Divertimento
3 III. Misa
Coleções
Misa Amane era dona de uma personalidade que podia ser considerada um pouco excêntrica.
"Um pouco", aliás, seria um grande eufemismo, se não uma mentira: aonde quer que fosse, Misa chamaria atenção tanto por suas roupas quanto por seu modo chamativo de agir, ou talvez ainda pelo fato de diversos anúncios que fez para uma famosa revista estarem espalhados por toda a cidade, sendo quase impossível não reconhecê-la.
Mas, além de tudo, Misa era uma pessoa cheia de extremos e com uma moral muito duvidosa. Na verdade, podia-se dizer que ela era amoral.
Sendo assim, Misa não viu nada de errado em invadir a casa de um professor por quem tinha uma queda durante o colegial, e achou exagero quando quase a expulsaram da escola nessa mesma ocasião.
Sentiu-se da mesma forma quando seus pais a castigaram por ter atravessado o país sem avisá-los sobre nada somente para ver o show de um cantor que era seu ídolo.
Talvez tivesse mesmo exagerado um pouco mais quando armou a demissão de uma das modelos que trabalhava com ela na agência — ela era muito atrevida pro seu gosto, não ia com a cara dela —, mas ela ainda não se arrependia.
Hoje, a loira não se importava em chegar ao ponto de acabar violando leis para conseguir o que queria — nunca ficara realmente em maus lençóis, e, mesmo das vezes que era pega, sua punição nunca era tão severa assim.
Mas hoje era diferente.
Especial.
Era assim que era o atual e mais sincero amor de Misa. Era especial. O jeito como ele a olhava, o jeito que lhe falava... Era apaixonado. Nunca tinha visto nenhum outro rapaz como ele. Era como se fossem feitos um para o outro.
É claro, ela precisava fazer o que seu amado lhe dizia, só assim ela teria sua tão esperada retribuição: Raito lhe prometeu que, um dia, viveriam num mundo ideal que seria só deles, mas, até lá, teria de fazer exatamente o que ele queria.
E ela esperaria o quanto tempo fosse necessário. E faria o que Raito lhe pedisse sem pestanejar.
O problema é que estava demorando demais, e Misa era muito ansiosa.
Agora moravam juntos, mas, apesar disso, ele passava muito tempo no trabalho: havia semanas que Misa praticamente não via Raito em casa.
Misa se sentia um pouco solitária, mas sabia que, se reclamasse, não adiantaria de nada.
Então ela tinha de se virar por si mesma para matar o tempo livre que tinha em casa.
Para sua alegria, era uma boa oportunidade para adicionar itens para sua coleção.
Aquela sua coleção mudara muito desde que a começara. Era um bauzinho pequeno, trancado a chave, onde guardava os itens que considerava “valiosos” — antigamente, eram coisas como um botão da camisa do professor que ela gostava ou ingressos dos shows dos quais participara; hoje era um amontoado de coisas que diziam respeito a seu amado: um guardanapo que Raito usou durante um de seus encontros, uma lembrança que ele lhe deu no final do primeiro mês morando juntos, entre outros objetos que reunira no decorrer dos anos.
E, agora, o mais precioso dos itens que conseguira até agora, junto com uma cueca que conseguira roubar de uma gaveta desprotegida: uma mecha do cabelo castanho de seu adorado Raito.
Ela surpreendeu-se um pouco consigo mesma — como não tivera aquela ideia antes?
Conseguira-o durante um cochilo dele, aproximando-se sorrateira e habilidosamente de seu objetivo. Fez um sinal para que Ryuk não começasse a rir e, dessa forma, conseguiu sua vitória (quase soltando um grito de alegria).
No outro dia, ela teve a impressão de que Raito estava a lançar-lhe olhares desconfiados e que talvez quisesse lhe perguntar alguma coisa (e queria, afinal, havia algo de errado com seu cabelo, e ele não sabia dizer o que. Acabou, porém, desistindo, frente ao sorriso animado da idol).
Enquanto Misa não tinha seu Raito por inteiro, confortava-se com os pedacinhos roubados dele, sorrindo para o baú.
Notas finais
Eu até que gosto de yanderes, mas a Misa... Eu queria tanto que ela fosse alguém mais Yuno Gasai da vida, sacam? Seria tão mais bonito~! -q
Próxima postagem nesta quinta-feira, até lá o/
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