Diário
8 Capítulo VII - Sonhos
Notas iniciais
Nem tudo podem ser sempre flores isso é um fato.
Quando pequenos sempre imaginamos que quando crescermos tudo será mais fácil só pelo fato de que já seremos adultos e que por isso o mundo deveria se curvar aos seus pés. Teremos o emprego dos nossos sonhos, a casa dos nossos sonhos, a vida dos nossos sonhos. O problema é quando os nossos de criança se tornam inferiores a vida que queremos agora, mas não conseguimos deixa-los ir.
Respirou fundo sentindo o cheiro almiscarado entrar pelas narinas e o sorriso incontido aparecer nos lábios, o braço que circulava sua cintura e o corpo encaixado nas suas costas. A respiração quente que arrepiava sua nuca e agitava seus cabelos escuros, tudo era tão perfeito.
- Bom dia. – Quinn murmurou esfregando o nariz na curva do pescoço.
- Há quanto tempo você está acordada? – Rachel se encolheu aconchegando-se melhor no corpo de Quinn.
- Algum. – Deu um beijo suave. – Ontem você me maltratou muito.
Rachel soltou uma risada gostosa, se esticou e com algum esforço se virou para Quinn que tinha os olhos fechados e um sorriso nos lábios.
- Eu disse que não transava no segundo encontro Fabray. – Murmurou a beijando levemente.
Quinn soltou um muxoxo fazendo biquinho, suspirou abrindo os olhos.
- Seus olhos… — Rachel sussurrou franzindo a testa, cuidadosamente traçou a sobrancelha fina. – Estão castanhos dourados.
- Sério? – Esfregou o olho esquerdo. – Vai chover então.
- O que? – Soltou uma risada divertida.
- Meus olhos mudam de cor quando o tempo vai virar. – Explicou tornando a abrir os olhos. – É uma coisa meio louca, mas é mais certo do que os meteorologistas.
- Fabray e seus encantos. – A empurrou de costas no colchão se acomodando no peito da loira.
Quinn a abraçou tornando a fechar os olhos para se fazer confortável, gemeu baixinho quando seu celular quebrou o silencio.
- Ignora. – Rachel murmurou apertando os olhos.
- Pode ser a Brit. – Resmungou. – Ethan.
Rachel se mexeu mais do que depressa para pegar o celular de Quinn em cima da mesinha.
- Donna? – Franziu as sobrancelhas olhando pra Quinn.
- Minha agente. – Empurrou as cobertas para longe e abrindo os braços para Rachel se aconchegar em seu corpo mais uma vez. – Me deixa atender e já dispenso tudo o que ela quer.
Rachel voltou para a cama fazendo bico com os lábios se aninhou entre as pernas dela puxando as cobertas.
- Fabray. – Quinn suspirou abraçando Rachel por trás enquanto fechava os olhos.
- Por que demorou tanto pra atender? – Donna chiou irritada.
- Talvez por que eu não esteja querendo falar com ninguém hoje. – Encostou o rosto contra os cabelos escuros aspirando o cheiro deles.
- Péssima hora para querer ser antissocial. – Donna parecia agitada com algo. – Preciso te encontrar agora.
- Donna eu não estou me sentindo muito disposta hoje.
- Quinn eu só vou te mandar olhar qualquer site de fofocas e em seguida eu sei que você vai vir me encontrar naquele café. – O sinal de fim da chamada.
Quinn olhou para o celular franzindo a sobrancelha, Rachel olhou para cima com um pequeno sorriso.
- O que foi? – Sentiu a loira lhe mover para o lado.
- Preciso ver uma coisa. – Andou até sua bolsa pegando o notebook. – Donna está realmente irritada.
- Com o que? –Se sentou na cama sentindo o frio de estar longe da autora. – Volta pra cama.
Quinn se sentou na beirada da cama ligando o computador sentiu Rachel envolver sua cintura sentando atrás do seu corpo, relaxou contra ela digitando a senha para acessar seu desktop.
- Onde ela te mandou entrar? – A beijou na têmpora.
- Qualquer site de fofocas. – Digitou o google. – Vou jogar meu nome na pesquisa e ver o que vem.
As duas sentiram o corpo enrijecer pela primeira manchete, Rachel tomou o controle e clicou no link.
- Que merda é essa? – A morena rosnou. – Que palhaçada é essa?
Fãs de Rachel Berry fazem ameaças à autora do best-seller Saga de Stern.
Algumas fãs estão indignadas com a constante presença de Quinn Fabray ao lado da estrela da Broadway Rachel Berry. Elas afirmam que a autora se aproximou da diva com segundas intenções apenas para alavancar as vendas de seus livros.
A surpresa vem pelo lado de que algumas mais exaltadas dizem que se esta amizade entre as duas, que para alguns talvez envolva algo mais, persistir elas irão revogar o seu apoio a atriz e irão fazer de qualquer aparição pública das duas juntas ou separadas um verdadeiro inferno.
Basta saber como a diva irá reagir a essas declarações de seus fãs.
Quinn se levantou fechando o computador quase que com uma brutalidade excessiva, Rachel olhou a mulher se levantar e começar a catar uma roupa dentro da mala.
- Onde você vai? – Pediu abraçando os próprios joelhos.
- Tenho que encontrar a minha agente. – Respondeu puxando os shorts do pijama para fora. –Tenho que saber como agir.
- Quinn… — Mordeu o lábio.
- Rachel… — Se virou para ela bastante séria. – Será que você pode se arrumar? Donna odeia atrasos e acho que você vai querer fazer uma boa impressão.
Blane entrou no pequeno escritório encontrando o homem com os cabelos loiros sujos, os olhos azuis estudavam os papéis na sua frente atrás de uma das duas mesas.
- Sam. – Retirou o paletó o cumprimentando com um aceno de cabeça.
- Blane. – Levantou a caneca de café tomando um gole. – Já viu a bomba?
O moreno se aproximou da própria mesa ligando o computador suspirou tamborilando sobre a mesa.
- Bomba do tipo granada de mão ou atômica? – Olhou para ele vendo o meio sorriso. – Ok bomba atômica.
- Nossa única cliente aproveitou bem a nossa pequena ausência. – Levantou os olhos para ele soltando os papéis. – E eu realmente não acho que vamos assinar com a criaturinha que tem uma mãe que mais parece uma carniceira.
- Eu também acho. – Digitou o nome da sua única cliente no google. – Delicia.
- Kurt não te contou? – Deu a volta na mesa indo até ele. – Elas estão tentando um novo relacionamento.
- Isso não vai ser problema. – Blane se curvou pegando o telefone. – Podemos dar um jeitinho nisso o que me preocupa são essas fãs.
- Vai falar com a Lisa? – Tomou mais um gole do café. – Quero dizer ela é a presidente do fã-clube oficial e deveria saber alguma coisa sobre isso.
- Eu sei. –Arqueou uma sobrancelha. – O celular da Rachel está desligado.
- Não se preocupa com a Rach ela sabe se cuidar. – Sam suspirou estalando o pescoço. – Mercedes disse que elas estão adoráveis juntas.
- Sam. – Blane se recostou na cadeira olhando para ele. – As duas são adoráveis sempre foram só precisamos administrar toda essa loucura que elas vão nos enfiar.
Quinn tomou um gole do café soltando um suspiro, Rachel estava ao seu lado olhando timidamente a tampa da mesa.
- Espera me deixa entender. – Donna esfregou o rosto. – Vocês se odiavam na escola, por causa desse cara que a Quinn disse estar grávida, mas na verdade era do melhor amigo dele?
- Sim. – Murmuraram.
- Você deu a sua filha para a mãe da Rachel? E agora o pai da menina e ela estão casados?
- Sim.
- Agora vocês estão juntas? – Entrelaçou os dedos bem juntos fechando os olhos.
- Sim.
- E as suas fãs odeiam a minha cliente? – Abriu os olhos encarando Rachel.
- Tecnicamente. – Rachel se mexeu incomodada.
Donna olhou para Quinn antes de soltar uma gargalhada estridente.
- Isso é incrível. – Tomou um gole do próprio café ainda rindo. – Quero dizer eu achei estranho quando disseram que eu ia ser a sua agente, mas isso é bizarro.
- Não é tão estranho. – Ignorou o olhar que Rachel a lançou. – Só temos uma história complicada…
- Só pra constar tem mais alguma coisa que eu deva saber? – Ergueu uma mão para Quinn a interrompendo.
- Eu vou adotar um garoto. – A autora respondeu firme e direta. – Você pode ver um advogado pra mim? E tentar entrar em contato com a Andrea? Eu vou precisar fazer uma reforma lá em casa o menino tem necessidades especiais.
Donna engasgou com a própria saliva arregalando os olhos, Rachel chicoteou a cabeça para a loira assim que ouviu as ultimas frases.
- Espera você vai voltar pra São Francisco? – A diva perguntou.
- Eu moro lá Rachel. – Falou sem olhar para a morena. – Além do mais vai ser um ótimo lugar para criar o Ethan, tem ar puro e espaço para ele brincar.
- Mas… — Parou contorcendo o rosto. – Eu achei que você fosse vir morar aqui.
- Eu nunca disse isso. – Retorquiu friamente. –Donna você pode fazer o que eu pedi?
Rachel se levantou pegando seus pertences e saindo pela porta do café.
- Ela é bem… — Donna acompanhou a morena que partia em disparada. -… dramática?
- Você nem imagina o quanto. – Suspirou também se levantando. – Nos falamos mais tarde?
- Claro. – Observou a loira sair a toda do café. – Interessante decididamente Rachel Berry tem domínio sobre a minha menina Fabray.
Rachel passava rápido pelas pessoas ignorando qualquer coisa que não fosse seus pés batendo contra a pedra da calçada, ignorou do mesmo jeito as pesadas gostas de chuva que começaram a cair. Um flash a cegou momentaneamente.
- Rachel, essa não era a roupa que você estava ontem? – A voz máscula seguida de outro flash.
Empurrou algumas pessoas tentando se livrar do maldito fotógrafo que a perseguiu rua abaixo, sentiu uma mão segurar seu antebraço, mas se atrapalhou para se desprender e correu para a rua sem perceber o sinal aberto.
- RACHEL. – A voz de Quinn encheu seus ouvidos enquanto o corpo da loira se chocava com o seu a tirando do caminho do táxi.
O som do metal se chocando com o corpo de Quinn a fez arregalar os olhos e se virar no asfalto, a loira estava a protegendo segurando em sua cintura com uma pequena careta de dor.
- Quinn. – Sussurrou olhando para baixo. – Deus, Quinn você se machucou?
- Estou bem. – Murmurou entre dentes vendo as pessoas começarem a se juntarem, o taxista veio correndo para vê-las.
- Você se machucou? – O homem enorme se abaixou próximo a elas. – Deus, eu não vi de onde ela veio, não devia atravessar a rua assim.
- Perdão eu estava tentando fugir do paparazzi. –Rachel falou sem olhar para ele, tentava se certificar que Quinn não havia se machucado parou assim que ouviu o gemido ao tocar seu pulso. – Ai meu Deus.
Quinn olhou em volta mais fotógrafos que se juntavam, olhou para o taxista que ainda estava atônito.
- Ai irmão acabou de ganhar uma corrida. – Se levantou apoiando-se em Rachel. – Rápido.
Entraram no táxi e o motorista percebendo do que elas queriam fugir acelerou no carro amarelo.
Santana surgiu pelos corredores brancos bufando de raiva enquanto xingava em espanhol. Quinn estava terminando de imobilizar o pulso, tinha deslocado, e teria que bater uma chapa da perna que doía incessantemente.
- Imbecil. – Rosnou assim que viu a loira. – Não se foge do local do acidente.
- Não fugimos. – Rachel respondeu automaticamente olhando para o taxista enquanto Quinn revirava os olhos. – Precisávamos trazer a Quinn para o hospital.
Santana resmungou mais um pouco, seus olhos percorriam a loira como se certifica-se de que ela estava inteira.
- Eu que atravessei sem olhar, o Senhor Gini não teve culpa ele até tentou evitar o acidente. – A morena continuou falando firme.
- Ótimo. – Santana rosnou para a morena. – Como sempre a culpa é toda sua Berry.
- Da pra parar? – Quinn suspirou, o enfermeiro tentava se concentrar.
Santana resmungou mais uma vez, olhou para o taxista que se mexeu incomodado diante do olhar da morena.
- Por que você saiu correndo pela rua? – Voltou a olhar Rachel. – Tem alguma coisa haver com as fãs?
- Você já está sabendo? – A diva arqueou uma sobrancelha. – Não sabia que Santana Lopez gostava de revista de fofocas.
- Blane me ligou. – Revirou os olhos. – Achou que seria bom ter a policia ciente do que está acontecendo.
- Não foi nenhum fã foi um paparazzi. – Suspirou olhando para Quinn mais uma vez, acariciou os cabelos loiros. – Você não deveria ter vindo atrás de mim.
- E você não tinha que ter saído daquela maneira. – Retrucou sem esconder a irritação. – Mas que droga Rachel é assim que vamos enfrentar tudo?
A morena tencionou o maxilar tentando reprimir a resposta que queria dar, mas aquele não era o lugar para discutir aquele tipo de assunto.
Sutilmente se afastou para falar com o taxista deixando Santana se posicionar na frente da loira tentando entender a briga.
- O que foi isso? – Olhou por cima do ombro para Rachel que pegava o cartão do homem. – Já acabou a lua-de-mel?
- San eu não estou no clima. – Acenou para o enfermeiro que se afastou. – Essas fãs malucas dela querendo fazer da minha vida um inferno, elas não conhecem o inferno.
- Q o que aconteceu? – Cruzou os braços. – Vocês brigaram por causa das fãs?
- Não. – Esfregou o rosto com a mão boa. –Acordamos com a Donna ligando, descobrimos a histórias das fãs, fomos tomar café com a Donna…
- E ela descobriu que a sua agente foi a tua primeira mulher? – Arqueou uma sobrancelha.
- Não. – Olhou por cima do ombro da morena se certificando que Rachel estava longe. – E por enquanto vamos manter isso baixo.
Santana deu de ombros. – Então fala de uma vez.
- Eu pedi pra Donna entrar em contato com a Andrea por que eu vou precisar adaptar a minha casa.
Santana inclinou a cabeça para o lado antes de dar uma tapa na cabeça da loira.
- Às vezes você é tão idiota. – Sibilou.
Quinn grunhiu vendo Rachel se reaproximar.
- Bem, já que a Santana está aqui eu vou indo. – Falou sem olhar Quinn diretamente nos olhos. – Eu tenho um ensaio agora, tudo bem pra você leva-la?
- Perfeito eu quero mesmo conversar com ela. – Santana acenou com a cabeça ainda tentando cavar um buraco na cabeça da autora. – Berry.
- Que? – Estava se debatendo se iria ou não dar um beijo em Quinn.
- Talvez você devesse falar com o Blane e não se esqueça que o Sam pode ajudar com o Ethan. – Olhou para a diva ignorando o olhar de Quinn a menção do Evans.
- Eu estava pensando nisso. – Mexeu na bolsa atrás do seu celular. – Bem eu tenho realmente que ir.
No impulso se curvou beijando Quinn no canto dos lábios começou a se afastar quando a loira a chamou.
- Te vejo essa noite?
Rachel não parou de andar, apenas olhou por cima do ombro e respondeu:
- Fica em casa, você precisa descansar nos falamos amanhã.
Quinn estava sentada no carro ao lado de Santana, a latina batia os dedos ritmados no volante.
- Ela não tinha o direito de ser diva. – Falou de repente arrancando um suspiro da Lopez.
- Concordo, ela não deveria ser tão diva, mas infelizmente eu não posso tirar a razão dela de ter ficado irritada com você.
- O que? – Franziu as sobrancelhas olhando para Santana. – Desde quando você defende Rachel Berry?
- Não estou defendendo a Berry. – Arqueou as sobrancelhas. – Mas se por algum motivo bizarro se eu estivesse no lugar dela eu não iria gostar de ouvir a minha atual sei lá que merda vocês são falar que vai contratar a ex-noiva para remodelar a casa que eu achei que ela fosse vender.
- Eu nunca disse que ia me mudar pra cá. – Se defendeu.
- Fabray pelo amor de Deus você está ai dizendo que quer ir devagar, que quer conhece-la, que quer um relacionamento e na primeira dificuldade você decide pular fora? — Desviou o olhar para ela por alguns segundos. – Por que é isso que você está fazendo e não se esconda atrás do Ethan.
- Não estou me escondendo atrás dele, mas eu tenho que pensar nele. – Rosnou. – Eu vou ser responsável por ele, me explica como vou criar uma criança com necessidades especiais no meio dessa loucura?
- A loucura da cidade? Ou a loucura que é a vida de vocês duas? – Manteve a calma respirando fundo. – Por que convenhamos se for por isso a sua vida em São Francisco não é mais calma.
- Não tem paparazzi me perseguindo e principalmente não tem fãs me ameaçando. – Olhou pela janela manchada pela chuva. – Posso ser invisível em São Francisco e dar uma vida normal para ele.
- E a Berry sabe disso. – Suspirou se fazendo mais confortável no carro. – E essa é a questão Q.
- Não estou te entendendo. – Esfregou uma das têmporas.
- Ela sabe bem lá no fundo e como ela é pequena é no dedão do pé. – Puxou o carro para estacionar perto do apart. – Que essa confusão toda tem ela como a diva como sempre, mas agora ela não está gostando.
Abriu a porta e saiu pensando que assim iria fugir da Lopez, mas se enganou quando ela começou a segui-la.
- Rachel é uma atriz de drama é impossível que ela não goste de drama. – Apertou o botão do elevador.
- Sério? – Arqueou as sobrancelhas mais uma vez. – É você que tem aturado ela nos últimos dias e não eu.
- Santana para de dar voltas e fala de uma vez. – Esmurrou o botão do andar.
- Rachel é insegura. – Apoiou-se na parede do elevador cruzando os braços e fechando os olhos. – Você vem dizendo que a quer e agora no primeiro sinal de problemas você dispara sem aviso prévio que vai voltar pra São Francisco que é do outro lado do país. O que você quer que ela pense? Mesmo você não falando que não iria se mudar para cá as suas ações mostraram que você quer uma relação estável com ela.
- Mas eu quero. – Olhou para Santana suspirando em seguida. – Eu só não posso expor o Ethan desse jeito.
- Então uma maneira inteligente seria ter falado sem envolver a sua ex. – Deixou um meio sorriso chegar aos lábios. – Você deveria ter explicado para ela e não ter jogado a Andrea no meio.
Rachel estava sentada sozinha no meio do palco, os joelhos dobrados contra o peito eram abraçados firmemente pelos braços. As luzes do palco estavam acessas enquanto as da plateia se encontravam apagadas.
- Eu nunca te perguntei qual era a sensação. – A voz macia veio por trás dela. – Se apresentar para o público, realizar o sonho.
- Indescritível. – Murmurou e mesmo o murmúrio naquele lugar vazio e silencioso pareceu um grito. – Todas as noites é diferente eu simplesmente nasci para estar aqui é onde eu me sinto completa.
- É o sonho realizado.
- É. – Suspirou sentiu Blane se sentar ao seu lado. – Mas agora que eu o realizei estou tendo outros sonhos.
- Envolvem a Quinn e o garoto? – Olhava pelas cadeiras vazias. – Kurt me contou.
- Sim, envolvem os dois. – Mordeu o lábio soltando mais um suspiro. – Mas eu não sei.
- Rach… — Se aproximou e a envolveu com o braço. – O que você não sabe?
- Se posso conciliar os dois sonhos. – Apoiou a cabeça no ombro do homem. – Eu quero a Broadway desde que aprendi a falar e eu consegui isso, mas eu também quero a Quinn e quero participar da vida do Ethan.
- Vamos concertar essa exposição de vocês, eles logo vão se acalmar e com as fãs não se preocupe daremos um jeito também.
- Quinn vai voltar pra São Francisco e vai leva-lo. – Murmurou com a voz quebrada. – Eu não sei ao certo o que eu estou sentindo entende? Quando ela disse eu me senti vazia foi como se algo perdesse o sentido e um peso morto se instala-se no meu peito.
- Será que você já sentiu isso antes? – Ele manteve o tom baixo e calmo.
- Não sei, talvez na primeira vez que eu e o Finn terminamos. – Fechou os olhos soltando um suspiro cansado.
— E como você chamou isso naquela vez?
Rachel se afastou dele o olhando para ter a certeza que falavam da mesma coisa.
- Não importa do que eu chamei antes ou do que eu chamo agora. – Se aprumou e logo se pôs em pé. – Ethan é muito mais importante do que nós duas e ela está certa em querer afasta-lo dessa confusão.
- Mesmo que isso signifique que vocês vão manter um relacionamento a distância?
- Mesmo que isso signifique não ter um relacionamento. – Correu a mão pelo rosto se certificando que nenhuma lágrima havia escapado. – Eu não estou sendo dramática.
Blane observou ela andar de um lado para o outro.
- Eu apenas…
- Está pensando no que é melhor para o garoto, mesmo que isso te machuque por que você está apaixonada por Quinn Fabray. – Ele falou atraindo a atenção dela, Rachel estava na beirada do palco o homem se levantou e foi até ela a tomando pelas mãos. – Rach você pode me dizer como se sente quando está com ela?
Rachel mordeu o lábio respirando fundo.
- Você não pode? Então me deixa tentar. – Ele apertou as mãos dela tentando atrair o olhar da mulher que encarava seu peito. – Você não consegue parar de sorrir e quando você a vê é como se você respirasse pela primeira vez em muito tempo. Algo faz sentido dentro de você e você se sente leve e quando ela te abraça teu corpo se sente seguro e você consegue relaxar sabendo que nada vai te machucar. Ela te completa.
Rachel ergueu a cabeça deixando as duas lágrimas que escorreram amostra.
- Às vezes o que é indescritível… — Limpou as lágrimas suavemente. -… é simplesmente ridículo de fácil de ser descrito.
Escondeu o rosto no peito forte do Anderson tentando entender o que deveria fazer.
- Mas ela não quer nada comigo…
- Como você ela está pensando no Ethan. – Murmurou acariciando os cabelos dela. – Vocês precisam conversar e pensar nele juntas, não é isso que você quer?
- É.
- Então converse com a Quinn e segure o drama minha pequena diva. – Sorriu a beijando na testa.
Notas finais
Sim a Quinn está com medo, mas não é medo de se envolver com a Rachel. Ela vai adotar uma criança, ela tem que pensar nele primeiro e não nela própria. Isso é ser mãe.
Vejo vocês na próxima.
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