Diário de uma paranormal
4 Um estranho batendo em minha porta
28 de setembro
Uma semana atrás meu primo, o amigo dele e as minhas amigas me contaram que sou uma espécie de paranormal, que tenho visões do futuro, e quando eu estava praticando o meu "dom" desmaiei na rua. Como eu estava sozinha um garoto passando me ajudou. Não sei por que, mas ele teve uma fixação pelo meu colar. Aquele do pingente em forma de aureola. Então nos sentamos em um banco próximo porque eu ainda estava tonta.
—Quem te deu esse colar?
—Meus pais. — respondi de imediato, mesmo achando meio incomum ele nem ter perguntado meu nome nem nada.
Em uma reação que eu não esperava, ele se levantou.
—Tenho que ir.
E fiquei sozinha no banco.
—Katherine!
Fechei o diário com pressa e fui até a sala. Ao chegar lá percebi que não era motivo para estar assustada. Nessa semana percebi que esse tipo de situação devia ser comum com a presença deles. Josh estava levantando o sofá com uma mão e depois partiu para a mesa enquanto Harry ria maniacamente. O loiro corria invisível, o que tornava tudo mais estranho.
—Cadê os controles do videogame??? Kat faz alguma coisa.
Fiquei assistindo a cena se desenrolar por um tempo, me perguntando se esses garotos tinham algum problema na cabeça. Quando fiquei entediada desses dois, peguei farinha na cozinha e joguei em Harry. A parte do seu rosto e ombros se revelaram então o puxe pela camisa.
—Devolva. — um sorrisinho escapou da minha boca.
Ele encarou de volta, me desafiando. Ao fundo o videogame era conectado, meu primo tinha arrancado os seus preciosos controles das mãos dele. O loiro soprou a farinha no meu rosto. Segurei meu impulso de dar língua e fui olhar o que Amber estava mexendo.
—Hm, o que é isso? — Amber perguntou com um desenho na mão.
—Foi uma visão que eu tive com aquele garoto que me deixou sozinha na praça. Ele estava aqui.
—E o que isso na mão dele?- Becky perguntou rindo. Era um desenho feio, mas dava para entender.
—Um celular.
Dessa vez quem se intrometeu foi Josh:
—Um celular com lantejoulas?
Passamos um tempo discutindo os méritos do meu desenho. Quando alguém bateu na porta Becky passou por mim pulando.
—Eu atendo.
Era mesmo o cara da praça. Parei para prestar atenção na sua aparência que não havia reparado antes. Ele usava a mesma roupa do outro dia. O que era bem estranho. Além do fato de usar usava dois casacos com o calor de hoje.
— ...aqui mora a Katherine ?
Todos foram até a porta. Bando de curiosos.
— Oi
— Você esqueceu o seu celular, eu voltei depois.
Recebi o celular da mão dele. Antes que eu desbloqueasse a tela, o garoto se adiantou.
— Eu li a mensagem que recebeu, acho que conheço essa historia.
— Mensagem?
Entrei na parte das mensagens e na primeira aberta havia escrito: "eu sei que vocês estão atrás de mim, me encontre nesse endereço" e o endereço.
— Posso entrar?
— Pode. Mas como você sabe da nossa historia?
Josh, ele e Amber se sentaram no sofá e eu, Harry e Becky no chão.
— Quando eu vi o colar da Katherine eu a reconheci. Seus pais o roubaram de mim e disseram que só devolveriam quando a filha deles estivesse em segurança.
— Como é?
— Sou um anjo, esse colar tem uma ligação forte com a minha graça. Estou preso a sua gravidade, sempre acabo voltando para onde ele está.
Ele é maluco!? Mesmo me recusando acreditar no que Miguel dizia os olhos dele se destacaram, suas íris eram de um azul claro muito próximo ao da pedra.
Tanta coisa bagunçando a minha mente me fez soltar debilmente:
—AH, é por isso que a pedra do colar é em forma de aureola?
Ele fez que sim.
O silencio reinou pela primeira vez em muito tempo. Isso tudo era demais. Até para os quatro quem conhecem a mais tempo esse mundo. Amber e Becky trocaram olhares de incerteza. Quanto do elas desconheciam era porque foi omitido por seus pais também?
Ao serem atingidos por outro pensamento todos ficaram preocupados. Como o desconhecido que matou nossos pais tem o meu número de telefone? Será que ele também sabe onde estamos? O que vamos fazer agora?
—Você acha que devemos ir até o endereço que nos mandaram? — Josh perguntou a Miguel.
Quando viramos para ouvir sua resposta o anjo havia desaparecido.
Era incrivelmente idiota essa ideia, mas se quem nos chamou aqui conseguiu meu celular chegar a nós não demoraria muito. A solução era ir pagar para ver. O endereço era de um edifício garagem. Não tinha ninguém circulando lá dentro, somente os carros parados. Nos separamos para ter certeza que confirmar isso. Aquela mensagem só podia ser alguma brincadeira de mal gosto. Era muita coincidência, mas provavelmente ainda sim uma piada. Amber disse alto o suficiente que havia achado algo. Fomos andando seguindo sua voz e perto do elevador tinha um bilhete.
–"Corajosos por virem até aqui, obviamente não vão me achar tão fácil. Divirtam-se."
Mesmo não entendendo a parte do 'divirtam-se' queria dizer a sensação de medo me arrepiou. A noção de uma pessoa nos perseguindo agora era horrivelmente palpável.
Algumas pessoas se aproximaram da gente, deviam ser seguranças. Josh estava preocupado demais para usar sua cara de mentiroso e nos livrar de dar explicações. Então fomos a direção deles também em silêncio enquanto algum de nós criávamos uma desculpa legal de estar em uma garagem sem ter carro.
E de repente lançaram raios das mãos. Fiquei paralisada. Isso é real? Um deles atingiu Harry e sua perna começou a sangrar muito, muito sangue...
—A gente tem sair daqui.
Procuramos instintivamente as saídas desse lugar. A opção óbvia era o elevador, qual nem estava muito longe da gente. Quando apertamos os botões loucamente para chamá-lo ao nosso andar percebemos que não seria rápido o suficiente.
Essas pessoas pareciam estar sem pressa de nos alcançar, aproveitando a visão de pânico geral. Então continuaram a lançar mais raios. Dessa vez com mais pressa. Vi que teríamos que apelar para a escada de incêndio para sair daqui com vida. O problema era a única porta estava atrás daqueles seguranças. Droga.
Não sei quem começou a correr primeiro, mas criou uma dispersão caótica. Acho que isso confundiu os tais seguranças mesmo não deixando de nos atacar um minuto se quer. No canto do meu olho vi Amber empurrar uma mulher que corria focada em Harry. Era longe do ideal, mas todos começaram a fazer o mesmo. Tínhamos que nos defender de algum jeito, né? Um a um nos enfiamos na escada de emergência piorando a bagunça. Eu sinceramente não conseguia acompanhar mais nada só torcia para sair ilesa. Quando finalmente cheguei ao térreo, corri imediatamente para fora e atravessei a rua.
–Você quase foi atropelada agora. — Josh me disse sem tirar o olhar da saída do edifício.
Sua voz estava apreensiva, notei um chamuscado em sua camisa. Becky saiu logo após. Amber havia provavelmente voltado para ajudar Harry porque quando saíram, ele apoiado nos ombros dela, percebemos como podia ser sério o acontecido.
Desesperada, corri para frente de um carro que estava passando na rua.
—Me ajude! O meu amigo está muito ferido.
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