Diário

32 Capítulo XXXI - Noite


Notas iniciais
Peço desculpas por que o capítulo ficou péssimo...

“…é de noite que tudo faz sentido no silencio não ouço meus gritos…” é no silencio da noite que as duas amantes se encontram, se compreendem e se apoiam. É durante a noite que tudo vai ser acertado, é no silencio que se vem a compreensão. O mundo paralelo onde se esconderam é como uma bolha que aos poucos vai sendo testada. Nem sempre a noite vai ser calma, mas sempre virá um novo dia e com ele uma nova noite e a certeza de um novo encontro.

As notas soando pela casa eram calmas, Rachel estava sentada no sofá admirando o pai tocando piano com Ethan em seu colo. Quinn estava com Beth deitada no outro sofá, ambas liam seus respectivos livros. A menina estava apoiada nas pernas da mãe que lhe fazia um carinho nos cabelos claros.

Foi observando essas duas cenas que Rachel tomou uma decisão súbita. Levantou-se caminhando até o quarto trocou de roupa rapidamente e tornou a voltar para a sala fechando o sobretudo.

- Vou dar uma volta. – Sussurrou para Quinn que levantou o rosto franzindo as sobrancelhas.

- Vai onde? – Perguntou a vendo mexer na bolsa pegando a chave do carro que a seguradora havia cedido. – Ainda mais sozinha há essa hora.

Leroy parou de tocar erguendo o rosto para a filha.

- Tenho que ir resolver umas coisas. – Acariciou o rosto da autora. – Não se preocupa volto logo.

- Rachel. – Quinn a segurou pelo pulso. – Sozinha não, posso ir com você?

- Não. – Respondeu firme.

- Nesse caso eu vou. – Leroy se levantou segurando Ethan em seu colo. – E nem adianta negar mocinha, me de as chaves.

- Pai é sério eu não quero companhia. – Retrucou com firmeza. – Está tudo bem, só preciso ir resolver umas coisinhas.

Abaixou-se dando um beijo nos lábios de Quinn antes de murmurar.

- Já volto não se preocupe. – Murmurou com calma a beijou de novo. – Te amo.

Abriu a porta do apartamento escuro, olhou ao redor e encontrou a esposa sentada no sofá.

- Mercedes? – Chamou trancando a porta. – Você está bem.

- Senta aqui. – Pediu com a voz rouca. – Não acende a luz, só senta aqui comigo um pouco.

Sam tirou o paletó e se aproximou cauteloso, sentou ao lado da esposa tocando sua perna.

- O que foi? – Sussurrou calmo.

- Eu não posso ter filhos. – Ela murmurou de volta, sentiu a lágrima quente descer pelo seu rosto. – Eu realmente não posso ter filhos, eu sou estéril.

Sam se levantou para poder agachar na frente da esposa, ergueu as mãos limpando as lágrimas dela.

- Calma. – Pediu controlando a própria voz. – Como assim?

- Eu não posso ter filhos. – Repetiu mais alto. – Descobri quando adolescente que não poderia ter filhos, eu não quis te contar quando casamos por que eu queria casar com você e não sabia se isso iria interferir na sua decisão.

- O que? Mercedes pelo amor de Deus.

- Eu sei. – Murmurou com a voz embargada. – Eu sei, mas eu queria tanto você.

- Eu… — Suspirou afastou as mãos dela e escondeu o próprio rosto. – Tudo bem, nós podemos adotar, nós ainda podemos adotar o que você acha?

- Não quero ter filhos. – Murmurou de novo. – Eu não quero ter filhos eu não quero crianças correndo pela casa.

- Mercedes. – Ele se levantou com a cabeça rodando. – Vamos pensar com calma, vamos conversar depois.

- Não tem depois Sam. – Ela enxugou as próprias lágrimas. – Não quero ter filhos já decidi isso.

- Mas essa decisão não é apenas sua. – Ele retrucou exaltado.

- Você merece mais Sammy, muito mais. – Ela se levantou caminhou até ele o segurando pelo rosto. – Eu te amo, mas o nosso casamento acabou já tem tempo.

- Cedes…

- Shh… apenas me escute. – Colocou seus polegares sobre os lábios dele. – Somos melhores amigos, mas já não somos mais amantes.

- Eu não quero terminar.

- Não vamos terminar, vamos só começar um novo ciclo tudo bem? – Afagou o rosto dele sentindo ele a segurar pelos pulsos. – Eu não quero sair da sua vida e quero que você continue na minha.

Sam suspirou fechando os olhos, sentiu que ela lhe puxava para baixo dando um beijo na sua testa.

- Vou com o Kurt para Los Angeles, temos que resolver algumas coisas do filme. – Murmurou apoiando sua testa na dele.

- Quando você voltar eu já terei saído do apartamento. – Ele retrucou com a voz grossa. – Quero que você fique com ele.

- Vamos resolver isso depois.

- Tudo bem. – A beijou na testa.

Abraçaram-se com força se prendendo aqueles instantes finais da história de ambos.

Rachel entrou pelo hotel com determinação, falou rapidamente com a atendente que lhe indicou o bar. Em uma mesa afastada foi que encontrou o que procurava. A mãe que encarava o seu copo de Martini com interesse.

Aproximou-se com os passos decididos parou na frente da cadeira e se sentou de frente para a mãe sem nem ao menos pedir permissão.

- Boa-noite filha. – Shelby deu um pequeno sorriso. – Sabia que você viria vir falar comigo.

- Então por que está sorrindo? – Arqueou as sobrancelhas com o tom frio.

Shelby se ajeitou na cadeira endurecendo a postura.

- Uma água, por favor, com gotas de limão. – Pediu ao atendente que parou ao seu lado.

- Não me acompanha em uma bebida? – Shelby inclinou a cabeça.

- Estou dirigindo e não pretendo me demorar muito. – Os lábios da diva se torceram levemente. – Só quero saber o por quê?

- De?

- Beth é sua filha então por que você falou tudo aquilo para ela? Dizer que Quinn não a quis quando você sabe que não foi isso. — Seu tom de voz era controlado, entrelaçou os dedos sobre a mesa. – Quero saber por que você a deixou em casa sozinha para ir beber pelos bares da cidade. Ir busca-la bêbada na escola?

Shelby endureceu a postura crispando os lábios.

- Você veio falar sobre a Beth?

- É claro que eu vim falar sobre a Beth. – Retrucou sem paciência. – Fale Shelby, por que estragou o seu relacionamento com a menina? Achei que queria se redimir do que aconteceu comigo.

Shelby tomou o resto de sua bebida pousando a taça na madeira, o atendente se aproximou servindo a água de Rachel. O silencio perdurou por alguns minutos.

- Ela é como a Quinn. – Sua voz saiu grossa. – Ela não tem nada que seja meu, todos os trejeitos, o sorriso, o jeito de falar ela é toda a Quinn.

- Esse é motivo?

- O motivo é que a Fabray já me tirou uma filha, me tirou a Beth, mas me tirar você? Depois de tudo o que ela fez com você? Eu não admito, vou tirar a Beth de perto da Quinn custe o que custar. – Seu pescoço era rígido.

- Você magoou aquela menina que você segurou nos braços por que eu estou namorando a Quinn? – Rachel se curvou um pouco. – Foi isso? Você tem alguma noção de como isso é ridículo? Quinn nunca tirou a Beth de você.

- Não quero perder você, Beth tem uma ligação com a Quinn que eu não consigo ter com ela por mais que eu esteja o tempo todo ao lado dela. – Shelby segurou a mão da filha. – Podemos recuperar o tempo perdido, você só precisa de uma mãe para que volte para o caminho certo. Você não gosta da Quinn, não a ama de verdade isso é influencia dos seus pais, dos que te criaram. Eu sou sua mãe e eu sei que você não é assim, você saiu de dentro de mim Rachel.

Rachel puxou sua mão encarando a mulher.

- Eu tenho nojo de você. – A frase foi simples, se levantou pegando algumas notas dentro da bolsa as deixando sobre a mesa, olhou mais uma vez para a mãe. – Eu realmente tenho nojo de você Shelby. Quanto a Beth não tente por que eu não vou deixar você a afasta-la de Quinn, Beth é minha agora. E você perdeu as suas duas filhas sim para a Fabray.

Saiu deixando a mãe para trás.

Santana estava sentada no sofá com Beth jogando damas, Hiram havia telefonado avisando que Rachel havia saído.

- Então pequena Puckerman. – Santana moveu uma peça. – Me diga como estão as coisas?

- Tudo bem. – Deu de ombros comendo um pedaço do cookie que Judy havia lhe feito, moveu uma peça comendo duas peças da tia.

Santana arqueou as sobrancelhas movendo outra peça.

- Já parou para pensar na sua família? – Soltou uma risadinha vendo a menina apoiar o queixo na mão. – É bem confusa, quase um enigma.

- Por quê? – Fez o movimento.

- Bem, vamos por partes ok? – Fez uma dama com um sorrisinho vitorioso. – Puck e Quinn tiveram você que foi adotada pela Shelby, que é a atual esposa do Puck e é a mãe biológica da Rachel que foi adotada pelo Hiram e pelo Leroy e agora está namorando com a Quinn que adotou o Ethan o que faz dele seu irmão que é irmã e enteada da Rachel que por sua vez é enteada do Puck com quem ela já namorou. Entendeu alguma coisa pequena?

Beth rolou os olhos em um gesto parecido com o de Quinn, moveu a peça comendo a dama de Santana e mais duas peças.

- É fácil tia Santana, Ethan é o meu irmão. A mamãe Quinn e a Rachel são as mães dele, o papai é o tio e a Shelby é a avó. Eu tenho o papai Puck, a mamãe Quinne a Shelby como meus pais, embora eu não queira mais a Shelby como mãe. E a Rachel é a minha irmã.

Santana ficou parada olhando a garota que lhe encarou com os olhos tediosos.

- Tia Santana se a senhora não mover aquela peça ali eu vou fazer dama e vou ganhar o jogo. – Apontou para uma peça no tabuleiro.

- Não tem graça brincar com você. – Santana suspirou movendo outra peça. – Vai ganha o jogo.

Beth se inclinou e fez os movimentos com um sorriso sapeca no rosto.

- Ela te enganou. – Quinn estava sentada no outro sofá olhando o jogo. – Você podia ter feito outro movimento e teria igualado o jogo.

Santana se apoiou no encosto do sofá negando com a cabeça.

- Decididamente ela tem o Puck como pai. –Soltou uma risada. – Você vai comigo amanhã?

- Para onde? – Se sentou no chão ao lado da latina começando a arrumar o tabuleiro.

Santana se inclinou lhe sussurrando algo no ouvido que causou uma pequena risada na Fabray.

- É claro que eu vou, se eu não for você vai escolher algo horrível. – Alfinetou, seu olhar pousou no relógio em seu pulso.

- Ela não vai fugir. – Santana tomou um gole da caneca de café esquecida em sua mão. – Ela deveria fugir, mas não vai.

- Você quer ajuda pra amanhã não quer? – A olhou arqueando uma sobrancelha.

O barulho na porta atraiu as três mulheres, uma Rachel abatida entrou pela porta. Quinn se levantou com um salto andando até ela com cautela.

- Oi. – Rachel murmurou a abraçando pela cintura. — Ethan?

- Dormindo. – A envolveu. – Onde você foi?

- Mais tarde. – Murmurou a apertando de leve. – Te espero lá encima ok?

- Seus pais estão lá fora com a minha mãe, acho que você deve falar com eles. –Quinn sentiu que ela ia se desprendendo de seu corpo.

- Tudo bem. –Suspirou, andou até Beth a puxando para um abraço apertado. – Eu te amo sabia?Vou estar sempre aqui com você.

Beth devolveu o abraço com um pequeno sorriso.

- Boa noite Santana. – Deu um aceno leve e mais um beijo em Beth antes de sair da sala.

- O que foi isso? – A Lopez olhou para a Fabray.

- Eu não sei, mas tenho uma pequena ideia. – Olhava para o corredor onde a namorada havia saído. – Vamos Beth mais uma partida e depois cama senhorita.

- Posso jogar com a tia Santana? – Pediu olhando para a latina.

- Você só quer ganhar né? – A capitã arqueou as sobrancelhas. – Vamos jogar.

Dave abriu a porta se surpreendendo com a pessoa parada ali no portal. O homem estava abatido, as mãos nos bolsos da calça.

- Então, quer companhia essa noite? – Sam perguntou com um encolher de ombros.

- Entra Puck também está aqui. – Karofsky deu passagem para o loiro.

- Posso me juntar ao grupo dos solteiros? – Sam murmurou se largando no sofá ao lado de Puck.

- Como é que é? – Noah engasgou com a cerveja, empurrou os papeis que estudava para o lado. – Solteiros?

- Mercedes me pediu o divórcio. – Aceitou a cerveja que Dave lhe oferecia.

- Bem-vindo ao grupo. – Os outros dois levantaram as garrafas o saudando.

- O que me lembra, ela e o Kurt estão indo para Los Angeles. – Olhou o agente esportivo que soltou um suspiro pesado. – Eu achei que vocês sei lá, estivessem juntos.

- Apenas amigos, não quis forçar nenhuma situação, mas não adiantou e ele me pediu para não procura-lo.

- E eu ainda não acredito que você vai fazer isso. – Puck negou com a cabeça. – E agora vai procurar o Richard e tentar voltar?

- Estou pensando seriamente nisso. – Encolheu os ombros – Temos um bom relacionamento…

- Só querem coisas diferentes. – Puck revirou os olhos.

- Acontece. – Tomou um gole da cerveja. – E você Sam?

- Queremos coisas diferentes. – Soltou uma risada amargurada.

Quinn abriu a porta do quarto encontrando a diva deitada na cama sem nem ao menos trocar de roupa, soltou um suspiro baixo entrando no quarto.

- Baby? – Chamou por ela engatinhando por cima dela. — Rachel?

Rachel tirou o braço que cobria seu rosto encontrando o rosto da loira pairando a alguns centímetros do seu.

- Hey. – Murmurou acariciando o rosto da autora.

- Vai me dizer para onde você foi? – Segurou a mão de Rachel beijando a palma da mão.

- Não quero falar amor.

- Nesse caso sou obrigada a perguntar por que você foi atrás da sua mãe. – Se sentou sobre as pernas de Rachel a puxando para cima para que se sentasse.

Rachel a encarou por alguns segundos antes de se esconder no pescoço pálido abraçando o corpo de Quinn com força. A autora se limitou a acariciar os cabelos da namorada esperando ela se acalmar.

- Não quero Shelby perto de nós. – Rachel murmurou com a voz abafada. – E você e o Puck tem que conversar ela quer a guarda da Beth, ela quer afastar a Beth de nós.

- Rachel. – Gentilmente puxou o rosto dela. – Se acalme.

- Não vou deixar que ela estrague a nossa família. – Reclamou.

- Ela não vai. – Segurou o rosto da diva a beijando nos lábios rapidamente. – Se acalme amor, respire.

Rachel apertou seu domínio sobre a cintura de Quinn apoiando sua testa no queixo da loira. Soltou um suspiro sentindo o carinho em seus cabelos.

- Eu queria entender o porquê dela ter feito isso. – Fechou seus olhos castanhos bem apertados. –Queria entender por que ela abriu mão da Beth quando ela não deveria ter feito, ela escolheu a Beth. Beth é filha dela por que ela a escolheu.

- Rachel.

- Não. – Se afastou com os olhos cheios de lágrimas. – Ela quis a Beth então por que ela não pode cuidar da menina? Por que ela foi tão estúpida? Por que ela não pega essa segunda chance? Por que eu estou namorando você e ela não aceita isso? Por que eu estou feliz com uma mulher e ela acha isso errado? Ela não é a minha mãe ela não quis isso.

Quinn a segurou pelo rosto com firmeza aproximando os rostos para encostar as duas testas. Rolou para o lado puxando a Berry junto com o seu corpo a acomodando em seu corpo, sentiu que ela chorava baixinho.

Permaneceram em silencio por algum tempo até a diva se acalmar. Rachel apoiou o queixo no peito da loira.

- Desculpa? Não deveria ter saído daquele jeito.

- Eu iria preferir se você tivesse me dito, mas não vamos pensar nisso ok? – Acariciou os cabelos escuros. – Beth vai ficar com o Puck, nós já conversamos sobre isso, ele vai entrar com o pedido e eu vou pagar uma pensão para ela se você concordar.

Rachel fechou os olhos acenando, tombou a cabeça para o lado apoiando-se sobre o peito.

- Quando seu pai aceita a sua mãe me rejeita. – Quinn soltou uma risada baixa.

- Ela não é a minha mãe, eu não tenho mãe. – Sussurrou de volta. – Shelby Corcoran foi apenas o meio utilizado para a minha concepção, nada além disso.

Quinn a puxou pelo queixo acariciando a linha do maxilar com os dedos.

- E você está bem com isso?

- Demorei a perceber, mas não dói e sabe por quê? – Se empurrou para cima a beijando nos lábios.

- Por quê?

- Porque temos a nossa própria família e não precisamos dela. – Murmurou a beijando de novo.

- Como você sabia onde encontra-la? – Perguntou sentindo um pequeno arrepio quando os lábios de Rachel se moveram pelo seu pescoço.

- Ela está no hotel que Puck reservou. – Se ocupou sugando a pele suavemente o bastante para apenas deixar uma marca rosada. – Podemos não falar disso agora? Preciso de carinho.

Quinn se virou a colocando contra o colchão, um pequeno sorriso em seus lábios enquanto a beijava.

Notas finais
@just_someone13