Diários De Uma Vampira
2 Um...Patrono?
Um...Patrono?
Eu abri os olhos para aquela familiar manhã cinza-perolada de mais um dia nublado. Pela nossa janela, que era bem grande, eu podia ver que estava tudo branquinho de serração. No nosso quarto, estava quente e confortável, com as paredes creme que deixavam a casa com ar de esterilidade, como se ninguém vivesse ali. Ah, mas na minha parte do quarto, que era mais próxima ao banheiro, sim, nós tínhamos uma suíte. Estava uma bagunça de livros, roupas e tudo mais que possa imaginar. Eu olhei para o lado e vi Helena. Ela olhava para o teto pensativamente.-Helena? — perguntei meio tímida.-Hm?-Err, você está bem?-Claro, por qual motivo não estaria?-Não sei — admiti — o que você sonhou ontem?-É...-Ah, vamos lá Helena, me conta — eu sorri encoranjando-a.-É que eu sonhei que... algo vinha...-Era um bruxo... Ou?-Não, não era humano.-Como assim? — eu estava realmente intrigada.-Ahh deixa para lá Kate. Esquece, nem eu lembro direito. Eu vi que ela estava mentindo, mas eu sabia que não adiantava insistir, então esqueci.-Ahh, hmm...feliz aniversário Helena.-Feliz aniversário Katherine.Nesse instante Lyce, nosso elfo doméstico, abriu a porta.-S-senhoritas?-Bom dia Lyce — eu disse enquanto minha irmã bufava.-Ahn a senhora mandou-me chamar as senhoritas para o c-café.-Ok, já vamos descer, Lyce.-Eu não gosto do jeito desse elfo...-Helena resmungou quando Lyce saiu.-E de quem você gosta?-Haha, hilário.-Tá, vamos descer.E assim que cheguei, a nossa cozinha estava iluminada, silenciosa e sem vida como o resto da casa. As paredes eram cobertas por azulejos brancos, que a Lyce era obrigada a esfregar, e uma pia com várias vasilhas para serem guardadas. Me deparei com uma cena quase assustadora. Mamãe estava cozinhando. Sério, ela estava cozinhando?-Hmm...oi. -eu disse.-Olá Kate, Heleninha! — Ela a chamou de "Heleninha?" Meu Deus. Ela estava sentada na nossa mesa de mogno, com um vestido verde que a fazia parecer uns 5 anos mais nova que seus 40. Ela era parecida comigo, alta, cabelos negros e olhos verdes.Depois de um café meio estranho — tipo, minha mãe nunca está em casa, é estranho ver ela fazer salsichas — e de minha irmã fazendo de tudo para chamar a atenção da mamãe eu subi para fazer meus deveres. Coisa que minha mãe mandou eu e minha irmã fazer de um jeito muito cômico. “Vá agora para cima fazer seus deveres, mocinha!” Ah eu ri muito disso.Nossa casa era enorme. Dois andares. Em cima tínhamos três quartos espaçosos, cada um com seu próprio banheiro. No andar de baixo, a sala de jantar, com uma mesa comprida de mogno, como na cozinha, só que maior. Tínhamos vários retratos dos descendentes dos meus pais. Na sala de estar havia vários sofás creme confortáveis e uma mesinha, que quando eu era pequena, papai usava para colocar o seu exemplar de O Profeta Diário depois de lido. A sala tinha uma lareira grande, que tornava o cômodo mais aconchegante que o resto da casa. Nas paredes creme com várias janelas, tinha uma vista incrível do povoado bruxo que moravamos. Nas colinas, quase dava para ver o povoado inteiro e ainda podíamos ver a floresta que invadia os jardins no lado leste.Enquanto eu pensava em como aquele dia estava louco, ouvi um barulho no andar de baixo e corri para lá.Lyce havia quebrado uma jarra, e minha mãe gritava com a pobre coitada.-Reparo! Viu mãe não precisa gritar, é só uma jarra.-Esse elfo é muito desastrado!-Calma mãe. -Ok. — minha mãe era do tipo que sempre prefere desistir das coisas a ficar insistindo.Ela era uma corvinal, e estava no 5° ano quando começou a namorar meu pai, Diego Raynes. Minha mãe, Angelina Raynes, se casou assim que saiu de Hogwarts. Ela e meu pai tinham muito em comum, os dois eram da mesma casa, gostavam das mesmas coisas e entraram para a academia de Aurores. Ou seja, eu e minha irmã praticamente fomos criadas pela elfo doméstica, Lyce.Não estou ressentida, nem nada contra minha mãe. Mas acho que eu gosto mais da Lyce que dela, quer dizer, essa elfo foi o único ser que se importou comigo nessa casa.-A querida, eu vou te entregar o presente de aniversário. — disse minha mãe mexendo numa gaveta. -Ahh aqui. — disse me entregando um embrulho azul e quadrado. Abrindo, vi que era um livro realmente bom de Defesa Contra as Artes das Trevas. O presente da Helena era um vestido lilás que ela usaria á noite, no jardim, onde seria feito um jantar para comemorar nosso aniversário. Por incrível que pareça, meu pai iria estar presente. Então nos seriamos quatro e a Lyce. Grande jantar. Mas não me importo.Chegando ao quarto, recebi as cartas da Mary e do Adam. Meus melhores amigos. Eles me mandavam feliz aniversário, boa sorte com minha mãe, e contavam algumas coisas de suas férias, que pelo visto estavam bem animadas.Horas depois eu me via no espelho, indignada. Eu estava com um vestido azul com babados, tomara que caia, que ia até o joelho e me deixava realmente deslumbrante, com um casaco sobre-tudo preto que me dava um ar solitário. Meu cabelo preto e liso caia por minhas costas e caía quase nos quadris. Eu estava de All Star, só para irritar minha irmã, mas que me deixava com um incrível ar de moleca. Meus olhos incrivelmente verdes estavam delineados com uma sombra preta e azul, que os deixava ainda mais lindos. Não que eu me ache linda, nem nada, mas eu estava realmente linda hoje. Eu sai do quarto e dei de cara com minha irmã, com um salto agulha que a deixava uns seis centímetros mais alta que eu. Ela também estava muito bonita com seu vestido lilás.-Hmm...er você tá linda. — falei.-Ah obrigada, você também.-Hmm, valeu. — ela saiu resmungando algo sobre meus tênis, eu sorri.Não sei por que, mas alguma coisa me fez colocar a varinha no bolso do vestido, não sei, eu estava meio inquieta, a varinha me fazia mais segura.Fui para o jardim, e tinham até fadinhas iluminando as flores. Só meus pais mesmo.O jantar foi tranquilo, até. Rimos, brincamos e no fim, cantamos parabéns pelos nossos 15 anos.-Ah Helena? Leve os pratos para dentro. — mandou minha mãe enquanto ela e papai recolhiam a mesa nos jardins. Eu fiquei para ajudar.Fui até os fundos para levar as cadeiras para casa. Quando eu vi, no início parecia uma luz, mais depois, vi que era um Patrono. Um Patrono? Era um cavalo lindo e prateado. Ficamos nos encarando durante um tempo. Quando dei um passo à frente ele começou a voltar para a floresta. E eu corri atrás dele, me guiando por aquela luz prateada que ele emanava.De repente ele sumiu, e a luz junto com ele. Eu estava no meio da floresta, e não via nada além da escuridão. A noite estava totalmente escura, o céu nublado e sem lua. Onde estava o Patrono? E onde estava a pessoa que o conjurou?- Lumus. — a minha varinha acesa era a única coisa que quebrava a escuridão. Quando eu ouvi... Parecia uma risadinha. Mais depois foi ficando mais alta. A pessoa estava se aproximando. Quando eu ouvi gritos, que pareciam vir de um lugar muito longe. Eu comecei a correr.-MÃE, PAI! Quando algo me derrubou, e mordeu minha mão, e uma dor insuportável começou a queimar meus nervos. Era horrível! Era...Comecei a ficar inconsciente, e não ouvia mais nada ao meu redor. Nem as risadinhas, os gritos desesperados dos meus pais. Só sentia a dor, que consumia lentamente meu corpo.
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