Diário dos Sonhos
1 I - Novo orfanato
Notas iniciais
Aquela seria a quarta vez que Evellyn iria ser transferida de orfanato desde a morte de seu pai. O primeiro orfanato em que viveu havia sido destruído em um incêndio. O segundo foi o que a garota mais gostou, porém ele estava abandonado há quase seis anos depois de uma serie de acidentes e desaparecimento de alunos, inclusive uma grande amiga sua havia sumido lá. Evellyn se perguntava até os dias de hoje o que poderia ter acontecido com Lauren. O terceiro seria fechado pelo governo, aquele era o principal e único motivo para a transferência.
O próximo orfanato, diferente dos outros três, era um prédio alto que ficava no centro de uma grande e populosa cidade. Ela não sabia se conseguiria se adaptar a um lugar infestado de concreto ao invés de altas árvores e verde, mas Amanda, sua assistente social, garantiu que lá era um ótimo lugar.
Além disso, não era como se Evellyn tivesse alguma voz para decidir algo.
Olhou para a janela do carro vendo uma infinidade de edifícios e um céu cinzento carregado de nuvens de chuva. Havia sido em um dia como aquele que eu seu pai morrera, quando tinha apenas seis anos de idade, pelas mãos de... bem, de alguma coisa. Evellyn preferia não se lembrar sobre aquele dia.
Mas uma coisa que não podia deixar de lembrar-se era como a coisa meio humanóide que o matou seu pai era assustadora. Quando lhe perguntaram pela primeira vez o que havia acontecido ninguém acreditou, achando que era apenas alguma representação criada pela mente traumatizada de uma criança.
“Se eles tivessem visto o que eu vi...”
– Evellyn, estas bem? – Amanda perguntou, sem tirar os olhos da direção.
– Normal... – Respondeu sem tirar os olhos da janela.
– Poderias me dar alguma outra resposta ao invés de ‘normal’ às vezes.
– Mas eu estou ‘normal'.
Amanda deu uma rápida olhada para Evellyn, que no momento ainda encarava os prédios e pessoas passando pelo carro, e não falou mais nada. A chuva começou leve, com gotas pequenas e que faziam um baixo barulho ao bater no carro.
Mais alguns minutos do barulho das gotas de água e do motor, e o carro parou em frente a um prédio alto e cinzento. No letreiro em cima da porta de entrada estava escrito ‘orfanato Whiterose’. Amanda desceu do carro e Evellyn fez o mesmo logo em seguida, ficando parada ali e tentando adivinhar quantos andares aquele edifício poderia ter, sem se importar com a chuva, antes da assistente social a chamar.
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