Diário 2.0
16 Capítulo XVI - Beth e Shelby
Eu odiava o colégio. Não era uma aluna excepcional e nem ruim… era mediana. Eu não tinha muitos amigos, lembro de uma época em que eu mais ficava sozinha e em silencio do que qualquer outra coisa. Lembro das piadinhas constantes por eu ser “mulher-macho” e do medo de ser verdade. Lembro do pânico quando percebi que finalmente tinha amigos, e que as piadas eram verdadeiras e… eu fiquei sozinha outra vez. Às vezes eu me pergunto por que adolescentes são tão cruéis e estúpidos. Quer dizer, a maior parte passa pelos mesmos problemas e nem assim conseguem ser empáticos ao sofrimento ou as questões alheias. Tão consumidos em seu próprio egoísmo e em suas próprias necessidades que não olham em volta, mas… seriam apenas os adolescentes? Ou um problema da sociedade em geral?
Quinn suspirou e olhou para a entrada do colégio assim que a campainha tocou, cruzou os braços sobre o peito.
— Então… Beth tem uma melhor amiga que é vizinha? – Rachel se apoiou ao lado de Quinn.
— É… Shelby comprou a casa quando Beth tinha uns 6 anos. – Quinn deu um pequeno sorriso. – E então Gabby Hernández entrou em nossas vidas… a família deles é do México. O pai está servindo no Exército junto com Noah… eles estão na mesma unidade. O filho mais velho, Miguel, está em West Point…
— Sério? – A Berry se surpreendeu.
— Sim, ele está no segundo ano já… — Quinn manteve o sorriso. – Então temos a primeira menina… Mariana… está no último ano do Ensino Médio e é uma boa menina, um pouco difícil, mas boa…
— Difícil como uma Quinn Fabray adolescente? – Rachel arqueou as sobrancelhas se esticando para ver se não via Beth.
— Algo assim… — Quinn estalou o pescoço de repente se sentindo um pouco desconfortável.
— Então Gabby é a mais nova? – Rachel não pareceu notar o leve desconforto de Quinn.
— Tem um irmão antes dela… — Quinn ergueu a mão e assobiou em seguida, um assobio bem distinto.
— Você acabou de assobiar como nos Jogos Vorazes? – A morena soltou uma risada baixa vendo alguns dos adolescentes olhando para as duas.
— Mamãe! – Beth chamou correndo na direção das duas.
A pequena versão de Quinn Fabray se jogou contra a mãe que a acolheu com uma risada alta. Rachel observou a interação das duas sem conseguir parar de sorrir.
— Olá Beth. – A chamou suavemente, viu a menina levantar a cabeça de supetão e a encarar de olhos arregalados.
— Rach! – A menina arquejou antes de se soltar da mãe e se lançar para Rachel. – Você veio!
— Onde está Gabby? – Quinn perguntou olhando em volta, viu alguns celulares apontados em sua direção. – Ela não veio com você.
— Ela está vindo. – Beth se afastou com um sorriso nos lábios. – Eu vim na frente, achei que mamãe tivesse vindo me buscar então vim na frente para avisar.
— Bem, mamãe está aqui… — Quinn sorriu e acariciou a bochecha da menina. – Como você está?
— As aulas são chatas. – Beth revirou os olhos e Rachel soltou uma risada alta atraindo a atenção das duas loiras.
— Desculpa. – A morena mordeu o lábio. – Mas eu tive a perfeita visão da mistura entre você e Noah e… é adorável.
— Eu sou adorável. – Beth sorriu arteira.
— Ah eu conheço esse sorriso. – Rachel a puxou pelos ombros. – Você vai dar muita dor de cabeça.
— É, eu sei. – Quinn revirou os olhos e voltou a olhar a escola. – Onde está Gabby?
— Se a senhora está aqui isso significa que o jantar hoje é pizza ou churrasco? – Beth perguntou sorrindo. – Certo?
— Sim, pequena, Shelby já está arrumando as coisas em casa junto de Sonja. – Quinn a cutucou no nariz. – Churrasco será.
— Churrasco? – Rachel repetiu arqueando as sobrancelhas. – Quinn…
— Eu também sou! – Beth exclamou sorrindo. – Eu também sou vegetariana. Você precisa provar os espetinhos que mamãe Shelby faz.
— Você é vegetariana? – Rachel arqueou as sobrancelhas.
— Gabby! – Quinn a chamou erguendo a mão. – Aqui querida.
Rachel ainda olhava para Beth com um olhar levemente descrente. A menina de pele morena se aproximou correndo, seus cabelos castanhos eram grossos e estavam presos em um rabo de cavalo.
— Oi tia Quinn. – Sorriu abraçando a loira.
— Oi meu amor. – Quinn a beijou nos cabelos. – Vamos, vamos para casa eu já estou com fome.
— Churrasco? – Gabby olhou para Beth.
— Churrasco. – Beth abriu a porta de trás do carro.
— Olá. – Gabby sorriu para Rachel. – Estava ansiosa para conhecê-la senhorita Berry.
— Oi. – Rachel a cumprimentou deixando a menina passar para poder entrar no veículo.
Quinn soltou uma risada baixa e abriu a porta para Rachel.
— Surpresa? – Sussurrou.
— Um pouco. – A morena se inclinou a beijando suavemente nos lábios, ouviram as meninas gemerem com nojo, trocaram um pequeno sorriso – Vamos? Tenho espetinhos para experimentar.
Quinn fechou a porta quando a morena se sentou, deu a volta no carro e ocupou seu lugar.
— Vamos para casa, minhas senhoras?
*Diário*
Quinn parou o carro e as meninas desceram como um raio, Rachel estava rindo em voz baixa.
— Elas não param? – A morena perguntou vendo Quinn respirar fundo.
— Estão… agitadas por sua causa. – Soltou o cinto e se inclinou para a morena a beijando nos lábios.
— Acho que eu nunca ouvi tantas músicas de Rent fora do palco. – A morena a puxou um pouco mais para perto. – Vamos? Quero ver Shelby…
Quinn se inclinou um pouco mais a mordendo no lábio.
— Não posso fazer isso se a minha filha e a sua mãe estão lá dentro. – Sussurrou sentindo a morena lhe abraçar pelo pescoço.
— Mais tarde. – Rachel a beijou rapidamente antes de abrir a porta. – Mais tarde.
Quinn suspirou a vendo se afastar e andar na direção da casa com faixada de pedra. As meninas haviam deixado a porta aberta e Rachel estava esperando por Quinn. A loira estendeu a mão pegando a da morena e juntas entraram, o hall de entrada levava para a escada do segundo andar e o primeiro andar era todo aberto. Da porta de entrada elas poderiam ver Shelby e quem a morena supôs ser Sonja no final da casa se mexendo dentro da cozinha. Rachel sorriu para as cores quentes espalhadas pela sala, as janelas largas e altas deixavam muita luz entrar pela parede lateral. Elas ouviram as meninas no andar de cima.
— Shelby. – Quinn a chamou enquanto puxava Rachel pela mão.
A morena estava terminando de lavar as mãos quando se virou para olhar para as duas pela janela interna. Secou as mãos no pano que estava em seu ombro e saiu da cozinha rapidamente, Quinn deixou Rachel passar na sua frente e esperou as duas mulheres morenas se abraçarem. Deixou as duas abraçadas e seguiu para a cozinha para cumprimentar Sonja. Era uma mulher morena como a filha, de estatura pequena e magra, um sorriso largo em seus lábios.
— Mi hija. – Ela murmurou abraçando Quinn. – Fico feliz em vê-la aqui e tão bem acompanhada.
— Eu também. – Quinn suspirou. – Você não falou nada de precisar pegar os meninos…
— Ah não, não… — Ela abanou com a mão e voltou a se concentrar nos espetinhos que estava montando. – Mariana tem treino após as aulas, deve demorar um pouco mais para chegar e Juan se machucou no treino da manhã e está em casa.
— Machucou? – Quinn franziu as sobrancelhas. – Como?
— Estirou o musculo do ombro enquanto estava na academia. – Sonja suspirou. – Ele está tão focado em fazer o treinador nota-lo que está sendo imprudente e eu já não sei mais o que fazer. Preciso que Antonio ou Miguel falem com ele sobre isso.
— Ele está preocupado. – Quinn suspirou. – Sabe que precisa de uma bolsa…
— Ele é um bom aluno, pode conseguir com as notas. – Sonja encolheu os ombros. – Mas ele insiste em tentar a bolsa atleta.
Quinn olhou para a sala disfarçadamente, viu que Shelby havia levado Rachel para o escritório que ficava na frente da casa logo ao lado da porta de entrada.
— Deixe-as. – Sonja a cutucou. – Vá acender a churrasqueira e deixe as duas terem um momento.
— Eu sei… — Quinn murmurou com um suspiro, começou a mexer nos armários atrás do que precisava.
Shelby estava sentada na poltrona perto da janela enquanto Rachel estava sentada na sua frente. A morena mais velha segurava a mão da mais nova.
— Eu queria ter ido para New York… — Shelby falava em voz baixa.
— Eu sei… eu sei… — A morena mais nova suspirou. – Tinha Beth e você tinha que trabalhar…
— Não Rachel. – Shelby apertou a mão da mais nova. – Beth poderia ficar com Sonja ou com Judy sem problema algum e eu simplesmente falaria no trabalho que minha filha mais velha precisava de mim. Eu não fui porque eu não sabia se você iria me querer lá…
— Eu adoraria que você tivesse ido. – Rachel deu um pequeno sorriso. – Eu deveria ter ligado…
— Rachel, nós perdemos o contato. – A Corcoran a interrompeu outra vez. – Está tudo bem. Quinn me manteve informada de tudo, mas… tem certas coisas que ela não compreende.
— Não, não compreende. – Rachel sentiu o rosto esquentar quando olhou para Shelby. – Eu tenho tentado manter tudo guardado, mas… eu posso estar começando a soltar algumas coisas em cima dela. Beth me perguntou dentro do carro… quando eu iria voltar aos palcos e…
— Você está com medo. – Shelby acariciou a mão de Rachel. – É normal, é natural você estar com medo. O palco… o palco é a nossa casa, é onde nós artistas nos sentimos vivos e o que você passou dentro da sua casa é assustador.
— Eu não sei se consigo voltar para o palco. – Rachel sentiu a lágrima descer e ela prontamente respirou fundo passando a mão livre para limpar.
— Então não tenha pressa para voltar. – Shelby passou a mão pelo rosto da mulher. – Leve o seu tempo para voltar… o palco estará lá para quando você quiser e puder voltar.
— E se eu não conseguir mais voltar? – Fechou os olhos deixando finalmente seu maior medo sair. – A verdade é que… eu consigo ouvir os gritos, sentir o calor, o cheiro… — Parou lambendo os lábios, apertou a mão de Shelby para ter certeza que estava em um lugar seguro. – Eu penso em voltar para o palco e… tenho vontade de vomitar, começo a suar frio… — Olhou para a mãe e sentiu a mulher apertar sua mão de volta. – Eu não consigo nem pensar em estar em um palco.
— Rachel… — Shelby aninhou o rosto de Rachel entre suas mãos. – Respire fundo. Você não precisa voltar ao palco agora, não existe pressa para isso. Você é uma atriz. Uma atriz maravilhosa. Existe um mundo de possibilidades para você, o palco pode ser a sua base e ele sempre estará lá, mas ele não te limita. Eu sei que você está com medo, você está ferida, então deixe curar e quando você se sentir pronta o palco vai te receber com os braços abertos.
— Eu sempre achei que o palco era minha única opção. – Rachel segurou os pulsos da mulher. – Sempre foi.
— Mas ele não é. – Ofereceu um sorriso para ela. – O palco. A Broadway. New York. Eles fazem parte de você e sempre serão parte de você, mas existem outras coisas além. Tenha outros sonhos, Rach… viva outros sonhos.
— Acha que eu devo vir para Holywood? – Rachel soltou uma risada baixa um pouco gutural.
— É uma opção, assim como dirigir, produzir… tudo é uma questão de opção. – Shelby sorriu para ela e acariciou as maçãs do rosto com os polegares. – Tire um tempo e pense meu amor.
— Obrigada. – Sussurrou.
— Converse com Quinn sobre esses medos. – Shelby franziu as sobrancelhas. – E talvez…
— Eu marquei consulta com um psicólogo. – A morena abaixou a cabeça sentindo as mãos de Shelby cederem. – O mesmo de Quinn… ela não está muito bem.
— Por quê?
— Teve algumas crises leves de ansiedade. – Rachel esfregou o próprio rosto soltando um suspiro. – Está com medo de me contaminar e isso é ridículo, já que ela não pode fazer isso.
— Vocês estão bem? – Shelby franziu as sobrancelhas.
— Bem, não é exatamente fácil. – A atriz soltou um suspiro. – Temos muita bagagem e por mais que eu sinta que podemos falar sobre tudo… parece que sempre tem algo que fica no meio. É como se em alguns momentos a gente tenha que estar sempre andando na ponta dos pés ao redor uma da outra.
— Quinn mudou muito, Rachel. – Shelby deu um pequeno sorriso apenas com os lábios. – E… ela ainda carrega muitas cicatrizes. Então, às vezes ela pode erguer muros… tenha paciência.
— Ela mudou, mas eu também mudei. – Rachel se levantou passando as mãos pelo rosto tentando se recompor. – Não continuo sendo a mesma Rachel.
— Eu sei que não, e ela também sabe disso, mas querida… ela ganhou pancadas mais duras. – Shelby se levantou e a segurou pelos ombros. – Converse com ela, explique, a ouça, se faça ouvir e não desista. Ok?
— Nunca achei que fosse te ouvir defender Quinn Fabray. – Soltou uma risada baixa.
— As coisas mudaram. – Shelby a beijou na testa. – Mas isso não significa que eu não possa chutar a bunda dela se ela te magoar.
Ouviram os passos apressados e Shelby suspirou.
— Se prepare, você terá uma longa noite. – Piscou assim que as meninas entraram correndo. – Sem correr e sejam gentis com ela.
— Sim mamãe. – Beth sorriu, seus olhos verdes brilhando de felicidade.
Rachel sorriu para ela e deixou que as duas meninas lhe carregassem de volta para a sala.
— Onde está Quinn? – Perguntou olhando em volta.
— Está acendendo a churrasqueira. – Sonja respondeu limpando as mãos. – É um prazer querida, eu te escuto cantar pelo menos umas 3x por semana.
— Eu peço desculpas por isso. – Rachel sorriu sem jeito.
— Ah não se preocupe, você tem uma belíssima voz… me lembra muito a de Shelby. – Sonja piscou para ela e voltou para a bancada pegando uma travessa. – Aqui estão os hamburgueres, Shelby os espetinhos já estão no tempero.
Rachel olhou para as portas francesas que davam para o pátio, ela queria ir até lá, mas Beth a empurrou na direção do sofá.
— Me diz! – Gabby perguntou pulando no sofá. – Quando você vai voltar para os palcos? Nós podemos ir ver?
— Ver? – Rachel franziu as sobrancelhas.
— Rent! – Beth exclamou abrindo os braços.
— Eu não acho que seja apropriado. – A morena franziu as sobrancelhas, buscou Shelby que estava ocupada outra vez. – Não é uma peça para jovens senhoras…
— Por quê? – Beth pergunta de sobrancelhas franzidas. – Por causa do HIV?
— Não. – Rachel sentiu calor, ela não deveria estar tendo aquela conversa. – Apenas… não é apropriado.
— Por quê? – Gabby tornou a perguntar.
Rachel sentiu um leve pânico, como ela responderia aquilo? Olhou para Shelby que estava na cozinha sem dar atenção a elas.
— Bem… essa seria uma resposta para as mães de vocês darem. – Sorriu para as duas.
— Você vem para a Ação de Graças? – Beth mordeu o lábio inferior.
— Eu não sei ainda querida. – Acariciou o rosto da menina.
— E as férias de Natal? – Gabby perguntou cutucando Beth. – Mamãe disse que se papai e tio Noah não conseguirem licença na Ação de Graças eles podem tentar no Natal. Já devemos saber as respostas.
— Olha… — Rachel sorriu. – Seu pai vai vir por uns dias e eu prometo estar aqui, também estou com saudades dele.
— Mesmo? – Beth sorriu. – E então podemos cantar?
— Cantar? – Rachel riu vendo as meninas muito animadas. – Podemos sempre cantar.
*Diário*
Quinn tomou um gole de água enquanto segurava o riso para a interpretação que Beth, Gabby e Rachel estavam fazendo. Acabou se engasgando com a água quando a filha tentou alcançar uma nota alta de mais.
— Amor, acho que você precisa treinar mais. – A loira sorriu para a filha. – Está quase lá, mas ainda precisa treinar seu alcance.
— Bem, se ela não tivesse resolvido desistir das aulas quem sabe não teria conseguido. – Shelby apareceu carregando algumas cartas, Beth a olhou de olhos arregalados. – Chegaram para você.
— Ah… — Quinn estendeu a mão para receber as cartas, mas suas sobrancelhas franzidas. – Desistiu das aulas?
— Assim como desistiu do Cross Country. – Shelby arqueou as sobrancelhas vendo a filha corar. – Mas eu tive que descobrir isso através dos treinadores que vieram me perguntar o motivo, certo Beth?
— Como assim? – Quinn manteve as sobrancelhas franzidas. – Você não me falou nada sobre isso.
Gabby e Beth se entreolharam e a menina loira suspirou balançando a cabeça negativamente. Quinn e Shelby trocaram um olhar antes da loira deixar as cartas na mesa e se levantar.
— Vamos conversar. – Segurou o ombro de Beth. – Vamos…
Rachel viu a menina suspirar e entrar para dentro da casa sendo seguida pelas outras duas mulheres. Franziu as sobrancelhas quando viu Sonja chamando a filha mais nova.
— O que está acontecendo? – A latina perguntou em voz baixa.
— Nada mamá. – Gabby balançou a cabeça.
— Mi hija… — Sonja arqueou as sobrancelhas. – O que está acontecendo?
Rachel se sentou do lado da mulher e vu a menina suspirar.
— Algumas das garotas estavam implicando com Beth, então Beth resolveu sair do clube. – A menina encolheu os ombros. – Elas têm nos perturbado.
— Por quê?
Gabby olhou para Rachel com cara de culpa e a morena entendeu.
— Vocês estudam em um Colégio particular e católico… — Rachel apertou a ponte do nariz. – É claro… aumentou depois que Quinn e eu ficamos públicas, não é?
— Sempre existiu. – Gabby encolheu os ombros. – Mas aumentou bastante de uns dias para cá, então Beth quis sair da aula de música, do coral e do cross country. Ela também falou que ia sair do basquete e da natação quando chegasse a temporada.
— Elas também têm perturbado você, não é? – Rachel perguntou docemente.
— É. – A menina olhou para a mãe. – Elas têm…
— Têm? – Sonja insistiu.
— Elas têm espalhado que Beth e eu namoramos. – Falou em voz tão baixa que as duas mulheres precisaram se inclinar.
Rachel olhou de soslaio para Sonja que permaneceu serena.
— Ok meu amor… mamá vai resolver tudo. – Acariciou o rosto da menina. – Não se preocupe e foque nas suas coisas, ok?
— Estou tentando mamá. – A menina suspirou.
— Vou lá dentro. – Rachel murmurou se levantando.
A morena deixou as duas sozinhas para conversarem se fosse o caso, fechou a porta e viu pelo vidro a mãe puxando a menina para perto em um abraço. Olhou para as portas abertas do escritório e andou até ele, Quinn e Shelby estavam em pé olhando para a menina loira que estava sentada na poltrona olhando para baixo.
— Vamos Beth… — Shelby estava de braços cruzados. – Por que desistiu das aulas?
A morena mais nova bateu suavemente na porta atraindo a atenção das duas.
— Posso ter uma palavra com vocês? – Perguntou olhando para Beth. – Amor, por que não pega o computador para me mostrar as gravações que queria, hn? Vai lá.
Quinn arqueou uma sobrancelha vendo a filha sair da sala e Rachel fechar a porta.
— Gabby falou. – A morena se apoiou contra a porta. – Jura que vocês não têm nem ideia? Um colégio católico… para uma menina meio-judia que tem duas mães, mesmo que de forma adotiva e em que uma das mães é alguém famoso e abertamente lésbica?
Quinn suspirou e passou a mão pelo rosto.
— Nós sabemos, mas precisamos que ela fale. – Shelby explicou. – Não é a primeira vez…
— Está ficando pior segundo Gabby, agora estão falando pela escola que elas namoram. – Rachel olhava para Shelby, sabia que Quinn estava se mantendo de costas para ela de propósito. – Piorou desde que Quinn e eu ficamos públicas, acredito que as fotos do incêndio…
— Beth teve problemas um pouco antes… brigou no colégio. – Shelby olhou para Quinn.
— É, ela falou algo sobre isso com Santana. – Quinn concordou com a cabeça, mas não se virou. – Eu conversei com ela sobre isso. Eu disse a ela que ela deveria vir falar comigo ou com você sobre isso ao invés de brigar.
— Na segunda-feira eu vou falar com a diretora. – Shelby suspirou. – Só espero que isso não vire um carnaval.
— Eu vou com você. – Quinn falou em voz baixa. – Nós sabemos como a Diretora funciona, eu só preciso assinar um cheque bem gordo para a viagem anual ou o novo laboratório de química. Desde que você mantenha o emprego e as crianças Hernández não saiam prejudicadas, mas eu não vou permitir que Beth sofra bullying.
Shelby suspirou e apoiou a mão no ombro de Quinn o apertando suavemente.
— Apenas mantenha a calma e tente descobrir algo com Beth, da boca de Beth. – Pediu em voz baixa antes de sair.
Rachel deixou a mulher mais velha sair e se aproximou da loira logo depois de fechar a porta, deslizou as mãos pelo trapézio de Quinn o acariciando de maneira reconfortante.
— Respire. – Sussurrou a abraçando pela cintura.
— Beth não tem que sofrer as consequências. – Ela falou rigidamente. – Parece que eu continuo errando.
— Quinn, tudo vai se ajeitar. – Murmurou a beijando no ombro. – Você e Shelby vão falar com a Diretora e tudo se resolverá.
— Quantas vezes seus pais foram falar com o Figgins? – Perguntou ainda rigidamente.
— Algumas, mas você está esquecendo que Figgins morria de medo de Sue Sylvester e ele não iria punir as protegidas da treinadora. – Rachel cantarolou acariciando a barriga de Quinn. – Ninguém no mundo em sã consciência iria querer provocar a treinadora desse jeito.
— Eu estou falhando com a minha filha. – Rachel pode ver a mandíbula saltar. – Mas eu vou resolver isso nem que eu tenha que processar cada um dentro daquele maldito colégio.
A beijou no pescoço e apertou seus braços.
— Estou aqui. – Sussurrou para a loira a sentindo relaxar. – Estou aqui.
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