Divergência
2 Aptidão
Acordei, inquieta.
Levantei-me da cama com hesitação. Hoje é um dia de extrema hesitação, e disso ou posso ter certeza.
Depois de me arrumar, me encontrei com meus pais já no salão do complexo da Erudição, esperando-me de mãos dadas. Cenas desse tipo eram raras. Meus pais não se gostam, eu sei disso, mas ao que parece hoje eles pareceram abrir uma exceção, afinal, eles não sabem se eu vou abandoná-los ou não.
Mas eu sei.
– Oi, mãe — disse. — Oi, pai.
Eles me abraçaram.
– Oh, querida, estamos tão preocupados com você — disse minha mãe.
– Não precisam. Vou ficar bem independentemente de qualquer que seja meu resultado.
Parecia que minha mãe iria chorar a qualquer momento, e eu comecei a me preocupar com ela.
– Tudo bem, vamos — disse meu pai, finalmente quebrando o silêncio constrangedor que se seguiu por alguns segundos.
Caminhamos lentamente pelo complexo da Erudição até chegarmos a rua. Então, vamos até meu colégio, onde serão realizadas as seções de aptidão.
Eles me deixam na porta do colégio e nos despedimos. Minha mãe chorou, mas eu sabia que sua tristeza seria passageira. Sempre foi.
Bem, mas agora seria diferente...
Entro pela porta da frente e caminho, com hesitação, até o refeitório, onde os voluntários, obviamente da Abnegação, nos chamarão para realizarmos nossos testes.
Me sento ao lado de uma garota baixinha conversando com um garoto. Ela limpa continuamente as mãos nas calças. O porquê disso eu não sei.
Resolvo puxar assunto:
– Oi — digo. — Qual é seu nome?
Ela me olha e sorri.
– Beatrice — diz. — E esse é meu irmão, Caleb — continua, apontando para o garoto ao seu lado. — E o seu?
– Sou Abby. Prazer em conhecê-los.
Ela limpa novamente as mãos nas calças quando seu nome é chamado por uma voluntária.
Fico calada por alguns minutos quando meu nome e de mais outros jovens são chamados por um voluntário.
– Da Erudição: Abby Stevenson e Judith Price.
Levanto-me e sigo o voluntário, com Judith logo atrás de mim.
– Sou Charlie — diz ele. — Judith, sala 7. Abby, sala 8, por favor.
Quando entro na sala, há outro homem me esperando com um copo na mão. Dentro do objeto há um líquido transparente parecendo ser água. Mas eu sei que não é.
– Olá — diz ele -, meu nome é Rick. Sente-se aqui.
Sento-me numa cadeira indicada por ele. Posicionado ao lado da cadeira, há um aparelho que, acho eu, medirá meus batimentos cardíacos e mostrará o resultado do meu teste.
Ele me entrega o copo e pede para eu beber o líquido.
– O que é isso? — Pergunto.
– Ah, membros da Erudição sempre curiosos — sussurra ele. — Apenas beba, Abby.
Cheiro o líquido, mas não sinto nada. Não tem cheiro.
– Tudo bem — digo, e derramo o líquido pela minha garganta.
E então tudo se apaga.
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