Notas iniciais
Olá, gente! Mais um capítulo da loira mais embirrenta do mundo 8D

L A N G E R I E

"Ele é um idiota!" Gritou a minha melhor amiga pela centésima vez num espaço de dez minutos. Estávamos reunidas, o grupo de amigas da faculdade, num café/pastelaria que abrira recentemente. Ela chorava assoando-se a um lenço que já foi mais feliz e limpo. Limpou as lágrimas e arrastou a mascara preta manchando-lhe o rosto de forma desconcertante. Tudo em mim gritava em socorro daquele erro crasso e salvar-lhe a vida simplesmente limpando com os meus dedos aquele rasgo de preto acinzentado cheio de nhanha que a deixava com um aspecto ainda mais miserável. Pelo que percebi ela deixou-o porque ele foi insensível com assuntos. Argumentos: ele nunca reparou na langerie nova que usava para ele!; Opinião: Nem eu iria reparar.

A questão é a seguinte, a langerie foi desenhava, inventada para uma mulher se sentir bem, para se achar sensual e sexy. Não para um homem a olhar e decidir que aquela renda combina com a cor de pele da moça. Sejamos francos, quando é que eles vão ver essas roupinhas? Quando está na hora da festa! Obviamente, não precisamos de ser um génio da ciência para reparar nisso. E não percebo a tentativa em vão de fazer os homens prestarem mais atenção na porcaria da renda que nas curvas do corpo. É como oferecer chocolate e esperar que a pessoa aprecie a prata. Não lembra a ninguém, tirando a minha amiga.

O que um homem pensa quando vê langerie? Óptimo, qual é a melhor maneira de arrancar essa coisa? Sim, por experiência posso afirmar que essa é a frase que passa por qualquer homem no planeta quando se depara com uma namorada, esposa, curte ou prostituta com roupas de cama "fancy".

Basicamente, sente-te feliz com a tua roupa interior, não esperes que o teu parceiro compartilhe dessa felicidade. Usa apenas para ti, não para o agradar. Usa porque te deixa uma super mulher!

Outra amiga minha oferece um novo lenço à desgraçada. Os seus olhos mostram compaixão e como entende tudo o que ela sente -- outra desajustada da vida que não compreende o verdadeiro sentido de langerie -- e que tudo vai correr bem, ele é um idiota e vai voltar. "Não o quero!" grita escandalosamente mais alto a minha amiga agora agarrando o tampo da mesa e partindo uma das suas compridas unhas pintadas de vermelho.

Eu reviro os olhos, elas olham-me num misto de confusão e ódio. Claro, é suposto eu ajudar a amiga. Levanto-me, peço desculpa e que tenho outros compromissos.

Saco o telemóvel da carteira e primo o botão das chamadas recentes. Clico no primeiro numero e espero a voz do ouro lado da ligação:

–- Estou? -- a sua voz masculina de quando acaba de acordar deixa-me um pouco mais bem disposta.

–- Como consegues amar mulheres!? -- pergunto-lhe desbravando pela rua.

–- Amando-te.