Diário 2.0

38 Capítulo XXXVIII - Os Fabray


Os Fabray… decididamente esse capítulo nunca aconteceria na primeira versão. Por mais que seja dia dos pais, não quis fazer um capítulo focado nisso. Eu quis um capítulo família, seria um capítulo leve, mas qual família é leve? Todas elas têm suas questões internas e externas. Os Fabray mais do que qualquer família nessa história, tem todas as questões citadas acima e talvez algumas mais. A questão, é a mesma que eu já disse alguns capítulos atrás, não é porque é a sua família que você tem que ser obrigado a estar em um ambiente tóxico. Se você tem a oportunidade de se afastar, se afaste… se você tem a vontade de consertar isso e a vontade for dos dois lados… então trabalhe para isso. Mas não se sinta obrigado a nada. Priorize-se.

Quinn empurrou a porta do quarto para encontrar Rachel chorando encolhida contra os travesseiros. Um momento de pânico lhe tomou antes que ela corresse para a frente, com cuidado pegou a mulher em seus braços.

— O que foi? – Perguntou em voz baixa, sentiu a morena negar com a cabeça. – Como assim “não”? O que foi?

Rachel tateou na cama em busca do celular e o desbloqueou antes de dar para a loira. Schue havia dito a eles que criaria um perfil para o New Directions e que postaria antigas apresentações deles. Por algum motivo, Sue tinha uma câmera na sala do coral… a revelação fez com que Quinn e Santana se entreolhassem antes de darem os ombros… era típico da treinadora. A primeira postagem era sobre Puck, ela apertou o play e Sweet Caroline começou a tocar, sua garganta apertou ao ouvir a voz do ex-namorado. Sentiu Rachel apoiar a cabeça no seu ombro e quando a música acabou a loira desceu para ler a postagem. Seus olhos queimaram e ela sentiu a morena lhe apertar com mais força. Quinn subiu a tela outra vez e passou o vídeo para o lado vendo a foto oficial de Puck na Aeronáutica. Fungou e concordou com a cabeça.

— Ele costumava cantar Sweet Caroline para Beth. – Falou em voz baixa.

— Eu deveria ter tentado mais. – Rachel fungou. – Deveria ter tentado manter o contato com ele.

— Não faça isso. – Quinn negou com a cabeça. – Nos afastamos e isso é normal. Você não sabe, mas a primeira pessoa que mostrou uma apresentação sua para Beth, foi ele.

Rachel limpou o rosto e olhou para a loira, Quinn deu um pequeno sorriso.

— Beth tinha uns 7 anos e estava chorando porque alguns garotos estavam implicando com ela porque ela não estava lendo a Torá de forma descente. – Soltou um suspiro. – Puck pegou o celular e abriu o youtube, pesquisou por você e pegou uma apresentação sua… você estava cantando This is me do…

— The Greatest Showman. – Rachel murmurou. – Foi uma apresentação caseira, eu gravei na sala do meu apartamento.

— Isso… — Quinn concordou com a cabeça e soltou outro suspiro. – Então ele contou para ela sobre essa menina judia que tinha dois pais e grandes sonhos. Contou para ela como essa menina judia foi jogada para baixo pelas pessoas e mesmo assim ela nunca desistiu. E foi nesse momento que eu vi minha filha se apaixonar por você.

Rachel abaixou a cabeça e mordeu o lábio.

— Ele tinha orgulho de você e dividiu esse orgulho com Beth. – Quinn murmurou, acariciou os cabelos escuros da mulher. – Se você quiser nós ficamos em casa.

— Não. – Rachel negou com a cabeça. – Beth vai estar lá e eu não quero que fiquemos muito longe dela.

Ela foi se levantar, mas Quinn a puxou de volta e voltou sua atenção para o celular.

— Quais outras apresentações ele já postou? – Acariciou os cabelos escuros.

Sentiu que Rachel ia protestar, mas logo cedeu se aconchegando nela.

— Algumas do nosso primeiro ano, principalmente.

Quinn olhou para o feed e arqueou as sobrancelhas.

— Sério? I say a little prayer for you?

— Eu gostei, nunca tinha visto. – A morena apertou o vídeo e sorriu.

Mesmo com a câmera em uma visão mais de cima do que se estivessem sentados elas viram as três cheerios dançando. Quinn riu baixinho.

— Eu não me lembro de te ver cantar e dançar… — Rachel a olhou.

Quinn franziu as sobrancelhas encarando a namorada.

— É só ver o vídeo. – Brincou sem entender.

— Não, estou dizendo que você não faz muito isso agora.

— Eu não sinto vontade. – Quinn encolheu os ombros, rolou para ver os comentários e revirou os olhos para o de Santana.

Rachel viu com diversão Quinn repostar a postagem, fazendo uma legenda engraçadinha.

— Babe… você percebe que está com o meu celular, certo? – Perguntou vendo Quinn arregalar os olhos.

— Oh merda. – Olhou para a morena que ainda tinha os olhos pequenos e o nariz avermelhado.

Rachel soltou uma risadinha e Quinn sorriu dando de ombros e voltou sua atenção para o celular. Apertou na primeira apresentação de seccionais deles e mordeu o lábio sorrindo.

— A primeira ovação de pé não se esquece. – Rachel murmurou.

— Você estava maravilhosa. – Suspirou a beijando nos cabelos, gemeu quando ouviu a música que se seguiu. – Você já ouviu dele?

— Não, mas acredito que o agente dele deve estar furioso com as revistas. – Rachel resmungou um pouco irritada, apertou a cintura de Quinn.

No dia seguinte após o enterro de Puck as notícias sobre a briga no cemitério havia ganhado destaque, começou pequeno e logo se tornou capa de revista. Elas ainda estavam tentando entender como as revistas tinham conseguido tantos detalhes daquele jeito, até que Sam conseguira descobrir que Jacob Ben Israel era muito bom com drones.

— Ele postou as regionais. – Rachel apertou e deu um pequeno sorriso.

— Acho que vou ter que ficar longe das nossas apresentações oficiais. – Quinn estreitou os olhos enquanto os dois na tela cantavam Faithfully.

— Desculpa. – Rachel se apressou em tentar tirar, mas Quinn a segurou.

— Vamos ver. – Sussurrou.

Ao final de Don’t stop believing, Quinn repetiu o processo de repostar com uma legenda divertida.

Sim, estou ciente que é o seu celular e não o meu então pare de rir do meu lado. Mas no momento estou me lembrando que assim que saímos do palco minha bolsa rompeu e eu nunca vi Puck tão assustado na vida.

— É para isso os vídeos. – A loira olhou para a morena. – Para nos lembrarmos dos bons momentos.

— E para também dar material para as revistas e fãs inconformados. – Rachel revirou os olhos se levantando da cama.

— Eu devo mandar uma mensagem pedindo para ele não postar aquela versão de Toxic que eu e as meninas fizemos? – Quinn deixou o celular cair em seu estômago olhando para o teto com as sobrancelhas franzidas.

Rachel parou a meio caminho de ir para o banheiro do quarto, se virou lentamente para ver Quinn estendida na grande cama.

— Bendita seja a Unholy Trinity. – Resmungou enquanto Quinn gargalhava. – Levanta logo e vamos nos arrumar para jantar na sua irmã.

*Diário*

Rachel não sabia o que esperar quando desceram do carro. Seria seu primeiro feriado em família com Quinn, sentiu a loira entrelaçar seus dedos… e também era o primeiro feriado que a família Fabray passaria inteira reunida. Judy havia insistido com a filha mais nova e convencido Shelby a estarem presentes. Quinn tocou a campainha da casa e respirou fundo. Frannie atendeu a porta, e era como se ela estivesse vendo uma versão muito parecida de Quinn, apenas um pouco mais velha.

— Hey… — Ela sorriu para elas. – Mamãe já estava nervosa com a demora.

— É, a gente se distraiu com algumas coisas. – Quinn respondeu tentando colocar seu desconforto em algum lugar longe.

Rachel olhou de uma para a outra antes de estender a mão.

— Não fomos devidamente apresentadas. – Ela sorriu para Frannie. – Rachel Berry.

— Ah claro, Frannie Walker, antigamente Fabray. – Ela sorriu apertando a mão de Rachel. – Não conseguimos conversar no funeral, por sinal foi um bonito serviço.

— Sim, foi sim. – Rachel apertou a mão de Quinn.

Frannie se moveu para deixar as duas mulheres entrarem na casa e se encarregou de levar os casacos com ela para guardar.

— Elas chegaram. – Anunciou entrando na sala de estar.

Quinn puxou as mangas do suéter para liberar os braços com mais conforto.

— Boa tarde. – Cumprimentou as pessoas que não conhecia.

Um homem robusto estava sentado em uma das poltronas da sala, parecia estar conversando com Russell. Uma mulher alta e magra estava sentada no sofá conversando com Judy e um casal mais jovem e uma mulher estavam espalhados pelo chão, Quinn supôs que fossem os dois irmãos de Thomas e um dos seus respectivos. Mas seus olhos foram atraídos quase automaticamente para Henry que estava segurando um livro de colorir e lhe olhava curiosamente, os olhos azuis do sobrinho estavam curiosos. Ela se abaixou sorrindo para ele.

— Hey Henry, oi…

O menino se aproximou do tio que estava atrás dele, olhando com curiosidade para Quinn. Os passos rápidos atraindo a atenção para a porta que levava a cozinha.

— Tia Frannie… — A adolescente parou quando viu Quinn se erguer, os olhos claros arregalados e as bochechas corando.

— Essa é Maggie. – Frannie olhou para a sobrinha. – É a filha mais velha de Alícia a irmã mais velha de Tom.

— Oh, desculpa eu acabei me distraindo com a criança. – Quinn sorriu para os presentes. – Eu sou Quinn e esta é Rachel. – Ela olhou para trás e a morena se adiantou.

O homem que estava conversando com Russell se levantou.

— Thomas Sr. – Ele estendeu a mão para ela. – Minha esposa Sharyn.

As duas mais novas cumprimentaram os pais de Thomas.

— E nossos filhos Alícia e Andrew. – Ele apresentou os dois que ergueram a mão em um cumprimento familiar.

— E meu noivo. – Andrew pousou a mão na coxa do rapaz moreno ao seu lado. – Ryan.

— É um prazer. – Rachel sorriu, mas seus olhos se voltaram para a menina que estava parada encarando Quinn. – Baby eu acho que você pode querer dar um pouco de atenção para a Maggie.

Quinn olhou para Rachel e depois para a menina, abriu um sorriso gentil para a menina.

— Olá. – Ela inclinou a cabeça. – Tudo bem?

Judy se levantou para abraçar Rachel.

— Achei que Shelby e Beth vinham com vocês. – Falou em voz baixa vendo a filha mais nova se aproximar da menina.

— Sim, mas Beth queria ficar um pouco mais com Gabby. – Rachel respondeu no mesmo tom de voz. – Elas já devem estar chegando, está tudo bem?

— Sim, apenas… — Judy mordeu o lábio inferior. – Nervosa eu acho.

— Vai ficar tudo bem. – Rachel esfregou o braço da mulher e pela visão periférica viu Russell timidamente se aproximando. – Russell.

— Rachel. – Ele apertou a mão dela. – Benjamin está com o marido de Alícia vendo o jogo.

— Ah eu estava me perguntando onde ele estava. – Ela sorriu. – Ele está gostando do final de semana?

— Ainda acanhado. – Russell olhou para Judy.

Rachel olhou para sogra que lambeu os lábios um pouco desconfortável.

— Eu tenho certeza que ele vai se soltar logo. – Ela sorriu para o sogro.

Fannie parou ao lado deles segurando Henry no colo, o menino se jogou para a avó quase imediatamente. Judy o recebeu com um sorriso.

— Acho que Beth vai ficar entusiasmada em ter um primo, não acha? – Ela perguntou a Rachel.

— Desde que ela não comece a pedir irmãos por agora. – Rachel brincou.

Frannie os acomodou outra vez e ofereceu um chá gelado para a morena que aceitou. Quinn se aproximou sentando ao lado da namorada.

— Ela é absolutamente apaixonada nos seus livros. – Alícia olhou para Quinn. – Quando ela descobriu que possivelmente você viria, ela praticamente parou de dormir com a ansiedade.

— Tadinha. – Quinn olhou para a mãe que estava com Henry. – Se Frannie tivesse dito eu teria trago algo para ela.

— Ah não se preocupe com isso. – Alícia fez um movimento com a mão. – Mas não garanto que ela não vá te encher de perguntas.

— Tudo bem. – Quinn sorriu para a mulher morena. – É divertido quando eles me veem pela primeira vez.

Rachel pousou a mão na perna da namorada com um sorriso suave nos lábios.

*Diário*

Brittany suspirou vendo a última apresentação que Schue havia postado até aquele momento. Enquanto a voz de Santana soava poderosa em Valerie, ela ergueu os olhos para a mesa que ocupava. Livros e anotações espalhadas, seu computador aberto com o artigo meio escrito. Seu sanduiche do almoço meio comido junto ao resto do suco estava escondido sobre as anotações, ela tinha certeza. O apartamento vazio. Santana estava presa no escritório com alguma emergência que Brittany não tinha noção de qual era. A loira olhou pela sala quase vazia outra vez antes de voltar a olhar a tela do celular. Sua versão mais nova estava feliz e livre dançando no palco.

Elas haviam se mudado há quase um ano e o apartamento continuava tão vazio quanto quando chegaram. Um sofá solitário, uma mesa para refeições, a cozinha mal aparelhada… no inicio era fácil administrar a situação… elas pouco estavam em casa. Casa. Porque aquele apartamento estava muito longe de ser um lar.

Em que momento elas haviam chego naquele ponto?

*Diário*

Beth correu na direção do sofá se jogando no colo de Quinn.

— Hey. – A loira se assustou parando no meio da frase. – Existem outras pessoas na sala.

A menina deu um sorriso encabulado para os outros antes de saltar nas pernas da mãe com o celular nas mãos.

— Mr Schue está postando as apresentações de vocês. – Ela falou agitada.

Quinn revirou os olhos e colocou Beth em pé.

— Cumprimente as pessoas. – Mandou.

Shelby entrou na sala com Judy e se aproximou quando Russell se levantou para apertar-lhe a mão.

— Acho que sua mãe te mandou fazer algo. – A mais velha arqueou as sobrancelhas.

— Boa tarde. – Beth murmurou com outro sorriso tímido. – Desculpem pela forma como entrei.

Frannie segurou a respiração da mesma forma que havia feito quando viu Beth pela primeira vez no funeral.

— Tudo bem. – A loira mais velha se levantou. – Você se lembra de mim?

— Sim, a irmã mais velha da minha mãe. – Beth deu outro pequeno sorriso para ela, mas o grito animado de Henry atraiu sua atenção e um sorriso maior apareceu. – É o meu primo?

— Sim, esse é o Henry. – Fannie se abaixou perto do filho que estava brincando com os blocos junto do tio.

Beth sorriu sem querer se aproximar, olhou para a mãe.

— Tio Ben? – Perguntou imediatamente.

— Está vendo o jogo, mas existem outras pessoas nessa sala. – Quinn arqueou a infame sobrancelha, ouviu Beth gemer apertando o celular na mão. – O que ele postou que te deixou tão agitada assim?

Beth sorriu e desbloqueou o celular e na ansiedade de mostrar quase enfiou o celular no rosto de Quinn.

— Tia Tana disse que a senhora sempre foi boa atriz. – A menina sorriu. – E que ela não sabe como o tio Sam enganou por tanto tempo, o que ele enganou?

Quinn franziu as sobrancelhas até entender o que estava na tela, revirou os olhos e pegou o aparelho antes de mostra-lo para Rachel que soltou uma risada alta antes de levar a mão aos lábios.

— Meu Deus, mas o que tem nesse vídeo? – Judy se aproximou puxando Beth para um abraço.

— São as regionais do nosso segundo ano. – Quinn murmurou com um suspiro. – Sam e eu estamos fazendo o dueto. – The time of my life. – Ela bateu o indicador na testa de Beth. – Pare de dar atenção ao que Santana fala.

— Uma excelente apresentação. – Shelby passou os braços pelos ombros de Quinn em um abraço, sussurrou para a loira. – Ela está agarrada nesse celular desde que acordou.

— Pela sua excitação eu achei que era o dueto que eu e sua mãe fizemos. – Rachel arqueou as sobrancelhas para a menina.

— Vocês fizeram um dueto? – Beth arregalou os olhos verdes.

— Ok. – Quinn enfiou o celular da filha no bolso. – Agora, você vai ficar sem celular pelo resto do dia.

— Mas…

— Beth. – Quinn falou mais firme. – É um feriado e estamos aqui para aproveita-lo com os seus avós e a família do marido de sua tia.

Beth resmungou indo se sentar no colo de Rachel, que tentava esconder o próprio sorriso.

— Qual foi a música? – Perguntou inocentemente ignorando a sobrancelha erguida da mãe.

Rachel soltou uma risadinha antes de respirar fundo para se recompor.

— Foi um mashup. – Rachel puxou as pernas longas da menina melhor, sabia que a atenção da sala estava nas duas. – Fizemos I feel pretty de West side story com Unpretty da TLC.

Viu o rosto da menina se animar e acariciou os cabelos loiros.

— Mas por quê? – Beth olhou para a mãe que havia voltado a se sentar, Shelby se sentara ao lado de Quinn.

Rachel e Quinn trocaram um olhar andar da loira encolher os ombros.

— Peça a Schue para postar essa apresentação. – A morena pediu para a namorada antes de voltar a atenção para a enteada. – Em um dos nossos ensaios eu quebrei o nariz, acidentalmente, então eu tive a brilhante ideia de fazer uma plástica e pedi a sua mãe para ela me acompanhar até o médico. Eu queria o nariz dela.

— Obrigada por não gostar do meu nariz. – Shelby franziu as sobrancelhas, ouviu a risada baixa de Quinn e viu o sorriso culpado de Rachel.

— Eu amo o nariz que você me deu, eu aprendi a ama-lo, mas aos 16 anos era um pouco difícil. – Encolheu os ombros, antes de se virar para Beth. – Enfim, sua mãe aceitou ir comigo, mas nós meio que tivemos uma conversa e acabamos cantando juntas.

Beth franziu as sobrancelhas. – Mas vocês não se odiavam?

— Nós não nos odiávamos. – Rachel arqueou as sobrancelhas, suspirou. – Nosso relacionamento nem sempre foi fácil, sua mãe me fez coisas ruins e eu fiz coisas ruins para ela. Nós duas erramos quando éramos adolescentes, nós duas nos arrependemos e nos perdoamos. Agora seria educado de nossa parte pararmos de ignorar as outras pessoas na sala, sim?

Rachel a beijou na testa antes de olhar para a irmã de Thomas que era quem estava mais perto, a mulher tinha uma expressão confusa.

— Algo errado? – Perguntou educadamente.

— Estou apenas tentando fazer a configuração da sua família na minha cabeça. – Alícia falou ouvindo o irmão soltar uma risada e a mãe soltando uma exclamação. – Desculpe, mas é confuso.

Rachel abriu um sorriso e encolheu os ombros.

— Eu sou filha biológica de Shelby, ela cedeu o óvulo e foi barriga de aluguel para os meus pais. – Trocou um olhar com a Corcoran. – Quando Beth nasceu, Shelby estava por perto ela treinava o nosso maior rival… — Quinn revirou os olhos o que lhe resultou em um tapa na coxa. – Bem… Beth nasceu enquanto estávamos em uma competição, nosso grupo foi para o hospital junto com Quinn e eu fiquei para trás. Alguém tinha que ficar ou então perderíamos por WO, eu contei a Shelby que Beth estava nascendo e juntas fomos para o hospital. Beth já estava no berçário quando chegamos lá, sendo babada através da janela por todos os nossos amigos.

— E então eu me apaixonei por aquela pequena menina loira que chutava as cobertas enfurecidamente. – Shelby passou o braço pelos ombros de Quinn para acariciar o ombro de Rachel. – Conversei com Quinn e Noah a respeito de adota-la e eles permitiram, mas eu sempre quis que eles estivessem na vida dela, apenas não estavam prontos ainda. Quando eles sentiram que era o momento, cada um deles me procurou, nós conversamos e começamos a lentamente introduzi-los na vida de Beth. Agora estamos aqui, nossa pequena e disfuncional família…

Quinn deu um pequeno sorriso para a Corcoran e concordou com a cabeça. Shelby acariciou os cabelos da Fabray ainda com um sorriso carinhoso nos lábios.

Judy observava as duas com um sorriso igual ao de Shelby.

— Eu… — Andrew atraiu a atenção das mulheres, olhava para Quinn com curiosidade. – Eu não sei se Frannie conversou com você sobre o que eu faço.

— Não. – Buscou o olhar da irmã que estava olhando para Beth.

— Eu sou terapeuta, tenho meu consultório, mas também procuro atuar em grupos de apoio. – Ele apoiou os braços nas pernas cruzadas em estilo indiano. – Um desses grupos é voltado para pessoas que se descobrem soropositivos.

Quinn arqueou a sobrancelha e voltou a olhar para Fannie que lambeu os lábios um pouco nervosa.

— Hn… Andrew me ajudou bastante com… você sabe… — A mais velha falou um pouco nervosa.

— Nos ajudou. – Russell falou atraindo o olhar da filha do meio.

Quinn olhou para Beth que estava lhe olhando de volta com um toque de medo. A conversa com a menina após a briga entre Finn e Rachel ainda parecia fresca.

— Por que você não vai atrás do seu tio? – Rachel sussurrou para ela. – Ele está ali na outra sala.

Beth concordou com a cabeça antes de se levantar e sair lentamente.

— Ela não sabe? – Andrew arregalou os olhos. – Ai meu Deus.

— Ela sabe. – Quinn ergueu a mão para tranquiliza-lo. – É só uma questão sensível, no momento. Mas o que tem o grupo de apoio?

— Bem… — Andrew olhou para Frannie. – Eu entendo que você quis manter sua privacidade e tudo o mais, eu de fato entendendo. É que diante da sua visibilidade e enfim, do fato de que você tem uma vida normal eu meio que fiquei pensando se você não gostaria de participar do grupo. Ser uma mentora, talvez… eu acho que você sabe como é achar que o seu mundo está se despedaçando e se sentir sem esperanças.

— É, eu sei como é. – Quinn sentiu a garganta um pouco seca.

Sentiu a mão pequena de Rachel se entrelaçando a sua, os dedos se prendendo aos seus em um aperto suave. Quinn lambeu os lábios e forçou um sorriso.

— Eu posso pensar e então te dou um retorno?

— É claro. – Andrew concordou com a cabeça.

*Diário*

Sam estava parado na frente da janela do berçário, seus olhos presos no embrulho azul que dormia tranquilamente. Uma das enfermeiras sorriu para ele e fez sinal para que ele entrasse, a ansiedade tomou conta do homem. Entrou no berçário.

— Seu menino? – Ela estava perto de onde o garoto dormia.

— É, é ele sim.

— Já o pegou?

— Ainda não. – Sam negou com a cabeça.

— Aqui, vamos preparar você. – A enfermeira estendeu um produto para que ele passasse nas mãos e o conduziu até a poltrona que estava ao lado.

Com cuidado ela voltou pegando o embrulho que estava dormindo e voltou para ele.

— Apoie o corpo assim e deixe que a cabeça dele repouse na curva do seu braço. – Ela instruiu em voz baixa. – Assim, agora relaxe e aproveite.

Sam engoliu em seco, seus olhos presos no menino que se aconchegava em seus braços. Se inclinou um pouco na direção do menino, sentindo o cheiro fresco dele, os cabelos loiros estavam protegidos pela touca da maternidade.

— Hey Adam… — Ele sussurrou. – É o papai. Eu sei que você não está acostumado à minha voz… eu não estive por perto. Mas eu vou consertar isso, ok? Eu vou estar lá Adam, sempre que você precisar e até quando você não precisar… eu prometo.

O menino começou a se mexer lentamente e o choro fraco começou a seguir, a enfermeira se adiantou, mas ele começou a embalar o menino.

— Many nights we've prayed with no proof anyone could hear in our hearts a hopeful song we barely understood… — Ele cantou em voz baixa, deixando o tom um pouco mais grave do que o normal, sentiu o menino se mover mais para ele. — But we are not afraid although we know there's much to fear we were moving mountains long before we knew we could…

A enfermeira parou o ouvindo cantar para o menino, o choro diminuiu até que Adam estivesse confortavelmente dormindo outra vez. Quando a música finalmente acabou Sam suspirou.

— Tem essa pessoa que vai te ensinar tudo sobre Whitney, Mariah e todas as grandes damas da música. – Ele sorriu. – E eu espero que um dia ele possa te amar e me ajudar a criar você para ser um homem bom.

Sam estava tão focado em Adam que não viu Kurt parado do lado de fora do berçário tentando conter o choro diante da imagem do ex-noivo com o bebê nos braços. Ele queria tanto entrar ali.

Notas finais
@just_someone13