Diário de Anna
24 Joe
Notas iniciais
Beijos amores, Aproveitem o capitulo.
Acordei em uma cama de hospital, com um balão de oxigênio no rosto. Lembrava vagamente do que tinha acontecido. Sentia ainda uma dor no peito, me lembrando da crise de asma. Mas quem me levou até o hospital? Tirei aquele negocio da cara e olhei em volta.
_Anna que bom que acordou, Joe já está vindo para ca.
Era a mãe da Sarah, foi ela que me encontrou?
_Como?
_Minha querida, estava indo buscar a Sarah na casa daquele menino — ela se referiu ao Nate — quando vi você sentando na calçada e quando ja estava parando para te dar carona você desmaiou, não sabia o que fazer, coloquei você dentro do carro, enrolei na minha blusa em você para lhe aquecer e trouxe para esse hospital, — não era o da cidade de Pillsburry dava para ver na diferença de ambiente e cuidado. — o médico disse que você precisa ficar em observação, mas que está tudo bem.
_Obrigada. — os meus pensamentos voltavam, tudo teria sido mais fácil. — Você disse que Joe está vindo ?
_Sim, ele pareceu muito preocupado, você está fora de casa desde ontem não é? A Sarah comentou alguma coisa.
Droga agora tinha de encontrar com Joe, sabe la o que me esperava para esse encontro.
Antes que pudesse pensar em mais qualquer coisa a Sarah entrou no quarto totalmente desesperada, obviamente a mãe deve ter exagerado no feito de ter me "resgatado" agora que tinha notado, eu estava com as roupas do hospital e ela com as roupas encharcadas.
_Anna ! Nunca mais faz isso ! O que você estava pensando ?
_Calmaa ai — ela praticamente estava avançando em meu pescoço — Você sabe muito bem o que aconteceu.
_Não sei não, o que que te deu? Fugir? Você nunca foi disso, e aquela história de enfrentar de frente, cadê a durona agora?
Agora que percebi, ela não sabia de nada, pelo menos não do lance com Thomas e Nate, Nate o que ela faria com ele? Mas não podia contar nada disso com a mãe dela perto, mas como justificar minha saida de 2 dias ?
_Nem eu sei, depois tento te explicar. — olhei para ela com aquele olhar de "agora não da pra falar".
_Então tá bom, avisei o Andrew tambem, ele deve estar vindo para ca.
_VIROU FESTA AGORA? — acho que disse um pouco alto — Foi só uma crise de asma gente.
A senhora Mumphis me olhou com certo desprezo, ela ja tinha esgotado toda sua bondade comigo naquele dia não podia abusar, afinal de certa forma ela salvou minha vida, se não tivesse chegado a tempo, talvez me faltasse oxigênio.
Sarah tentou afastar a mãe dela pedindo para ela ir comprar alguma coisa, para que pudessemos conversar, mas ela estava decidida ficar ali até Joe chegar.
Passou uns 15 minutos e Joe estava la me encarando na porta do quarto, não sabia se ele estaria bravo ou contente por ter me achado. Ele chegou mais perto, agora do lado da minha cama, sua expressão era séria mas era dificil de definir.
_Não faz... não nã.. faz mas isso. — ele estava chorando e me abraçando.
Fiquei sem reação, o Joe chorando? Por mim? Nem quando minha mãe sofreu acidente ele não ficou assim.
_Joe você está bem?
_Sim — ele continuava me abraçar, consegui ver a Senhora Mumphis sair junto com a Sarah. — Você não tem noção do que me fez passar.
_Mas por que? Você nunca pareceu se importar tanto assim comigo.
_Anna se não me importasse com você teria te abandonado assim que sua mãe saiu por aquela porta. — ele agora estava sentado ao meu lado.- Mas porque você fugiu? Não tentou nem conversar com ninguem, liguei para a Sarah e ela não sabia de nada.
_Estava sem rumo, não sabia muito bem o que fazer- abaixei minha guarda — E ela?
_Ficou em casa, mas ela chorou quase a noite toda, perguntei se era pelos machucados e ela disse que o pior machucado era perceber o erro que ela havia cometido ao te abandonar.
Agora era fácil, voltar e assumir erros e ficar tudo bonitinho que nem em filmes, mas sinceramente não acho que vou esquecer assim tão rápido esses 3 meses que ela desapareceu, mas no falar do Joe alguma coisa me dizia que ele sabia de algo a mais que eu.
_Você pensa que é facil assim né? Que vou arrancar as paginas que escrevi sobre isso no meu diário e que vai passar, que vou esquecer tudo?
_Não Anna, eu te entendo mais do que você pode pensar.
_Por algum acaso sua mãe te abandonou? — disse ironicamente.
_Na verdade os dois, meu pai e minha mãe.
Tá, por essa não esperava, nunca tinha conversado sobre esse assunto com ele, muito menos sobre sua familia, acho que o que me lembro é dele visitar alguem em um domingo que ele comentou ser parente mas nem lembro. Foi um choque não sabia o que dizer.
_Calma, por isso que precisamos conversar, tentei adiar porque sua mãe ainda não tinha dado nenhum sinal de uma volta. Sabe, eu conversei com ela um tempo antes dela ir, não vou mentir sabia que ela iria talvez por isso não tenha sido um choque para mim — eu tinha escutado a conversa deles aquele dia — Mas você Anna, esse tempo, você foi uma das únicas da família que tive presente. Não sei definir ainda se como uma filha ou irmã mais nova, mas não vem ao caso.
Ele estava novamente emocionado, e eu agora me sentido um pouco culpada por nunca ter pensado no que Joe tinha feito por mim.
_Joe, você .. — ele me interrompeu.
_Deixa eu continuar, vou contar um pouco da minha história. Quando tinha 11 anos de idade, meu pai e minha mãe resolveram viajar pelo mundo em uma segunda lua de mel, porém essa segunda lua de mel resultou em uma repaginada na vida deles, eles gostaram de novamente ter um tempo só para eles, gostaram de se sentir livres, enquanto isso eu ficava com minha avó e avô, o tempo passou e não tive mais noticias deles, minha vó não estava mais dando conta de cuidar de mim e meu avô havia falecido, então comecei a ter de me virar sozinho, arrumei um emprego meia boca, isso ja estava com uns 16 ou 17 anos sua idade mais ou menos, após a morte do meu avô minha vó foi ficando mais triste e acabou vindo a falecer, então agora era só eu e pais que nem sabia se estavam vivos ainda, até umas semanas antes de encontrar sua mãe, quando recebi uma noticia que eles estavam em um asilo um pouco longe daqui, fiquei um bom tempo se saber se iria visita-los ou não, se iria perdoa-los ou não. Mas percebi que uma hora teria de vê-los, tudo na vida tem que ser enfrentado de frente ou te derruba pelas costas, enfim eu fui e descobri que eles não se lembravam mais de mim, sofreram com o Mal de Alzheimer, desde então venho pensando, eles não cuidaram de mim, mas durante um tempo eles o fizeram, então vou me mostrar diferente e cuidar deles, mas quando ja estava arrumando uma casa maior para poder receber eles, aconteceu tudo com sua mãe, ela não aguentou a pressão, queria a liberdade assim como meus pais, porém eu tinha meus avós e você não tinha ninguem — senti algumas lagrimas começando a se formar em meus olhos, sei la tudo isso era tão mais verdadeiro que meus problemas, minha mãe sumiu por 3 meses, os do Joe por não sei quantos anos. — Avisei la no asilo que iria precisar de um pouco mais de tempo e eles entenderam, vou visita-los assim que tenho algum tempo. Anna você não vai ter sua mãe pra sempre, ela pode ter tido problemas, os que você ja sabe bem, mas Anna faz quanto tempo que ela estava com você? Quanto tempo ela cuidou de você e ficou do seu lado? — é agora eu estava chorando. — Não consegui deixar você sozinha, e não deixarei agora tambem, se quiser, se precisar de um tempo e quiser ficar na minha casa, só precisa de uma li..
Eu o interrompi, e o abracei. Comecei a chorar em seu ombro, ele me apertou mais forte, era bom ter alguem, é bom ter um colo de vez em quando. Abracei Joe ainda chorando, mais forte, ele estava emocionado.
_Obrigada. — Olhei para ele que me retribuiu com um sorriso.
_Vou estar aqui sempre que precisar. Então?
_Então o que?
_Você vai pra sua casa ou vai fazer uma limpeza grátis na minha?
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