Diário 2.0

30 Capítulo XXX - Soldados


Notas iniciais
Eu já te disse tantas coisas que às vezes fico sem palavras. Eu só tenho a agradecer por você, pelo dia de hoje e por tudo o que já passou e aind tem a passar. Eu amo você e eu realmente queria te dar um capítulo menos... complicado. E ah... um dia nós vamos casar, só para que você saiba. Feliz aniversário, amor! Feliz natal!

Eu queria ter algo profundo para dizer hoje, afinal de contas é natal e tudo o mais. Nessa época em Diário 1.0 eu estava falando sobre meu filme de natal favorito Grinch. E convenhamos foi um capítulo bem emocional aquele: Russell negando Quinn, Benjamin ganhando uma nova família, a morte de Russell, a possibilidade de Ethan enxergar… eu lembro de falar sobre família naquele capítulo e de como seria difícil a oração daquela noite… havíamos perdido minha tia naquele ano. E eu estava certa, foi uma oração difícil… no natal seguinte meu avô já não estava mais conosco e foi outro natal difícil. Desde então eu percebi que a festa perdeu um pouco o seu “brilho”, talvez seja o fato de que estou ficando mais velha ou o fato de que minha família está criando suas próprias famílias e seguindo seus caminhos. Eu não sei… eu queria ter palavras animadoras, inspiradoras, acolhedoras, eu queria fazer jus a este capítulo que estou entregando a vocês. Estou cansada, triste, pesada… acho que estou precisando de uma nova visão sobre o natal.

Então ao invés de usar minhas palavras eu usarei as palavras da minha série de conforto na esperança de ajudar alguém que esteja precisando hoje.

“Você sabe aquela visão romântica de que todo o lixo e dor é na verdade terapêutica e bonita, e até poética? Não é verdade. É apenas lixo, e apenas dor. Você sabe o que é melhor? Amor.
O dia em que você começar a achar que o amor é supervalorizado, é o dia que você estará errado. A única coisa errada sobre o amor, a fé e a crença é não tê-los.”

Se sentou de frente para o quadro. A caneca de chá quente estava soltando vapor. Seus olhos deslizando pelo quadro. Limpo. Vazio. Olhou para o quadro que estava apoiado no seu armário e ele estava preenchido, rico e vivo. Acrab deveria estar em espera, ela abriu a gaveta e pegou um diário novo e uma caneta nova. Abriu uma página nova e cruzou as pernas apoiando o caderno na coxa, respirou fundo e começou a pensar. Ela queria uma história, mas antes disso ela precisava de base então começou a escrever sobre Beth Stern, tudo o que já havia escrito sobre a personagem. Sua forma física, sua personalidade, os pontos principais de sua história, seus anseios e medos. Ela escreveu duas páginas sobre Beth antes de parar para beber um gole de chá. Releu suas palavras puxando um bloco de notas para perto, anotou algumas coisas que se sobressaiam em forma de perguntas, ela voltaria aquilo mais tarde. Retornou sua atenção para o diário e virou a página alisando a página outra vez, com um movimento fluído voltou a escrever se ocupando de outro personagem. E assim ela foi caminhando, escrevia sobre um personagem, parava e tomava um gole de chá, reexaminava sua escrita e anotava no bloco de notas perguntas que poderiam ser úteis em algum momento. Quando deu por si tinha quase 5 páginas de perguntas em um bloco de notas e uma caneca de chá vazia. Se esticou na cadeira olhando para o trabalho feito, era um progresso, pelo menos era algum trabalho. Puxou o bloco de notas e examinou as perguntas, riscou algumas que não lhe interessavam tanto ou que pareciam superficiais, pegou algumas canetas coloridas e começou a marcar perguntas que pareciam conversar entre si. Ouviu a batida na porta e grunhiu um “entre”, Judy apareceu no portal.

— Hey. – Entrou no escritório, esperou até Quinn abaixar a caneta e erguer os olhos para ela. – Como foi de viagem?

— Foi… algo. – Quinn murmurou jogando o corpo para trás. – Decididamente foi algo.

— Ainda está irritada com os editores? – Judy se sentou em uma das poltronas perto da estante e da janela.

— Estou, mas não tem nada que eu possa fazer a não ser seguir adiante. – Quinn encolheu os ombros. – Eu tenho que engolir e trabalhar com o que eu tenho, eu tenho a capacidade de fazer algo com o que eles me deram. Eu vou publicar Acrab, apenas de outro jeito.

— E Lima? – Judy deu um pequeno sorriso. – Continua sendo a mesma cidade de mente fechada?

Quinn hesitou olhando para a mãe, o sorriso da mulher, os olhos azuis… ela ficou em dúvida sobre o que responder. Viu Judy suspirar e inclinar a cabeça.

— Eu conversei com sua irmã. – A mais velha começou lentamente. – Ela me contou sobre Thomas e Henry… ela me ofereceu fazer parte da vida deles e reconstruir nossa relação.

— Isso é bom, mãe. – Quinn falou suavemente, um sorriso em seus lábios. – Eu acho que a senhora deveria fazer isso.

— E como você se sente em relação a isso? – Judy desviou os olhos apenas por um momento antes de voltar a focar na filha mais nova.

— Eu não tenho nada para sentir. – Quinn encolheu os ombros. – Acho que sua relação com Frannie só deve dizer respeito a vocês duas. Eu amo a senhora, eu amo tudo o que a senhora já fez e ainda faz por mim, mas se a senhora quer tentar com Frannie eu sou a primeira a dar apoio.

Judy sorriu para a filha antes de lamber os dentes. – Eu já sei sobre Benjamin.

Quinn desviou os olhos e apoiou o peso contra a cadeira.

— A senhora está bem? – Perguntou com cautela.

— Eu já sabia dele. – Judy se levantou, atraiu a atenção de Quinn. – Eu soube quando a mãe dele veio procurar por seu pai, o menino tinha uns 5 ou 6 anos. Eu fiquei em choque, ela estava ali na minha frente com o menino do lado e ele era tão lindinho, mas idêntico ao seu pai quando éramos novos. Ela estava procurando por Russell porque precisava de ajuda financeira, seu pai fez o exame de DNA e o resultado foi positivo. Eu engoli a traição dele e todas as suas desculpas fajutas, decidimos começar a fazer terapia e foi quando eu trouxe o fato de que você também havia errado e precisava de perdão em uma das sessões. Ele… ele me disse que só te aceitaria em casa se a criança não estivesse e eu argumentei que poderíamos cria-la como nossa e você seguiria com a sua vida. Na época era uma solução, pelo menos era na minha cabeça, daríamos um jeito de sair de Lima para isso, mas ele se recusou. E eu fui atrás dele para tentar convencê-lo, foi quando eu descobri da garçonete e dei um basta em tudo. O resto você já sabe. O que você não sabe é que seu pai me pediu desculpas por isso e por outras coisas, bem… eu acho que você sabe, já que está com a lista dele.

Quinn continuou olhando fixamente para a porta fechada.

— Ele te ligou? – Quinn perguntou com a voz firme.

— Frannie. – Judy se apoiou na mesa e olhou para a mais nova. – Como você está se sentindo em relação a isso?

— Eu não tenho nada para dizer. – Quinn respondeu a encarando. – Eu não preciso dele, eu não o quero e nada do que ele dirá vai me fazer mudar de ideia.

— Eu entendo. – Judy concordou com a cabeça. – Você aprendeu da pior forma a não confiar nele. Você aprendeu a ter um pé atrás… você aprendeu e eu nunca vou te tirar esse aprendizado.

— Mas?

Judy sorriu e ergueu a mão acariciando o rosto da filha.

— Você está com medo e eu nunca te tiraria isso, muito pelo contrário. – Se levantou pegando a caneca vazia. – Mas um dia talvez você precise sair dessa redoma de proteção que criou.

— E por que eu precisaria disso? – Quinn franziu as sobrancelhas. – Ele não me faz falta.

— Faz. – Judy começou a se afastar, parou na porta e olhou para a filha. – Ele faz e eu sei que você não quer admitir isso e tudo bem, Quinn, mas um dia você pode olhar para trás e se arrepender tanto quanto ele já se arrepende. Mais chá?

*Diário*

Bateu palmas e sorriu para a menina esfregando seu braço quando ela passou para se sentar. Olhou para os alunos e seus olhos se fixaram no único aluno que ainda não se apresentara.

— Benjamin. – Rachel o chamou suavemente, mas ele continuava olhando para o chão. – Só falta você.

Ele continuou sentado, ela podia ver a tensão da mandíbula e as narinas infladas. A risada zombeteira de Evan e o sussurro alto “acho que alguém travou”. Rachel deu um olhar severo na direção do rapaz e se aproximou de Benjamin.

— Benjamin. – Ela o chamou em voz baixa. – Eu preciso que você se apresente, está tudo bem não ser perfeito, mas eu preciso ouvir sua voz, saber que você entendeu a lição e que está tentando. Ok?

O garoto se levantou e desceu os degraus, parou e voltou pegando a cadeira que estava sentado a deixou no meio da sala. Hesitou antes de segurar o violão e tomar o seu lugar. Rachel se sentou e esperou olhando para o menino que se posicionava, mas não se mexia. Ele estava um pouco inclinado, seus olhos presos no chão. Rachel ia abrir a boca outra vez quando o ouviu começar a dedilhar a música, ela parou franzindo as sobrancelhas sem reconhecer.

— Loving and fighting, accusing, denying… – A voz dele era calma e suave, algo que Rachel nunca imaginaria. — I can't imagine a world with you gone the joy and the chaos… — Ela franziu as sobrancelhas sem reconhecer a música, mas o ofegar um pouco a sua esquerda deixou claro que alguém conhecia. — The demons we're made of I'd be so lost if you left me alone…

A última palavra soou tão dolorida que Rachel entendeu qual era o sentimento ao qual o menino estava tentando se conectar e ela imediatamente sentiu vontade de chorar. Se lembrou de semanas atrás, quando soube da existência do menino…

— You locked yourself in the bathroom. – A voz dele tremeu e ela sentiu à vontade quase súbita de dizer que ele não precisava mais se apresentar. — Lying on the floor when I break through…

Rachel lambeu os lábios e olhou para as mãos em seu colo, era tão… ela tinha um rapaz de 1,80m com ombros largos e músculos perfeitos, completamente frágil na sua frente. Ele era como uma criança, seus olhos presos no chão enquanto seus dedos trabalhavam a música.

— I pull you in to feel you heartbeat can you hear me screaming: Please don't leave me? – A voz dele tremeu na última palavra, seus dedos vacilaram, ela o viu engolir. — Hold on, I still want you… come back, I still need you… let me take your hand, I'll make it right… I swear to love you all my life… hold on, I still need you.

Ele parou de tocar o violão, uma lágrima escorreu pelos seus olhos. O silencio na sala era pesado, ninguém parecia querer se mexer diante da dor do garoto.

— Long endless highway you're silent beside me… — Ele fechou os olhos e apertou o violão com mais força, mesmo que não estivesse mais o tocando. — Driving a nightmare I can't escape from helplessly prayin', the light isn't fading hiding the shock and the chill in my bones…

Ele parou respirando fundo, o queixo tremendo enquanto mais algumas lágrimas escorriam pelas pálpebras fechadas. Benjamin se inclinou um pouco mais para frente como se estivesse tentando se proteger da dor.

— They took you away on a table… I pace back and forth as you lay still… they pull you in to feel your heartbeat. – Ele parou, seus dedos da mão esquerda brancos tamanho a força com a qual segurava o braço do violão. A respiração saiu em um arquejo mais forte antes dele inesperadamente erguer a voz como se estivesse fazendo um último apelo. -Can you hear me screaming: Please don't leave me?

Ele abriu os olhos encarando o chão, respirava tentando se acalmar.

— Hold on, I still want you… come back, I still need you… let me take you hand, I'll make it right… — A voz ficou mais rouca e sem perceber ele parou de cantar e simplesmente falou a letra da música. — I swear to love you all my life… hold on, I still need you…

Era um apelo tão frágil que ele fungou e soltou o violão o mantendo apoiado sobre as coxas.

— I don't wanna let go I know I'm not that strong I just wanna hear you… — Ele balançou a cabeça com um sorriso triste nos lábios, já não cantava e já não se importava em demonstrar quão quebrado estava. — Saying: Baby, let's go home… let's go home yeah, I just wanna take you home…

Ele respirou fundo e passou a mão pelo rosto molhado antes de finalizar a música murmurando.

— Hold on, I still want you… come back, I still need you… — Ele lambeu os lábios olhando para baixo sem querer encarar os colegas.

Se levantou e deixou o violão no lugar antes de sair da sala, a cabeça inclinada, ombros curvados e as mãos enfiadas nos bolsos da jaqueta. Ele se sentia exausto. Rachel se sentiu presa na cadeira, oprimida pela dor que ele demonstrou, limpou o canto dos olhos e se forçou a levantar. Pelo canto dos olhos viu Leighton se levantar.

— Deixe-o. – Sua voz foi suave, mas ao mesmo tempo não deixou espaço para a menina questionar. – Se em algo que eu aprendi sobre os Fabray é que eles odeiam que os vejam frágeis. Ele já se deixou vulnerável o suficiente na frente de muitas pessoas, deixe-o quieto para que ele refaça alguns muros de proteção.

— Mas…

— Querida… — Rachel deu um pequeno sorriso. – Confie em mim. Deixe-o sozinho agora.

A menina hesitou antes de se sentar outra vez. Rachel se virou para olhar os alunos, todos estavam… pesados, por falta de palavra melhor. Ela encarou cada aluno por alguns segundos, viu Evan se mexer desconfortável.

— Vocês fizeram um ótimo trabalho, alguns mais do que outros, mas certamente entenderam a tarefa. – Ela deu um sorriso fraco. – Estou orgulhosa do que me apresentaram, agora eu sei o que podemos melhorar e como melhorar. Vamos… estão dispensados.

— Mas… — Evan parou assim que falou, sentiu todos os olhos cravarem nele.

— Mas? – Rachel arqueou as sobrancelhas.

— E… — Ele parou limpando a garganta, olhou em volta tentando buscar um apoio.

Ela olhou para o rapaz, a jaqueta de jogador lhe caia bem, ele lhe lembrava Finn de alguma maneira. Se Finn fosse um jovem afro-americano tão bonito quanto aquele rapaz, é claro. Ela sorriu para ele.

— Pergunte… — Insistiu suavemente.

— E o Benjamin? – Uma voz nova se juntou, era de uma menina ruiva e sardenta que estava sentada na última fileira, Rachel precisou de uma batida de coração para se lembrar do nome dela: Becca.

— O Benjamin? – Rachel se fez de desentendida.

— Ele fez a apresentação que você queria. – A menina insistiu suas sobrancelhas franzidas. – E você vai fingir que não causou nenhum sofrimento a ele?

— Eu não o fiz sofrer. – Rachel respondeu e se sentou no lugar que o garoto havia colocado no meio da sala, cruzou as pernas. – Ele já está sofrendo, o que ele fez agora foi externalizar isso. – Ela deslizou os olhos pelos presentes. – O que ele está passando não é algo… fácil, simples, que vai embora num estalar de dedos. Existem dias que são mais fáceis e existem dias que dói tanto que é difícil respirar. Eu acredito que ele tem sofrido calado por tanto tempo, que ele já não sabe viver sem sofrer e isso é preocupante. Ele sofreu calado, sozinho e nesse momento… isso aqui foi um pedido de ajuda. Vocês não entendem o que ele está sentindo, eu sei, mas agora fica a questão… ele vai continuar sozinho?

— A senhora acabou de me dizer para deixa-lo. – Leighton argumentou.

— Eu disse e ele precisa de espaço, dar espaço não significa deixar sozinho. – Ela respondeu calmamente. – Dar espaço é respeitar o momento dele, mas demonstrem que vocês estão ali de algum jeito e que se ele precisar vocês o ajudarão. E eu não vou mentir para vocês, não vai ser fácil. Ele vai lutar contra essa ajuda, ele vai se fechar, ele vai ser grosso e ele vai ignorar. Ninguém aqui está isento de passar pelo que ele está passando, em algum momento da vida todos nós estaremos nesse lugar. Vocês se lembram do que eu disse no início da semana? Aqui é um lugar para se sentir seguro, para saber que você não está sozinho… a pergunta que fica é: vocês vão abandonar um homem ferido ou vão para a batalha com ele?

Os olhos dela se centraram em Evan que ficou sentado por um momento antes de se levantar e sair porta afora. O sinal tocou e ela dispensou a turma outra vez.

*Diário*

Ele estava sentado na arquibancada, a mesma arquibancada que dividira com a irmã no início da semana. Ele sentia o corpo tremer. Doía tanto. Todos os dias. Ele já não sabia mais o que fazer com aquilo, ele queria tanto que algo amenizasse aquilo, ele a queria de volta. Ele ficava vendo e revendo vídeos e fotos, ele adorava a ouvir cantar… se perguntou quando foi a última vez que cantara após a morte dela. Aquela teria sido a primeira? A primeira vez que pegou no violão desde o enterro? Parecia tão errado fazer aquilo sem ela, tão dolorido. Ele a sentiu se sentar do seu lado e limpou o rosto apressado.

— Riram de mim?

— Não. – Rachel respondeu olhando para o campo. – Mas estão preocupados.

— Não minta para mim. – Ele limpou o rosto outra vez.

— Eu não estou, eles estão preocupados e eu também estou. – Ela continuou olhando para a frente.

— Com?

— Você. – Ela o olhou e por um momento pensou estar com uma Quinn de 17 anos outra vez. – Eu sei que dóis.

— Dor? – Ele grunhiu e a olhou, os olhos verdes avermelhados, o nariz irritado. – Você sabe que dói? Ela desistiu. Ela desistiu de mim.

— Ela não desistiu de você.

— E o que você sabe sobre isso? – Ele se levantou de supetão. – O que você sabe sobre mim?

— Nada, Benjamin. – Ela deu um pequeno sorriso. – Mas não consigo ver um Fabray sofrendo e não me intrometer. Ben…

Ele deu as costas para ela e ela lambeu os lábios.

— Ela não desistiu de você. – Sua voz saiu suave. – Mas ela pode ter cansado de lutar contra e às vezes devemos saber quando desistir. Por mais que ela quisesse lutar contra ela não podia, eu sei que você está com raiva, mas ela precisava desistir porque lutar estava a machucando de mais.

— Eu sei, mas saber e aceitar são coisas diferentes. – Ele se virou para ela. – Eu sinto falta dela e eu não aguento mais.

— Então pare de lutar contra e se deixe sentir. – Rachel respondeu.

— Eu estou sentindo.

— Está? Ou você está guardando tudo em um lugar que você se afunda ao invés de deixar sair? – Ela inclinou a cabeça. – Essa também é uma característica Fabray, apenas para que você saiba.

— Tem alguma característica Fabray que seja boa? – Ele desabou ao lado dela.

— Os olhos. – Ela o empurrou com o ombro e o viu passar a mão pelo rosto outra vez. – E o maravilhoso senso artístico, além do sorriso mais bonito que existe.

Ele deu um pequeno sorriso e ela ergueu a mão um pouco hesitante antes de acariciar os cabelos escuros do rapaz.

— O que você acha que Quinn cantaria se essa fosse uma tarefa de vocês? – Benjamin perguntou em voz baixa.

Rachel sorriu para ele antes de se inclinar falando baixo como uma confidencia.

— Tem uma música que sua irmã sempre cantarola quando ela acha que eu não estou prestando atenção. – Ela o viu erguer o rosto. – E isso é desde a época da escola… e eu tenho certeza de que seria essa… Fly me to the moon.

— Sinatra?

— Sua irmã adora.

Ele ficou em silencio e esfregou o rosto outra vez antes de olhar pelo campo. Eles ficaram em silencio, era confortável, era fácil… e antes que ele entendesse o que estava acontecendo, antes mesmo de pensar a respeito, ele se viu chorando. Seu corpo tremia, um soluço abafado passou por seus lábios e ele mal conseguia respirar. Passou a mão pelo rosto tentando se controlar, mas simplesmente era impossível. Rachel passou a mão pelos ombros largos dele e o puxou sutilmente em sua direção, no momento seguinte o rapaz estava deitado com a cabeça apoiada em seu colo chorando como uma criança de 5 anos que cai e rala o joelho.

Notas finais
@just_someone13