Notas iniciais
Hey! como vocês estão? espero que depois desse o seu desejo pela minha morte acabe, de verdade ;u; Aproveitem o/

Solto um grito alto, e corro em direção ao Tom. Chegando mais perto, observo estática seu rosto pálido e a respiração difícil. O infeliz do motorista nem sequer parou o carro, filho de uma mãe. Nervosamente, tiro o celular do bolso e disco o 192, e espero enquanto a pessoa que atende não coloca o telefone na linha.

– Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, qual o ocorrido? – fala calmamente a voz do outro lado da linha.

– Um... um homem, meu namorado, meu Deus, ele foi atropelado e... – paro para respirar – vocês podem mandar uma ambulância?

– Oh, sim. Fique calma, e não mexa no rapaz de maneira alguma! Informe nos: onde exatamente você está?

– Avenida Bastos, Jardim florida... quase em frente a pizzaria Moira!

– O nome da rua, por favor?

– Rua Figueiredo!

– Estaremos enviando uma ambulância dentro de meia hora, senhorita...?

– Alice! Alice Mason! – falo, com uma voz um pouco esganiçada. Ela desliga, e eu me sento no meio fio. ‘’Como raios isso foi acontecer?’’ penso.

Espero por cerca de 20 minutos, quando uma ambulância chega, e um dos paramédicos fala para mim me afastar. Vou para trás, e espero enquanto levantam Tom e cuidadosamente o colocam em uma maca, que eles sobem no veículo, entro também, e me sento em um dos bancos. Sem que eu perceba, lágrimas começam a escorrer... eu não posso mais perder ninguém...

– Ei, moça! – exclama um dos paramédicos que entrou na parte de trás também.

– O que? – pergunto, levantando a cabeça.

– Pode ficar tranquila, ele vai ficar bem! Por sorte, o carro pegou só de raspão, e ele foi apenas... bem, apenas arremessado...

– Sério? – pergunto, esperançosa. Ele assente, e eu solto o ar que não tinha ideia de que estava segurando – nossa... fico muito aliviada, sabe?

– Hm... entendo.

Apenas assinto com a cabeça e volto a olhar para Tom. Se seu rosto não estivesse meio esfolado, e se ele não estivesse tomando soro por um aparelho, eu diria que estava dormindo.

[...]

Eles levaram Tom para uma sala de atendimentos, e eu fiquei esperando. Isso me lembra do dia em que eu levei ele para castrar e... espera... castrar? Será que... ah, esquece.

Uma mulher da recepção me chama, e eu vou lá.

– Olá! Você precisa assinar essa ficha, para melhor atendimento do seu conhecido. É só preencher aqui, aqui e aqui – diz ela, enquanto aponta os lugares – e pronto! Precisa de uma caneta?

– Sim, por favor.

Ela me entrega uma caneta, e eu volto a me sentar. Encaro os tópicos, e vou preenchendo:

Nome Completo do parente/conhecido: Alice Mason

Nome completo do paciente: Thomas

Qual é o sobrenome do Tom? Paro para pensar, e me lembro de uma vez que, enquanto jogávamos, ele falou algo sobre um ‘’sobrenome inventado pelo Phill’’ como era? Ah, sim, Carvalho. Volto ao papel e coloco, ao lado de Thomas, Carvalho.

Parentesco com o Paciente: ( ) Irmã(o) ( ) Primo(a) ( ) Conhecido.

Coloco um X no Conhecido, e depois coloco os outros dados, como CPF, contato, endereço e outras coisas. Me levanto e entrego o papel para a recepcionista.

Depois de me sentar novamente nas cadeiras de espera, me enrolo ainda mais na jaqueta de Tom... como será que ele está?

[...]

Depois de tanto tempo sentada, cochilei um pouco... acordei assustada com um médico chamando:

– Alice? Alice Mason?

– Eu! – falo, me levantando atrapalhadamente e andando em direção ao médico – sim?

– O Sr. Tom quer vê-la, hm, senhorita

– Ele já está melhor? Sério?

– Sim, sim. Entre, por favor.

Adentro a sala, e vejo um Tom sorridente deitado na cama, como se nada tivesse acontecido.

– Hey, Alice!

Me aproximo devagar, quase como se ele fosse sumir.

– Você está melhor? – indago, preocupada.

– Sim... né? – diz ele, olhando para os braços como se estivesse se certificando de que tudo estava certo – é, estou melhor sim! – anuncia, sorrindo.

Dou um sorriso enorme, e abraço ele da melhor forma que dá, com medo de machucar ele. Tom, também me abraça, e ficamos assim por um tempinho, até que ouço a porta abrir e se fechar. Viro-me e me deparo com...

– Ora, vejam só! A dona e bichinho de estimação! – exclama Phill.

– O que está fazendo aqui? – falo baixinho, me colocando entre ele e Tom.

– Eu? Bem, eu vim me certificar que meu experimento não vá por água a baixo, vai que esses intrometidos dos médicos decidem fazer teste de DNA? Eles descobririam que o seu foi alterado, e vocês na certa me entregariam!

– Entregaríamos mesmo! – falo – acha que iríamos ficar te defendendo, seu maníaco?

– Isso aí! – exclama Tom, tentando participar.

– É, mas acho que vocês não iriam querer que eu fosse ‘’desmascarado’’...

– E por que não? – pergunto, curiosa.

– É simples: se eles me pegam, serei obrigado a reverter sua situação... você com certeza não gostaria de voltar a ser um gato, não é, Tom?

Percebo, triste, que ele ficou realmente sem palavras... ele realmente CONSIDEROU voltar a ser um gato? E eu? Meu Deus, o que eu faria se ele voltasse a sua forma original? Eu ficaria encarando meu gato feito louca, e me lembrando dele como humano...

– É claro que não! Eu já criei uma vida nova como humano, e você vem querer tirar isso e Alice de mim? Ficou louco? – reclama Tom.

Respiro fundo, aliviada.

– Proponho, então, um acordo: vocês não me denunciam, e eu volto para meus experimentos. Vai demorar anos até eu conseguir desenvolver a fórmula certa para fazer a operação inversa e... – ele é interrompido pelo médico:

– O tempo de visita está quase acabando... ele – e aponta para Tom – vai ter que passar a noite aqui. Qual dos dois vai ficar com ele?

– Eu. Tom, vou voltar pra casa e pegar algumas coisas pra passar a noite – aviso, me virando para ele – ah, e Phill, volte para casa, sim? – falo, sorrindo forçadamente.

– Sim, sim. Tchau – fala Phill, saindo dali rapidamente.

Me despeço de Tom com um beijo, e saio da sala, deixando Tom e o médico sozinhos para poderem fazer os exames.

Percebo que o carro ficou lá no estacionamento da pizzaria, e xingo em silêncio. A solução é pegar um ônibus mesmo.

[...]

Revejo as coisas que peguei: duas mudas de roupa para mim, duas para o Tom, um saco de dormir para mim, sabonete, escovas de dente, creme dental, toalhas, duas cobertas mais finas, dois travesseiros... é, acho que está tudo certo sim. Agora é só colocar na mala. De um lado as roupas, do outro lado, bem dobrados, os dois travesseiros e duas cobertas. No bolso da frente o resto das coisas.

[...]

Já cheguei no hospital. Tom mudou de sala, ele vai ficar em uma que acho que foi feita pra quem vai ter que passar a noite: várias macas, com cortinas entre elas, e um espaço um pouco maior. Começo a desenrolar o saco de dormir, e arrumo as outras coisas também. Estou esperando Tom tomar banho, ele já levou a troca de roupa e a toalha. Me sento em uma cadeira, e pego um papel e uma caneta que estavam por lá em uma pequena mesa.

Tom,

Fui arranjar comida, daqui a pouco volto.

Ali

Pronto. Saio daquele quarto, e vou procurar alguma lanchonete. Deve ter alguma por aqui...

Avisto uma, quase do lado do hospital. Vou até lá e compro uma marmita mesmo. Compro também um refrigerante de limão, já que aqui não vende Coca.

Tom já tinha chegado e estava sentado na maca brincando com um pequeno cubo mágico.

– Ah, você não vai conseguir montar, Tom, é impôs.... COMO ASSIM VOCÊ MONTOU? Me dá aqui! – falo, tirando o cubo da mão dele, e comprovando: todos os lados de uma cor só...- ah, seu feio! Como você conseguiu?

Ele começou a rir, e tentou parar, o que não deu muito certo.

– Agora é a minha vez de tomar banho. Já volto – aviso, e pego minhas coisas.

[...]

Quando volto, ele está com a marmita na mão, batucando nela com os dedos.

– Está viva? Certeza que não derreteu em baixo da água? – pergunta, sarcasticamente.

– Tenho! – falo, e pego a marmita da mão dele.

– Ei!

– Calma, eu peguei dois pratinhos descartáveis, aí colocamos metade da marmita pra cada um – explico.

– Se é assim – fala, esperando eu abrir a marmita e separar a comida entre nós dois.

– Pronto. Vamos comer! – falo, pegando meu prato e um garfinho plástico que arranjei junto com os pratos. Tom balança a cabeça, concordando.

Terminamos, e já está de noite. Tom se deita, e eu me deito no saco de dormir.

– Boa noite, Ali – fala Tom, de cima da maca.

– Boa noite, Tom.

Viro de lado, e adormeço aos poucos.

Notas finais
E aí? acho que eu não preciso mais do meu armamento pra poder dormir... vejo vocês no próximo capítulo, ou nos comentários