Diário de uma princesa cristã

11 A garota que envergonharia qualquer um.


Pov. Elise.

A minha tarde estava um pouco vaga, mas era hora de pegar Eric e encaminhar- me para a escola, para a aula dos cdf' s.

Me vesti rapidamente, peguei o meu blusão branco e vesti por cima de um vestido que ia até os joelhos. Amarrei o cabelo em um coque e pus meu óculos.

Há poucos anos meu óculos tinha se tornado indispensável pra mim, não quero dizer que sou cega nem nada perto disso, só me sinto segura com eles e minha vista não é a mesma sem.

Peguei o carro e fui em direção a casa de Eric Dawson, onde certamente ele estaria me esperando.

Dirigi calmamente como sempre, mesmo sabendo que isso de alguma forma aborreceria Eric quando nos encontrássemos.

O meu celular tocou algumas vezes, olhei, era meu pai, mas eu não costumava atender enquanto dirigia, então deixei de lado para depois ligar de volta, mas não deixei de pensar no que meu pai me diria. Eu não estava acostumada a ignorar meu pai, é claro.

As ruas continuavam calmas e paradas, como sempre era na cidade. Mal nós víamos um vivente andando pelas calçadas, e isso era bom, fazia daqui um lugar seguro.

Avistei Eric de longe na calçada de sua casa. Parei o carro, ele deu uma volta e entrou do outro lado no banco da frente.

–Boa tarde Eric. -Falei alegremente voltando a dirigir.

–Oi. -Falou ele sem nenhum entusiasmo em sua voz.

–Está chateado? -Perguntei.

–Não Elise, estou indo super animado fazer aulas com uma turma de pessoas sem graça e principalmente uma garota a qual eu não to nem ai! -Ele quase gritou.

Suspirei.

–Sinto muito Eric.

Alguns segundos se passaram por nós, e eu percebi que ele estava mais calmo, mas não puxei assunto algum.

–Olha, desculpa Elise... Você está sendo gentil comigo, me dando carona e eu só estou sendo um menino idiota e mal educado. Me desculpe.

–Tudo bem Eric. Eu te perdoou. Mas, por favor, se anima ai vai. Vai ser legal... Se você já for dizendo que vai ser chato pode ser, porque as palavras tem poder.

Ele suspirou. Percebi que não estava gostando da nossa conversa.

–Lá vem você falando da bíblia de novo... -Houve uma pausa. -E a propósito... Você está horrível hoje. -Murmurou ele quando eu estava parando o carro, saindo sem que eu nem tivesse estacionado ainda.

Suspirei. O que eu faria com Eric?

Tudo bem, você deve pensar que eu estou sendo idiota agindo assim com ele, mas sabe... eu não estou. Acho que seria assim que Jesus agiria, então me sinto feliz por isso.

Pov. Eric.

Okay, ela não estava tão horrível assim, só estava na base do normal, horrível como sempre era. Mas acho que já tinha se tornado um vicio para mim xingar e ofender Elise. Não, isso não me fazia me sentir bem, mas é como se fosse um troco. Não que Elise já tivesse chegado a me ofender, não, ela era incapaz de ofender a mim ou a qualquer outra pessoa, mas eu considerava o seu comportamento como uma ofensa, porque fazia a mim e a qualquer outra pessoa sentirmos vergonha perto dela. Por ela ser tão pura e perfeita. Ela não merecia o que eu e os outros fazíamos com ela, mas isso acontecia como um serial killer fazia, se torna um vicio quando faz. E eu gostava de fazer isso com Elise, mesmo sabendo que ela era indefesa pra responder qualquer ofensa minha. A unica resposta que ela me dava era o perdão. E isso me fazia sentir mais vergonha ainda.