Diários de Amores e Intrigas
2 O reencontro com os amigos!
Notas iniciais
Já estou no carro diário a caminho do colégio.
Durante o café da manhã comi pouco para não correr o risco de passar mal durante a viagem. Sempre que viajo por muito tempo de carro acabo enjoada. Eu amo ver a paisagem pelo vidro do carro, prefiro mais do que helicóptero ou avião.
Já estamos no carro a meia hora comigo vidrada na janela do carro. Minha mãe não disse uma única palavra no caminho e lembro que durante o café da manhã ela apenas me cumprimentou. Se trata de um comportamento incomum e surgi uma pontada de preocupação em mim.
– Mãe, aconteceu alguma coisa?
– Como assim querida? – minha mãe abre um sorriso gentil ao virar o rosto para mim.
– E que a senhora está muito quieta e isso não é um comportamento normal para quem não para de falar!
– Você é muito esperta. Eu preciso lhe contar uma coisa e tenho medo da sua reação – diz ela abaixando a cabeça e olhando para as próprias mãos no colo.
– Pode me falar qualquer coisa.
– O seu aniversário é no próximo mês – minha mãe respira fundo – e eu não poderei comemorar com você, sinto muito!
– Por quê? – pergunto um pouco cabisbaixa. Nunca passei um aniversário longe dela e não sei o que pensar ou como reagir sem magoa-la.
– Não estarei no país.
– Mas por que?
– Eu vou fazer uma cirurgia, querida.
– Por que não me disse antes? A senhora está doente? É algo grave?
– Não contei antes porque é uma situação muito simples e eu não sabia antes a dará. Não precisa se preocupar, apenas peço desculpas por faltar ao seu aniversário.
– Estás a falar sério?
– Sim, é coisa boba.
– Se a senhora diz.
Depois da nossa curta conversa houve um enorme silêncio. Minha mente ficou um turbilhão pensando nas palavras de minha mãe. Por que ela não me contou antes? Se trata mesmo de uma cirurgia simples? Será que devo mesmo não me preocupar? Fiquei perdidas em pensamentos que nem percebi que já havia chegado no colégio, só percebi quando minha mãe me chamou para descer do carro.
Descemos do carro e o Álvaro me entrega minhas duas malas lilás após eu insistir que ele não precisava levar até o meu quarto. Entramos no colégio juntas comigo puxando minhas malas. Minha empolgação diminuiu e estou prestes a questionar minha mãe sobre a cirurgia quando ouço meu nome. Olhei na direção da voz e vejo a minha melhor amiga se aproximando, o mais rápido possível por causa das próprias malas.
– Amiga, que saudades!
– Mirela, só ficamos longe durante 2 meses, mas também senti sua falta.
– Foram dois meses que pareceu mais um ano.
– É verdade – olho para minha mãe – Mãe, se incomoda se eu for com a Mirela?
– Claro que não, depois nos vemos.
Minha mãe me abraça e caminha pelo corredor que a leva em direção a diretoria. Eu acompanho Mirela até o nosso dormitório para deixar as malas e conversamos sobre nossas férias de forma superficial já que durante este período trocamos diversas mensagens.
Apenas deixamos as malas em um canto do quarto e saímos nos voltando para as áreas comuns até chegarmos à sala central perto de onde nos encontramos. Logo somos atraídos pelo grupo de nossos amigos e cumprimento a todos. Como só faltava nós duas, decidimos indo até o refeitório para comermos alguns lanchinhos de boas-vindas a aula.
– AMIGA!! – Exclamou a Mirela cutucando o meu ombro e interrompendo uma história sobre golfinhos.
– O que foi Mi!?
– Olha! – Ela diz apontando para um lado do pátio onde está um grupo de alunos novos.
– São os novatos. Quer ir dar as boas-vindas?
– Claro que não. Olha direito!
Respiro fundo e volto a olhar na direção indicada, dessa vez direito como sugerido e encontro o que Mirela quer me mostrar. Um rapaz que aparenta ser um pouco mais velho. O cabelo loiro contrasta com o que a distância parece ser olhos verdes. O aluno novo é encantador e um pouco hipnotizante.
– Pare de olhar para o gato! Ele está vindo para cá!
– Quem disse que eu estava olhando para ele? – tento disfarçar voltando a minha atenção para os meus amigos.
– Para de se fazer de tonta, estava dando na cara!
– Olá, desculpa interromper – me viro para a voz que agora reconheço ser dele e tento evitar sentir o efeito dos olhos verdes penetrantes – Você é a Alice Singer?
– S-sim, como sabe meu nome?
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