Diários

9 Capítulo 8 - Na casa do inimigo...


Notas iniciais
Hoje não aconteceu absolutamente nada de interessante, então quem quiser pode pular esse capitulo da minha vida, fique a vontade, além do fato de eu estar com uma enorme vontade de visitar o cemitério municipal acabei ficando de cama! Mas assim que eu melhorar vou visitá-lo com certeza...
8º dia, 17h41min

\"A solidão é o refugio para quem tem a escuridão na alma\"

Por que justo eu tinha de ser a \"ovelha negra\" do mundo? Por que tinha de ser a \"inencaixavel\" da turma? How Care?!

“Qualquer um menos Dominique! Qualquer um menos Dominique!” cheguei com este pensamento na sala e fiquei repetindo isso até me sentar, quando lembrei que hoje haveria o sorteio das duplas do trabalho de Biologia, sobre a “química da vida”.

Todos os nerd’s ficaram animadíssimos, cheios de idéias, já eu queria que fosse o mais discreto possível!

Já na terceira aula, a última antes do intervalo a professora de biologia entrou em sala e começou a explicar uns últimos assuntos sobre glicídios e suas funções no corpo, aí, faltando apenas 10 minutos para o intervalo ela começou a escrever nossos nomes nuns papeizinhos para sortear as duplas.

“Que lerdeza!”, pensei enquanto ela dobrava os papeis, parecia que ela queria que ficassem todos iguais. Perfeccionistas...

Ela começou a misturá-los depois chamou a Nicole, aquela em quem eu esbarrei ontem, para tirar os nomes das duplas, saiu um nerd e uma patty, uma Patty e um dos Caras, um Cara e um nerd, e faltando só mais quatro duplas ... O sinal bateu!

“Ah vá!”, fiquei na sala desenhando esperando (prestes a começar a roer o papel) que o sinal batesse de novo e eu soubesse com quem eu sai... Até que depois de dez exaustivos minutos, ele tocou.

— Bem, acho que só faltam três duplas, não é?! – disse Katerine, a professora de biologia.

— Quatro. – um nerd corrigiu.

— Sim, quatro... Nicole venha cá! – ela estendeu a caixa com os papeis para Nicole pegar, depois leu os nomes – Cloe e... – quem rufe os tambores... – Dominique!

O teto caiu na minha cabeça! Com tanta gente eu tinha sair com a pessoa mais esnobe da sala! Tinha de ser EU! Eu quis levantar para protestar, mas ela, Dominique, levantou antes.

Pela primeira vez eu estaria satisfeita com uma reclamação dela, contanto que me trocassem...

— Mas professora, eu não posso fazer dupla com “ela”...

— E por que não?

— Porque... Porque... – todos notaram que ela estava sem argumentos, e dizer que era porque não gostava de mim seria simplório demais! – porque eu e ela não somos compatíveis!

“Desde quando Dominique sabe o que é ‘compatível’?!”

— Pois tratem de se tornar, porque não vou trocar ninguém de parceiro por um motivo tão simplório!

“Você ‘sabe’ mesmo convencer alguém Dominique...”.

No fim da aula quando todos já haviam saído da sala eu fui até a Katerine.

— Professora, eu não podia...

— NÃO!

“Quanta ignorância”! Sai da sala aparentemente normal, mas eu estava queimando por dentro! Até que Dominique quase esfregou um papel no meu rosto.

— Que isso?

— Meu endereço! Hoje, às 2 da tarde! – e saiu se rebolando...

FIQUEI NO VÁCUO!

Ela nem esperou eu reagir...

Chegando em casa não encontrei ninguém, o que para mim é um alivio! Eu podia fazer o que eu quisesse até um sinal de vida transparecer na casa. Mas isso durou pouco, primeiro Emilly, minha irmã mais nova chegou serelepe e saltitante que nem um coelho (patético, não...?) e veio me abraçar, eu tenho HORROR aos abraços dela.

QUESITOS PARA REJEITAR UM ABRAÇO DE EMILLY:

1º ela sempre acabou de comer alguma coisa quando abraça, é meio que uma forma dela limpar as mãos nas roupas alheias.

2º ela agarra as pernas, então é quase certo de um dos lados ou ambos caírem

3º ela não larga tão facilmente!

Além disso, o fato dela SER minha irmã me incomoda profundamente já que boa parte das pessoas começa a fazer comparações de aparência e modos entre mim e ela, e não somo como gêmeas (o que é obvio), mas boa parte das amigas da minha mãe não acha isso, ou fingem que não acham!

Ainda antes de sair tive de ouvir um discurso sobre o que minha mãe achava de eu fazer o cursinho pré- vestibular, e devo dizer que não agradou muito a ela essa idéia.

— Cloe eu não acho que você devesse ir, porque é longe e além do mais você está no primeiro ano, não é certo que vá, só vai servir para te sobrecarregar... – para vocês verem como minha mãe me “incentiva”, a partir daí eu não ouvi mais nada, como muita gente deve fazer quando ouvi uma bronca, só escuta o que diz no inicio e depois só dizia que não ia fazer de novo e tal, nem parece estar lá, mas na semana seguinte já fez de novo, e também pelo fato da minha mãe repetir o mesmo discurso umas três vezes, então ouvir uma vez só já basta, eu nem respondia, ia direto para o meu quarto, mas como estava sem tempo peguei minhas coisas e sai.

INDO AO PONTO-CHAVE DO MEU DIA!

Eu teria de ir à casa da Dominique, e como era longe sai umas 13h35min, 15 minutos de caminhada para algo que provavelmente não daria certo.

Nem toquei a campainha e um homem “enternado” abriu a porta e quase me atropelou.

Eu já tinha visto ele na escola, era o pai da Dominique, o Senhor Phill, que ironia isso. Chamar alguém por “senhor”, o que dá um grande sentido de respeito e submissão e depois chamá-lo de Phill, como se fosse um amigo intimo... Na verdade o nome dele é Phillipe, mas sempre fez questão de ser chamado de Phill, e apesar de ser bastante atrapalhado era um empresário exímio.

— Com licença eu queria saber a Dominique está.

— Está sim! E você deve ser Cloe, não é? Posso te chamar de Cloe?

“Posso ter chamar de Phill? E desde quando você me conhece?!”

— Sim sou eu...

— Pode entrar ela está no quarto.

E saiu bastante apressado.

Realmente a casa dela era grande, toda pintada de um azul bem claro, mas afinal, no que isso interessa, não é?

Uma empregada me indicou o quarto da Dominique, estava fechado, bati com a maior delicadeza que pude.

— Pode entrar.

Entrei. IMAGINE UM QUARTO INTEIRAMENTE PATRICÉTICO! TUDO ROSA! ATÉ A ESCRIVANINHA DO QUARTO DA GAROTA ERA ROSA.

— Ah, é “você”...

“Esperava quem? O Rei da Escócia?”

Logo começamos a ver os livros que falavam da tal “química da vida num silencio inquietante, mas eu não ousaria perturbá-lo. Mas logo...

— GORDURAS!

— PROTEÍNAS!

— GORDURAS!

— PROTEÍNAS!

Até que eu notei que a mãe da Dominique estava na porta do quarto observando tudo e parei de gritar “GORGURAS!”

— Lipídios são gorduras... – ela falou serena

Eu dei um olhar tipo assim “não falei!” para ela.

Deu para notar que ela ficou com um “pouquinho” de raiva de mim. A mãe dela saiu.

— Eu pretendo terminar isso hoje, sabia?

— E você que eu não?! Olha aqui Cloe nós duas queremos nos livrar uma da outra!

— Que bom que você como eu...

— Vamos fazer isso direito! Para começar, MINHA casa, MINHAS ordens!

— Quem te colocou no poder?

— Olha só, para começar eu nem queria fazer essa droga de trabalho com “você”!

— E o que te leva a pensar que EU queria fazer com fazer com você?

— Não importa!

— EU NÃO PEDI ISSO! EU NÃO ESCOLHI, EU TAMBÉM NÃO QUERIA!

Eu praticamente explodi! Sentei no chão nessa hora cansada. Ah vá! Eu não merecia! Dominique ficou atônita!

O relógio da Barbie dela começou a soar, eram 17h, ele apitava a cada hora.

— Tenho de ir...

— Mas já?! – esse “mais já” me soou diferente, era quase como se ela quisesse que eu ficasse... Só se fosse para me fazer uma boneca vodu e me espetar inteira...

— Já, amanha vemos como acabamos na escola.

— É bom mesmo!

Voltando para casa acabei caindo num buraco na rua, não caindo inteiramente, é só que a minha perna afundou no buraco, a principio eu não senti nada, mas quando dei o primeiro passo acabei sentindo uma dor horrível! E também notei que estava sangrando.

“Ai ódio!”

Tive de ir mancando até em casa onde minha mãe preparou um monte de compressas com remédio de plantas, cada um com cheiro mais esquisito que o outro e foi pondo cada um de um vez na minha perna, depois me levou para o hospital e agora tenho de passar a noite aqui, tomando infecções anti-tétano e outras do tipo. E é dele que estou escrevendo...

Tenho planos, para quando melhorar, e o primeiro é... Ir ao cemitério municipal!

Parece estranho a primeira vista, mas eu gosto, lá é bastante silencioso e calmo, é mais um lugar onde eu penso nas minhas ações, e a reação da Dominique quando eu gritei com ela realmente me deixou bastante inquieta, eu a afetei de alguma forma...

Está bem que os meus gritos foram uma forma completa de expressar a minha rejeição por ela, mas não achei que ela se importasse com o que EU achasse dela.

Acho que até me sinto mal por isso... Na verdade: NÃO!

Suponho que passarei um bom tempo aqui no hospital ( se é que uma noite e um dia podem ser chamados de “bom tempo”), mas logo que voltar para casa devo continuar escrevendo, estou num notebook do meu irmão...

Notas finais
Gostaria de sair do hospital logo, mas acho que ainda demora, pelo fato de terem de esterilizar o ferimento, me vacinar e ver se teve nenhum estrago maior.