Sei que estarei morto antes mesmo de terminar este livro, mas preciso contar para alguém o que aconteceu, nesse momento meu diário parece ser o único que poderá me ouvir.

Pois bem, iremos começar alguns dias atrás. Era uma manhã de Janeiro como todas as outras, o sol iluminava o dia que parecia não ter fim.

Mais um dia de aula chegava ao fim, mas meus pais estavam meio transtornados naquele dia, sabe quando você é só um cara de quinze anos que não sabe o que está acontecendo com seus pais que parecem falar uma linguagem que só eles entendem?

Mas naquele dia eles estavam piores. Corriam para lá e para cá dentro da casa. Do quarto para a sala, da sala para o quarto, quase não ligavam para mim, não respondiam minhas perguntas, nem olhavam na minha cara, mas uma coisa eles estavam bem ligados: Não me deixaram entrar de jeito nenhum no quarto deles.

– O que está acontecendo mãe?

–Nada meu filho — falou ela meio ofegante.

Alguns minutos depois ela voltou a falar comigo:

–Paul! — falou ela muito preocupada, como se eu estivesse perdido à tempos — Vá arrumar suas malas, te explico no carro.

– Tá bom, mas eu boto o que?

–Tudo! Vai agora!

Sem pensar duas vezes, arrumei minha mala em menos de trinta minutos, tudo estava lá dentro: Roupas, pasta e escova de dente, alguns jogos e outras coisas. Não acredito que cabia tanta coisa dentro de uma mala daquele tamanho. Ela era marrom e de tamanho médio com fivelas e ziper prateados, com um cadeado de quatro números cuja sequência era ****.

Entramos no carro sem pronunciar uma única palavra, nem parecia aquela família que a poucos minutos não parava de falar e gritar.

– Vocês já podem começar a me explicar o que está acontecendo. — falei com tanta convicção que até estranhei.

– Tá bom- Falou minha mãe- Recebemos uma carta e temos que sair do país um 24 horas.

– O que?! — Falei muito assustado.

– Explica pra ele Charles.

– Paul... — disse meu pai — como sabe, minha profissão envolve muito perigo, e eu não posso arriscar a segurança de vocês dois continuando aqui na Inglaterra, por isso estamos viajando para o Brasil.

– Brasil?

– Isso mesmo- falou minha mãe antes que meu pai começa-se.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.