Divine Power e a Chave Obscura
1 Um ataque pequeno
Notas iniciais
UM GRUPO DE ONZE HOMENS caminhava em uma pequena e deserta rua, quase todos usavam grandes sobretudos com tocas que tampavam os seus rotos.
A medida que eles iam caminhando, as únicas coisas que se avistava era várias casas e um por do sol bem alaranjado que deixava todas as casas e roupas em tom fraco de laranja. Diferente dos que estavam de branco, dois deles usavam sobretudo verde escuro. Assim que escureceu, as casas ficaram pouco visíveis — nenhuma tinha luzes acesas – e todos eles continuavam caminhando, enfileirados um ao lado do outro no meio da rua.
De repente um dos dois que estava de verde parou e disse para que todos o seguissem. Eles obedeceram e seguiram ele até uma pequena viela totalmente escura e deserta, todos pararam na entrada da viela e o rapaz de verde ficou mais para frente e começou a falar:
– Pessoal, eu vou abrir dois portais! Um em cada parede lateral, depois vocês sabem o que fazer, certo? – Todos fizeram que sim com a cabeça.
– Mas Serkis, você não pode abrir o portal – falou o outro homem de verde olhando para o outro que estava mais a frente.
– Não se preocupe Dante! – falou Serkis dando um leve sorriso, enquanto os outros viam o seu cavanhaque.
– Esta bem então – concordou Dante.
Serkis ficou de costa para todos e abriu os braços, deixando os seus dois dedos indicadores encostados nas paredes aos seus lados. Ele ficou naquela posição parecendo uma cruz por alguns segundos, e de repente falou:
– Scriptorium...
De repente seus dois dedos começaram a brilhar, no mesmo instante ele desencostou os dedos da parede – seus dedos pareciam uma arma que disparou o brilho contra as paredes – criando um grande clarão e um forte estouro. Todos levaram as mãos aos rostos, e esperaram alguns segundos. Depois que eles abriram os olhos, viram que as duas paredes onde fora disparadas os brilhos por Serkis haviam ficado brancas e estava iluminando toda a viela. Dante e Serkis tinham tirado a toca; Seu rosto era moreno, e quase não se via seus olhos por causa do seu longo cabelo escuro. Serkis tinha o rosto claro – olhos escuros e cabelo curto – e tinha cavanhaque.
Os outros ainda estavam de tocas, e seus rostos quase não se viam. Serkis foi até o fundo da viela, se apoiou na parede que não estava brilhando e começou a falar:
– O portal está aberto, agora vocês sabem o que fazer – quatro deles fizeram positivos com a cabeça e se direcionaram dois em cada parede que estava brilhando.
Do lado esquerdo dois atravessaram a parede e ela parou de brilhar. No outro lado mais dois atravessaram a parede que também parou de brilhar, mas antes que os dois passassem um deles falou:
– Voltaremos em cerca de quinze minutos, estejam preparados!
Assim que a parede parou de brilhar, a viela voltou a ficar totalmente escura, e quase não se via mais os rostos de Serkis e Dante. Eles ficaram parados por um tempinho sem falarem nada. Dante que estava junto dos outros saiu andando e encostou-se na parede ao lado de Serkis.
Pouco tempo depois todos ouviram um forte barulho, Serkis olhou para todos e disse:
– Esta na hora! Eles conseguiram!
Serkis mal acabara de falar, quando houve um ruído baixo do outro lado da rua; sem ver o que era um deles saiu correndo na direção do ruído e com a palma mão ele lançou uma rajada de fogo – ela pegou na parede de uma casa que ficou com um enorme buraco. Quando ele estava prestes a lançar outra rajada, um dos homens que tinha entrado no portal saiu de trás da parede falando:
– Calma, somos nós! – o rapaz parou e atrás do homem apareceram os outros que também tinham entrado na parede.
– Ah! São vocês, me desculpe – falou aquele que tinha atacado, fazendo uma pequena bola de fogo na sua mão se apagar. Ele estendeu uma das mãos até a parede que havia sido atingida e disse:
– Recoquo... – com isso a parede começou a se materializar com se fosse pó.
Quando ele terminou, houve um clarão, todos olharam para Dante e Serkis que estavam sumindo dentro da parede do fundo da viela que brilhava fortemente. Assim que os dois sumiram por inteiro os outros começaram a entrar na parede um por um.
Ao passarem pelo portal, eles depararam com um enorme muro preto que aparentava ter mais de quinze metros de altura; com um portão branco quadriculado no meio.
Mesmo que todos haviam passado pelo mesmo portal, Dante e Serkis não estavam ali com eles.
– Vamos ficar aqui e esperar amanhecer – falou um deles enquanto os outros se sentavam.
Já era noite, e eles não viam nada além do grande muro e o portão, em volta deles era tudo escuro, e todos ficaram sentados no chão apenas olhando para o portão.
Longe dali, Serkis e Dante estavam sentados em um sofá branco. Dante começou a olhar para toda a sala que era sem janelas, tinha a iluminação apenas por duas lâmpadas que pegavam fogo no meio do teto – havia também uma prateleira de livros ao lado da porta – de um lado da sala tinha um armário branco e do outro lado também havia um, mas esse era preto.
Enquanto Dante ficava olhando para toda a sala, Serkis estava sério encarando um rapaz que estava sentado atrás de uma mesa de vidro transparente há alguns passos na frente de Serkis. Ele aparentava ser jovem, usava roupa social, seu terno como toda a roupa era preta.
Atrás dele havia um grande quadro branco com um desenho de um pentagrama todo verde de ponta cabeça. Assim como Serkis ele também estava sério, seu rosto estava pálido. Seu cabelo e olhos escuros brilhavam por causa das lâmpadas que pegavam fogo no meio do teto.
Eles ficaram se encarando por varias horas sem dizerem nada, silêncio total. Serkis começava a pensar ‘’ Será que é agora ou não? ’’. Na dúvida ele decidiu esperar e ficou encarando o rapaz atrás da mesa ainda em silêncio, Dante continuava quieto olhando quase sem piscar para o pentagrama verde na parede.
Quando faltavam poucos minutos para começar a amanhecer os amigos de Serkis e Dante que estavam em frente daquele portão começaram a se levantar, todos estavam a cerca de dez metros de distância do portão. Assim que todos eles se levantaram um falou alguns nomes estranhos:
– Globos ignis exiguae...
Logo que esses nomes fora ditos, varias e pequenas bolas de fogo apareceram na frente deles e se auto dispararam contra o portão branco causando fortes estouros. Vendo que não havia acontecido nada, um deles esticou as mãos fechadas para frente e abaixou a cabeça.
– Accumsan luctus...
Ele falou mais um nome estranho, e logo em seguida o que parecia ser uma camada transparente foi lançada contra o portão causando mais estouros e uma forte ventania. Mesmo com isso não aconteceu nada, então ele de repente abriu as mãos fazendo outra camada pouco visível aparecer e se chocar contra o portão e o muro preto. Isso também não adiantou então eles começaram há atacar ao mesmo tempo. Alguns começaram a lançar rajadas de fogo, e outros lançaram camadas transparentes de calor.
Quando Serkis e Dante ouviram os estouros lá de fora, eles se levantaram, e depois de ficar a noite inteira sem dizer nada Serkis falou olhando para o homem atrás da mesa:
– Suponho que você saiba o porquê de nossa visita, Chuck?
– Não me diga que você veio finalmente se demitir dessa escola? – falou o rapaz atrás da mesa de vidro que tinha uma pequena espada prateada nua sua lateral.
– Isso mesmo! – Serkis deu uma pausa rápida e continuou. – Digamos que hoje é o meu ultimo dia na escola de encantos.
– Ótimo! Ótimo! E você vai querer assinar algum papel? – Chuck falou dando um pequeno sorriso.
– Não será necessário, você não terá tempo para isso!
De repente Chuck tentou levantar-se, mais foi surpreendido por Dante que apareceu atrás dele em uma velocidade incrível e o agarrou pelo pescoço. Com dificuldade para falar ele disse:
– Im... Impossível! Você não usou um portal!
– É claro que eu usei – disse Dante. – Você que não viu!
– Então você vai me matar, é Serkis? – Chuck começou a rir, mas parou porque Dante apertou mais o seu pescoço.
– Calma Dante – pediu Serkis, e ele soltou um pouco o pescoço de Chuck que continuou falando:
– E como você vai me matar, hein Serkis?
Serkis foi andando até a mesa, apoiou as mãos em cima dela, chegou seu rosto perto do dele e falou:
– Acho eu que você saiba sobre os cinco encantos proibidos? – antes que ele pudesse terminar Chuck interrompeu-o.
– Não seja tolo Serkis Brian! Você não se sacrificaria só para me matar!
– Você tem razão! Eu não me sacrificaria! É por isso que eu venho há dois anos estudando o máximo possível sobre esses encantos.
– E? – Chuck o interrompeu novamente.
– E com base nesses encantos eu descobri que é possível criar um novo encanto tão forte quanto, e quem usar esse encanto não irá se sacrificar!
– Então eu sugiro que me matem logo – Chuck apontou para os dois armários, o preto e o branco. – Vocês acham que são apenas simples armários? – ele sorria. – São dois portais! São portais que só os meus irmãos podem ultilizar, e vocês sabem que se eles chegarem vocês dois e os seus amigos lá fora estarão mortos também.
– Não se preocupe eu vou te matar rápido!
Serkis que estava com as mãos meio fechadas em cima da mesa, de repente abriu elas com rapidez e a mesa de vidro estourou, fazendo voar pedaços para todo lado. Nenhum deles foi atingido e Serkis seu dois passos à frente para encarar Chuck cara a cara, que ainda não podia se mexer por que Dante ainda o segurava.
Enquanto isso, lá em frente do portão branco os parceiros de Dante e Serkis continuavam lançando várias rajadas de fogo e o portão continuava intacto. O sol já tinha nascido por completo, clareando uma parte dos seus rostos que ainda estavam encapuzados.
Depois de lançarem vários ataques um atrás do outro, eles decidirão parar com os ataques. Alguns minutos em silêncio quando do nada houve alguns gritos vindo do lado de dentro do portão. No mesmo momento eles foram até o portão, colocaram suas mãos encostadas nele e falaram todos ao mesmo tempo:
– Intrare portam...
Ao falar essas palavras, o portão ficou preto e desapareceu. Eles deram alguns passos para trás e vira um grupo de homens uniformizados parados um pouco distante de onde era o portão – suas roupas eram todos iguais – preto com um pequeno pentagrama de ponta cabeça verde ao lado direito da roupa. Alguns estavam armados, com arco e flechas, um tinha uma lança. Há muitos metros atrás deles avistava-se uma grande mansão cinza com uma grande porta preta no centro. Ninguém se movia, todos estavam pensando o que seria aqueles gritos que acabara de acontecer. Era silêncio total, quando de repente houve uma forte explosão e a porta da mansão foi totalmente destruída.
Serkis e Dante apareceram correndo na direção dos seus parceiros, passando por cima do que tinha sobrado da porta. Todos os homens uniformizados correram na direção deles. Um dos parceiros de Serkis tentou ir ajudá-lo, mas foi surpreendido por Dante que apareceu nas suas costas e o segurou pelo ombro.
Serkis já estava muito perto dos guardas que começaram a atirar flechas e lanças nele, ele conseguiu se esquivar de alguns ataques e outros acertaram apenas o seu sobretudo verde que agora estava aberto, mesmo assim ele correu mais um pouco. A distância entre eles era bem pouca, até que Serkis parou de correr. Com isso os guardas o cercaram em forma de um circulo.
– Vocês acham mesmo que vão me matar com apenas essa quantidade de guardas? – ele olhava para os lados para contar quantos guardas havia ali. — Não seria melhor se estivessem mandado os professores para nos render? – ao falar isso os guardas começaram a apontar as flechas para ele. – Hum... Se vocês vão me matar é melhor me matarem logo!
Todos os guardas atiraram as flecha nele ao mesmo tempo, mas antes que elas pudessem tocar nele todas pararam em volta dele e caíram. Vendo que isso não adiantaria os guardas partiram pra cima dele, em questão de segundos Serkis havia desaparecido entre eles.
Um dos seus parceiros tentou ir ajudá-los, mas foi segurado por Dante novamente. Ao recuar alguns passos ele ficou olhando para os guardas que aparentavam estar em cima de Serkis. Eles ficaram daquele jeito por alguns segundos, quando houve uma grande explosão de fogo que surgiu no meio deles lançando todos para longe e fazendo com que Serkis desaparecesse – todos os guardas ficaram espalhados pelo chão gramado, e quase todos desacordados – alguns dos parceiros de Serkis foram correndo até o local onde ele estivera e ficarão olhando para os lados para ver se o avistava.
Dante ia os mandar voltar, só que não falou nada por que um circulo preto apareceu ao seu lado e Serkis saiu de dentro dele falando:
– Pessoal, estamos voltando! Rápido, vamos logo... – ele quase saiu correndo, até que um dos seus parceiros perguntou:
– Por que tanta pressa?
– Vocês não entendem? – Serkis estava nervoso. – Chuck está morto!
– Se ele esta morto, nós não devíamos ficar e tomar controle da escola? – retrucou um deles.
– Devíamos! – falou Dante com um tom alto na voz. – Mas aqueles dois estão vindo pra cá!
– Mas como eles já sabem? Vocês acabaram de matar o Chuck.
– Havia dois portais dentro da sala do Chuck, antes de morrer ele mandou um sinal para eles. – Dante também estava nervoso e aparentando estar com muita pressa. — Filho da mãe... Ele com certeza já sabia que nós viríamos, mas por que preparou nenhum encanto para se proteger?
– VAMOS LOGO! CORRAM! – Serkis deu as costas para eles e esticou as mãos para frente, esperou um pouquinho e disse: — Scriptorium... – bastante fumaça saiu da mão dele e foi formando um enorme quadrado negro na frente dele.
Dante correu e entrou no quadrado, seguido por mais cinco dos seus amigos que foram logo atrás dele. Os outros que estavam no local onde os guardas estavam caídos, saíram correndo na direção do grande quadrado.
– Andem logo! Entre no portal! Eles estão vindo! – De repente avistou-se um clarão em todas as pequenas janelas e a entrada da mansão. – Tarde de mais – disse Serkis para si mesmo, e voltou a acelerar seus parceiros. – Rápido! Rápido!
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