Diários
36 Capítulo 36 - Reze!
Notas iniciais
\"Se parar no meio do caminho, como vai saber se poderia ter chegado ao seu destino?
O capitulo de hoje é patrocinado pelo hospital Sant Suplice em Londres, atualmente a casa de Cloe Saviour.
Depois de três dias morando no hospital, eu já queria alugar o divã para mim, tinha virado praticamente minha cama!
\"Será que eles cobram quanto pelo sofá? Já estou começando a pensar besteira... Pareci que o Ky não vai sair nunca daqui...\"
O fato era que minha mãe já estava quase que totalmente bem, mas o Ky permanecia em coma
\"E eu não posso fazer nada... Até o Ryan e a mãe dele já forma embora...\"
A mãe o Ry havia sido liberada na manhã anterior. Eu tinha faltado a escola somente nos dois dias em que minha mãe estava desacordada, depois passei a ficar o resto do dia no quarto do Ky. Fiz a prova de intercambio, pensando sempre no Ky, mas ainda assim acho que tive concentração suficiente para passar
Lembrei da conversa com o Ry de outro dia:
- Cloe... Eu não quero que você perca as esperanças, mas... Se o pior acontecer quero que você esteja preparada para isso.
- ISSO NÃO VAI ACONTECER!
Lembrei dos meus gritos de revolta, e do fato de eu ser uma completa inútil naquela hora.
Na hora aquilo parecia uma idéia distante, mas agora... Qualquer coisa podia acontecer.
Passei as ultimas horas conversando com a Nick e andando de uma lado para o outro na sala de espera. O médico me disse uma vez:
- O seu irmão pode muito bem voltar a si a qualquer momento, mas é preciso um estimulo, algo que o faça acordar.
\"E o que vem a ser isso?\"
Visitei o Ky uma ultima vez, foi quando...
- O que aconteceu... — falei, mas ele não demonstrava sinal nenhum de que estava ouvindo — porque você não acorda! — eu fiquei irritada, por estar frustrada com minhas idéias e com a realidade.
O quadro do Ky não mudara desde que ele entrou em coma, eu só podia agradecer por não ter piorado.
Liguei o celular e pus baixinho uma musica dos 30 Seconds to Mars que ele gosta (End of the Beginning), passou uns minutos, eu estava distraída
- Pode aumentar um pouco? — uma voz rouca pediu
- Claro Ky — eu falei fora de mim — Ky?! Você acordou! — o abracei o mais forte que pude
- Chega, alguém pode ver!
- Eu não me importo!
Para que o Ky tivesse alta, só era necessário ele acordar, feito isso podíamos voltar para casa.
Senti um alivio enorme quando sai do hospital acompanhada de meus pais e do Ky, era como se uma nuvem de maus agouros tivesse deixado de me seguir.
\"Espero que não volte.\"
Depois de um bom banho sentei na frente de casa e fiquei olhando a rua, calma, como se nada pudesse acontecer além de...
- Ahhh!
Alguém pegou em minha cintura, incrivelmente eu me assusto com isso sempre! dei um pulo para frente e encarei a pessoa
\"Cortou meu pensamento completamente, ein!\"
- Já pedi para não fazer isso, Ryan!
- Calma! Eu não resisti... — ele riu, enquanto eu sentava de novo na mureta de casa
Não queria falar com o Ryan sobre o hospital, mas creio que ele também não
- Olha só o que eu te trouxe, uns garotos do CEFM fizeram
Ele me deu um papel, onde se lia:
Oração do Roqueiro
(Lion Freeman e Philipe Miray)¬
Les Pauls¹ nosso que está no céu
Santificadas sejam as suas guitarras
Venha a nós com o Jimi Hendrix
Que satisfaça nossas vontades
Tocando seus solos até nos céus
A bateria nossa nos dai hoje
Do William F. Ludwig e o Robert Danly²
Assim como nós vibramos com quem a tenha batido
E não vos deixei cair no esquecimento
Mas levai nos ao shows
WWR³
E você passou no intercâmbio!
A última frase tinha a caligrafia do Ryan.
Fiquei muito feliz
- Agora vamos ser colegas — ele falou
- É, que ótimo! Pena a Nick não ter feito, ela teria passado...
- Ah é, mais uma pessoa da sua turma passou
\"Ai, não!\"
- Dominique — ele falou
\"O Inferno me persegue! Nem tudo é perfeito...\"
- Quem sabe não criam uma oração dessas para ela... — Ryan disse
- É... Tai uma que eu nunca vou rezar — disse devolvendo o papel a ele
- Não pode ficar, é seu.
Guardei no bolso.
- Então, eu vou precisar de uma farda de lá?
- Isso, mas vai ser cedida pela escola, imagina vocês sem aquela sainha e blusa social da Font de la Vide e vestida com uma blusa cinza escrito CEFM, vai ser lindo.
A Font de la Vide é muito tradicional, o uniforme era exatamente como o Ryan descreveu.
- Vai ser \"lindo\"
- Seus colegas não ficaram com raiva?
- Hã?
- De você querer fazer intercambio com uma escola \"inimiga\".
- Alguns sim — lembrei que o Zac (aquele que a Nick falou comigo...) pareceu meio frustrado em saber que eu queria ir para outra escola, para uns era como um ato de traição. — Mas... Que se danem! EU vou porque quero, não porque vou seguir ordens de alguém.
Depois de um tempo, minha mãe pediu para eu entrar em casa, me despedi do Ry, mas tarde conversamos pelo Twitter e eu pesquisei sobre orações de roqueiros e achei uma bastante interessante:
Rock Nosso que estais nas veias
Santificados sejam vossos riffs5
Venham a nós as suas bandas e blues
E seja feita a nossa vontade
Assim nas rádios como nos bares
O solo nosso de cada dia nos dai hoje
Perdoai nossas duplas sertanejas
Assim como nós perdoamos
Os pagodeiros que nos têm ofendido
Não nos deixeis cair em dance music
E livrai-nos do axé
Amém
Depois disso escrevi e fui dormir. Aliás, sobre o 30 Seconds to Mars, você pode ouvi-los no site Clica!
-- Até logo –
Notas finais
¬ - Nomes de colegas do Ryan
1 – Lês Pauls – nome do criador da guitarra Lês Pauls
2 - William F. Ludwig e o Robert Danly – criadores do primeiro projeto de construção de uma bateria
3 – WWR – We Wanna Rock! (nós queremos Rock!)
4 – Para não dizerem que cometi plagio! O Site de onde eu tirei a oração está como hiperlink no titulo desta!
5 – Riffs - progressão de acordes, intervalos ou notas musicais, formando a base das músicas
Bem amanhã vou começar meus estudos no CEFM, estou fula com o fato de que, se ganharmos, o premio do concurso vai para o CEFM, mesmo que um ou mais alunos da Font de la Vide tenha participado, mas são as regras, não posso fazer nada...
Amanhã falo mais
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