Diário de Rosalya

17 Um novo estilo vitoriano


Notas iniciais
Eis aqui como o Lys fofo se tornou tão estiloso

O sol fervoroso do meio dia abrasava todo o centro da cidade naquele início de tarde. O calor era tanto que comprei um sorvete na falha tentativa de me refrescar.

A aula havia acabado mais cedo, então eu já estava a caminho da casa de Lysandre. Havíamos combinado de nos encontrar depois da aula para resolver um assunto seríssimo!

Lysandre, evidentemente, me acompanhava, guiando o percurso. Ele tinha sugerido passarmos no mercado para comprar as coisas necessárias, mas não contava com o meu fantástico preparo. Era ÓBVIO que eu teria tudo pronto.

Cerca de 10 minutos de caminhada e chegamos em seu condomínio.

— Fique à vontade! — ele disse, quando adentramos — Vou me trocar. Gostaria que eu pegasse outra roupa para você também?

— Não precisa! Tenho tudo o que preciso bem aqui — dei dois tapas na mochila.

— Certo — ele disse antes de adentrar, o que me lembro bem, seu quarto.

— Ótimo! — bati palminhas, empolgada — Vamos começar! — a priori prendi o cabelo em um rabo de cavalo para não atrapalhar (e por causa do calor também). Em seguida, retirei os ítens da bolsa. — Tesoura, confere. Luvas, confere. Avental, confere. Alumínio, confere. Vasilhas, confere. Pente, confere. Presilhas, confere. Tinta e pincel, confere. Tudo está aqui!

Lysandre saiu do quarto à medida que eu colocava o avental. Ele vestia uma camiseta gasta e uma bermuda.

— Senta aqui! — puxei uma cadeira — Você vai ficar lindo!

— Tem alguma ideia do que vai fazer? — pareceu receoso.

— Não se preocupe, Lys! Sempre corto meu cabelo — passei a mão no rabo de cavalo para dar ênfase — E ele é lindo, não é?

Lys concordou com a cabeça.

— Ah, precisamos molhar antes! — toquei em suas mechas.

— Certo. Me dê um minuto — ele disse antes de entrar em alguma das portas do corredor.

Ouvi um barulho de algo ligando seguidamente do som de água caindo no chão. Lysandre voltou poucos segundos depois, com o cabelo encharcado e uma toalha no ombro.

— Arrasou, Lys! — sorri, batendo levemente a mão na cadeira à minha frente — Agora senta aqui!

Ele sentou. Aproveitei para penteá-lo e tirar o excesso de água com a toalha. Seu cabelo branco ultrapassava os ombros. Prometi a Lysandre que o deixaria mais bonito, com mais movimento e vida. Por isso, após tanta insistência, ele aceitou fazer a mudança de visual.

Comecei cortando as pontas.

— Você tem apego ao tamanho do cabelo? — perguntei.

— Não — respondeu — Faça o que considerar melhor.

— Ótimo!

Separei as duas laterais e parte da frente, prendendo com xuxinhas. Em seguida cortei a parte solta até a nuca.

— Hora de dar movimento nisso! — falei e repiquei a parte de trás.

Lys permaneceu quieto durante todo processo. Normalmente ele não costuma falar muito.

Após completar a parte de trás, soltei as laterais para arrumá-las. Em uma das laterais, repiquei as pontas, mas não alterei o comprimento, a deixando somente um pouco acima da altura do ombro. Na outra lateral, cortei do tamanho do restante.

— Tá ficando tudo! — sorri, já podendo visualizar o resultado — Está melhor do que imaginei que ficaria!

— Fico feliz em ouvir isso! — ele sorriu.

Me posicionei frente a frente ao Lys e soltei a frente do cabelo. Prontamente fiz uma franja desfiada. Por último, picotei algumas partes avulsas.

— Prontinho! — disse eu — Agora vamos preparar esse cabelo para a tinta.

Peguei a toalha para tentar deixar o menos úmido possível. No pote, despejei uma mistura de condicionador e tinta verde escura, quase preta.

Apliquei, com cuidado, a mistura na parte cumprida do cabelo e também nas pontas, inclusive da franja.

— Vamos esperar meia hora e aí veremos se terá necessidade de passar uma segunda mão.

Ele concordou com a cabeça antes de responder.

— Enquanto isso, podemos arrumar esta bagunça! — apontou para o chão coberto de fios.

— E também podemos conversar sobre aquele dia — falei, referindo a sexta que fomos à boate. Havia se passado uma semana desde então — Me desculpei com meus pais sobre aquilo. Também falei que você teve culpa de nada, expliquei toda a situação. Detalhadamente. Eles não têm a impressão errada de você, pelo contrário, eles sabem que é meu amigo e ficam felizes por isso — Lysandre pareceu um pouco surpreso com o final, mas não disse nada — O que fiz naquele dia depois que nos separamos? Você sabe?

— O que sei é aquilo que contei na manhã seguinte. Vi você caída no chão e um amigo me ajudou a carregá-la — respondeu — Ah, e você também tirou muitas fotos com o meu celular.

— Sério?! — falei, surpresa — Deixa eu ver!

Ele desbloqueou a tela e abriu alguma aba na galeria.

— Não lembrava que havia te entregue o celular! — falou, mostrando o aparelho.

Esperava encontrar imagens aleatórias — do chão, teto — tremidas e sem definição, mas fui surpreendida por várias fotos de Lysandre cantando, fotos minhas sorrindo, da platéia. No geral, estavam ótimas!

— Meu Deus, que lindas! — exclamei, sem tirar os olhos da tela — Lysandre! — o encarei para enfatizar seriedade — Me mande todas! Agora!

— Certo! — ele riu — Concordo que ficaram boas! Você é uma boa fotógrafa.

— Sou! — concordei — E também sou uma boa cabeleireira! Vamos limpar esta sujeira aqui — apontei para o chão —, e depois já podemos tirar essa tinta!

(...)

Lysandre saiu do banheiro secando os cabelos com a toalha.

— Hora de ver como ficou! — bati palminhas, animada — Vocês têm secador aqui?

— Acho que meu irmão deve ter— respondeu — Mas não vou mexer nas coisas dele.

— Tudo bem! — falei — Então eu espero secar naturalmente antes de ir! Quero ter certeza do resultado!

— Obrigado, Rosa — disse Lys — Gostei bastante desse corte! Você tinha razão quando propôs mudá-lo! — tocou em uma mecha.

Mesmo molhado, dava para ter uma noção de como estava o cabelo do Lys. Ele aparentava um ar mais jovial, e havia ficado dez vezes mais bonito. Certamente o novo estilo combinava muito mais com seu jeito vitoriano.

— Depois de ver você, as pessoas não vão parar de perguntar quem mudou seu cabelo — comentei — E as garotas cairão aos montes ao seus pés.

— Não exagere, Rosa! — ele disse com o rosto corado.

— Falo sério, bobinho! — pisquei — Só não esqueça de mim quando a fama aumentar! — brinquei novamente.

Notas finais
uma curiosidade é que escrevi este capítulo ao som de One direction hahahaha