Diário De Uma Psicopata.
2 New Life
Notas iniciais
-Boa leitura.
Chegando à escola era sempre mais uma pequena amostra do inferno. Eu sentava perto da janela, na última carteira, acho que ela já tinha o meu cheiro – ri para mim mesma – peguei o livro que estava lendo “Necrofilia de Albert” era interessante, me prendia total atenção, ele me deixava desligada de todas as coisas à minha volta. Mas eu me dispersei dele quando a professora me olhou e disse:
-O que a senhorita está lendo de tão interessante que não está prestando atenção à aula? – Ela me olhava como se quisesse me destroçar ou algo do tipo.
-Algo mais interessante que sua aula, com certeza. – Falei em alto e bom som, meu tom era de deboche. Eu mais o resto da turma demos algumas risadas, é claro.
-SILÊNCIO! –Ela gritou, estava furiosa, aliás, quem não ficaria? – Senhorita, acho que gostaria de ser engraçadinha assim na put... Sala da diretora, não é?! – Ela me fitava furiosa.
-Pode ser – Falei levantando-me, pegando minhas coisas e indo até a porta. – Adeus, querida professora. – Disse para provocá-la um pouco mais. Fui andando pelo corredor e pensando, pra que eu preciso dessa merda? Minhas notas são ótimas e eu praticamente nunca estou dentro de sala, quer saber, foda-se essa droga. Resolvi sair de vez da escola, e quem sabe de casa também, quem sabe arrumar um emprego, não sei. Minha cabeça está cheia demais para pensar. Passei no meu armário, peguei o resto das minhas coisas ajeitei tudo na mochila, e fui caminhando até o portão. Quando sai, eu parei, olhei direto para minha sala, ela era no primeiro andar, as janelas eram largas e bem transparentes. Eu pensei uma, pensei duas, pensei três e decidi: já tá ruim mesmo, pior não fica. Gritei o mais alto que pude:
-Ei, professora, aqui para você e para essa merda toda. – Falei enquanto erguia meus braços dando o dedo do meio para ela. – Óbvio depois disso não apareceria ali nunca mais. Confesso, foi muito bom afrontar aquela velha reclamona novamente. Enfim, sai da escola. Enquanto caminhava acendi um cigarro, fui caminhando lentamente pelas ruas de Townsville (cidade da costa nordeste da Austrália), estava meio sem rumo, e ainda muito pensativa. Decidi ir à biblioteca, sempre gostava de ir lá para espairecer e ver um livro para ler. Chegando lá me sentei em uma mesa qualquer. Fui organizar minhas ideias, eu tinha um jeito diferente de fazer isso, no papel, em uma espécie de lista cheia de pontos e vírgulas, extremamente organizada, eu era, ou melhor, sou extremamente organizada. Até porque, se não for, rastros vão ficar e eu, serei descoberta. Comecei a fazer um plano medonho, inconsequente e... perigoso. Confesso, no início eu fiquei assustada com a minha ideia, aliás, uma mente de 14 anos não poderia ser tão perturbada quanto à de um assassino de aluguel, ou quaisquer assassinos de alguns dos livros que eu lia. Eu estava me tornando uma personagem de alguns desses livros? Será? Resolvi fechar meu bloco de anotações e ir para casa, enfrentar mais um inferno, meu tio Paul. Sai da biblioteca, deviam ser 16:00 por aí... Merda, está chovendo! Coloquei meu capuz e fiquei esperando o ônibus chegar, ele não demorou muito, ainda bem. Liguei meu MP3, como de costume, a primeira música foi Cherry Bomb. Escutei várias músicas até chegar em casa, o ônibus não estava cheio, isso era praticamente um milagre. O dia estava bom demais, pelo menos para mim. Fiquei pensando ao longo do trajeto até minha casa, e percebi que já estava quase chegando. Fui me levantando e pedi para ele parar, desci os quatro degraus da escadinha do ônibus. Acendi mais um cigarro, e fui caminhando até a casa do meu tio. Chegando lá eu avisei como de costume:
-CHEGUEI! – Falei gritando aquele porco, nojento, velho e gordo.
-Alguma novidade, senhorita? – Ele me fitava com “um olhar 43”.
-Nenhuma, por quê? — Aquela filha da puta velha deve ter ligado para ele, droga.
-Seu projeto de vadiazinha, não to a fim de ser perturbado durante o dia. Tô cansado de receber ligações daquela escola. – Ele vinha com a mão aberta para me dar um tapa.
-Por que? Você está ocupando demais bebendo, vendo seu pornô enquanto se masturba? Quer saber de outra coisa? Você não vai mais receber nenhuma ligação de lá, eu resolvi sair daquele inferno. – Falei passando a mão na minha boca, o tapa dele era pesado, doía muito.
-Ah, sua vadiazinha. – Ele falava enquanto me dava alguns tapas no rosto.
-Seu, se...
-Seu o que? – Ele me interrompeu.
-Nada — eu subi as escadas correndo, fui direto para o meu quarto. Não queria que ele me visse chorando. – Eu peguei meu bloco de anotações de mais cedo, comece a formular um plano. Mas dessa vez, o alvo era meu tio.
Notas finais
Até o próximo capítulo.
Comentem. :3
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