Sinto uma grande dor por causa da onda de choque, mas continuo vivo, pois meu escudo absorveu grande parte da energia cinética e dissipou o calor.

Isso não me impediu de ser arremessado metros até bater de costas no chão.

— Capitão! — grita Elipse pelo rádio.

Logo em seguida eu retorno meu movimento e com um susto, rolo para o lado enquanto o monstro tenta me pisotear. Após seu pisão, seguro a espada com firmeza e aperto o gatilho que libera energia. Ainda deitado eu movimento a minha lâmina mirando na perna dianteira esquerda da criatura.

O monstro solta um rugido enquanto perde o equilíbrio e isso me dá tempo para me levantar e erguer uma postura. Noto que em suas costas aquelas estruturas semelhantes a ovos explosivos estão se formando de novo. São como espinhas que tremem, pulsam e reverberam. É de se supor que a cada batida de seu coração as encham cada vez mais.

— A biologia foi pro caralho aqui. — Reclamo enquanto limpo o suor da testa. — Elipse, câmbio, você está na escuta? Preciso de fogo supressivo e paralisante contra essa coisa.

— Estou com ele na mira.

Com a confirmação da Elipse, eu atiro me gancho eletro magnético numa árvore e me afasto um pouco do monstro. No mesmo instante a criatura se levanta e solta mais um rugido que causa um balançar nas folhas das árvores.

As esferas em suas costas começam a inchar e soltar fumaça e então a Elipse efetua o disparo de sua flecha de energia. O raio corta o vento e atinge a cara da criatura a fazendo recuar, mas ela não ficou paralisada.

Um segundo disparo é realizado e novamente a criatura não fica paralisada, e pior ela recua bem menos.

— Elipse mude sua posição agora! — Grito pelo rádio da caixa preta.

Em sequência escuto o disparo do gancho da Elipse e vejo sua sombra passando pelas árvores. Quase que ao mesmo tempo o monstro dispara uma das esferas como se fosse um canhão e explodindo o local que a Elipse estava.

Saco meu revólver e efetuo um disparo contra a criatura para chamar sua atenção e evitar que ele persiga a Elipse. O disparo atinge um dos ovos e isso o faz liberar a energia sem explodir.

— Elipse tenho um plano "B", mas preciso que você inutilize o máximo dessas estruturas.

— Sim capitão, mudando para flechas de dano.

— Não, use a submetralhadora. Essa coisa ou está desenvolvendo resistência ou absorvendo a energia de suas flechas. Atacaremos com coisas físicas ou com minha lâmina de vapor de plasma.

— Copiado capitão.

Com sua atenção focada em mim, o monstro mira e dispara mais uma esfera. Eu penso em fugir, mas ao invés disso eu levanto meu escudo e defendo a explosão com ele. A explosão me empurra um pouco para trás, mas ainda me mantenho de pé.

Contanto que seja uma de cada vez acho que aguento sem perder nenhuma parte do corpo.

O monstro se prepara para atirar um segundo esfera, no entanto uma rajada de tiros o impede de tal. Elipse se aproxima da criatura mantendo um fogo supressivo até descarregar o pente. Com isso o monstro enlouquece e começa a se debater jogando suas esferas restantes para todos os lados.

Enquanto isso, eu o flanqueio e miro meu gancho em uma das esferas que caiu para o lado oposto da criatura.

Com alguns passos para mudar o ângulo eu puxo o ovo e quando a chuva de explosões começa esse exemplar explode bem próximo da criatura a derrubando mais uma vez.

Com a quantidade de explosivos reduzida o festival psicodélico logo termina e eu consigo fazer uma boa aproximação.

Carregando a minha lâmina que brilha em roxo por causa de sua carga de plasma, corto a cabeça do monstro nefasto fora e pelo pescoço da criatura pulsa um sangue negro semelhante a alcatrão.

Com a criatura morta eu suspiro aliviado e troco a carga da minha espada pela a do meu escudo. Também confiro o gancho para ver se está intacto, ainda não acredito que puxar o projétil inimigo deu tão certo.

— Emcy, você está vendo isso? O capitão e eu encontramos mais uma forma de vida hostil. Estarei te mandando as imagens. Estarei batizando esse espécime de acnes.

Enquanto a Elipse se aproxima pare estudar a criatura eu dirijo minha visão mais ao longe. Tem algo de estranho com essa criatura em especifico, como ela chegou aqui sendo que não voa...