– ACORDA LOGO!

Jimmy não era muito simpáticos às vezes, era mais o tipo de cara que batia em você até ele conseguir o que queria. Fui acordado subitamente por Jimmy que gritava na porta do quarto, eles estava usando Jeans e uma regata preta com uma caveira.

– Ei, levanta logo temos coisas à fazer. Naquela mala azul ali no pé da cama tem algumas roupas limpas, se veste e desça até a torre, Dana nos espera lá. — ele saiu do quarto.

– Ok... — sussurrei.

Me levantei e troquei de roupa enquanto observava o dia pela janela: estava nublado e um pouco frio, nem parecia que estávamos no verão. Sai do quarto e dei uma olhada no corredor, continuava vazio, até demais. Desci até a sala da torre e entrei, Dana estava fazendo umas linhas no mapa na parede com canetão vermelho, me perguntei o que estava ela fazendo. Daniel, Jimmy e algumas pessoas que não cheguei a conhecer estavam sentados em volta da mesa.

– É, Oi? Estou interrompendo algo? — perguntei aflito.

– Willian! Que surpresa, você está melhor?

– Hã, acho que sim.

– Ótimo, pois precisaremos de você para fazer uma pequena... missão. Se quiser, claro.

– Tudo bem.

– Certo, sente.

Me sentei em frente a janela e foquei no que Dana tinha a dizer.

– Ok, todo mundo aqui? Droga... Onde está o Mike? eu disse, às sete horas em ponto aqui! Argh, enfim, começaremos sem ele. Como vocês sabem, estamos sem óleo e ferramentas adequadas para consertar os geradores do subsolo, e precisamos urgentemente desses itens. Eles lá em cima precisam disso, e nós também, certo Daniel?

Daniel que estava focado em algo lá fora, nos fitou por uns instantes.

– Sim Dana, então nós pensamos em mandar um grupo de sobreviventes daqui até uma loja de ferramentas para buscar tais itens. E como vocês sabem, não podemos forçar ninguém a ir, mas... Alguém iria? Não se sintam forçados a nada, ok?

– Eu. — disse Jimmy com tom de certeza. — eu vou.

Todos o observaram por uns segundos.

– Certo Jimmy, tudo bem. — disse Daniel. — Alguém mais? Precisamos de no mínimo mais uma pessoa, já temos mais duas lá embaixo e isso fecha em quatro.

– Ok, eu vou. — eu disse. Provavelmente eu estava louco ou coisa do tipo, sabia que ali era seguro e era onde eu deveria ficar. Mas eu não podia em nenhuma circunstância deixar Jimmy ir até lá sozinho, não aguentaria perder mais um. — eu vou.

– Você tem certeza? Quero dizer... Você está meio... assim. Se me entende, sem ofensas. — rebateu Dana.

– Eu vou Dana. Precisamos disso, eles precisam disso. A droga do governo não nos ajuda mais, então temos que fazer isso por conta própria. — eu disse.

– Se tem certeza... Ok, pessoal era apenas isso que tínhamos para tratar, dispensados. Ah Joel, tente um contato direto com o Governo, precisamos de mais remédios.

– Certo! — disse Joel enquanto se dirigia para fora da sala.

– Os outros façam o que eu pedi, e Willian e Jimmy me encontrem na garagem dentro de dez minutos, certo?

– Sim. — respondi.

– De boa. — disse Jimmy.

Dana saiu da sala, ficamos apenas Jimmy, eu e Daniel e um silêncio enigmático.

– Então rapazes, boa sorte na missão. Não fraquejem, matem e não sejam mortos, por favor. — disse Daniel enquanto abria uma garrafa de uísque. — Ah mais uma coisa, vocês sabem correr e pular né? Um pouco de Parkour talvez seja necessário.

– É, tive umas aulas de pulo algum tempo atrás. — respondi

– Sou bom até. — disse Jimmy.

– Certo, podem ir agora, Dana espera vocês na garagem.

Saímos da sala e fomos em direção a garagem

– Nervoso? — perguntou Jimmy enquanto descíamos as escadas.

– Não, ansioso apenas... eu acho — respondi.

– Certo.

Alcançamos o primeiro nível do subsolo, a placa na parede dizia "garagem" seguimos em frente e atravessamos a porta corta fogo. Era uma garagem grande e bem vazia, tinha alguns objetos recém instalados lá tais como: sacos de boxe, colchões de treino, e paredes como obstáculos. Uma van branca de food-truck estava estacionada no fundo da garagem. Dana veio até nós rapidamente

– Certo rapazes, tem alguém que eu quero que vocês conheçam. Venham até aqui vocês dois. — disse Dana enquanto duas pessoas vinham e nossa direção. Reconheci as duas na hora, a Giovanna Nocker, uma garota magra, alta de cabelos castanhos e muito bonita que estudava conosco, e o Everthon, um cara muito bacana e motoqueiro que conheci anteontem.

– Gi? — disse Jimmy enquanto corria para abracá-la. — É você mesmo?

– Eu mesma, em carne e osso. E hã, desculpe pelo bolo de ontem, tive que fugir quando tudo isso começou hehe. — disse ela enquanto abraçava-o.

– Willian? Oi! Lembra de mim? — perguntou Everthon sorridente

– Claro que sim, cara! O que você está fazendo aqui? Pensei que estava indo até Bertioga atrás da sua amiga. — eu disse enquanto o abraçava.

– Estávamos. Mas ai... Bem, Edu, Leo, Canni, Gus e eu fomos atacados por uma horda de zumbis e acabamos nos separando. Gus e eu conseguimos vir até aqui, mas Canni, Edu e Leo conseguiram ir em direção a rodovia. Canni me chamou no rádio e disse que não havia maneiras de voltar e mandou ficarmos aqui em segurança. Agora nós vamos com vocês nessa missão aí, eu topo! — ele disse.

– Entendi. O que faremos aqui? Treinar? É o que parece.

– Exato Willian, não pensaram que eu iria soltar vocês lá fora nesse caos todo sem nenhum treinamento, não é? Quero que vocês façam algum testes, ok? — ela disse ansiosa. — Everthon e Willian, quero vocês na frente daquela parede, agora. Giovanna, você escolhe um daqueles arcos ali e vá até aqueles alvos. E Jim...

– Eu posso ajudar a Gi... Se ela quiser, claro. — disse Jimmy vergonhoso.

– Quanto cavalheirismo, mas preciso que você vá até a Van e faça alguns testes. Você será o motorista e seguirá as minhas ordens por rádio, ok?

– Hã, tudo bem. — ele parecia um pouco decepcionado.

– Certo, em suas posições. Will e Everthon, treinem o Parkour porquê vocês irão entrar na loja para pegar as coisas. Giovanna você dará cobertura, certo? E Jimmy ficará esperando no carro para tirá-los de lá.

Fui com Everthon até a parede e começamos a escalada. Everthon tinha um dom para aquilo, ele subiu bem mais rápido do que eu, e quando chegou a o topo me deu a mão para que eu subisse o resto. Quando chegamos ao topo, pulamos até o outro lado e chegamos inteiros.

– Está bem? — ele perguntou.

– Sim. — respondi sem fôlego. — continue.

Pulamos até uma grade que estava pendurada no teto e escalamos até uma passarela estreita, corremos até o outro lado e paramos subitamente quando vimos que teríamos que pular numa caçamba de lixo lá em baixo.

– No três? — perguntei.

– Agora! — ele gritou enquanto pulava na caçamba de lixo.

Pulei atrás e caímos em cima dos sacos plásticos pretos.

– OH DROGA! Espero que isso não seja algo que me deixe com mau cheiro. — resmunguei.

– Terra chamando marte! Isto é um apocalipse, você fará coisas piores. — ele disse enquanto ria.

Saímos da caçamba e fomos em direção a Jimmy que estava na van de food-truck. Observamos ele engatar a marcha ré e andar dois metros para trás.

– Certo Jimmy, muito bom. Você aprendeu mesmo como dirigir, a nossa sorte! — observou Dana.

– Obrigado pai. — ele riu.

– É, você serve para algo haha — eu disse brincando.

– Calado! — ele mostrou o dedo do meio para mim.

Jimmy saiu da Van e veio em nossa direção.

– Espero que eu me saia bem. — ele disse aflito.

– Você vai cara. — respondi.

– Vou ver como a Gi está se saindo. — ele disse.

Observei a Gi atirar com o seu arco e flecha, ela era muito boa. Também manuseava facas como ninguém e se esquivava com uma guerreira antiga. Que comparação tosca. Everthon estava arrumando os seus revolveres na cintura e se aquecendo. Eu e ele fomos até a Gi e observamos ela terminar de guardar seu arco novo nas costas.

– Estou pronta rapazes, e vocês?

– Também estou. — disse Everthon

– Idem. — respondi.

– Mais pronto impossível! — gritou Jimmy.

Todos nós rimos. Jimmy era bem retardado também às vezes.

– Matias consegue me ouvir? — chamava Dana ao rádio.

– Sim Dana, o que deseja? — perguntou Matias ao rádio.

– As armas e munições já chegaram?

– Sim, estão na parte do fundo da Van. Só me dê o sinal que eu peço para o Troy abrir o portão da garagem, sabe como é né, sem energia.

– Ok, obrigada. — disse Dana.

Dana e nós corremos até a Van, ela abriu as portas do fundo e abriu uma mala amarela.

– Gi, pegue estas flechas, acho que serão suficientes. Will e Everthon peguem estas luvas de couro, caso precisem. Jimmy, leve este revolver, esta faca e esta arma de choque.

– Hehe, gostei. — disse Jimmy animado.

Pegamos o que precisávamos e entramos na van.

– Jimmy, tudo certo? Vocês estão prontos? Alguma pergunta? Certo. — Dana pegou o rádio e chamou Matias. — Matias abra o portão dentro de quinze segundos, certo?

– Tudo bem. — disse Matias ao rádio.

– Boa sorte pessoal, irei guiar vocês pelo rádio. E ah, obrigada.

Assentimos com a cabeça enquanto Jimmy engatava a marcha ré e se dirigia até o portão. O portão abriu depois de alguns segundos e saímos para a rua. Não haviam zumbis na rua em si, apenas alguns tentando invadir uma loja de doces do outro lado. Jimmy acelerou, e fomos em direção à loja de ferramentas.