Diários de Amores e Intrigas
87 Capitulo 87-P.O.V Eduardo
Notas iniciais
Estava cansado, ficar na casa da minha mãe era muito estressante, na verdade era mais que estressante, sempre preferi quando ela apenas esquecia que eu existia e me ignorava, mas hoje ela resolveu notar a minha presença em casa, então apenas resolvi sair e ir a uma cafeteria onde não havia ido ainda.
-Odeio sábados! – bufo vendo o cardápio.
-Na verdade você não odeia, apenas odeia ser solitário. – fala uma voz feminina, olho para cima e vejo uma jovem morena, muito bonita.
-Como disse?
-Eu disse que você não odeia sábados e sim o fato de estar solitário.
-Não sou solitário!
-É sim.
-Você não sabe nada sobre mim...
-Na verdade eu sei, você claramente é um cara típico, com problemas na família, gosta de quem não o corresponde e joga a culpa na primeira coisa que passa pela cabeça..., mas enfim qual é o seu pedido? – enfim noto que ela era a garçonete.
-Expresso e um pão de queijo.
-Sabia!
-Sabia?
-Sim, esquece, não posso me intrometer na sua vida, já trago o seu pedido.
E saiu, simplesmente saiu, me deixando ali sem nenhuma explicação, o pior é que ela tinha verdade, tudo o que disse, é a mais pura verdade. Quando o meu pedido estava a minha frente, pensei ver ela, mas era outra moça, uma loira. Depois que bebi e comi, paguei a mesma loira e perguntei o nome da Morena, Sofia, já tinha algo.
***
-Não me parece mais tão confiante como hoje a tarde... – falei atrás dela, que virou rapidamente.
-O que o senhor faz aqui? – pergunta assustada.
-Não se preocupe, não irei fazer nada de errado com você, apenas me deixou curioso.
-Curioso? – fala mais calma.
-Sim, você me falou coisas mais cedo...
-Sim, me desculpe, eu não deveria te falar aquelas coisas..., mas é que as vezes eu nem percebo...
-Como sabia de tudo aquilo?
-Então quer dizer que acertei?
-É...
-Me desculpe parece magoado...
-Não..., é que ouvir a verdade, as vezes machuca...
-Compreendo
-Não me respondeu, como sabia? Está tão obvio?
-Sim, quer dizer não..., é que eu estudo psicologia e sei ler pessoas, simples
-Então quer ser psicóloga?
-Sim e pelo visto está se saindo bem.
-Acho que isso foi um elogio?
-Sim, foi um elogio.
-Eu adoraria continuar conversando, mas tenho que ir pra casa...
-Eu te acompanho, já está tarde e não é bom deixar uma moça sair por ai sozinha.
-Eu moro aqui perto, posso ir sozinha...
-Faço questão de acompanhar...
-Tudo bem...
E saímos caminhando, de fato não era muito longe, durante o percurso ficamos conversando de assuntos aleatórios, mas eu descobri um pouco sobre ela, como por exemplo faz psicologia, mora em um apartamento alugado, trabalha para pagar o apartamento e estuda porque conseguiu uma bolsa, e pelo que entendi ela não fala com a mãe a algum tempo e descobri que ela é muito tagarela, falou o caminho inteiro sem parar.
-Aqui estamos... – diz ela me olhando.
-Te verei novamente?
-Aqui caso queira me ligar... – fala ela me entregando um papel após mexer um pouco na bolsa, beija o meu rosto e entra no prédio.
Sorri e olho para a minha mão onde estava um cartão com o número, fofo, nele estava o nome dela e número de telefone, estampado com flores.
***
-Eu preciso falar com alguém antes que eu enlouqueça! – falo ao entrar na sala do escritório do Joaquim.
-Leu meus pensamentos?
-Do que está falando?
-Eu preciso falar com alguém antes que eu enlouqueça!
-Eu que te disse isso!
-Senta ai cara. – ele fala deixando o papel que mexia em um canto e aponta para a cadeira, vou até a mesma e me sento.
-Espero não estar atrapalhando
-Não está, relaxa, então como vai?
-Conheci uma garota ontem.
-Uma garota?
-Mas não é qualquer garota, eu não sei explicar.
-Você está apaixonado.
-Apaixonado? Está louco? Sabe que sou apaixonado pela..., esquece.
-Pela minha esposa, era isso que ia dizer... – fala com um suspiro.
-Sim..., quer dizer, não...
-Tudo bem, isso já é passado, mas eu estou achando que você já a esqueceu a muito tempo e que agora está com medo de se apaixonar, mas se apaixonar de verdade.
-Eu conheci ela ontem, ontem, impossível eu estar apaixonado.
-Me apaixonei pela Alice no primeiro segundo que a vi, eu não sabia exatamente que eu a amava, mas sabia que havia algo diferente...
-Não estou apaixonado, tenho certeza
-Se está dizendo
-Mas de qualquer forma, aconteceu quando entrei você disse que tinha algo a me dizer.
-É a minha mãe, minha mãe e a Alice.
-O que houve cara? – falo me acomodando melhor na cadeira.
-Elas não me deixam em paz com essa historia de aniversario, não param de falar disso, só tenho paz quando estou aqui e isso quando elas não ligam ou mandam mensagem.
-Não parece que seja só isso...
-Eu conversei com a Alice, e acho que ela não está feliz..., mas acho que já resolvemos, quer dizer ela vai voltar pro colégio comigo e tudo mais.
-Ela não está feliz?
-Eu não sei, acho que é muita coisa para ela pensar..., muita responsabilidade...
-Dá um tempo para ela, afinal de contas até onde eu saiba ela fica o dia inteiro em casa cuidando das crianças, e agora ela está se distraindo um pouco com a festa que vão dar para o seu aniversário, e na minha opinião ela ficar falando com você sobre o aniversário é o jeito dela dizer que tem algo importante a fazer...
-Acha mesmo?
-Sim e também acho que você deveria ficar calmo e não ficar se preocupando com isso, afinal de contas, como a Alice disse, stress da rugas e acho que já to vendo uma ai! – falo e acabamos rindo e pela primeira vez percebo, que aquele cara que odiei tanto por ter roubado a garota que eu gosto, virou um amigo, um grande amigo.
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