A verdade é que eu menti, bem...omiti sobre um período que minhas amigas e eu fomos presas.

–Nós vamos fingir mesmo que isso não foi culpa de Katherine?!- ela disse a Amber.

Obrigado Rebecca, por fingir que não estou aqui. Revirei os olhos. Amber deu seu olhar de "Não vamos falar sobre isso agora". Espera. Isso quer dizer que elas falavam sobre isso sem que soubesse?!

–Como assim "minha culpa"? — disse já irritada. Sabia que estava errada, mas não gostei do tom.

Amber resolveu interferir, porque a morena e eu estávamos nos fuzilando com os olhos.

–Olha, Katherine foi uma péssima ideia de qualquer forma. -revirei os olhos — Mas...nós concordamos e a culpa também é nossa.

Becky a chamou de traidora.

–Quem age como se fosse a gênia daqui, mas é inconsequente pra caramba? Você não leva nada a serio, não liga pras consequências. Mas quer saber? Eu ligo! Agora estamos presas. Não é real o bastante pra você? Se lembre que a raiz de todos os problemas são você, Katherine.

O clima estava bem pesado entre nós três, expondo o desentendimento que sempre tentávamos ignorar. Alguma coisa mudou há dois anos. Desde quando voltei do ano fora. Foi repentino, de uma hora para outra estava decidido que eu iria embora, nem pude me despedir. Avisei a todos por mensagem, o que foi dado como falta de consideração. Durante o tempo que me mudei as coisas não mudaram muito, mas as pessoas sim. Já não tínhamos tanto em comum e, claro, que isso não passou despercebido.

–Eu deveria saber que não éramos mais um trio. -soltei — A proposito não fui a única que voltei diferente. -uma pergunta do que havia acontecido estava inclusa indiretamente.

Isso foi a horas atrás, e momentos depois a discursão tinha ficado acalorada e nostálgica para caramba, todas as nossas diferenças que se formaram no ano longe uma das outras foram jogadas na cara. Ficou alta o suficiente para que os policiais colocassem Becky em outra cela. As poucas palavras de Amber soltadas entre os discursos de Becky e meus eram suficientes para saber que tão irritada como nós duas, mas não precisava ser separada.

Precisávamos nos manter juntar, esse era o momento que isso ficava claro. Já tínhamos esquecido nossas diferenças. Em nossa frente um estranho de índole duvidosa queria nos ajudar. Vestido de terno escuro e parecendo bem sério, um homem de aproximadamente 50 anos sentava-se na cadeira de visitantes. Definitivamente eu não o conhecia. O que esse cara queria com a gente? Esse seria um advogado que Josh ou Liester mandou para nos ajudar? Se fosse, onde estavam eles?

O ultimo policial que nos acompanhava fechou a porta deixando que tivéssemos uma conversa privada com esse estranho.

–Que confusão vocês se meteram, hein?

Nós continuávamos grudadas a parede. Como não se sentir paranoica nesse ambiente? Serio, tinha algo em tudo isso bem perturbador. Talvez a sensação de quarto de hospital por causa dessas luzes intensas. Ou talvez o incômodo que os olhos sofriam por conta da branquidão das paredes, causando uma pontada de dor de cabeça. Minha mente ficou alerta, pronta para me mandar qualquer resposta repentina, ela parecia achar que iria precisar. O sentimento de antecipação estava me matando.

–Sentem aqui, vocês querem sair logo daqui, certo. Precisamos combinar umas coisas.

Ninguém se moveu.

– Onde está Josh?

–Seu primo não está comigo.

Nos encaramos por um bom tempo.

–Não fazemos ideia de quem é o senhor. Porque quer nos ajudar? — Becky perguntou desafiadoramente.

A expressão dele mostrou que já imaginava que seria questionado sobre o assunto.

–Vocês terão que confiar em mim. Tem um motivo. -somente disse.

Levantei uma sobrancelha. Ele achava que nós éramos idiotas?

–Contarei depois, aqui não é seguro. — ele disse olhando para a janela negra, que provavelmente no outro lado enquadrava vários rostos nos observando.

–Sem ofensas, mas minha mãe disse para ir a nenhum lugar com estranhos. — falei.

O homem abriu um sorriso com a lembrança.

–Eu conheci a sua mãe. E seu pai também e de todas vocês. -nós três trocamos um olhar.

–Vocês eram muito novas para lembrar, mas eu frequentava suas casas.

Um flash passou pela minha cabeça. Ao meu lado, Amber abriu a boca como se fosse dizer algo, mas provavelmente também tinha reconhecido esse cara.

–Tudo bem, vamos com o senhor. -Amber se pronunciou, olhando para as paredes brancas no fundo da sala. — Mas queremos ligar para Josh antes de sairmos.

O homem não tinha objeção.

O delegado não gostou nenhum pouco de ter nos liberar, fazer o que? Doug Jones devia ser um bom advogado. Sim, esse era o nome do conhecido de nossa família. Pegamos nossas mochilas de volta, dessa vez sem os arquivos do nosso inquérito — aposto que nos enrascamos ainda mais por causa disso. Enquanto estávamos no telefone com Josh, Douglas digitava ocupado no celular. "Tomando conta da gente". Desculpa, mas não precisamos dele.

–Josh! Vem pra cá, nós estamos na delegacia de Junesville. — Becky disse quando meu primo atendeu.

–Rápido, Josh! Você conhece Douglas Jones?- baixei a voz no final.

–Garotas? O carro chegou. -Douglas disse, me dando um susto.

–Hmmm, nós vamos ficar aqui. Josh está vindo nos buscar.- Amber disse rapidamente.

–Se quiser a gente pode o esperar. — relaxei um pouco quando falou isso. Pelo menos ele não iria nos arrastar, ou usar panos enxercados de éter contra a gente. Amber anteriormente segurava no meu pulso fino como fazia quando estava ansiosa. Eu estava sentindo o mesmo.

Mais quarenta minutos, Josh, apareceu a pé.

–Graças a Deus! — Becky disse dando um abraço nele.

Josh tinha uma expressão carrancuda quando ela o fez, mas que logo se suavizou. Meu primo não conseguia ficar com raiva de ninguém por muito tempo, abraçou Rebecca de volta.

Virei para outro lado quando os dois davam aqueles olhares apaixonados constrangedores.

–Você vai falar com o Doug, não é? — Amber interrompeu a conversa entre a amiga e meu primo. Becky no fundo fez uma careta.

–Vou. — replicou e foi caminhando ao caminho onde Jones estava.

Que bom que meu primo tinha chegado! Ele era mais esperto e menos assustado que a gente. Com certeza, não iria se deixar levar por Doug Jones e descobrir o que esse cara queria.

Por que fui ter tanta confiança?