Diálogos

5 Quinto Diálogo - Mocinha das Rosas


Plantava rosas coloridas no meu coração, quando se achegou uma menininha.

- Bom, tio? Que cê tá fazendo?

- Bom sim, mocinha. Plantando rosas, como pode ver.

- Que bonito, tio! Mas o que aconteceu com aquele monte de flor que tinha antes?

- Passou um vento de nome que não quero dizer e beijo que não quero lembrar. Um vento forte demais, mocinha! Despetalou tudinho!

- Nossa, tio! Que triste! Bom que você tá plantando tudo de novo, né?

- Pois sim!

- Mas tio... Tô vendo rosa amarela, branca, azul, laranja, até verde eu tô vendo, tio; mas e as rosas vermelhas?

- Ah... Mocinha. As vermelhas dão muito trabalho. Ocupam espaço, além de morrerem cedo.

- Não, não tio! Você que não sabe plantar rosas vermelhas!

- Como não?! Ora! Veja como toda rosa aqui é bem cuidada!

- Sim, tio, mas as vermelhas são diferentes. Se você planta rosa vermelha em você mesmo, vira orgulho, tio. Pra ser aquela rosa da boa, você tem que plantar em alguém, e esse alguém plantar em você, entendeu?

- Acho que sim... Mas agora não posso, mocinha. Aquele vento levou minha ultima sementinha de rosa vermelha, acredita? E mesmo se tivesse, não tenho onde plantar, entende?

- Sim, tio, mas isso não é problema. Teu jardim já está a caminho. Afinal, o que você acha que eu sou?

Foi nessa que a pequena brilhou, brilhou que brilhou! Até que da luz só sobrou uma sementinha... De rosa vermelha, é claro! Guardei ela no peito, e ela está aqui. Agora, falta só o jardim.
Notas finais
Obrigado pela leitura!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.