Diário

2 Capítulo I - Café


Notas iniciais
Espero que apreciem.

Sou como um livro em branco, com as folhas já amareladas pelo tempo.

Sou como um caderno novo que a criança ganha para o seu primeiro ano de escola.

Sou aquele com cheiro de novo e linhas perfeitas.

Aquele que guarda seus maiores segredos. Seu aprendizado. Seus pensamentos mais profundos. Seus contatos. Seus jogos.

Estou apenas aqui imóvel esperando para que você se lembre de mim e venha brincar com as palavras, prometo que nunca irei te julgar e que sempre estarei aqui para lhe lembrar do que esquecer.

Pode me largar em qualquer canto, me deixar cair, molhar, rasgar e até me jogar fora quando achar que perdi a utilidade, mas garanto que para sempre serei teu amigo mais fiel.

Quinn suspirou olhando para as linhas que escreveu, não tinha ideia de onde aquelas palavras tinham surgido. Odiava a insônia das madrugadas, mas as vezes ela tinha lá suas utilidades principalmente quando as ideias para as histórias fluíam com mais leveza.

Esfregou o rosto e fechou o diário com a capa de couro marrom já surrada, aquele sim era o seu amigo mais fiel, poesias e pensamentos todos ali. A janela de sua alma através daquelas páginas, seus dedos afagaram o couro tentando não olhar em seu celular mais uma vez.

Talvez ela não quisesse descobrir, não era só porque ela tinha aparecido na sua sessão de autógrafos que ela iria querer uma reaproximação. Poderia ter sido apenas educação ou curiosidade pela personagem principal do livro.

Suspirou, esticou-se no sofá jogando um braço para trás se fazendo confortável, o diário repousava em seu peito protegido pela blusa do pijama.

O homem magro com uma expressão entediada e olhos azuis penetrantes observava a mulher pequena andar de um lado para outro na sala ampla do apartamento.

- Rachel da pra parar? – Suspirou esticando as pernas.

- Não. – Parou pousando as mãos nos quadris. – Kurt eu tenho que ter certeza que não estou cometendo um erro.

Kurt se ajeitou no sofá dobrando uma perna por cima da outra, respirou fundo para manter a calma.

- Rachel pense um pouco. – Seu tom de voz era sério e um tanto irritado. – Quinn Fabray está em New York, você lê e relê os livros dela pelo menos 3 vezes ao mês, a personagem principal é simplesmente idêntica a você fisicamente…

- Eu sei. – Gemeu olhando para o celular.

Ouviram a batida na porta e Rachel correu para atendê-la.

- Estou aqui qual é a emergência? – A negra adentrou o recinto, seu corpo robusto e os cabelos ondulados caindo abaixo do ombro. – E eu acho bom ser uma boa emergência.

- E é. – Kurt suspirou. – Se você não tivesse entrado nesse instante teríamos uma atriz a menos na Broadway.

- Tão ruim assim? – Se sentou ao lado do homem.

- Mercedes. – Rachel ergueu a mão para calar Kurt quando ele abriu a boca para falar. – Você sabe quem está em New York?

- Hã… — Olhou para Kurt querendo uma dica, mas o homem estava impassível. – Não me diz que o Finn veio pra cá atrás de você de novo.

- Não. – Kurt abafou o riso de escárnio. – É o outro amor da vida dela.

- Kurt. – Rachel ralhou. – Eu não estou apaixonada por ela.

- Quinn está em New York? – Mercedes arqueou as sobrancelhas.

- Sim e a nossa pequena diva foi até a livraria onde a loira estava dando autógrafos e falou com ela. – Kurt se esticou pegando o exemplar autografado. – E além de uma dedicatória muito interessante também ganhou o numero de celular da autora.

- Sério? – Mercedes tomou o livro e assobiou lendo a dedicatória.

- E agora a Rachel não quer ligar.

- São quase 2 da manhã. – Chiou emburrada. – Não vou acorda-la.

- Ela esta falando isso desde as 23 da noite. – O jovem de olhos azuis fechou os olhos e tentou se fazer confortável no sofá branco.

Mercedes abriu um sorriso levantando os olhos para a diva.

- Não se preocupe pode deixar que eu cuido de tudo.

Acordou com o interfone insistente, seu pescoço doía pela posição que tinha pegado no sono encima do sofá. Mexeu-se devagar derrubando o diário no chão, caminhou até a cozinha do apart e atendeu o interfone.

- Pronto. – Correu a mão pelos cabelos curtos. – Sim pode deixar subir.

Voltou para a sala pegando o diário e enfiando na bolsa de lona que estava na poltrona correu para o banheiro lavando o rosto.

- Só um minuto. – Gritou enxaguando a boca.

Andou pela sala prendendo os cabelos em um rabo de cavalo, abriu a porta.

- Você está horrível. – A voz debochada levemente alegre.

- Também senti saudades San. – Quinn sorriu aceitando um abraço. – Onde está a Brit?

- Ela tinha um atendimento mais cedo. – Santana entrou no apart olhando tudo com pouco interesse.

Quinn levou um tempo analisando a amiga, a calça social preta bem cortada abraçava os quadris perfeitamente enquanto a blusa num tom suave de bege prendia nos pulsos e deixava dois botões abertos revelando a pele do colo.

Os cabelos castanhos escuros presos no rabo de cavalo firme e o andar seguro e sensual de sempre.

- Vamos tomar café? – Santana se virou para ela.

- Hn… claro espera só eu me trocar. – Sumiu no quarto.

Kurt suspirou tragando um pouco do café amargo que tinha pegado. Mercedes tinha um pequeno sorriso nos lábios observando Rachel se mexer incomodada na cadeira.

- O que você fez? – Rachel perguntou pela quinta vez. – Mercedes com quem você falou?

- Não sei do que você está falando minha diva. – Arqueou as sobrancelhas tomando um pequeno gole do café.

Kurt engasgou tentando conter o riso ajeitou o blazer grosso que usava e desviou o olhar das duas mulheres.

- Oh meu Deus. – Falou em voz baixa. — Satã?

Santana e Quinn tinham acabado de entrar no café, a morena estava retirando os óculos escuros quando ouviu o apelido infame, virou-se na hora encarando os três ocupantes da mesa próxima a porta que lhe encaravam surpresos.

Quinn parou a meio caminho de retirar o casaco e também olhou para os três sentindo uma leve apreensão.

- Quase. – Santana sorriu maldosa. – Algumas pessoas costumam pensar isso.

Quinn puxou o casaco para cima o apertando entorno do seu corpo.

- Hey vocês. – Acenou com a cabeça se sentindo um pouco nervosa.

- Quinn. – Mercedes acenou animada. – Linda como sempre e Santana você está sexy.

- Obrigada Mercedes. – Quinn sorriu, olhou para o relógio em seu pulso. – San eu tenho hora.

Santana revirou os olhos com descaso, cruzou os braços e soltou. – Incrível você quase não vem e quando vem tem hora pra tudo.

- Nossa San. – Pousou a mão no coração fingindo estar sentida. – Você sente tanto a minha falta?

- Cale a boca Fabray. – Bufou virando o rosto para a janela. – Anda vamos tomar café.

- Esperem. – Kurt lançou um olhar para Rachel que permanecia fitando o copo. – Sentem conosco.

- Hn? – Santana olhou para Quinn que respirou fundo com um pequeno sorriso. – Claro.

Santana se sentou ao lado de Kurt se curvando sobre a mesa para apertar a mão de Mercedes e em seguida a de Rachel. Quinn sem outra opção ocupou cadeira ao lado de Rachel, mas antes parou para puxar o casaco fora de seu corpo.

- Então, Santana o que você faz em New York? – Kurt franziu a testa tomando mais um gole de café.

- Estou morando aqui. – Fez sinal para a garçonete. – Me mudei por causa do trabalho.

- E em que você está trabalhando? – Mercedes pareceu educadamente interessada.

Santana ia responder quando a garçonete parou do lado da mesa, Quinn estava entretida com o blackberry.

- Bom dia. – Santana olhou para ela. – Um café com leite.

- Certo.

Santana olhou para Quinn que suspirou antes de levantar o rosto, um meio sorriso surgiu nos lábios da loira que deixou os olhos deslizarem pelo corpo da garçonete.

- Bom dia. – Seu tom de voz era macio e seus olhos verdes brilharam levemente. – Eu gostaria de um café preto o mais forte que você tiver.

A mulher acenou com a cabeça ainda encarando os olhos de Quinn, tropeçou para sair meio atrapalhada.

Santana soltou uma risadinha baixa antes de olhar para o teto.

- Calma Charlie. – Murmurou.

- Charlie? – Kurt estava um tanto surpreso com a interação de Quinn com a garçonete, olhou para Rachel de rabo de olho e percebeu que a diva pressionava os lábios juntos.

- Longa história. – Quinn guardou o blackberry. – Britt estará livre essa noite?

- Sim. – Santana acenou com a mão. – Mantenha a sua noite fora das calças de uma qualquer ok? E vocês o que aconteceu com vocês?

- Perdão, mas eu entendi certo? – Mercedes se ajeitou na cadeira. – Quinn Fabray é gay?

Quinn sorriu mais uma vez para a garçonete que se aproximava, seus olhos prendendo os dela em uma conexão firme, seus dedos roçaram na mão que tremeu de leve antes de tomar um gole do café sem nunca deixar o olhar ir.

- Excelente. – Sorriu mais uma vez.

A mulher saiu correndo a mão pelos cabelos com um sorriso nervoso.

- Da pra parar com essa agonia? – Santana suspirou. – E sim a puritana e católica fervorosa Quinn Fabray é gay.

- Quando? Como? – Kurt olhou de Santana para Quinn.

- Como eu disse antes, é uma longa historia. – Tomou mais um gole de café. – E eu acho melhor não falar disso a essa hora da manhã.

- O que foi Berry? Tão calada? – Santana sorriu debochada. – Não me diga que ficou muda? Não me faça ter esperanças.

- Estou bem Santana. – Rachel respondeu fria. – E você? Disse que veio para a cidade a trabalho.

- Sim. – Consultou o relógio de Quinn. – Eu e Brittany estávamos morando em New Jersey, mas me transferiram de unidade por assim dizer.

- E em que você trabalha? – Rachel continuou seu café ia esfriando.

- Departamento de polícia.

Rachel arregalou os olhos, Kurt engasgou e Mercedes respirou fundo.

- Quem em sã consciência daria permissão para Santana Lopes ter porte de arma? – O tom da diva subiu uma oitava.

- A mesma pessoa que colocou uma delegacia inteira aos meus cuidados. – Sorriu mais abertamente. – Capitã Santana Lopes.

Kurt assobiou ainda tentando absorver as informações.

- Manhattan é a minha praça. – Deu de ombros. – E vocês?

- Você disse que você e a Brittany moravam em New Jersey? – Mercedes mudou mais uma vez o foco da conversa.

- Sim nós resolvemos morar juntas depois que nos formamos na faculdade. – Olhou para Quinn que ainda bebia seu café despreocupadamente. – Estamos juntas.

- Que perfeito. – A negra abriu um sorriso estonteante. – E ela trabalha em que?

- Ela é terapeuta ocupacional. – Esperou mais uma vez a reação de surpresa. – Ela esta trabalhando em uma clinica de fisioterapia.

- Uau isso sim é surpresa. – Kurt fitava o tampo da mesa.

Quinn sentiu o blackberry vibrar, o retirou do bolso da calça e olhou para o visor.

- Fabray. – Suspirou. – Sim eu sei. – Olhou no relógio do pulso. – Chego ai em no mínimo 15 minutos.

Desligou sorvendo o ultimo gole, se levantou jogando umas notas sobre a mesa.

- Me perdoem, mas eu preciso ir. – Sorriu levemente para os três. – Foi realmente adorável reencontrar vocês. Encontro você e a Britt essa noite certo?

- Certo. – Santana acenou, seu olhar cruzou o de Mercedes.

- Hey tenho uma sugestão. – Mercedes sorriu. – Por que não jantamos todos juntos?

Quinn olhou para ela considerando a proposta.

- Se a Santana e a Britt não se importarem. – Deu de ombros.

- Podemos ir ver o show da Rachel. – Kurt acrescentou. – E depois esticarmos para algum lugar.

- Decidam e depois me avisem. – Pegou a bolsa e o casaco. – Tenho que ir se não me atraso. Santana ela vai te dar o numero do celular…

- Lixo?

- Boa garota. – Deu as costas saindo do café sem olhar para trás.

Santana permaneceu em silencio por alguns segundos antes de olhar para Mercedes.

- Sério? Você me liga as 2 da manhã insistindo para que eu trouxesse a Q aqui e a Berry fica calada? – Arqueou as sobrancelhas.

- Opa. – Kurt se ajeitou. – Você sabia que a Santana estava aqui?

- Nunca perdemos contato. – Mercedes deu de ombros, olhou para uma Rachel que afundou na cadeira. – Quando vocês falaram que a Quinn estava aqui eu sabia que a Santana iria saber encontra-la.

- Espera você armou isso. – Rachel respirou fundo. – E não me disse nada?

- Eu não achei que você fosse ficar muda igual uma estatua. – Mercedes devolveu. – Essa noite tente fazer uma melhor impressão.

- Quando Quinn se descobriu gay? – Kurt se curvou apoiando na mesa.

- Acho melhor ela contar isso.

- Quem é Charlie? – Kurt insistiu.

- Ela. – Encolheu os ombros. – Quando ela brinca de seduzir é o Charlie.

Santana se levantou também retirando algumas notas as colocando na mesa.

- Nos vemos essa noite então? – Observou a garçonete se aproximar timidamente com um papel dobrado entre os dedos trêmulos. – Incrível ela sempre acerta.

Olharam a garota se aproximar e murmurar nervosamente se Santana poderia entregar o numero do celular para Quinn, a latina pegou o papel e esperou ela virar as costas para amassa-lo.

- Eu vou reservar os bilhetes e deixa-los na bilheteria para vocês. – Rachel respondeu, Santana acenou e começou a se afastar.

Notas finais
Nossa eu não estava esperando tantos comentários assim.

Para postar eu espero ter pelo menos a vantagem de um capitulo, ou seja, postei o capitulo 1 por que o capitulo 2 já está pronto, mas para postar o 2 preciso fazer o 3, certo?

Embora eu esteja de férias da faculdade devo começar a estudar para fazer um concurso, ou seja, meu tempo ocioso vai diminuir. Demoro, mas não abandono. Boa noite!