Diário Crônico

3 Melhores sensações - 04/09/2016


A raiva tomou conta do meu rosto. Como ele podia ser tão idiota a ponto de não perceber que a Lígia estava o enganando? Queria esmurra-lo, mas ainda não sabia o motivo certo. Por não aceitar o ver fazer mais uma idiotice ou por querer estar no lugar dela? No que eu estou pensando? Jogo esses pensamentos fora e respiro tentando encontrar forças para vazar dali.

— Jake, a vida é sua. Faz o que você quiser. – disse-lhe de olhos fechados e com os punhos cerrados.

Era meio complicado, talvez impossível ficar de frente para ele sem camisa e não poder toca-lo, beija-lo, abraça-lo e me deliciar com sua pele...

O QUE EU ESTOU FAZENDO?

Em conflito com meus próprios pensamentos bati o pé na calçada como se aquilo fosse me fazer parar de pensar naqueles bíceps em torno do meu corpo. Já tinha me virado para ir embora quando senti uma mão quente e firme esbarrando na minha cintura nua pelo cropped que só cobria parte da barriga. Cerrei os olhos e senti os punhos da minha mão de afrouxarem. Aquela mão agora eram duas mãos, e aquele esbarrão que parecia inocente já não era tão inocente assim.

— Por que é tão difícil para você enxergar. Eu não quero a Lígia. – ele juntou meu corpo com o seu e senti sua boca na minha orelha. De repente eu não sentia minhas pernas, nem meus pés. Meu chão caiu e levou minha boca junto.

Por algum milagre desconhecido eu arranjei força para falar.

— Por que você não diz isso para ela. Não tenho nada haver com isso. – a última frase saiu falhada. As mãos dele não paravam de tocar meu corpo, passavam por toda a extensão da minha barriga que se encontrava encolhida pela sensação do seu toque. Afastou-se e tirou suas mãos da minha pele. Senti um frio nos lugares que não estavam mais tampados por suas milagrosas mãos.

—Você tem TUDO haver. – ele disse inclinando só os lábios na minha orelha e sussurrando com uma voz ferozmente abalável.

Juro que naquele momento pensei que ia cair durinha no chão. Já não sabia quem era Lígia, quem era Jake e nem quem era essa garota pálida que estava prestes a cair no chão.

Virei-me lentamente para ele e nossos olhares se encontraram junto com aquele órgão que fica no nosso peito esquerdo. Mas já não era a mesma coisa de antes, era uma coisa nova. Que eu nunca havia sentido. (E eu achando que comer e dormir eram as melhores sensações que podíamos sentir). Agora é preciso acrescentar mais três: o toque de Jake, os lábios de Jake e o amor que Jake esbanjava naquele beijo que ele me dera e que ficara marcado para uma ou duas eternidades.