia que seu lugar é ao lado de seu pai, porém mesmo assim ainda é difícil ir, deixar a avó, a irmã, o padrasto e a mãe para trás, uma lágrima rolou pelo rosto de Amy, mesmo depois de tudo não tinha raiva da mulher, entretanto mais que nunca, sabia que ali não era mais seu lugar, limpa as lágrimas e se vira para Michael o abraçando a espera de ser transportada para casa, entretanto ao abria os olhos ela encontra-se em um calçadão a beira mar.
– Onde estamos? – A morena pergunta ao olhar as pessoas usando biquínis e mini shorts, fora que o lugar é bem quente.
– Rio de Janeiro, Brasil. – O arcanjo responde de forma simples
– Uau adorei!
– Você gostaria de tomar sorvete?
– Com um calor desses eu vou adorar, mas quero sundae.
– O que você quiser. – Michael sorri enquanto Amy anda apressadamente para uma lanchonete de esquina.
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