Divergente's Refúgio - Interativa
16 Roxo escuro
Notas iniciais
P.O.V Kylie
Aqueles jogos que Reyna promoveu não resultaram realmente como esperava. Treinamento ao estilo Audácia, toda aquela diplomacia dela, aquele jeitinho realista alternativo, acho que não tem como eu ficar perto dela. Não sei se é devido ao fato dela ser divergente das cinco facções que é assim ou se simplesmente meu santo não bateu com o dela.
Ainda pouco estava com Emily que seguia para o poço, porém deixo para pegar água depois. Não andei muito ainda por essa parte da floresta, pois no acampamento de Bruce não era permitido ficar passeando de um lado para o outro, caso sim podia ser suspeito de traição ou coisa do tipo, por isso sempre preferi ficar quietinha no meu canto.
Narrador
Kylie continua a caminhar tentando encontrar Helena que aparenta ter pedido de vista. Uma brisa leve e fresca atinge e seu cabelos deixam-se fluir. Ela respira fundo e realmente sente...
– Estou livre! – diz para si mesma abrindo os braços para abraçar tudo de bom que viesse e que o vento levasse de si todas as lembranças ruins, sofrimentos e lágrimas que a vida já lhe propôs.
– Oi! – cumprimenta uma voz masculina.
– Ah! Oi! Você está no acampamento conosco, não é?! Mas esqueci seu nome... – falou Kylie.
– James!
– Ok! Sou Kylie.
– Eu sei – riram – O que fazes aqui sozinha? Pode ser perigoso para uma jovem tão bonita e indefesa.
– Obrigada pela preocupação e elogio, mas não sou tão indefesa assim.
O rapaz fica receoso e se cala, no entanto Kylie percebe e retoma a conversa.
– Você viu a Helena?
– Quem? – pergunta James.
– Deixa! – ri Kylie – Depois eu a vejo por ai. Como você chegou aqui?
P.O.V Helena
– Aqui está. – digo entregando o cantil com água e algumas frutas a ele.
– Obrigado minha flor! – agradeceu.
– De nada! Mas você tem que me responder uma pergunta.
– Claro! Pode mandar.
– Josh, você teve um caso com Raven e nem me contou? Para que fazer essa burrada. Fiquei sabendo da própria o ocorrido ontem.
– Mas do que você está falando? – perguntou Josh – Não conheço nenhuma Raven.
– Sei! Para de mentir, por favor?! Ou vou parar de te ajudar. Não acredito que você foi capaz de engravidar ela, pedir para ela abortar, ir atrás dela depois de tudo que aconteceu e agora mentir para sua prima?!
– Pois é né?! Queria saber também com que outro Josh você está me confundindo, pois eu não faço a mínima ideia do que você ta dizendo. Se quiser é só me apresentar a essa sua amiguinha que ela mesma irá comprovar que você está enganada.
– Tá bom! Agora me convenceu, mas vê se não arruma confusão, ta?! Tem certeza que não quer ir para o acampamento comigo?!
– Lógico que quero. Você que não deixava. Meu problema era com Bruce e não com esse tal de Quatro de quem falou. Qualquer coisa eu vazo que nem fiz no outro.
– Ai eu que tenho que cuidar de você. Affe! Vamos! – falei por fim, voltando ao acampamento, fingindo não escutar o “É doida mesmo!” que ele sussurrou.
Narrador
Tanner e Rose voltaram ao acampamento evitando problemas, já Alice e Scott seguiram pouco mais a frente. O caminho era repleto de rochas íngremes que a qualquer momento poderiam cair, no entanto ambos estavam dispostos a correr o risco, principalmente a partir do momento em que escutaram barulhos não muito altos, mas também nada baixos em meados de vozes e gargalhadas.
Os dois aproximaram-se vagarosamente, tomando muito cuidado e enfim puderam observar em cima de um curto morro a água descendo em pouca quantidade e próximo a ela uma pequena movimentação muito estranha. Homens de preto, sem dúvidas integrantes da Audácia, tiravam de um carro algumas malas igualmente pretas de couro, colocando-as numa mesa. Ao lado, havia uma espécie de trailer parado, de onde entravam e saíam tais homens. O carro logo se foi e a pequena população de cerca de quinze homens e quatro mulheres abria cada um uma mala.
Apesar de Alice e Scott estarem próximos, não era perto o suficiente para conseguir escutar e ver o que exatamente continha nas malas, o máximo que podiam notar eram cinco frascos com líquido laranja em cada uma das malas. Logo em seguida saiu do trailer uma figura feminina encapuzada de roxo escuro que em alto e bom tom ordenou:
– Guardem! Devemos esperar o tempo correto para usá-los. Ainda falta um membro crucial aqui! – e retornou para dentro do trailer.
– O que vamos fazer? – sussurrou Alice para Scott.
– Não sei. Acho melhor irmos embora e depois voltamos. Não podemos ficar aqui, é ainda mais perigoso que pensei. – respondeu igualmente em sussurro Scott, recebendo um rápido abraço de Alice. Logo em seguida, os dois se retiraram como se nada tivesse acontecido.
P.O.V Scott
Ao retorno para o acampamento foi cuidadoso, pelo menos na parte em que nos afastávamos daqueles robôs. Sim, robôs! Com certeza devem ter relação com Jeanine. De maneira alguma estavam em sã consciência do que faziam. Sinto muito em saber que indiretamente tive relação com tudo isso. Por que fui escolher Erudição e ainda por cima trabalhar voluntariamente nessas tais “pesquisas confidenciais” que ela me propôs?! Mas é passado. Tenho que ajudar Alice a sair daqui agora.
Refizemos todo o caminho evitando erros, até encontramos então Clarissa que correu até nós. Parou próximo de mim e disse que havia algo importante para falar comigo e que tinha que ser a sós. Alice por si só despediu-se e seguiu.
– O que aconteceu? – perguntei.
– É sobre Jeanine. – respondeu Clary e comecei a ficar preocupado, sem contar o fato de ela estar a todo momento com a mão no ombro que por sua vez estava enfaixado.
– O que foi isso?
– Um desentendimento com Alek, só isso. Não se preocupe, não é nada grave.
– Ok! Você que é a curandeira aqui. Mas diga, o que tem ela?
– Vamos!
P.O.V Raven
Não creio. Estava tudo tão “normal”, bom de mais para ser verdade. Fico chocada em ver Emily ali largada no chão, de olhos fechados. Corri até ela e pude confirmar que havia falecido. Uma única lágrima escorreu por minha face. Acariciei seu rosto ainda corado, parecia que dormia um sono profundo do qual infelizmente nunca acordará.
Dum transe, retornei a mim quando olhei para frente e percebi que Dean imobilizava o rapaz que continuava alegando a inocência. Mesmo não fazendo à mínima ideia de quem fosse, intervim.
– Dean, para! Não foi ele.
– Como você sabe? – Dean me perguntou.
– Eu sei. Ele não seria burro de ter matado Emily e ficado aqui quando o achamos. Teria fugido ou pego a faca que está ao lado do cadáver para se defender.
– Tá bom. Você tem razão.
– Sim, ela tem. – assentiu Luke – Eu a achei ainda agora, vi ela caindo e uma espécie de vulto correndo para o norte e vim ajudar, mas já era tarde demais.
– Obrigada pela consideração. – agradeci e pude perceber um tanto de ciúmes se formando em Dean, ao transparecer em sua face.
– Ela disse alguma coisa antes de... – interrompi-me.
– “Anjo!”. Só disse isso. – respondeu-me Luke.
– Por quê? – Dean perguntou.
– Acho que sei por quê. Vamos! – disse.
Sem dúvidas tinha alguma relação com sua irmã. O nome dela era Angie
Narrador
Tanner e Rose seguiram o curso do riacho em sentido oposto. Em meio a uma conversa distraída, Tanner empurrou Rose que caiu imediatamente na água, em contra ponto, logo que a jovem subiu, puxou o rapaz pelas pernas que igualmente caiu.
O clima foi envolvido por risos, até o rosto de ambos se aproximar e... Rose afundou deixando o rapaz. Nadou até a margem e ali se sentou.
– O que houve? – perguntou Tanner.
– Não é certo. Você não gosta de mim e se isso acontecer, não vai dar certo mais a nossa amizade. – disse ela.
– Mas quem falou que não gosto de você?! – indagou Tanner chegando mais perto de Rose, ficando defronte a ela. Os rostos dos dois se encostaram, entretanto não fincaram em um beijo.
Rose levantou-se e seguiu, deixando o rapaz só e perdido em seu pensamento. Tanner por outro lado manteve-se no mesmo local. Após ver a ruiva correr e desaparecer por arbustos retirou-se da água e ali andou por qualquer direção. Por ser charmoso, ele nunca tomou um fora de nenhuma garota, menos de Raven, mas nesse caso o próprio nem mesmo teve a intenção de conquistá-la.
Não se passaram dois minutos e Tanner esbarrou em Helena e Josh que voltavam ao acampamento.
– Oi, meu anjo! – disse Helena.
– Oi – cumprimentou Tanner.
– Olá! Sou Josh. – cumprimentou.
– Pode deixar que ele não é o pai de Alyssa não, ta?! – explicou Helena – É só o idiota do meu primo!
– Eu sei. O pai de Alyssa tinha cabelo escuro, que nem ela. Acho que dá para perceber já que Raven é loira e a menina não. – falou Tanner.
– Pois é. Por que você tá todo molhado? – perguntou Helena.
– É uma longa história. Temos que tomar cuidado por essas bandas, ok?! Eu e Rose vimos uns quinze homens descarregando alguma coisa mais no curso do rio.
– Captei! Bora logo para o acampamento que estou a fim de conhecer essa tal Raven. – apressou Josh.
P.O.V Scott
Estávamos andando já há um bom tempo, eu indo pouco mais a frente de Clary para ver se não tinha nenhum buraco ou queda fatal. Ela estava estranha, falava baixo, como se tivesse medo de que alguém a escutasse e pudesse fazer algo, o que me intrigava ainda mais.
Quando me dei conta, estava novamente próximo ao rio, a cena não se modificara muito, mas sem dúvidas era o local onde eu e Alice tínhamos visto a moça da capa roxa. Virei para avisar Clary para tomar cuidado, porém já era tarde demais e um homem a desmaiara. Em seguida, outro me agarrou pelo braço. Tentei escapar, mas não deu e ele acertou sua arma na minha nuca e então desmaiei.
Acordei horas depois com uma garota de cabelos loiros amarrada ao meu lado. Minha cabeça doía muito e mal conseguia enxergar. A menina do meu lado chorava baixinho e então perguntei:
– Quem é você?
– Sarah. – respondeu.
– Sabe onde estamos?
– Não.
– Você me parece alguém... – como não pude perceber de cara, ela olhou para mim fixamente e então reconheci com quem se parecia – Alice!
– Hã?! Você a viu? Diga, viu minha irmã?
– Sim. Eu estava com ela. Até Clary... Mas espera, cadê Clary?!
Narrador
Ao longo do caminho, Helena e Tanner pararam um pouco para descansar. Josh por sua vez seguiu em frente, frenético, corria como se não tivesse dado ainda um passo.
– Vamos gente! – chamou Josh – Já estão cansados?
– Isso porque não foi você quem caiu naquele buraco enorme repleto de cobras. – advertiu Helena.
– Vai logo, vai?! – liberou Tanner e Josh continuou correndo como uma criança.
– Obrigada! – agradeceu Helena ainda um pouco ofegante
– Nada! – falou Tanner ao ser surpreendido por um rápido beijo da jovem em seus lábios.
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