Notas iniciais
Aqui está o segundo capítulo, um pouco mais longo. O detetive Lucchesi finalmente entra na história para iniciar as investigações! Sugestão de música: Red Right Hand - Arctic Monkeys ATENÇÃO: Essa é uma prévia! O capítulo vai ser betado, ainda, pela superbeta LindaLua!

23h47

Tudo o que aconteceu depois foi muito rápido. O rapaz negro, Rupert, deixou o quarto após fazer um curto exame pelo cômodo. Acredito que, assim como eu havia feito, ele procurava pela arma de fogo que havia ceifado a vida do seu pai. Era inútil procurar pelo assassino, pois não havia ninguém no quarto. Havia uma janela envidraçada de correr, que ia quase de uma extremidade à outra da parede. Ela estava parcialmente aberta, mas havia ali uma grade de ferro, com barras muito próximas uma à outra.

– Vamos levar Emily até lá embaixo. – Rupert disse para Vivian, que continuava abanando com suas mãos o rosto anêmico da moça. O negro tinha uma voz abalada, mas lutando para se manter em controle da situação. – Eu irei chamar a polícia.

– Deixe-me acordar Dewey – Vivian disse, parecendo nervosa.

Rupert, com muita facilidade, pegou Emily pelos braços, um pouco confuso, mas de modo protetor. Eu o ajudei a descer com a ajuda da lamparina. Não parecia necessário. O rapaz negro conhecia o caminho muito bem e logo estávamos de volta ao primeiro andar, onde ele deitou Emily num sofá.

– Eric! Eric! – Rupert esbravejou num vozeirão. As vidraças ainda balançavam com o forte vento do temporal que caía. Por alguns segundos, nada aconteceu. O som de um trovão cortou o silêncio da sala, enquanto Rupert me encarava com um olhar de um homem colérico.

– Que diabos o senhor está fazendo nessa casa? Quem é o senhor?

– Eu sinto muito pelas circunstâncias – gaguejei. Então, respirei fundo, parecendo mais seguro. – A senhorita... A sua irmã me viu lá fora, tentando desatolar meu carro e me convidou para entrar para que eu pedisse ajuda.

Eu estremeci quando um homem que era claramente o mordomo surgiu ao meu lado. Eu nem mesmo havia ouvido seus passos.

– Sim, senhor Pemberton? – ele perguntou, com uma serenidade que dava medo. Emily estava desmaiada no sofá, na frente dele; e eu, um completo estranho, estava bem ao seu lado. Ainda assim, ele parecia não esboçar reação alguma. Eu me afastei um pouco e me pus a estudá-lo. Ele era um homem perto dos cinqüenta anos, com a pele cheia de rugas e um olhar frio. Perto de Rupert, ele parecia muito baixo.

Se fosse essa uma história de terror, eu não teria pensado duas vezes em suspeitar dele. Não era a pessoa mais agradável do mundo, pelo contrário. Seu jeito soturno era assombroso. Ele estava vestido impecavelmente, apesar do horário. Trajava um terno negro e uma gravata vermelha. Sua sobriedade era inabalável.

– Arranje um pano e embeba-o em conhaque. Ou álcool puro. Aproxime-o do nariz de Emily. Eu irei procurar uma cabine telefônica e entrarei em contato com a polícia.

– Sim, senhor, como preferir. – ele disse.

Antes que ele pudesse seguir adiante, Rupert se aproximou e levantou a mão. O mordomo instantaneamente parou. Era interessante observá-lo, pois ele mais parecia uma máquina que um humano. Peguei-me imaginando qual deveria ser o tratamento que ele recebia dos seus patrões para se comportar daquela forma excêntrica.

Falando por entre os ombros do mordomo, Rupert murmurou, alto o suficiente para que eu escutasse:

– Não permita que ninguém saia desta casa agora além de mim.

– Se o senhor me permite, deveria ser feito uso da tranca das portas algumas vezes – ele disse, sacando do bolso uma penca de chaves pesadas de ferro. Arrancou habilidosamente uma única chave da argola do molho de chaves.

– Parece-me que já fizeram uso suficiente das chaves e das trancas para esta noite. – Rupert disse, arrancando a chaves das mãos magras do mordomo carrancudo. Depois que me lançou um ótimo olhar ameaçador, o rapaz negro foi até a porta envidraçada e a bateu furiosamente. O mordomo observou a saída dramática de Rupert com uma ponta de curiosidade, mas logo assumiu sua postura robótica de costume e foi em direção a uma porta na ala direita da sala de estar.

Sábado, 30 de junho de 1923

0h

Sinto muito em dizer que detesto a senhorita Pemberton, apesar de tudo. Primeiramente, ela me trouxe até esta casa – e eu poderia ter feito algo mais agradável do que estar trancado numa sala de estar supervisionado por um mordomo carrancudo, ainda mais naquelas circunstâncias. Fora isso, eu não consigo suportá-la. E me refiro à personalidade dela. Quem batesse as vistas naquela moça baixinha, de cabelos dourados, olhos azulados, pele alva (uma perfeita figura nórdica, diga-se de passagem se você não se importasse com o corpo magro e sem curvas); certamente imaginaria se tratar de uma mulher fria. Emily pode ser tudo, menos fria. Pelo contrário, eu jamais conheci um ser tão instável. Em alguns momentos, ela se mostrava incrivelmente feminina e sensível, vulnerável à qualquer comentário. Em outras ocasiões, contudo, ela mostrava coragem, firmeza e uma língua afiada. De qualquer modo, havia sempre um sentimentalismo exagerado em suas ações.

O mordomo parecia sem saber como reagir quando Emily o abraçou e começou a chorar nos seus ombros revestidos pelo terno impecável.

– Fique calma, senhorita. Fique calma. – ele repetia mecanicamente, batendo a palma das mãos sobre os ombros da jovem. Emily, porém, estava longe de "calma". Havia voltado a toda após ter recuperado sua consciência. Aos berros, repetia "Papai!" e "Não", entre soluços que davam angústia apenas por serem ouvidos. Eu assistia àquela cena com certo constrangimento, quando, para meu alívio, duas pessoas desceram a escadaria de pedra, desviando o foco de todos.

A latina de longos cabelos negros chegou desfilando na sala de estar. Vivian vestia agora um sobretudo de cores tropicais que cobria suas roupas de dormir. Não era nada apropriado para o momento e a senhorita Pemberton a olhou com reprovação. Junto dela, desceu também Dewey Pemberton. Ele era o típico rapaz escandinavo: alto, seus cabelos eram loiros, o maxilar era muito definido e as maçãs do rosto eram altas e destacadas. Os olhos, de um azul tão claro que eram quase desbotados, denunciavam que ele estava suspeitosamente agitado. Devia ter uns trinta anos, pela aparência. Era um contraste interessante: ele, tão branco e ela, tão morena.

Emily foi de encontro ao rapaz tão branco quanto ela – a semelhança era tamanha que eu já deduzira que ele era seu irmão – e o abraçou, mas ele parecia até mais desconcertado que o mordomo. Dewey olhava para o longe, com um olhar vazio, como se estivesse preocupado com outras questões. A dor da irmã não parecia comovê-lo.

– Eu... Eu não posso acreditar... Papai se foi. – Emily continuava a falar ofegante, enquanto derramava uma maré de lágrimas pelo rosto.

Dewey observou com muita atenção quando Rupert entrou encharcado na sala de estar. A porta se fechou com um baque logo em seguida, fazendo com que todos olhassem para o rapaz moreno. Emily limpava o rosto com as costas das mãos.

– A polícia não pode vir antes do amanhecer! Estão preocupados demais com a própria segurança! – ele disse, enquanto criava uma poça de água no assoalho. Então, se aproximou dos demais no centro da sala de estar. – Disseram que a nossa aldeia é longe demais do centro da cidade e que é impossível trafegar pelas estradas de terra nessas condições. Por que anexaram esta maldita vila à cidade se eles não têm capacidade de nos atender?

– Você está brincando? Então temos que ficar trancados com um assassino? – Vivian perguntou. Eu tinha certeza de que ela estava se referindo a mim. Eu observei que, ao meu lado, a senhorita Pemberton tomava conhaque num copo de vidro e já não soluçava mais.

– Que diabos... Por que estão falando de assassino? Eu vou ser a única que vai chorar pela morte do papai? – a senhorita Pemberton falou em uma voz afetada.

– Papai deve ser vingado – ele argumentava com as expressões de um cão raivoso, prestes a atacar sua vítima. No caso, eu. O rapaz negro ostentava um par de olhos diabólicos. Com a mão, ele desembainhou uma pistola que levava no caso e a engatinhou-a rapidamente, apontando-a para mim. Eu fiquei imóvel, com os olhos fixos no cano da arma.

– Mas que diabos você está fazendo, Rupert? – Emily disse, se colocando na minha frente. – Se temos um assassino entre nós, ele é você. E você não parece disposto a mostrar o contrário.

– Se a polícia local não pode vir, eu irei tratar do assunto pessoalmente – Rupert disse.

– Não vai mesmo. De forma alguma – ela disse, fuzilando o rapaz com seus olhos azuis. Ele colocou a pistola de volta no bolso do casaco. Eu respirei fundo, em alívio. Por alguns segundos, eu senti uma ponta de admiração a mais pela senhorita Pemberton. Apesar disso, o comportamento dela continuou a ser um incômodo para mim.

– Eu acho que é mais que hora de acabarmos com esse teatrinho e fazermos algumas apresentações – disse Dewey. Ele tinha um tom grave, e tinha uma voz bonita, mas diferente. Quando ele conversava, a voz parecia vir abafada, como se ele estivesse "falando para dentro". Uma voz insegura, diga-se. Dessa forma, ele parecia estar falando de um lugar muito distante, mesmo que estivesse ao seu lado. Em outros momentos, principalmente quando ele não estava tão consciente das suas ações, como eu viria mais tarde; a voz de Dewey soava muito forte e audível. Aquilo era confuso para certas pessoas, mas eu achava curioso.

– Parem de acusar o rapaz, pelo amor Deus. Ele estava bem ao meu lado quando tudo aconteceu. Este é... Bem, eu não sei o nome dele... – Emily falava, nervosa.

– Eu me chamo Anthony. Anthony Reed. Venho de trem de um vilarejo próximo de Montgomery, Alabama. Sou um simples médico de aldeia, em férias na Flórida.

– Isso ainda não explica como você veio parar aqui, em The Grove – Vivian disse, como se fosse uma detetive do tipo Miss Marple. Todos voltaram seus rostos para mim, o que foi desconcertante. Até mesmo o mordomo tinha um semblante curioso por trás da pele enrugada. Eu suspirei, antes de responder.

– Estava passeando por Coconut Grove com o carro que aluguei. Aproveitei para conhecer a praia. Assim que percebi a tempestade que estava se formando, resolvi voltar para o hotel onde eu estou hospedado, em South Beach. Mal tive a chance de dirigir muito e meu carro ficou atolado – eu disse, com muita segurança.

– Sim, e eu estava na varanda quando vi as luzes dos faróis do carro de Anthony acesas. Corri para ajudá-lo e nos viemos juntos de volta à casa para chamar um dos homens. Foi quando eu ouvi o grito... O grito do papai ao ser morto. Droga, eu não quero ter que lembrar disso! – Emily disse, com voz chorosa.

– Muito conveniente você ter estado àquela hora na varanda de casa para ajudar um desconhecido... – Vivian disse, fingindo as expressões de uma mulher sagaz e perceptiva. A meu ver, ela pouco tinha de inteligência. Ao menos, porém, ela tinha um corpo atraente.

Emily se aproximou dela:

– Sua maldita vaga...

O queixo de Vivian caiu, em choque, e ela levou uma mão à boca, como se estivesse profundamente horrorizada. Antes que Emily pudesse terminar, Rupert interveio:

– Emily!

– Se me permite, senhorita Romero... – o mordomo Eric falou tranquilamente, olhando para Vivian – Conveniente mesmo foi a senhorita ter estado no quarto do senhor Stratford Pemberton logo antes de seu assassinato. Quero dizer, por pouco não se depara com o criminoso.

– Eu sei bem disso! Eu fico assustada somente por pensar que isso poderia ter acontecido! – Vivian disse, soando patética. Então, ela refletiu um pouco sobre o que o mordomo havia dito. – Isso é alguma insinuação, não é? Tenho certeza que foi! Mas o senhor, então, teve tanta sorte quanto eu.

– Esteve no quarto de papai? – Rupert perguntou para a noiva. Você conseguia perceber a confusão nos olhos negros dele. Eu não conseguia parar de pensar como aquela situação era constrangedora para cada um de nós. Éramos seis pessoas na sala – eu, o mordomo Eric, Emily com seus irmãos, Dewey, Rupert e a sua noiva, Vivian. Nós tínhamos um cadáver sobre nossas cabeças e acusávamos um ao outro de ter cometido o crime.

– Ora, querido, eu apenas...

– E, você, Dew, que diabos estava fazendo? Por que não veio ajudar? – Emily perguntou à sua versão masculina (embora ele fosse bem mais alto), antes que Vivian terminasse sua frase.

– Emmie, por favor, se acalme – ele disse, com sua voz apática. Suas mãos, porém, tremiam, e ele as escondeu nos bolsos do sobretudo.

– Não diga para eu me acalmar. Meu pai acaba de morrer.

– É... – ele gaguejou – É meu pai, também, Emmie.

– Mas você nem mesmo parece estar se importando! – Emily disse. Ela parecia muito magoada com o irmão. Porém, ela logo deu uma amostra da sua instabilidade e mudou de assunto:

– Eu não entendo! A porta do quarto do papai estava trancada por dentro! E não havia ninguém lá dentro com ele. Ah, suicídio? Claro, papai usou uma de suas pistolas invisíveis. Isso é tudo impossível! Eu devo estar sonhando. – ela disse. Eu não sabia se ela estava alta por causa da bebida ou se ela havia apenas perdido o domínio de si mesma.

O mordomo levantou uma mão e, com o gesto, todos voltaram suas atenções para a única figura que realmente mantinha um pouco de sobriedade naquele cômodo.

– De nada irá servir se todos nós continuarmos com acusações. Todos vocês, senhores, estão com os nervos à flor da pele. Eu não cheguei a ver o corpo do senhor Stratford Pemberton, e não quero. Um assassinato é sempre uma cena muito forte. Foi tão forte que Emmie desmaiou. – ele disse, calmamente. Achei curioso ele ter chamado Emily de "Emmie". A senhorita Pemberton parecia ser a única que o tratava com algum afeto naquele casarão. –. Não há necessidade de esperarmos a polícia de Miami vir amanhã de manhã para iniciar as investigações. Recordo-me agora de que The Grove, nosso vilarejo, está com um novo visitante. Um rapaz chamado Filippo Lucchesi.

– O italiano? – perguntou Vivian.

– Um ítalo-americano, senhorita. Ele vem da Geórgia, está de férias do serviço em Atlanta. É um detetive contratado pela polícia. – anunciou o mordomo.

– Um detetive policial, Eric? Eles nunca sabem de nada, são tão inteligentes quanto uma porta – Rupert disse, servindo-se com um copo de conhaque. Foi um pouco engraçado ele ter mencionado isso, pois a noiva dele, a senhorita Vivian Romero, veio a se mostrar muito pouco inteligente para algumas situações um pouco mais tarde.

– Senhor, eu pouco sei sobre as capacidades deste detetive, mas as pistas de um assassinato deveriam ser investigadas enquanto ainda estão quentes, não é mesmo?

0h40

A chuva havia finalmente parado de cair quando ele entrou pela porta principal, acompanhado de Rupert. Lucchesi aparentava ser mais velho do que realmente era. Se você olhasse com atenção, ele tinha alguns fios brancos surgindo em meio ao seu cabelo liso e volumoso. Eu estava chutando que ele tinha 30 anos, mas poderia ser menos. Em tudo, Lucchesi dava sinais de ser extremamente sério e com um complexo de organização. O cabelo preto era impecavelmente penteado e arrumado para o lado; as roupas perfeitamente alinhadas e elegantes e uma proposital barba por fazer que lhe cobria o maxilar e o queixo.

Todos nós estávamos reunidos na sala de estar. Os moradores do casarão, em especial, olhavam para Lucchesi como animais acuados. Lucchesi correu o olhar por cada um de nós, como se estivesse nos analisando.

– É melhor irmos logo ao trabalho... O assassinato aconteceu no quarto do senhor Pemberton, não é mesmo? Eu suponho que fique no segundo andar – ele disse, observando a casa.

– Quanta falta de tato! – murmurou Emily. Lucchesi a observou com mais atenção, seus olhos castanhos pareciam brilhar de curiosidade. Contudo, não a respondeu.

– Sinto muito, senhor Lucchesi. O Inspetor Blunt, da Polícia de Miami, com quem eu conversei, deu ordens categóricas para que eu proibisse a entrada no quarto.

Lucchesi o olhou como se não estivesse acreditando.

– Bene... Então chame o senhor Blunt aqui. – ele disse.

– Como?

– Se o senhor não me permitir ver o corpo, eu não irei investigar o assassinato.

– Tudo bem – Rupert cedeu, contrariado. – Mas nada deve ser manuseado.

– Senhor Rupert, eu também sou da Polícia. Eu conheço os procedimentos. – Lucchesi disse impacientemente. – Podemos seguir agora?

– É claro.

– Antes que eu me esqueça... – os olhos de Lucchesi viajaram entre os presentes na sala de estar, até caírem em mim – Você deve ser o senhor Reed? Por favor, acompanhe-nos. Eu gostaria que os demais permanecessem aqui.

0h45

Eu não havia entendido como Lucchesi – quem eu jamais havia visto antes na vida – me reconheceu entre os ocupantes da sala de estar. Nem mesmo porque ele havia pedido para que eu subisse até o segundo andar. Ao menos a segunda dúvida foi logo esclarecida.

– Senhor Reed, o senhor Rupert me disse que você é médico. – Lucchesi disse, enquanto estávamos no corredor. Rupert ouvia a conversa com desconfiança.

– Corretamente.

– Gostaria que me acompanhasse para dar um parecer médico mais preciso sobre o cadáver. Horário e causa da morte, se há sinais de luta e tudo o que o senhor achar relevante mencionar.

– Eu não sou bem um médico legista e a maior parte das respostas que você busca são óbvias.

– Eu não me aventuraria em dizer que algo seja óbvio neste momento. Tudo o que me contaram foi muito confuso e contraditório. O que eu preciso é de uma análise minuciosa, profissional e imparcial – Lucchesi explicou. Nós estávamos em frente ao quarto do senhor Stratford Pemberton.

– Eu não entendo, senhor Lucchesi, como a presença deste rapaz seja necessária. Não haverá nada de imparcial no depoimento do senhor Reed, pois ele é um suspeito em potencial.

– Bene, senhor Rupert, isso cabe a mim e à polícia local decidir.

– Sendo assim, eu faço questão de observar, aqui de perto, muito embora a cena seja perturbadora demais para mim – Rupert disse. Eu o olhei por alguns segundos. O olhar de cão raivoso ainda estava ali, mascarado apenas pelo véu da civilidade e boas maneiras.

– Fique à vontade. – Lucchesi disse.

Notas finais
Diz aí embaixo o que você achou, é MUITO importante mesmo para o escritor!