Sempre curti as cores mais fortes, um batom vermelho e saltos pretos, gostava também de bastante maquiagem e cabelos pranchados e bem lisos. Não era minha praia ficar em casa numa sexta-feira à noite. Até que as coisas mudaram. Hoje faz um ano da morte do meu namorado e estão realizando uma festa em homenagem a ele.

Luke era festeiro e amava sair para beber ou fazer corridas de carros de madrugada. Eu como sua namorada acompanhava todas suas loucuras e chegando em casa fazíamos as nossas loucuras na cama. Morávamos juntos e frequentávamos a mesma faculdade.

Quando me mudei para Flórida foi um sacrifício me habituar. Era calor demais, pessoas apressadas esbarravam no meu ombro na rua e eu odiava mosquitos. Tinha pensado em voltar para minha antiga cidade e escolher uma faculdade perto da casa dos meus pais, mas eu não esperava que meu primeiro dia de aula fosse daquele jeito.

O cara mais lindo tinha me convidado para uma festa que iam dar para os calouros. Fui a tal festa e juro que depois daquela noite eu nunca fui a mesma. A garota com sua vida planejada já não tinha mais nada planejado. Tinha uma surpresa nas mãos.

Sempre fui determinada e era uma coisa na qual minha mãe sempre me elogiava. Tinha meus momentos de foco e de festa, mas Luke mudou tudo. O único foco era ele. Não havia trabalho, nem faculdade, só havia Luke.

Era a mesma coisa para ele. Não tinha outra menina que o fizesse sorrir tão intensamente como eu fazia. Não tinha outra menina que dava o prazer que eu dava a ele. Não tinha outra, só eu.

Tomamos decisões difíceis, enfrentamos nossos pais e seguimos em frente. Até o dia 06/09/2015. Ele tinha me deixado. Simplesmente me deixou e aquilo acabou comigo.

x

Naquela noite, Luke tinha sido chamado para uma corrida com um cara de outra universidade. Ele estava animado e começou a se arrumar rapidamente.

— Luke, já está tarde. Volta para cama. – disse sonolenta batendo a mão do meu lado para ele voltar.

— Amor é a minha chance. Vou ganhar uma boa grana na corrida. – ele já estava com a chave do carro nas mãos. Aproximou-se de mim e beijou minha testa. – Te amo. Pode deixar que assim que acabar eu volto. – ele dizia com a voz suave.

— Nem pensar. Espera cinco minutos, vou trocar de roupa. – saí da cama em um pulo e corri para pegar uma roupa.

Luke não tirava os olhos de mim, e em sua face tinha um sorriso congelado. Eu amava seu sorriso.

Era 23h00min quando chegamos ao estacionamento da faculdade. Era bem extenso e desde sempre as corridas eram feitas lá. Os carros estavam se posicionando. Saí do carro e senti um frio na barriga. Me encolhi e engoli em seco.

— Você está bem? – Luke perguntou.

— Acho que sim. Toma cuidado tá? – disse fechando a porta do carro.

— Sempre. – ele sorriu e piscou para mim.

O carro começou a andar e logo fui correndo para onde as pessoas estavam. Quando eu sentei nas arquibancadas improvisadas eu senti o frio intenso daquela noite. O vento cortava meu rosto e deixava meus cabelos voando. Senti um mau pressentimento. O que deu em mim? Tudo está bem, Luke está bem. Olhei para os carros e vi Luke usando capacete. Ele está seguro.

Soou o apito e todos os carros começaram a correr em alta velocidade. Luke estava na frente, mas um carro vermelho estava quase o ultrapassando. Uma pontada de dor surgiu dentro de mim. Que diabo está acontecendo? Outro mau pressentimento? Levantei do meu lugar para poder ver a corrida de um ângulo melhor. O carro vermelho bateu na lateral do carro de Luke, o fazendo diminuir o ritmo. Os universitários vaiaram o carro vermelho por ter trapaceado. Luke estava em segundo lugar, mas não ia deixar as coisas desse jeito.

Os dois carros estavam lutando praticamente. Qualquer movimento era uma facada no meu coração. É só uma corrida Clara, para de pensar o pior. Eles fizeram a volta e quando desviei para olhar um cara que havia jogado cerveja em mim um estrondo soou por todo estacionamento. Eles bateram.

Meus olhos se arregalaram e logo corri o mais rápido que pude. Esbarrava em qualquer pessoa e empurrava os bêbados que ficavam no caminho. Invadi a pista e corri em direção ao carro de Luke. Ele está vivo, ele está vivo...

Alguém me segurou pela cintura impedindo-me de ir até ele.

— ME SOLTA, ELE PRECISA DE AJUDA! CHAMA A AMBULÂNCIA! – eu gritei.

Não deu tempo de ouvir uma resposta. Os dois carros haviam explodido.

Saí de um bar qualquer perto do meu apartamento segurando uma garrafa com alguma bebida alcoólica que eu não identificava. Quase tropecei nos meus próprios pés e ri sozinha por ser tão desastrada.

— Clara! Clara! – Julie correu até mim e agarrou meu braço. – Você está louca de sair do bar sem pagar a bebida?

— Eu só... Queria alguma coisa para beber. – disse tropeçando nas letras que saiam da minha boca.

— Você está bêbada demais. Vou te levar para casa. – colocou meu braço em volta de seu pescoço e começamos a andar.

Senti meu estômago revirar.

— Eu... Amava tanto ele. Por que ele me deixou? – disse com a voz fraca.

— Ele está com você Clara. Bem aí no seu coração.

Parei e lágrimas saltaram do meu olho vermelho.

— Ele morreu! – disse chorando e gritando de dor. Caí no chão machucando meus joelhos contra o cimento duro e frio – Ele era tudo para mim! – o vidro da garrafa se espatifou e senti um deles entrando na minha mão.

Julie me levantou e me abraçou.

— Vai passar, vai passar...

— Nunca vai passar.