Diário sujo de sangue
1 Capítulo 1 - Mateus
— A corda sobre o roxo
Desligo o computador.
Ouço o som da noite. O frio toma conta do meu corpo quando sinto me arrepiar quando o vento da noite fria vindo da janela aberta chega a mim, me tremo e vou na direção da persiana e a fecho.
Me deito, finalmente, depois de uma longa noite conversando com umas pessoas no facebook, perdendo meu tempo também vendo vídeos desnecessários sobre faculdade, futuro, jornalismo, essas coisas que adentram no ciclo que chamo de masturbação mental. Por que masturbação mental ? Sei lá o porquê. Botei esse nome para as coisas desnecessárias das quais perco tempo depois de ter passado metade da noite assistindo o velho "entra-e-sai". Há. Só faltava um drugue á minha companhia nessa noite.
Sou gay. Paro e penso ás vezes, o porquê de ter sido assim. Será que minha mãe bebeu quando eu ainda era um feto ? Será que eu simplesmente olhei o primeiro pênis na minha vida e botei na minha cabeça que era bonito e com o tempo fui absorvendo uma ideia de que talvez eu gostasse e então, cheguei na incrível conclusão de que eu amava ou será que fui O Escolhido para isso ?
Há.
Nos livros que li, O Escolhido tinha sorte. Tinha a vitória no final. Me pergunto ás vezes também se terei minha vitória no final. Incrível como eu simplesmente consigo pensar o suficiente depois de sair do meu computador. Depois da velha masturbação mental e corporal. Eu sou extrovertido. Não consigo parar de falar ou pensar.
Isso me leva á pensar que é por isso eu seja meio excluído. Acho que ninguém presta atenção em mim no colégio. Por que prestariam ? Porra. Sou um gay que não para de falar, que define "escolher o próprio futuro" como uma masturbação mental sem fim e que se masturba toda noite por causa da solidão que ele tem. Claro que ninguém iria saber disso de primeira. Imagina a situação.
" — Olá, sou Mateus. Sabia que me masturbo toda noite porque estou sozinho?
- Socorro! "
Eu sempre pensei em situações que eu contaria o que eu faço e acho normal para alguém qualquer.
" — Bom dia. Sou Mateus, tenho 16 anos. Eu me corto em diferentes lugares para saber a extensão da dor e anoto num caderninho, querem ver?
A sala toda calada.
- Uma vez me cortei no cotovelo só para ver se consigo sentir o mesmo choque que sinto quando o bato na quina da mesa da cozinha. Outra vez, me cortei na orelha para ver se sentiria a mesma dor de quando alarguei a orelha.
O povo corre. "
Eu sei, eu sou maluco, já fiz tais coisas. Ver uma extensão da dor me faz pensar que talvez quando eu for espancado, ou assassinado, não vá sentir tanta dor, porquê já havia experimentado todo o tipo de dor no corpo. Bizarro.
Pego meu celular, meu fone, seleciono minha playlist e começo a ouvir Adna, um tipo de indie meio dark, meio lento, meio sonolento e gostoso de se ouvir. Sempre caio rapidinho no sono quando seleciono essa playlist. Me traz calma. Me traz paz.
Ouço um barulho alto. Alto o bastante pra ouvir mesmo com o som alto.
Tiro o fone e observo ao redor. Nada. Talvez tenha sido meu pai no quarto ao lado.
Sinto algo fazer uma pequena cócega no meu pescoço e a pressão me puxa para trás.
Merda. Merda. Merda.
Merda.
Mer...
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