Diários

20 Capítulo 20 - Caverna


Notas iniciais

O capitulo de hoje é grande e um pouco cansativo e também com conversas paralelas, quem diria que eu voltaria para o hospital tão cedo, welcome to my day!

20º dia, 22h16min

Foi hoje!

Nicole quem está escrevendo por razões que logo saberão. Quando tiver alguma passagem [entre colchetes] é uma conversa paralela entre eu e ela.

Ensinei ao Ryan onde era minha casa e pedi a ele que passasse nela para irmos às cavernas. A manhã estava com um nevoa linda e calma.

Comecei o dia rolando das escadas, sério! Pisei no primeiro degrau do segundo andar e despenquei para o primeiro. O Kyle me ajudou:

- Isso é que é beijar o chão, maninha, literalmente

“Desde quando você usa a palavra ‘literalmente’?!”

Ele me ajudou a levantar, acabei por arranhar o braço.

- Fucki*!

- Se mamãe souber que você anda falando isso...

- Se mamãe souber que você não anda estudando... –ameacei

- Mas ela não precisa saber não é...?

- Não mesmo...

“Velho sistema de chantagens, não me denuncia que eu não te denuncio”

Passei água oxigenada no ferimento, ardeu demais

“Alguém mais tem de se ferrar na minha vida!”

Ryan chegou mais ou menos umas sete e meia com a mãe dele, eu estava na cozinha, mas de lá pude ouvir minha irmã dar as calorosas boas-vindas a ele:

- Cloe! Menino! Menino bonito! Sabia que você é bonito?!

- Obrigado – ele respondeu meio sem jeito.

Apareci na sala:

- Acho que você já conheceu minha irmã caçula.

- Nem pareci que você são irmãs

“Diz pela aparência ou pelo gênio?”

- Eu sou a única ruiva

Quem olhasse para mim, Emilly e o Kyle juntos jurava que não tínhamos parentesco, exceto pelos olhos verdes, o Kyle tem cabelos castanhos e Emilly também, eu sou a única que herdou os fios vermelhos da minha mãe

- É – ele levantou do sofá – Cloe esta é minha mãe Paolla, mãe esta é a Cloe, quem me convidou.

- Prazer em conhecê-la

- Igualmente – respondi

Minha mãe desceu, ela fez questão de arrumar minha mochila, era como ir num acampamento de três meses em um dia para ela. Enquanto as adultas conversavam, Ryan me chamou num canto.

- Não gosto daquele garoto

- Que garoto?

- Aquele que volta da escola com você

“Virou o que?!”

- O Thew?

- É este mesmo

- E por que não?

- Não sei, ele pareci tão...

- Emo?

- Estranho...

- Por quê?

- Você está muito curiosa hoje, sabia?

- Eu?! Só quero entender porque você não gosta dele

- Não sei dizer... Não acho que ele vá fazer boa coisa. Ele vai também?

- Acho que sim...

Ele fez uma expressão de quem não gostou da noticia.

[- Esse Ryan é muito desconfiado, não é Cloe?

- Bastante... Continua ai!]

Ouvimos uma buzina do lado de fora, o ônibus havia chegado.

A mãe do Ryan foi se sentar junto com outras mães no fundo do ônibus e a Nicole me puxou para sentar do lado dela, o que fez o Ryan ter de ir sentar do lado do Lucas (O Chato), mas ele não deu atenção ao Lucas, só ficou ouvindo música no Mp4 Darkness dele.

[- Aliás, por que você fez isso?

- Eu queria que você sentasse comigo, só. Não queria ficar sozinha lá

“Achei que eu devia me preocupar com isso”]

Depois de quase uma hora e meia de viajem chegamos, a professora de História desceu toda empolgada:

- Lembrem-se tudo que virem e ouvirem aqui contará em trabalhos desta unidade

Ela encontrou o guia e entramos, vimos umas pinturas e ouvimos explicações chatíssimas sobre a Pré-História. Até que ele nos mostrou o lago subterrâneo. Fiquei olhando ele um tempo, até que o Ryan falou comigo e eu cai em mim:

- Quem é aquela?

- Quem a loira?

- A que está do lado da loira

- Dominique Evans. Por quê?

“Está a fim dela, é?”

- Ela não para de me olhar...

[- Putz, Dominique anda muito atirada, eu vi no dia que ela só ficava olhando para o Thew.

- Deve tê-lo achado bonito

- Ela acha muita gente bonita, aliás, o Thew, o Ryan, só falta ela achar o zelador Flack um gato

- Não exagera Nicole, o zelado deve ter sido rejeitado até pelo inferno

- Ai, que mal, Cloe

- Você quem começou, anda, escreve]

Uns instantes depois eram nove da manhã, Thew, Nicole, Ryan e eu estávamos conversando perto do precipício que dava para o rio, aí a Dominique me chamou:

- Vem cá Cloe

“Lá vem merda...”, mas fui.

- Que foi?

- Quem esse amigo seu de olhos azuis

- Por que o interesse?

- Que eu saiba ele não propriedade sua

- E nem sua...

- Ah! Sua chata eu só quero conhecer ele – ela me empurrou, aí aconteceu: eu já ia cair no precipício, daí tentei segurar na Dominique, mas ela caiu junto comigo. Só vi o Ryan dizendo alguma coisa para Nicole e ele correr com Thew pela borda do precipício atrás de nós.

[- Aliás, o que ele falou?

- Eu disse para eu ir pedir ajuda

- Hum...]

“Putz, só me fod*& nessa joça!”

O rio é desses que é fundo no leito e raso nas margens, tinha mais ou menos uns seis metros de largura e uns três de profundidade, quando caímos, eu cai em direção á margens e senti minha cabeça e minha perna baterem no fundo do rio, com uma dor tremenda. A parte boa foi que eu flutuei a parte ruim é que EU NÃO SEI NADAR!

Segurei o mais que pude em Dominique até ela nadar para a margem, chegando lá eu Tosi bastante até toda a água que eu tinha engolido sair. Daí cai de lado.

Logo os meninos chegaram e senti eu alguém me pagava como se eu fosse um bebê de forma que eu podia ouvir o coração dessa pessoa bater acelerado, olhei para pessoa pelos olhos só podia ser o Ryan.

- Cloe! – a voz dele parecia feliz quando me viu, mas logo a felicidade virou desespero – Cloe, Cloe! Não, não! Não dormi, fica acordada, fala comigo!

- Eu... – minha visão estava turva e eu estava confusa e tremendo por causa da água fria, logo ficaria inconsciente.

- Não dorme, vai , acorda!

- Ry... – senti meu corpo desfalecer aos poucos

- Ahhhh! – ouvi a voz da Dominique – Sangue! Sangue! Eu estou ferida, Thew, eu estou ferida!

- Calma Dominique! – Thew falou – Não... Não é você quem está sangrando não.

- É Cloe – Ryan disse, notei que ele estava com os braços na minha nuca, estava me segurando como se eu fosse um bebê, ele deve ter sentido o sangue escorrer do meu pescoço para o braço dele.

Senti que o coração dele acelerou mais ainda, mas precisava ser racional, pediu:

- Thew, tira os tênis dela

- Quê?

- Quer que ela morra aqui?!

Ryan retirou minha jaqueta e me cobriu com a dele.

[- Que taras são essas, ein Cloe?

- Ele queria me ajudar!

- Mas precisava disso tudo?

- Sim, por que senão eu nem estaria aqui. Prossiga]

- Cloe... – ouvi a voz do Thew – Vai ficar bem.

- Fica acordada, anda quantos dedos tem aqui?

“Preciso mesmo fazer isso? É tão idiota...”

- Cinco – agucei mais a visão – dois dobrados...

- Pelo menos ela está vendo bem, e então Dominique?

- Celular sem sinal.

- O jeito é esperar Ryan

- Quantas horas?

- Vai dar duas da tarde

- Está demorando demais

- Quase cinco horas aqui, é muito tempo... Devemos estar bem longe da entrada

- Eu vou iluminar as coisas.

Apesar de estar quieta eu ainda estava acordada, até que notei que o Thew ia fazer uma besteira:

- Magnesi... – o resto não saiu, mas Ryan entendeu

- Apaga isso Thew!

- Por quê?

- Aqui é coberto de magnésio, acenda o fósforo e morremos carbonizados

Ele apagou o fósforo.

Acho que se passaram mais uma hora até que ouvimos vozes e algum idiota pós um feixe de luz no meu rosto.

“Vou voltar cega!”

- Ali estão eles. – era a voz da Nicole

- Cloe! O que aconteceu? – A mãe do Ryan falou esganiçada

- A gente caiu no rio... – Dominique explicou meio encabulada.

- Thew me ajuda aqui – Ryan pediu

Thew me segurou pelas pernas e notei que eles me levavam para a entrada da caverna e minha mãe ligava para a emergência e para os meus pais.

[- Vei, to chocada, como é que pode?

- Como pode o que?

- O Ryan não te agüentar sozinho

“Achei que você ia falar outra coisa!”

- Ele é um menino, não o super-homem!

- Mas ele pareceu tão forte...

- Vai começar a secar ele que nem a Dominique?

- Eu não! Só digo que ele pareceu tão ‘herói’...

- Ah, Nicole ele não é perfeito, continua escrevendo]

A ambulância chegou logo e me levarão para emergência, Thew, Nicole, Ryan e a mãe dele me acompanharam.

Quando cheguei ao hospital, fiz uns exames e levei logo uma anestesia geral, aí sim! Agora eu podia apagar. Os médicos deram uns pontos no corte da nuca e da perna.

Quando finalmente acordei Ryan estava sentado no sofá do quarto esperando, até que me viu acordar:

- Finalmente...

- Quantas horas?

- São dez da noite, você dormiu bastante

Tentei me levantar, mas estava um pouco zonza então deitei de novo.

- Ai.

- Tem sorte...

- Tenho? – as palavras me saiam roucas ou quase não saiam

- Tem sim! Não perdeu muito sangue, então não foi necessário transfusão, até porque ninguém aqui tinha sangue ‘B’ negativo para te doar. Só precisou levar uns pontos e depois de amanha deve estar em casa.

Eu sorri de leve, só virei a cabeça para dar de frente com, no criado-mudo, um vaso com violetas e lírios (minhas flores favoritas), um cartão de melhoras e meu Mp4.

Ryan se levantou e foi até o criado-mudo:

- As folhes são da Nicole, o cartão do Thew e o Mp4 é seu mesmo. – Ele pegou o cartão e ergueu na altura dos meus olhos para que eu pudesse ler: “Quero que você melhore logo, sinto saudades, afinal temos um trabalho para terminar (rsrsrs), Melhoras. Ass.: Thew P.S.: Ainda vai na festa à fantasia?” – E o meu... – ele me mostrou um livro, não reconheci logo, mas depois notei qual era – Sua mãe disse que você queria muito e meu tio tem uma loja, daí às vezes sobram uns e eu pego para mim, mas agora é seu.

Ele me entregou o livro e falou alguma coisa para alguém de fora do quarto.

[- Ele te deu Anjos e Demônios?!\"

- É

- Que sorte...

- Muita sorte...]

Minha mãe entrou os prantos, parecia que tinha morrido...

- Cloe! – ela me abraçou

Soltei um tipo de grunhido de dor, ela tinha pegado bem em cima do ferimento no pescoço

- Desculpe querida, quando a Paolla ligou pensei que tivesse... – ela não conseguia falar

- É, pirralha, você nos deu um susto e tanto. — Kyle falou

- A Cloe tá dodói papai? – Emilly perguntou no colo do meu pai.

- Está querida, mas logo ela vai voltar para casa. O médico disse que ela teve sorte já que o ferimento não atingiu a coluna dela, por pouco, senão estaria paraplégica agora, ou pior...

Depois de um tempo minha mãe falou para meu pai e meu irmão:

- Vocês voltam para casa que eu vou ficar aqui.

Despedimos-nos e minha mãe foi comprar alguma coisa na cantina do hospital.

- Daqui a pouco eu vou também... – Ryan disse – vou confessar uma coisa... Eu fiquei com medo Cloe.

Eu franzi o cenho e ele explicou:

- Fiquei com medo de você morrer lá, sabe, de eu não poder fazer nada... Como com meu pai...

“Entristeci...”

Ele me mostrou uma fotografia com uma mulher, um homem com um uniforme da marinha, uma menina e um menino e foi apontando:

- Esta é minha mãe, esta é a Rachel, este sou eu e este é pai... – a voz dele pareceu mais triste, eu não queira que ele ficasse daquele jeito – o navio dele afundou no Pacífico.

Minha mãe voltou ao quarto.

- Cloe, acho que eu já vou... Amanhã eu passo aqui... – ele se despediu. – Até logo senhora Laswer.

- Até Ryan.

Mal ele saiu a Nicole entrou, com um laptop embaixo do braço

- Não achou que você se livrar de mim só porque está no hospital, achou?

Eu sorri, ela sentou na cama:

- Boa noite senhora Laswer.

- Boa noite Nicole, melhor deixar as duas conversando – ela saiu para sala de espera

- Melhor?

Assenti com a cabeça

Digitei para ela como eu estava e também tinha um diário virtual e queria muito falar do dia de hoje nele, daí nós começamos a escrever revezando às vezes, e assim meu dia de hoje foi registrado.

-- Até Amanhã! --

Notas finais

Como deu para notar: EU ESTOU MAL! E até segunda vou ter de ficar no hospital e sentir cheiro de remédio até me sufocar com ele, por sorte não peguei pneumonia.

Thew, Nicole e Ryan vem no hospital constantemente, então não sinto só.

Até logo.