Diário
41 Capítulo XL - Perda
Notas iniciais
O capítulo não ficou lá essas coisas, me desculpem por isso.. hoje é 18..
“A morte não é a maior perda da vida. A maior perda da vida é o que morre dentro de nos enquanto vivemos.” Pablo Picasso
Estou em pé na beira de um penhasco, o vento açoita minha pele. Estou desprotegida de qualquer armadura, minha alma está nua. Ergo meu pé direito aquele que me da melhor equilíbrio e o suspendo sobre o vazio, aquele vazio que conheço tão bem. Minha cabeça tomba para o lado, eu já não respiro. E então meus olhos se fecham.
Eu quase morri hoje. E eu falo sério sobre isso, eu vi o pavor nos olhos da minha mãe, eu vi o pavor que estava estampado em meu rosto refletir nos olhos castanhos de minha mãe.
Eu não respirava, o ar entrava pelos meus lábios assoviando de tão fechada que estavam as minhas vias respiratórias e ele saia rasgando mais rápido do que entrava. Eu tremia e segurava a mochila contra o meu corpo na tentativa de me manter agarrada a algo. Na tentativa de não morrer eu me agarrei a um objeto inanimado a um simples pano.
Isso me faz pensar em como o ser humano é patético quando acha que chegou a hora.
Minha carne fraca está ferida, meu coração já cheio de cicatrizes bate desesperado tentando me manter em pé, o ar já não infla os meus pulmões e a tontura já toma conta de meu corpo.
Eu já estive nesse penhasco antes e eu sei que o equilíbrio vai ceder e eu vou cair. Eu já não consigo respirar.
04/01/2013
Quinn suspirou vendo o ar quente que saia de sua boca se condensar em contato com o ar frio da noite, o casaco grosso bem envolvido em seu corpo e as mãos enluvadas. Fitava há alguns bons minutos o mesmo ponto vazio no asfalto que estava a metros de distancia sua mente vazia de qualquer fato e seu corpo que apenas respirava.
Rachel estava parada do lado de dentro da porta, tinha acabado de colocar Ethan na cama e podia ouvir Hiram na cozinha preparando chocolate quente para Beth, a menina entendia o que havia acontecido, mas o fato de que ela nunca tivera contato algum com Russel lhe impedia de sentir a dor da perda do avô.
A porta se abriu vagarosamente e quase com passos hesitantes Rachel se aproximou de Quinn se sentando ao lado dela.
Lado a lado em silencio permaneceram.
Judy encava o rosto pálido e imóvel de Russel, seus sentimentos em uma confusão. Sentia a dor de perder o homem que amara por tanto tempo, o homem que era pai de seus filhos, o homem que por tempos teve o sorriso que lhe derretia.
Sentia o alivio de saber que a causa da dor de seus filhos agora não existia mais.
Sentia um leve prazer na vingança de vê-lo ali estirado naquela maca de metal fria, com as incisões no peito e o lençol branco lhe cobrindo.
Era irônico ele ter morrido do coração, mas irônico ainda era o coração daquele homem ter parado por ser grande de mais. Uma parte sua acreditava fielmente que o coração dele havia encolhido como o do Grinch e por isso ele era tão amargo e vazio de amor. E como o Grinch ele havia roubado o Natal da sua família.
Deu as costas para o homem morto e se dirigiu para a porta encontrando os dois homens vivos que faziam parte da família que ela tão orgulhosamente pertencia.
Noah se desencostou da parede rapidamente desligando o celular enquanto Benjamin se adiantava segurando o seu casaco.
– Eu estava falando com o Sam ele está com o Thomas, Frannie e Leroy cuidando das coisas para o velório. – Puck se explicou oferecendo o braço para a senhora enquanto Benjamin lhe tomava o outro.
– Obrigada meu querido. – Judy suspirou acenando com a cabeça. – Vamos para casa.
– A senhora está bem? – Benjamin perguntou em voz baixa.
– Não se preocupe. – Sorriu de leve para ele, se adiantou para o carro deixando os dois homens para trás trocando um olhar.
Rachel se mexeu na cama sentindo o espaço vazio, ergueu o tronco vendo Quinn sentada no chão apoiando-se contra a parede.
– Amor. – Chamou em voz baixa. – Amor.
Quinn se levantou e andou até a cama se deitando ao lado de Rachel, a puxou para se aconchegar em seu corpo apertando o corpo pequeno no seu com força.
– Eu não vou te deixar. – Rachel murmurou contra o pescoço de Quinn. – Eu vou ficar aqui com você.
Sentiu mais uma vez o aperto em seu corpo dessa vez mais seguro, se aconchegou mais próxima de Quinn.
– Eu te amo. – Sussurrou no ouvido da autora. – Eu nunca vou desistir de você e nem de nós.
Colocou um beijo macio contra o maxilar de Quinn sentindo a loira ir relaxando aos poucos conforme ia recebendo carinho, Rachel começou a cantarolar mantendo a voz sempre baixa e confortável dando espaço de minutos para lhe colocar beijos pela linha do maxilar.
– Vamos para New York. – Quinn murmurou com a voz rouca. – Vamos voltar para casa.
– Não podemos. – Rachel respondeu em meia voz, seu polegar afagava a bochecha de Quinn.
– Por que não? – Quinn retrucou segurando o pulso de Rachel o puxando para seu rosto beijando a parte interna da pele. – Ethan precisa ser operado.
– E sua mãe? Seus irmãos? Como eles ficam aqui assim? – Rachel apertou seu rosto contra o pescoço de Quinn. – Não podemos e você sabe disso.
– Poder nós podemos, mas seria condenável moralmente. – Resmungou amargamente. – Por que eu deveria estar lá quando ele me negou tantas e tantas vezes?
– Ele ainda é o seu pai.
– Ele abdicou desse posto. – Quinn retrucou. – Eu não tenho que estar lá por ele, não tenho que rezar pela alma dele.
– Você tem que estar lá pela sua mãe. – Rachel lhe puxou pelo rosto. – Sua mãe.
– Minha mãe deveria esta aliviada.
– Sua mãe foi casada com ele, sua mãe o amou, sua mãe teve duas filhas com ele. – Se encararam com intensidade. – Se ponha no lugar dela.
– Não posso, por que eu nunca vou estar no lugar dela. – Quinn tentou se sentar, mas Rachel impediu.
– Pense em Andrea. – Subiu no colo de Quinn enquanto suas mãos se fixavam nos ombros da loira. – Você a amou, viveu com ela, pensou em construir família e se ela morresse.
– Não existiu traição.
– Não? Tem certeza? Você não estava com ela enquanto escrevia sobre mim? – Rachel aproximou seu rosto do dela. – Quinn…
– Eu não sou o meu pai. – Se sentou impondo sua força. – Não me compare a ele.
– Não estou, apenas quero que você entenda que querendo ou não com todos os erros dele a sua mãe sente tudo isso.
– Aqui ou lá ele vai estar morto. – Quinn segurou Rachel pelo quadril a forçando a levantar a colocando sobre o colchão. – Eu não posso fazer nada estando aqui enquanto estando lá eu posso ajudar o Ethan.
– Ethan não será operado assim que pisarmos em New York e você sabe disso. – Rachel a observou levantar. – Vamos ficar.
– Não vamos ficar Rachel. – Quinn se virou para ela, sua respiração começava a ficar ofegante. – Eu não vou ficar.
– Quinn…
– Chega. – Suspirou fechando os olhos. – Eu não tenho por que honrar a memória dele, ele deixou bem claro que não queria estar na minha vida e eu não vou estar na morte dele.
– Não seja egoísta. – Rachel se ajoelhou no colchão.
– Egoísta? – Abriu os olhos e mesmo no escuro Rachel sentiu a fúria contida.
– Sim está sendo egoísta. – Se levantou sem deixar a raiva que a Fabray demonstrava lhe abalar. – Sua mãe precisa de você aqui.
– Cale a boca. – Quinn mandou em um tom de voz alterado, parou respirando fundo e fechando os olhos mandou em um tom mais baixo. – Apenas se cale Rachel.
– Não vou. – Se aproximou dela sem hesitação. – Você está sendo egoísta e está pensando só em você.
– Estou. – Quinn se adiantou parando a centímetros da diva. – Estou sim sabe por quê? Por que essa dor nunca mais vai embora, esse ódio que eu tenho dele nunca mais vai desaparecer e eu não quero ter que olhar para o caixão dele e sentir prazer em vê-lo lá.
– Você não vai sentir. – Rachel perdeu a fala por um segundo. – Eu não vou deixar.
– E como você vai fazer isso Rachel? – Inclinou a cabeça para o lado. – Me diz.
– Eu vou segurar você e vou permanecer do teu lado. – A lágrima escorreu pelo canto de um dos olhos. – Não me põe pra fora Quinn.
– Eu não vou ficar. – Quinn resmungou se afastando da morena e indo até o armário o abrindo com força, começou a retirar algumas peças de roupa. – Fique você e de o apoio que você quiser a quem você quiser.
– Quinn. – Se aproximou da loira enquanto Quinn se afastava ainda mais dela. – Quinn, por favor.
– Se eu ficar estarei sendo realmente igual a ele e já basta ser igual a ele em um sentido você não acha? – Colocou a calça jeans por cima do pijama.
– Você não é como ele.
– Você disse que eu era. – Elevou o tom de voz raivosamente. – Eu estava com a Andrea escrevendo para você, escrevendo sobre você, amando você. Eu estava a traindo.
– Amor…
– Chega Rachel. – Pegou um suéter o colocando de qualquer jeito.
– Aonde você vai? – Sentiu o desespero ficar evidente em suas palavras.
– Sair.
– Não. – Rachel correu para a porta se postando na frente dela. – Você não vai sair daqui eu não deixo.
– Rachel sai da minha frente. – Pegou um casaco grosso e se adiantou para a porta.
– Você não sai daqui. – Respondeu batendo o pé, as lágrimas teimando em sair. – Você não vai me deixar.
– Eu só quero dar uma volta. – Quinn respondeu respirando fundo.
– Não. – Rachel balançou a cabeça. – Não é assim que resolvemos nossos problemas, nunca foi.
Quinn suspirou, ouviu o choro de Rachel e algo no seu peito se despedaçou dolorosamente, jogou o casaco sobre a cama e abrindo os braços para ela.
– Do que você quer falar? – Tentou amenizar o tom de voz.
Rachel limpou o rosto respirando fundo, deu um passo cauteloso na direção de Quinn.
– Não me deixa ok? – Pediu em voz baixa.
– Não vou. – Quinn respondeu no mesmo tom.
Rachel se aproximou um pouco mais puxando o suéter para cima, Quinn ergueu os braços facilitando o trabalho sentindo os dedos da morena trabalharem no fecho de sua calça enquanto jogava o suéter no chão.
– Pronto eu não vou a lugar nenhum. – Quinn sussurrou ouvindo o fungar leve de Rachel. – Para de chorar.
Rachel assentiu com a cabeça mantendo os olhos baixos.
– Olha pra mim. – Quinn deu um passo pra frente, sua cabeça se inclinou encaixando sua bochecha na de Rachel. – Meu amor olha pra mim.
– Eu não quis te chatear. – Rachel murmurou ainda com a cabeça baixa.
– Eu sei… me desculpa. – Quinn fechou os olhos, ergueu as mãos segurando o quadril de Rachel com firmeza a puxando para o seu corpo. – Eu… estou com medo.
– De que? – Rachel se aconchegou em Quinn.
– De continuar sentindo raiva dele. – Quinn sussurrou se apertando em Rachel. – Me desculpa eu não quis falar daquele jeito. Eu não quis.
Rachel acenou com a cabeça.
– Eu vou reservar os bilhetes. – Rachel se afastou de Quinn ainda sem olha-la.
Quinn respirou fundo se virou vendo Rachel andar até a bolsa e puxar o notebook.
– Rach… — Se aproximou correndo a mão pelos cabelos claros.
– Não precisamos conversar eu só não quero que você saia ok? – Rachel se afastou sentando na beirada da cama.
Quinn tirou a calça a recolhendo junto com o suéter e os deixando sobre a cadeira próxima a escrivaninha. Ouviu o teclar suave de Rachel no portátil.
– Não precisa fazer a reserva. – Quinn murmurou. – Vamos ficar ok?
– Não vou te obrigar a ficar. – Rachel respondeu.
Quinn se adiantou pegando o notebook e o fechando, rapidamente o colocou sobre a escrivaninha.
Rachel lhe encarou parecia triste. Quinn respirou fundo e se aproximou engatinhando sobre a cama se deitando e a puxando aconchegando os dois corpos.
– Fica assim comigo? – Quinn sussurrou. – Eu só preciso que você me segure bem forte.
Rachel acenou com a cabeça apertando o corpo da loira no seu, encaixando o rosto da autora em seu pescoço e iniciando um cantarolar suave.
Sam apertou a mandíbula bufando levemente, suas mãos enterradas nos bolsos da calça social que usava, seus olhos azuis encaravam demonstrando toda a sua irritação, o pequeno circo que era armado na calçada da mansão Fabray. De algum jeito a imprensa havia descoberto sobre a morte de Russel, seu celular estava desligado desde a madrugada, pois não parava de tocar um segundo. O que mais lhe irritava é que nem podia manda-los embora já que estavam na rua e ela era de domínio publico. Sentiu o toque em seu braço e sem levantar o rosto sabia que era Puck que se postava ao seu lado.
– Ela não pode dar nenhuma declaração. – Sam falou com a voz baixa.
– O que a imprensa já sabe? – Puck tomou um gole da caneca de café.
– Descobriram que o Russel vivia nas ruas. – Suspirou fechando os olhos, a pontada forte entre suas sobrancelhas. – Vão fazer disso um circo.
– Ela precisa falar. – Noah arqueou uma sobrancelha.
– Seria expor de mais. – Sam negou com a cabeça. – Quinn gosta de manter as coisas em privado.
Puck pegou o celular e mandou uma mensagem para Karofsky pedindo para que ele viesse à mansão.
Rachel descia as escadas segurando um Ethan amuado em seus braços, Sam se virou rapidamente.
– O que o pequeno tem? – Sam bagunçou os cabelos curtos do garoto.
– Ele quer a Quinn, mas eu quero deixar que ela durma mais um pouco. – Rachel beijou Ethan na testa. – Esta sendo manhoso.
– Vem cá carinha. – Sam o pegou no colo fazendo o menino soltar um muxoxo leve. — Sono?
– Unhum. – Rachel acenou, seus olhos se desviaram para a janela e os lábios se crisparam. – O que eles querem?
– O que abutres querem encima da carniça? – Puck arqueou as sobrancelhas para ela. – Já liguei para o Karofsky, acho que nós três mais o Thomas, Benjamin e o Leroy conseguimos manter a segurança de vocês até a capela.
– Hiram não vai? – Sam se virou para Rachel sentindo Ethan abraça-lo.
– Vai ficar com as crianças. – Rachel respondeu suspirando irritada. – Não acredito nisso, como eles descobriram?
– O que algumas notas de 100 não fazem. – Sam resmungou indo para a cozinha carregando Ethan.
Puck se limitou a beber mais café enquanto Rachel abraçava o próprio corpo tentando não pensar na raiva que Quinn iria sentir quando visse aquilo.
Puck afastou os fotógrafos que tentavam se aproximar de Rachel mantendo um braço envolta dela e de Beth.
– Nada a declarar. – Ele rosnou enquanto a pequena diva abaixava o rosto evitando que fosse fotografado.
– É verdade? Quinn largou o pai na sarjeta enquanto ela fatura milhões por ano? – Ouviu a pergunta afiada e rapidamente Rachel se limitou em aconchegar Ethan mais junto de seu corpo enquanto Beth segurava no braço do pai. Puck apertou o braço em torno do corpo da judia a forçando a andar mais rápido, não queria que as crianças ouvissem aquele tipo de pergunta sobre a mãe.
Quinn se mexia dentro de casa como um leão enjaulado, andando de um lado para o outro sem tirar os olhos de Rachel e seus filhos que eram cercados pelos fotógrafos.
– Eles faram perguntas. – Sam se mantinha parado apenas observando. – Não fale uma palavra.
– Certo. – Resmungou vendo a mãe e a irmã saírem da casa com Thomas e Benjamin em sua cola.
Haviam concordado que Puck levaria Rachel na frente com Ethan e Beth, seus irmãos, sua mãe e seu cunhado iriam em seguida e ela ficaria por ultimo junto com Sam e Dave.
– Quinn. – Dave a chamou em voz baixa. – Eles iram provocar.
– Eu sei. – Suspirou fechando os olhos. – Inferno como eles descobriram?
– A questão não é como e sim que eles descobriram e temos que contornar a situação. – Sam pegou o casaco e o cachecol que ela havia deixado sobre a poltrona, se aproximou abrindo o casaco para que ela o coloca-se. – Soltarei uma nota mais tarde pedindo respeito pelo momento e deixaremos o assunto morrer.
– O que eles sabem? – Quinn ajeitou o casaco rapidamente.
– É difícil por que você nunca mencionava seu pai em qualquer entrevista, eles estão… sedentos. – O Evans suspirou apertando o maxilar rigidamente. – Eu te protejo.
Quinn acenou com a cabeça caminhando até a porta.
– Darei a declaração agora. – Sua voz rouca era baixa, encarou Sam. – Se não se importar.
– É melhor deixar para depois Quinn. – Sam estalou o pescoço, viu o olhar da autora e suspirou. – Poucas palavras e nada revelador, mas eu soltarei a nota na imprensa.
Quinn acenou com a cabeça, os dois homens se postaram as suas costas e então ela empurrou a porta enquanto colocava os óculos escuros. Estremeceu com o frio daquela manhã de dezembro, observou os abutres se movimentando na calçada. O click da porta indicou que Sam havia trancado e o leve toque em suas costas era Karofsky lhe pedindo para se mover, ouviu seus passos sobre o gelo que ia se formando na calçada, ainda naquela manhã Puck havia comentado com Judy que daria um jeito naquilo no dia seguinte. Pelo canto dos olhos viu o balanço e a casa na arvore que Russel havia construído para ela e Frannie quando elas eram mais novas e o seu coração bateu dolorosamente, ainda podia ouvir a risada do homem durante os dias de verão em que ele estava de bom humor o suficiente para brincar com ela e sua irmã. Seu nariz, que agora ardia pelo choro contido, quase podia sentir o cheiro da colônia que ele exalava e por algum tempo esse cheiro lhe era reconfortante. Apertou os dentes bem juntos sentindo Sam lhe segurar o braço enquanto paravam na frente dos jornalistas, ela ergueu a mão protegida pelo frio pedindo a atenção deles.
– Bom dia a todos. – Sua voz saiu baixa e pesada. – Achei que seria melhor vir aqui falar com vocês antes de soltar uma nota na imprensa pelo meu agente. – Indicou Sam ao seu lado que estava parado rigidamente como se desafiasse alguém a fazer qualquer pergunta. – Eu sei que os senhores estão apenas fazendo o trabalho de vocês, mas eu vou pedir um pouco de respeito e espaço nesse momento. Minha mãe está muito abalada com a perda de meu pai e meus filhos um pouco assustados com tudo isso, eles ainda são pequenos e não tivemos ainda a oportunidade de explicar descentemente a eles o que esta acontecendo. – Por um momento parou se lembrando que Beth não era tão pequena assim e entendia perfeitamente o que havia acontecido e não foi ela que explicou a filha e isso lhe fez sentir mais uma fisgada no peito. – Sempre preferi manter a minha vida particular em privado, mas recentemente algumas coisas e atitudes minhas mudaram isso em partes, mas nesse momento eu gostaria de retornar a minha descrição.
– Descrição essa que você soube manter muito bem, afinal você deve faturar por volta de uns 10 milhões por ano e o seu pai era praticamente um mendigo. – Ouviu o comentário ácido de um rapaz jovem, os cabelos ruivos eram cacheados e os olhos azuis estavam atrás dos óculos de grau levemente grossos, o sorriso irônico enfeitava os lábios grossos do homem. – Como é a sensação nesse momento?
– Ela não tem mais nada a declarar. – Sam rosnou segurando Quinn com firmeza pelo braço enquanto Karofsky começava a afastar os repórteres para eles passarem.
– Como é a sensação senhorita Fabray? – O homem insistiu atraindo a atenção dos fotógrafos mais velhos, alguns embora quisessem o furo não concordavam com a atitude do mais novo. – Tenho fonte segura que ele morreu sozinho na noite de natal na praça da cidade, ele estava mal agasalhado. Qual a sensação de saber que largou o seu pai a própria sorte.
Quinn fechou os olhos estremecendo, Sam a soltou e se voltou para o homem lhe socando fortemente. O rapaz era magro de mais para o Evans e com a força do soco tropeçou.
– Sam Evans. – Sam resmungou. – E-V-A-N-S, pode me procurar em New York. Sem mais perguntas.
Puxou Quinn pelo braço enquanto Karofsky dava partida no carro. Assim que a autora entrou no banco de trás o Evans entrou no da frente e Quinn lhe deu uma tapa na nuca.
– Você é louco? Que merda foi aquela? – Ela arrancou os óculos do rosto. – Como que você agride um fotógrafo desse jeito?
– Eu não ia o deixar falar aquilo. – Sam rosnou se virando para trás. – Nem pensar Quinn, ele não conhece você ou a sua família pra abrir a maldita da boca para falar aquilo.
– Mas é o que o povo acha Sam. – Quinn retrucou com as bochechas vermelhas.
– Então vamos mudar a percepção do povo. – Sam resmungou virando para frente.
– Com você distribuindo socos fica difícil. – Quinn falou entredentes.
– Chega! – Dave bradou. – Não adianta ficar discutindo isso agora.
A capela era alta com as suas paredes de alvenaria bem trabalhadas, o caminho de pedras era ladeado por pequenas flores. Os quatro degraus de pedra fria levava ao portal reto onde a parte superior se fechava em um triangulo, a cruz presa sobre o portal era de madeira sólida.
Rachel se mexeu levemente incomodada sobre os olhares penetrantes que recebia, Puck estava ao seu lado com as mãos enfiadas nos bolsos do casaco grosso e a expressão fechada como se desafiasse alguém a questiona-los. Quinn passou pelo portal se aproximando com passos lentos, quase pode ouvir as pessoas prendendo a respiração a cada passo que dava para mais perto da morena.
– Saíram sem problemas? – Rachel perguntou mordendo o lábio nervosamente.
– Hn… digamos que amanhã definitivamente estaremos nas manchetes. – Quinn resmungou parando de frente para ela. – Deixou as crianças com o seu pai?
– Sim. – Rachel franziu o cenho. – O que você quis dizer com isso?
– Sam socou um repórter. – Quinn retrucou sentindo as palavras amargas em sua boca e a torção sutil que seus lábios formaram.
– O que? – Rachel arregalou os olhos lançando um olhar para o Evans que se aproximava de Santana e Brittany. – Isso é sério?
– Infelizmente. – Quinn suspirou sentindo a pontada na nuca. – Minha mãe?
– Está com os seus irmãos ali na frente. – Indicou os bancos mais próximos ao caixão. – Você quer ir lá?
Quinn tencionou o maxilar antes de soltar a respiração em um sopro rápido.
– Não tem outro jeito. – Resmungou pousando uma mão sobre a parte inferior da coluna de Rachel, Puck se moveu para trás das duas imediatamente o homem havia tomado para si a segurança delas.
Judy estava ladeada pelos dois Fabray mais novos enquanto Thomas tomava o outro lado de Frannie. Quinn parou ao lado de Benjamin olhando para o caixão sem demonstrar interesse ou pesar. Rachel e Puck trocaram um olhar levemente preocupado pelo comportamento da autora.
Benjamin encarava o chão levemente interessado, não queria levantar a cabeça e encontrar os olhares inquisitivos ou ouvir as perguntas que viria com toda certeza.
– Levante a cabeça. – Judy murmurou para ele enquanto encarava o caixão do marido. – Não se esconda deles, se orgulhe de quem você é.
Saiu para o jardim atrás da capela se sentando em um banco de ferro, o frio era intenso, mas simplesmente ignorou o tremor leve em seu corpo bem agasalhado. Se alguém lhe pergunta-se como havia sido o velório e o enterro ela não saberia dizer. Passara a maior parte do tempo em silencio, em momento algum se aproximou do caixão para prestar suas homenagens ao homem ali deitado. Rachel se aproximava cautelosamente.
– Amor. – A diva a chamou em voz baixa, parou ao lado do banco.
Quinn ergueu os olhos para encarar os dois olhos de café que lhe encaravam tão preocupados.
– Já estão indo para a casa da sua mãe. – Ergueu a mão para acariciar a nuca da loira. – O coquetel.
Quinn suspirou desviando os olhos para a grama que ia ficando levemente branca pela fina geada que começava a cair. Seus olhos verdes e intensos encararam o céu escuro como chumbo, suas nuvens grossas e ameaçadoras que pairavam calmamente lá em cima.
– Você ainda não chorou. – A voz de Rachel estava baixa como se ela temesse uma nova explosão como a que enfrentou durante a madrugada.
– Apenas não tenho mais lágrimas e nem razões para chorar por Russel. – Quinn respondeu com a voz rouca.
– Ainda sente medo? – A baixinha tentou esconder o frio que sentia.
– Acho que o medo que eu sentia não era o de continuar a odiá-lo. – Quinn mantinha a voz pausada como se divagasse. – Acho que sinto medo da ferida cicatrizar e eu deixar de odiá-lo e então deixar de sentir qualquer coisa por ele e o esquecer.
Pelo canto dos olhos viu Rachel estremecer de frio e a pequena camada que começava a se instalar no casaco grosso que ela usava. Levantou-se imediatamente passando o braço pela cintura da morena.
– Vamos pra casa amor.
– Assim que chegarmos na casa da sua mãe eu vou reservar as nossas passagens de volta. – Rachel se deixou aconchegar naqueles braços protetores. – Vamos para a casa.
– Você leu a minha mente. – A beijou na testa aspirando o cheiro da morena.
Judy estava lavando alguns pratos na pia, já era madrugada alta e ela ainda não havia conseguido dormir, ouviu os passos pelo corredor e logo Benjamin entrando na cozinha.
– Sem sono? – Ele perguntou se adiantando para pegar um copo d’água.
– Pensando. – Ela respondeu lavando mais alguns pratos. – Pensando.
– A senhora quer conversar? – Benjamin abaixou o copo franzindo o cenho.
Judy parou abaixou as mãos e respirou fundo se apoiando contra o mármore da pia. Benjamin apoiou o copo na bancada e se aproximou com passos lentos.
– Meu casamento acabou. Eu sei disso e não acabou de uma maneira boa, não colocamos determinadas coisas em pratos limpos e isso está me doendo. – Judy fechou os olhos sentindo as lágrimas quentes queimarem através das pálpebras. – Por mais absurdo que pareça por mais inacreditável e inconcebível que seja… por mais canalha, filho da mãe e bastardo ele tenha sido… eu o amei. Eu realmente o amei.
Benjamin viu os ombros da mulher se sacudirem diante do choro que ela deixava sair. Sem jeito e sem saber o que fazer apenas encheu o copo de água mais uma vez e a puxou sutilmente para uma cadeira tentando fazê-la beber a água.
– Sabe Benjamin eu só queria ver mais uma vez aquele garoto, eu sei que mesmo quando éramos adolescentes ele não era bom por assim dizer, ele já tinha os seus defeitos e os seus desvios de caráter, mas… só por um instante eu queria ver o garoto pelo qual me apaixonei…
– Mas se naquela época ele já não era uma pessoa boa então por que a senhora iria querer vê-lo de novo? – Benjamin se agachou na frente da mulher que soltou uma risada chorosa.
– Por que Benjamin por que naquela época ele ainda tinha bem no fundo uma alma boa e se eu tivesse percebido a tempo eu poderia ter ajudado e não deixado ele se corromper por completo. – Tomou um gole de água. – E ele não teria machucado tanto você e suas irmãs.
– Mas eu não estaria aqui se ele não tivesse se corrompido. – Benjamin deu de ombros.
Judy soltou uma risada secando as lágrimas e logo em seguida soltando a respiração pela boca.
– Você está certo. – Acariciou os cabelos dele afetuosamente. – E que bom que você está aqui.
Benjamin sorriu de leve antes de deixar o rosto expressar sua confusão.
– Eu vi a Frannie chorar na hora que o ministro estava dizendo as ultimas palavras ao lado do caixão. Eu vi a senhora chorar agora, mas eu não vi a Quinn chorar. – Inclinou a cabeça para o lado. – Na verdade ela ficou bem fria o dia todo, a senhora a viu chorando?
– Não se preocupe. – Judy acariciou o rosto dele. – Na hora certa ela vai chorar.
– Mas se ela ficar prendendo vai fazer mal.
– Na hora certa Benjamin, tudo tem a hora certa. – Ela o beijou na testa antes de se levantar. – Agora vamos dormir que já está tarde.
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