Diários de Amores e Intrigas
4 Campo dos Sonhos
Notas iniciais
...‘Eu- Boa sorte! Depois continuamos!
Coloco o celular encima do criado mudo ao lado da minha cama. Me deito na cama após tirar a sandália e me flagro pensando no Joaquim.
Eu tenho consciência que é errado afinal ele era o namorado da minha amiga, mesmo estando longe ela continua sendo uma grande amiga. Mas quando eu o vi ainda longe, eu senti uma atração que não tinha sentido antes, algo quase magnético.
Minha ausência de sono e o cansaço da viagem se torna o sonífero perfeito para ser acompanhado de um belo sonho:
“Caminho por um lindo bosque de tulipas sentindo uma imensa alegria. Fico alguns minutos caminhando entre as tulipas e admirando tamanha beleza até vê-lo surgindo em minha frente, vestido de branco com destalhes em dourado como os príncipes de conto de fadas. Meu príncipe se ajoelha e me pede em casamento. A alegria em meu interior apenas de expande e começo a flutuar com fadas ao meu redor. Magicamente me transformo em uma princesa com um vestido de baile rosa e uma tiara de brilhantes”
Adoraria terminar o fantasioso sonho, mas fui acordada bruscamente pela Melissa que balança o meu corpo.
– Acorda sua dorminhoca!
– O que foi? Eu estou sonhando! – falo sem abrir os olhos, sentindo ainda a sensação do sonho e desejando me afundar nele novamente.
– Vai ser um sonho quando eu te contar quem está te esperando na porta.
– Quem? – falo abrindo os olhos por saber que não terei escolha e me sento na cama.
– Adivinha?
– Fala logo? Meu cabelo está bom?
– Está ótimo! Quem está te esperando é o Jo!!
– Quem é jo? – pergunto ainda sonolenta.
– Sua lerda! É o Joaquim que conhecemos mais cedo!
– O Joaquim? – tento não parecer muito animada.
– Claro! Retoque essa maquiagem e vá atende-lo!
Obedeço a Melissa. Vou ao banheiro escovar os dentes e retocar rapidamente a maquiagem que apenas borrou o rímel já que sempre faço o mínimo. Antes de sair confiro no espelho e vou até a porta.
Mesmo sabendo que é o Joaquim me esperando na porta, fico surpresa em de fto ve-lo de pé me esperando.
– Olá! Posso ajudar em algo?
– Oi! Vim ver se você precisa de alguma coisa?
– Eu? – pergunto confusa pensando se perdi alguma parte da nossa interação – Acho que não! Mas por que isso?
– Por nada! A Manuela pediu para mim vim aqui e ver se estava tudo bem – continuo confusa com a explicação dele apenas ter vindo a pedido da namorada. Manuela e eu conversamos antes de eu dormir e me disse que estava indo a escola. Quanto tempo será que dormi?
– Eu estou muito bem e não preciso de nada.
– Que bom! Quer dar uma volta?
– Pode ser! – viro a cabeça para dentro do quarto para que Melissa ouça – Vou sair rapidinho.
– Pode demorar o quanto quiser.
– Vamos?
– Aonde vamos?
– Eu achei um lugar lindo que você já deve conhecer.
Fico pensando enquanto caminhamos lado a lado este lugar lindo que mencionou, mas não lembro de nenhum lugar no colégio que não tenha a decoração padrão. Mas quando passamos pelas portas de entrada que entrei mais cedo com a minha mãe, percebo que vamos sair do colégio.
– Como você conseguiu autorização para sairmos do colégio?
– Hoje é o primeiro dia, fui informado que não precisamos.
– Eu havia esquecido desse detalhe.
Claro que eu havia esquecido, estava cansada e como dormi acabei perdida no tempo. Os detalhes também não permaneceram na minha mente, pois desde que o vi no quarto, o magnetismo voltou. Eu fiquei tão fascinada que nem percebi quando paramos e ele abre a porta de um carro prata para que eu entre.
– Agora que já estramos no carro, pode me dizer onde estamos indo?
– Não é muito longe.
A princípio observo Joaquim dirigindo, mas logo a minha curiosidade toma conta e começo a tentar descobrir o caminho feito. Em um determinado momento o carro vai em direção a uma área da cidade que eu não conheço, uma pequena pontada de medo surgi em meu interior, mas sinto que eu posso confiar nele, mesmo não o conhecendo.
– Chegamos! – Joaquim avisa enquanto estaciona o carro em uma rua desconhecida para mim. Nem o espero e já desço do carro analisando o lugar em busca de alguma pista. O muro é repleto de grafites e possui um portão dourado no centro, onde o carro ficou estacionado – Um portão? – pergunto confusa.
– Dizem que é revestido em ouro e soube que você adora esse minério! Mas o melhor é o que tem do outro lado!
Joaquim aperta a campainha ao lado do portão e um homem de idade aparece abrindo o portão. Caminhamos por um extenso corredor e quando chegamos ao fim, suspiro ao ver que é igual ao meu sonho: um enorme campo de tulipas vermelhas, lindo e muito romântico.
– Gostou?
– Não tenho palavras! Eu não conhecia esse lugar – pauso antes de falar a segunda parte, sem ter certeza se devo pronuncia-la – mais ou menos.
– Como assim?
– Eu sonhei com este lugar.
– Está falando sério? Quando? Como? – Joaquim olha para mim com uma expressão animada e confusa.
– Não acho que eu deva contar.
Fale com o autor