Diário
4 Capítulo III - Pequeno Príncipe
Notas iniciais
Em resumo? Minha madrinha deu para os filhos um Xbox360 com sensor de movimento*esqueço o nome dessa porra* então começamos a jogar eu e meus primos o que somo umas 30 cabeças as 20horas do dia 24 e paramos as 6horas da manhã do dia 25. Dormimos até as 10, tomamos café e retornamos a jogar parando as 14 sobre ameaças das mães/tias e retornamos até as 18. Só pra constar eu sou a prima mais nova com 19 anos o mais velho tinha 28.
Entrei em casa pingando suor depois de jogar futebol americano o dia inteiro, tomei um banho deitei na cama peguei o notebook e escrevi três capítulos perfeitos. Sem mais nada para fazer resolvi postar...
Deitada no telhado do prédio simples na preferia do Bronx. Suas mãos repousadas sobre o abdômen e os olhos presos no céu, ouviu a movimentação das ruas, as rodas dos carros contra o asfalto molhado. O cheiro da chuva ainda estava no ar, seus olhos castanhos escuros presos nas nuvens de chumbo carregadas de pesadas gotas d’água. Seus dedos traçaram a correntinha de prata com uma pequena estrela no pingente.
As estrelas sempre estiveram em sua vida, seu sobrenome era uma dica, seu quarto com quadros de céus e fotos de estrelas em supernovas.
Elizabeth Stern era o seu nome, mas vamos apenas chama-la de Beth Stern certo?
Sua estatura era mediana para a idade de 16 anos o corpo bem esculpido pelas horas de treinamento pesado. Sentou-se apoiando o braço sobre o joelho, fechou os olhos se concentrando apenas em sua própria respiração isolando os barulhos externos.
Sua determinação era sua maior força, se sentia imbatível quando a certeza do que era certo tomava seu corpo impelindo seus músculos e tendões.
Sua vida era New York respirava aquela cidade, seu futuro e sua vida era aquela cidade…
Rachel acordou com o interfone soando bem alto dentro do apartamento amplo se arrastou para fora das cobertas quentes da cama, seu olhar registrou momentaneamente o livro aberto encima do criado-mudo. A primeira coisa que fez quando chegou em casa foi ler a primeira página do livro de Quinn, sorriu pensando nas palavras escritas.
- Senhorita Berry tem uma entrega para a senhorita. – A voz do porteiro soou pelo aparelho. – Posso deixar subir?
- Sim pode. – Franziu as sobrancelhas, não tinha encomendado nada.
Esperou pouco até a batida suave na porta, quando a abriu se deparou com uma cesta de café da manhã, um buquê de rosas vermelhas e um rapaz magricela no auge de sua adolescência.
- Senhorita Rachel Barry? – Perguntou com a voz grave.
- Sim.
- Bom dia. – Sorriu amostrando o aparelho. – Para a senhorita.
Rachel recebeu abobada os presentes quando percebeu o rapaz já se retirava.
- Espere me deixa te dar uma gorjeta.
- Não precisa. – O garoto sorriu animado. – A pessoa que mandou os presentes já me deu uma e foi bem generosa.
Rachel assentiu ainda tentando entender, entrou no apartamento e foi direto para a cozinha deixou tudo sobre a mesa e foi fazer uma xícara de café para acordar e descobrir o admirador secreto.
O bilhete estava no meio das rosas, sentou-se na cadeira respirando fundo esperando a máquina terminar o café, tamborilou impaciente pelo apito que nunca veio. Se curvou deixando os dedos roçarem no papel creme, o envelope era simples sem nenhuma identificação. Decididamente o café poderia esperar, abriu o envelope com os dedos trêmulos.
Bom dia
Passei a noite acordada tentando entender qual era a palavra para o sentimento, mas não cheguei a nenhuma conclusão e devo admitir que isso foi frustrante.
Cheguei a outra conclusão no entanto, entendi que esses sentimentos me levam sempre a você e isso é instigante. Nesse tempo uma frase de um importante dramaturgo e poeta me ocorreu, seria ela a seguinte:
"Ela é linda. Portanto, deve ser cortejada. Ela é mulher. Portanto, deve ser conquistado” William Shakespeare — Henrique VI
Estou então te pedindo permissão para corteja-la e aprendermos juntas qual é esse sentimento.
Quinn Fabray
Quinn tomou um gole de café, o blackberry repousado contra a mesa. Olhou pela janela do escritório que se encontrava, algum editor queria discutir os próximos passos para a divulgação do novo livro. Ouviu a porta abrir, mas não se virou para ela.
- Bom dia. – A voz de sua agente chegou até ela.
Virou para encarar a mulher ruiva, seu corpo magro e simples, sua beleza estava no rosto. Olhos azuis bem firmes e vivos, lábios cheios, maçãs saltadas, sobrancelha fina bem desenhada e algumas sardas no nariz.
- Bom dia. – Suspirou voltando a atenção para a janela.
- Seguinte em 10 minutos os abutres vão entrar por aquela porta querendo a carniça. – Sentou ao lado dela com a voz cansada. – Então vou direto ao ponto. O que é isso?
A revista pousou na frente dela, a capa era uma foto sua tirada na noite anterior. Rachel estava parada na sua frente e pareciam conversar sobre alguma coisa.
- O que tem isso? – Olhou para a manchete logo abaixo que dizia ter uma fonte afirmando um romance entre a atriz da Broadway e a renomada autora.
- Isso é verdade? – Arqueou uma sobrancelha.
- Saímos ontem a noite com um grupo de amigos. – Respondeu olhando nos olhos azuis. – Amigos da escola, apenas isso.
- Você sabe que vão começar a ligar a Senhorita Berry a Beth Stern não sabe?
- Sim eu sei disso. – Empurrou a revista para longe. – Não vou te dizer que não penso em tentar conquista-la, mas se isso foi realmente acontecer eu vou te contar.
- Então essa manhã ela mandou um buque de rosas vermelhas e uma cesta de café da manhã completamente vegan e ainda escreveu isso aqui? – Mercedes olhava para o cartão. – Uau.
- Não ta ajudando. – Rachel jogou a cabeça para trás.
Encontravam-se no escritório da Jones, separadas apenas pela mesa de madeira clara e linhas limpas.
- E em que você precisa de ajuda? – Se curvou colocando o cartão na frente da mulher. – Não estou te entendendo Rachel.
Mordeu o lábio olhando para o outro lado.
- Você a procurou, você flertou, pegou o numero do celular, não ligou, na manhã seguinte fico muda, deixou que a garçonete flertar com a Quinn, vocês tiveram aquele momento doce no camarim e depois conversaram o caminho inteiro. – Sorriu vendo as bochechas ficarem coradas. – Qual o efeito que Quinn Fabray tem em você pra te deixar assim?
- Eu não sei. – Murmurou se mexendo na cadeira. – Eu acho que quando estou com ela eu sinto tanta coisa, só de estar ao lado dela e isso me bloqueia. E também tem essa voz na minha cabeça que fica me lembrando quem ela era e o que ela fez e que isso pode ser apenas uma aventura.
- Rachel isso já esta ficando chato e repetitivo. – Suspirou esfregando o vinco entre as sobrancelhas. – A mulher escreveu dois best-sellers onde a personagem principal é você o terceiro livro já é o mais vendido no país e você ainda acha que ela é a garota mimada de quando tinha 16 anos?
- Ela não disse o que sentia, só pode ser uma aventura. – Afirmou sentindo o gosto amargo das palavras.
- Ela pediu a chance de descobrir o que é esse sentimento junto com você. – Se levantou dando a volta na mesa. – Agora vamos fazer um acordo? Quando a senhorita insegurança resolver dar uma volta e a Rachel Barry aparecer você volta aqui e ai nós bolamos um jantar romântico para ela e a Quinn.
Brittany estava sentada em um tapete muito colorido brincando com um garotinho que tinha no máximo 5 anos. Os músculos atrofiados tanto das pernas quanto dos braços, a dificuldade em manter o tronco ereto não apagava o sorriso que o garoto exibia.
- Muito bem Brian. – Ela limpou a baba que escorria pelo canto dos lábios. – Só mais uma ok? E ai brincamos com os blocos.
Alongou a perna do garoto mais uma vez contando até 10 mentalmente, a abaixou mantendo esticada no tapete. Ajeitou o corpo do garoto contra o puff abobora e entregou para ele alguns blocos que ele agarrou com um pouco de dificuldade, um som indistinto saiu da garganta do menino.
- Muito bom Bri. – Beijou a testa dele. – Você foi muito bem hoje.
- Hey. – A voz suave de Quinn veio da porta.
Brittany sorriu para a amiga e se levantou para abraça-la.
- Você por aqui? – Sorriu se afastando. – Aconteceu algo?
- Hn… — Olhou para o celular inativo em sua mão. – Não, não aconteceu nada.
- Deveria ter acontecido? – Arqueou uma sobrancelha.
- Digamos que eu já esperava ter recebido uma noticia a essa altura do dia. – Resmungou embolsando o celular. – E você faz o que nesse resto de tarde?
- Eu tenho um atendimento especial. – A chamou para o outro lado da sala. – É um menino de 2 anos ele foi abandonado pelos pais.
- E por que ele está aqui? – Continuou o seu caminho atrás de Brittany passando por várias portas.
- Ele é cego de um dos olhos e tem a visão bem reduzida no outro. – Murmurou. – Os médicos chegaram a conclusão que a cegueira foi causada.
- O que? – Parou no meio do corredor.
- Ele parece ter sido muito mal tratado. – Esfregou as têmporas fechando os olhos. – Ele esta nervoso não deixa ninguém chegar perto eu o deixei o dia todo com uma psicóloga.
- E ele está onde? Quer dizer em que lugar?
- Em um abrigo. – Suspirou retomando a caminhada.
Quinn respirou fundo acompanhando a terapeuta tentando colocar o sentimento de raiva em algum lugar que não fosse acessível nesse instante.
Brittany entrou em uma das portas a deixando aberta para Quinn, o cenário era deprimente. A sala ampla de paredes brancas com mesinhas e cadeirinhas cheias de giz colorido, papéis, massinhas e blocos. Uma estante coberta de livros infantis, alguns puff espalhados e lá no canto encolhido e chorando tinha um garotinho, magro e baixo de mais para a idade. Os cabelos loiros bem amarelos estavam grandes demais batendo abaixo dos ombros frágeis, os olhos azuis irritados pelo choro constante eram opacos e sem vida, as bochechinhas chupadas estavam rosadas assim como o nariz. Ele segurava com força um macaco de pelúcia que estava mais encardido do que as roupas finas que usava.
Brittany se aproximou de uma mulher que Quinn não registrou, apenas encarava o garotinho.
- Como ele está? – Ouviu a conversa.
- Ele não fala não me deixa tocar, ele só fica no canto chorando o tempo todo. – A resposta cansada. – Teremos trabalho com ele.
- Ele apenas está com medo, ele tem que se sentir seguro. – Observou Quinn se adiantar para a estante.
Em seguida ela caminhou até onde o garoto estava o corpinho que tremia se encolheu sentindo a aproximação.
- Olá. – Se sentou no chão apoiando as costas na parede. – Eu me chamo Quinn qual o seu nome?
O garoto se sacudiu tentando se afastar dela, empurrando o corpo contra a parede.
- Bem, eu gosto muito de livros, você gosta de livros? – Continuou com o tom calmo e tranquilo. – Tem esse livro que eu adoro você quer ouvir?
A respiração do menino era irregular, mas ele parou de tentar se fundir com o concreto.
- Eu vou ler ok? – Sorriu de leve, abriu o livro e começou.
Certa vez, quando tinha seis anos, vi num livro sobre a Floresta Virgem, “Histórias Vividas”, uma imponente gravura. Representava ela uma jiboia que engolia uma fera. Dizia o livro: “As jiboias engolem, sem mastigar, a presa inteira. Em seguida, não podem mover-se e dormem os seis meses da digestão.”.
E assim ela continuou lendo, com a voz calma e segura sendo observada pelas duas mulheres. Aos poucos o garoto foi se acalmando e chegou até a afrouxar o seu aperto no bichinho de pelúcia. Outra mulher entrou na sala e se juntou as duas primeiras.
Guardou o anuário mais uma vez na caixa de papelão e o enterrou no fundo do armário, não queria mais ter que ficar olhando aquelas fotos. Está certo elas conviveram em termos amigáveis no ultimo ano e sim Quinn era realmente uma mulher adulta agora e muito mais madura. Obviamente Mercedes estava certa estava demonstrando muita insegurança e aquilo não era nada do seu feitio e se teve uma coisa que aprendera nos seus anos em New York é que arriscar pode sim trazer muito mais felicidade do que tristeza. Era hora de expor a rainha.
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