Diário de viagem
7 Aquele bastardo...
Notas iniciais
Elizabeta estava radiante em seu vestido verde e botas, segurando uma cesta com uma grande torta de maçã que fizera para os irmãos. Roderich tinha comprado maçãs demais e não sabia o que fazer com elas, a garota resolveu usar alguma desculpa para que fosse visitar os irmãos.
–Guten nachmittag Elizabeta, herein. – deu passagem para que ela entrasse – Feliciano está no quintal, é hora da sesta dele. – falou meio desinteressado.
–Não vim falar com ele, eu apenas trouxe esta torta de maçã para vocês. – entregou-lhe a cesta – Sei que vocês gostam.
–Apfelstrudel? Oh danke. – sorriu.
–De nada.
Em passos lentos e preguiçosos, Gilbert desceu as escadas apenas com calça, estava sem camisa e uma toalha em volta do pescoço, provavelmente devia ter acabado de sair do banho, já que não costumava se enxugar direito e as gotas de água ficavam pingando dos cabelos; tentava ajeitar um novo curativo do braço direito que estava lhe incomodando, sem sucesso. Elizabeta olhou o albino e se assustou com os arranhões, devia ter sido mais uma briga que ele se envolverá, até achou estranho, pois essa época de Gilbert rebelde havia passado.
–Gil, o que foi isso? – examinou os hematomas – Você caiu da escada de novo?
–NEIN! Eu apenas fui atacado violentamente por um ser humano desumano. – passou reto para a cozinha, resmungando. Logo ouviram a porta da geladeira abrir e o tilintar de copos. Ele realmente não estava legal para conversar, melhor ficar quieto mesmo.
.x.
A casa parecia vazia, tinha algo errado ali. Não via recente rastro do espanhol durante a manhã toda, nem mesmo na hora do almoço, e isso deixou o italiano um tanto preocupado. Ontem pela noite ele teve a impressão de que Antônio voltava de algum lugar, chovia muito, então deve ter sido outra pessoa. Mas não tirava o fato de que ele andava estranho faz uns dias. O que poderia ter acontecido ao bastardo? Largou o controle da Tv e subiu apressadamente as escadas, nem mesmo bateu na porta do quarto. O cômodo não estava cheio de embalagens como na noite anterior, mas ainda tinha um espanhol deitado na cama. Mas um erro! Antônio estava enrolado no edredom, e fazia calor no momento, o que fez o cérebro de pasta do Lovi funcionar.
–Antônio? Está tudo bem?
Silêncio continuou a reinar. Então sentou ao lado dele, ainda dormia, e aproximou a mão de sua testa; estava ardendo em febre. Rapidamente puxou uma gaveta do criado-mudo ao seu lado retirando um termômetro, enfiou sem dó na boca do coitado, só faltou engasga-lo. Correu até o banheiro e voltou com uma toalha branca que a encharcou com água da pia, depositou-a na testa do moreno.
–38° seu idiota, por que diabos você está assim? – um ‘clic’ veio em sua mente. Sim, era ele mesmo que vinha na chuva, idiota. Quase o enforcou ali mesmo.
Querendo ou não tinha de cuidar dele.
.x.
Antônio abriu os olhos ao sentir que sua testa estava úmida, olhou para os lados e fechou os olhos novamente; tudo rodava para ele. Sentia calafrios percorrer pelo corpo, queria chamar por Lovino, mas não conseguia; ele odiava ficar doente, a única coisa que podia fazer era chorar. Parecia que tudo estava dando errado para ele, resmungou meia dúzia de palavras em espanhol que saiu mais como um punhado de grunhidos enquanto enxugava as lágrimas. O italiano abriu a porta, estava aliviado de vê-lo acordado, carregava uma bandeja.
–Olha bastardo, você está doente, e é melhor você comer isso aqui ou eu enfio goela abaixo. Com colher e tudo! – sentou ao lado dele, a bandeja fora colocada no criado-mudo. Pegou uma fatia de bolo de morango e um copo de suco de uva – Come logo. – percebeu que o outro tinha chorado, mas nada falou para não o deixar triste, seja lá pelo que for. Mesmo que não pudesse se esquecer do que havia visto. As imagens dele abraçando Gilbert ainda o perseguiam. A surra que deu nele ainda fora pouco, e queria poder espancar o ser indefeso a sua frente, mas a merda do seu corpo não seguia as drogas das ordens do seu maldito cérebro; e odiava isso em si, odiava estar amando o viciado em tomates, odiava pensar em batê-lo, odiava odiar quem amava. Odiava pensar em tudo isso.
Com o cérebro entrando em pane, Lovino levanta da cama de repente, o que assusta um pouco o outro.
–Aconteceu algo?
–NADA! Não aconteceu absolutamente NADA!! – controlava a voz, mesmo estando de frente para a porta, a coragem de olhar nos olhos dele estava abaixo do que aguentava.
–Eu sei que não, conheço você. Diga o que foi…
Sem responder, Lovino abriu a porta e a bateu, quase a quebrando. Andou/correu/voou até a cozinha e sentou de frente para o fogão. Precisava pensar na decisão que tomaria, queria ir embora daquela casa o quanto antes, mesmo que uma grande parte de seu coração ficasse para trás.
.x.
Feliciano comia um pedaço da torta de maçã enquanto assistia um documentário sobre gatos em algum canal pago, Ludwig, ao seu lado, lia uma revista. Gilbert estava jogado na poltrona do irmão com uma latinha de cerveja na mão, os olhos grudados na Tv, mas no maior tédio; vez ou outra garfava um pedaço da torta. O telefone tocou, Lud atendeu todo sério e formal para logo passar ao italiano depois de ouvir um “Bastardo!”.
–Seu irmão. – pegou a revista novamente. Gil ainda não manifestará qualquer reação ainda.
–Ve~ fratello? Que foi?
Suspirando Lovino explicou o que ocorrerá, olhava para trás, vai que é surpreendido pelo moreno, mesmo tendo as chances disso ter diminuído, já que ele quase nem levantava da cama.
–E agora eu quero sair desta casa, quero voltar para Roma e nunca mais voltar.
–Mas fratello, você já perguntou para ele…?
–Não! E não vou perguntar por que eu sei muito bem o que eu vi. – fico vermelho, mas mais de vergonha por ter contado o que viu, o que sentia, e o que queria fazer, ao invés de raiva – Eu vou arrumar minhas malas.
–Espere… — olhou para o fone depois para o loiro – Ele desligou Lud. O que eu faço? – ameaçou um choro.
–O que aconteceu? – mudou sua expressão de sério para preocupado – Antônio fez algo com ele?
–Lovi acha que o Toni está ficando com o Gil e…
Gilbert engasgou com a cerveja e quase caiu da poltrona, também, sentado todo atravessado daria nisso algum dia. Ao ouvir seu nome virou o pescoço com tanta força que até o cérebro deve ter girado e virado um shake.
–OPA! Como é o negócio aí? O que minha pessoa incrivelmente incrível tem a ver com isso? – bateu a latinha na mesa, amassando um pouco – Que eu saiba o Toni nunca teve interesse em mim do jeito que você ou seu irmão idiota pensa.
–Mas ele disse que o viu abraçando o Toni.
–Porque ele estava confuso com umas coisas aí, eu só ajudei, ele estava desesperado. – bagunçou o cabelo, agora fazia sentido o Lovino tê-lo atacado – Esse italiano cara de tomate…
.x.
–Lovino?
Pela noite, depois de um bom banho gelado, Antônio andava pela sala procurando seu pequeno, arrastava o lençol, tropeçou umas três ou quatro vezes. Até agora nada de Lovino à vista, chegou até ficar com medo. Foi quando ele viu Gilbert sentado em uma cadeira na cozinha comendo uma salsicha escandalosamente; Gilbird piava alegre com os milhos que lhe foram oferecidos.
–Gil? O que faz aqui? – espirrou e quase caiu – Você viu o Lovino?
–Bem, era isso que eu vi te falar… — levantou – Ele ligou para casa e falou com Feli, parece que ele vai voltar para Roma.
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