Divergente's Refúgio - Interativa
23 Dar Um Tempo Ao Seu Coração
Notas iniciais
Narrador
– O que você achou deles? Tão fofos, né?! – perguntou Violet que a essa altura já estava super familiarizada com Sarah.
– Quem? Alice e Scott?
– Sim – replicou imediatamente Violet – Porque ela é sua irmã e...
– E me ama muito. Quero que ela fique alegre, mesmo com a morte da nossa mãe e tendo que tomar conta de mim.
– Ela é bem alegre, desde que a conheci. Mas com você aqui mais – ambas riram.
– Ele é legal. – afirmou Sarah com as mãos em torno das pernas dobradas, apoiando o queixo nos joelhos – Ela sorri feliz com ele.
– Hã?!
– Sim. Sorri feliz. Você não sabe quantas vezes ela já deu um sorriso triste e magoado depois que nosso pai morreu. Seus olhos não brilhavam mais. Seu suspiro era como se estivesse carregando um fardo, alguma coisa pesada tanto quanto o mundo nas costas – disse Sarah lentamente – Sabe?! – virou-se para Violet, encarando-a – Cheguei a pensar que era por eu ter atrasado a fuga da nossa mãe querendo encontrar meu colar e então quase fomos pegas... Nosso pai deu sua vida para salvar nós três. – olhou para o chão e com o olho direito lacrimejando, olhou para o céu e a luz do sol forte em sua face – E só sobramos nós duas... Nada de pai, de mãe, nem colar.
– O que tinha nesse colar? – Violet ousou em perguntar.
– Era da família. Tinha uma foto nossa, assim que eu nasci. – Sarah soltou um sorriso frouxo.
– Ah, sim! Com certeza muito importante. – desdenhou Violet.
– Não mais que a vida dos meus pais... – um silêncio tomou conta por cerca de um eterno minuto, quando então Sarah retomou a fala – Mas, mudando de assunto, como vai com o Quatro? Quero dizer, Tobias. Ai, sei lá. Você me entendeu. O seu irmão. E aí?
– Estamos nos dando bem. Ele ta meio “tímido” – Violet fez as aspas com os dedos – comigo agora e super protetor talvez?! – deu um riso involuntário – Acho bem legal isso.
– Ele está aprendendo a ser irmão – retrucou Sarah.
– Eu sei... E isso me deixa feliz. Sabe, perceber que ele está se importando comigo.
– Que bom!
– Você tem sorte em ter a Alice.
– Tenho sim. Mais sorte tem ela de ter uma irmã tão diva como eu.
As duas caíram numa próspera gargalhada, intensa e delicada ao mesmo tempo.
P.O.V Luke
Logo Mia, após dizer algumas palavras, seguiu para o não sei aonde enquanto fiquei, tomando um pouco de fôlego, pensando. Uma brisa seca passou por mim, fazendo algumas mechas de meu cabelo cair sobre os olhos... Não é sempre que acho isso agradável, contudo devo admitir que fosse purificante, digamos assim.
Simplesmente não conseguia tirar da cabeça a imagem de algo que eu não sabia o que tinha tatuado na nuca de Mia. Descobrir o que é será com certeza muito... Interessante.
P.O.V Mia
Não demorei em chegar ao acampamento. Minha mochila estava entre os mais jovens casais: James e Kylie, e Cassie e Tyler. Cada um o qual se acertando. O local estava quase vazio. Violet e Sarah, suponho, estavam conversando como duas menininhas (o que são de fato), amiguinhas de infância (onde tecnicamente ainda estão). Alice e Scott papeavam qualquer coisa. Peguei minha mochila e passei direto para evitar que o cheirinho de amor nerd impregnasse em mim. Nada contra, mas... Não é para mim.
Helena estava quieta, parecia feliz e ao mesmo tempo preocupada, “consolando” Caleb após a morte de Hiendi. Assim que passei por sua frente, seu olhar já estava mais calmo. Digo isso devido ao fato da conversa que tivemos quando descobri sobre a morte de Hiendi. Mas pensa bem, lamento a morte dela. Sinceramente não esperava que ela morresse, principalmente com Bruce e por outra pessoa. Ela não era bem o tipo de pessoa que se arriscaria por outra a qual nem conhece, mas... Fazer o quê? Foi bonito da parte dela, no entanto não há nada que eu possa fazer por ela. Tchau e bênção. Acho que Helena não gostou muito de eu ter dito isso para ela. Ou talvez ela só estivesse ansiosa para ir ajudar o “pobre” Caleb após a grande perda.
Não custou muito para eu sair tão rápido como cheguei ao acampamento. A última visão que tive foi Tris e Quatro sentados, bem afastados dos outros. Incrivelmente apaixonados... Jesus!
A bota machucava um tanto meus pés, porém já estou acostumada, mas enfiar o pé num buraco escondido por uma penca de folhas e virar o pé não é tão legal assim. Continuei assim mesmo, tentando manter o ritmo, digamos que até gostando um pouco da dor, era boa, leve e confortante. Não custou muito e já estava novamente próximo ao local onde tinha deixado meu fã...
Narrador
– Sai daí agora, vadia rosa. – disse Mia num pulo, retirando pelos cabelos uma garota que repentinamente agarrou Luke num beijo.
– Tá pensando que é quem para falar assim comigo? – reclamou a garota.
– Olha, não quis beijar ela. Essa menina doida que me... – esclarecia Luke.
– Cala a boca, loirinho! – interrompeu Mia – Não sou cega!
– Ah, tá! É o seu namorado?
– Talvez, mesmo não sendo, ele não... – bufava Mia quando a garota interveio.
– Olha aqui, querida!
– Querida, é o caramba!
– Fofa, pode ficar com o Passatempo, porque tenho coisas mais importantes para resolver.
– O que uma vaca de suéter rosa – Mia fez sinal de nojo – teria a acertar?
– Não é da sua conta. – calou Mia que já ficava vermelha de raiva. A garota singelamente desfilava, lento, com todo o charme, rebolando e enrolando uma mecha de cabelo no dedo indicador da mão esquerda.
– Calma, Mia Fúria! – brincou Luke sem obter sorriso de volta – Ok! Foi mal!
– E bem mal! – concordou Mia.
– Você estava com ciúmes?
– Eu?! Imagina! Só fiquei esperta, porque essa patricinha me é familiar...
– Sei... – ironizou Luke com um sorriso de lado.
P.O.V Lucy
– Olha só, colega! – falei para Beto enquanto o segurava numa chave de braço – Não é assim que se brinca. Facas machucam. – afirmei, fazendo-o largar a faca que estava em sua mão, a qual tinha me feito o leve e quase indolor corte na panturrilha.
– Você não sabe como. – disse Beto, pegando a faca. Entretanto, o pé de Emma se sobrepôs a sua mão com a lâmina e aos poucos, linhas de sangue começaram a escorrer. Aproveitei a chance e atingi sua jugular e ele desmaiou.
– Bom trabalho! – Emma me parabenizou quando foi atingida por Saulo por uma lâmina, não faca ou canivete ou qualquer tipo de arma, somente uma lâmina sem cabo no traseiro.
– Isso – falou tirando do pedaço generoso que havia adentrado seu músculo.
– Dói? – sugeriu Saulo.
– É divertido. – Emma deu um sorriso e Saulo já estava de pé novamente.
Antes que eu pudesse dizer alguma coisa, novamente Emma e Saulo já estavam entretidos numa agarração sem fins lucrativos a nenhum deles. Notei então a pistola de Emma solta no solo, peguei e dei um tiro para cima a fim de que eles parassem. Sem sucesso! Como eles fingiram que não tinha acontecido nada?
Havia um arco com única flecha no chão, peguei e mal consegui posicionar a lancei com toda a força. Saulo e Emma agora estavam juntos, fincados a uma árvore. Ele pelo pulso e ela pelo tecido da jaqueta. Por fração de segundo, pensei em ter visto um beijo, mas Emma deu uma cabeçada nele, fazendo o sangue escorrer, libertando-se em seguida da árvore.
Como já via as cenas seguintes, peguei a garrafa de vidro que estava no chão, aproximei-me e quebrei na cabeça de Saulo. Não esperava que ele desmaiasse, porém não que os cacos adentrassem sua pele, rasgando lentamente, e ele virar-se para mim com imediata joelhada no estômago.
Perdi momentaneamente o ar. Emma então tentou o imobilizou pelo pescoço. Ambos caíram sobre Beto, imóvel, e Saulo retirou da bota outra lâmina igual à anterior. Das suas mãos escorria sangue como suor de quem correu três quilômetros em sol forte. Começou quase a passou pela garganta de Emma. Joguei-me por cima dele e rolamos juntos.
O ferimento em minha panturrilha encheu de terra. Tentei empurrar-lo, mas Saulo pesava quase o dobro que eu, era tentativa frustrada. Outro barulho de tiro ecoou pelo espaço. Olhei para o lado e vi Emma com a pistola apontada para Saulo. Demorou um tanto, no entanto consegui tirá-lo de cima de mim.
– Obrigada! – agradeci.
– Pelo quê? – indagou Emma.
– Por ter matado ele. – apontei.
– Mas não fui eu que atirei – mostrou-me a pistola descarregada – Viu?! Sem cartucho.
– Como então... – eu dizia quando Emma se aproximou e viu o corpo de Saulo.
– Ah, já sei.
– O quê?
– O tiro veio de você. Antes que diga, Saulo estava com uma pistola engatilhada na cintura. De alguma forma ela disparou e... – deu uma pausa de suspense – Fim! – terminou com um sorriso.
Narrador
Raven e Dean caminhavam, longe de onde ocorria a eventual luta de Emma e Lucy. Chegaram enfim a uma espécie de gruta, úmida, com fungos interna e externamente. O cheio era indistinguível, as paredes pegajosas e frias. Atravessaram-na por curiosidade da parte de Raven e do outro lado, nada de diferente se encontrava. As mesmas árvores, o mesmo solo, somente uma brisa mais fresca e comunicativa.
Raven continuava calada, desde quando tinha visto Alyssa há poucos minutos com Reyna. Dean a seguira quietamente, percebendo sua inquietação sem dizer nada.
– Tudo bem? – finalmente Dean resolveu quebrar o silêncio.
– Tudo. – respondeu imediata e impetuosa.
– Não! – afirmou decidido – Não está.
Raven subitamente virou a encará-lo.
– Como assim?
– Você está diferente.
Ela suspirou.
"The day I first met you/ O dia que eu te conheci
You told me you'd never fall in love / Você me disse que nunca iria se apaixonar
Now that I get you / Agora que eu te entendo
I know fear is what it really was / Eu sei que medo era medo na verdade
Now here we are, so close / Agora estamos aqui, tão perto
Yet so far, haven't I passed the test / Contudo tão longe, não passei no teste?
When will you realize / Quando você perceberá
Baby, I'm not like the rest / Amor, eu não sou como o resto"
– Eu só estava preocupada com Alyssa. Nada mais. – respondeu Raven — Não fico tanto tempo afastada dela.
– Eu sei – falou Dean mais alterado, o que fez Raven se assustar, enfim, retornando a falar calmo – Entendo que você está preocupada com Alyssa e que quer o melhor com ela, mas respira. Pensa um pouco em você também. – pôs suas mãos nas bochechas dela.
– Desculpe, eu sei, mas tenho medo de que algo aconteça com ela e eu não esteja perto... Não posso confiar em ninguém e...
– Pode confiar em mim. Mas não vou forçar isso. Que a confiança, se eu merecer, venha com o tempo. Mas saiba que nunca vou te decepcionar.
"Don't wanna break your heart / Não quero quebrar seu coração
Wanna give your heart a break / Quero dar um tempo ao seu coração
I know you're scared it's wrong / Eu sei que você está com medo, que é errado
Like you might make a mistake / Como se você fosse cometer um erro
There's just one life to live / Há apenas uma vida para viver
And theres no time to waste, to waste / E não há tempo a perder, perder
So let me give your heart a break / Então, me deixe dar um tempo ao seu coração
Give your heart a break / Dar um tempo ao seu coração
Let me give your heart a break, your heart a break / Me deixe dar um tempo ao seu coração, seu coração um tempo"
– Não é isso... – tentou esclarecer Raven.
– Calma! – disse Dean surpreendentemente com um leve sorriso no rosto.
– É que eu não posso ficar distante dela. Josh tentou me pegar e isso aqui – olhou em volta – é um perigo para ela. – afirmou Raven com os olhos ressaltando o zelo pela filha.
"On sunday, you went home alone / No domingo, você foi para casa sozinho
There were tears in your eyes / Havia lágrimas em seus olhos
I called your cellphone, my love / Eu liguei para o seu celular, meu amor
But you did not reply / Mas você não retornou
The world is ours if we want it / O mundo é nosso se quisermos
We can take it, if you just take my hand / Podemos dominá-lo, basta você segurar a minha mão
Theres no turn back now / Não há volta, agora
Baby, try to understand / Amor, tente entender"
– Está bem! – consistiu Dean – Eu sei dos seus anseios. Quando lhe conheci – colocou uma mexa de seu cabelo atrás da orelha – você já tinha Alyssa e não reclamo, só gostaria que você falasse o que lhe incomoda, porque dá para ver quando você está incomodada com alguma coisa. Só quero que saiba que estarei aqui.
"Don't wanna break your heart / Não quero quebrar seu coração
Wanna give your heart a break / Só quero dar um tempo ao seu coração
I know you're scared it's wrong / Eu sei que você está com medo, que é errado
Like you might make a mistake / Como se você fosse cometer um erro
There's just one life to live / Há apenas uma vida para viver
And there's no time to waste, to waste / E não há tempo a perder, perder
So let me give your heart a break / Então, me deixe dar um tempo ao seu coração
Give your heart a break, / Dar um tempo ao seu coração
Let me give your heart a break, your heart a break / Me deixe dar um tempo ao seu coração, seu coração um tempo
There's just so much you can take / Você não vai aguentar tudo sozinho
Give your heart a break / Dar um tempo ao seu coração
Let me give your heart a break, your heart a break / Me deixe dar um tempo ao seu coração, seu coração um tempo"
Raven novamente suspirou e se aproximou de Dean, encostando sua testa na dele, que se curvava um pouco para frente.
– Eu sei... – sussurrou Raven – Me desculpa! O caso é que...
– Eu também sei. – retornou Dean e deu um beijo na testa dela – Também tenho medo aqui.
– Como? Dê quê? – indagou Raven surpresada.
– De fazerem algo com você ou com Alyssa.
"When your lips are on my lips / Quando os seus lábios estão nos meus lábios
Then our hearts beat as one/ Então, nossos corações batem como um só
But you slip out of my fingertips / Mas você escapa da ponta dos meus dedos
Everytime you run / Toda vez você corre"
– Como você percebe que eu estou diferente? Estranha ou preocupada? – Raven o abraçou e Dean retribuiu firmemente.
– Porque desde que Josh tentou te pegar e Alice, Scott e Sarah também foram pegos, senti seu medo e também senti medo de lhes perder. Sei que não sou nada – pronunciou um tanto magoado a palavra – Mas ainda sim me preocupo com vocês.
– Você também nunca me falou sobre você. Não muito. – relatou Raven.
– Somente o necessário. Não tenho nada para contar, nem vida, emoções ou família. – abraçou Raven pouco mais forte.
"Don't wanna break your heart / Não quero quebrar seu coração
Wanna give your heart a break / Só quero dar um tempo ao seu coração
I know you're scared it's wrong / Eu sei que você está com medo, que é errado
Like you might make a mistake / Como se você fosse cometer um erro
There's just one life to live / Há apenas uma vida para viver
And there's no time to waste, to waste / E não há tempo a perder, perder
So let me give your heart a break / Então, me deixe dar um tempo ao seu coração"
– Ninguém?! – questionou Raven espantada – Ninguém mesmo?! – Dean assentiu.
– Mas é a vida! – confessou com um tanto de mágoa.
– Você a perdeu não é? – perguntou Raven – Desculpe me meter, mas você perdeu a todos não é?
– Sim. Então estou aprendendo a viver sozinho, mas não é fácil quando não se tem nada ou ninguém para quem querer viver.
"'Cause you've been hurt before / Porque você foi ferido antes
I can see it in your eyes / Eu posso ver isso nos seus olhos
You try to smile it away/ Você tenta afugentar isso com um sorriso
Some things you can't disguise / Algumas coisas não se disfarçam
Don't wanna break your heart / Não quero quebrar seu coração"
– Por isso me ajudou! – Raven apertou o abraço. Os braços de Dean estavam frouxos como se lembranças retornassem – Sempre quer me ajudar.
– Não consegui ajudá-los a tempo. Cheguei tarde demais. Mas fico feliz que possa ajudar você e Alyssa. – Dean beijou a mão direita de Raven.
"Maybe I can ease the ache, the ache / Talvez eu consiga aliviar a dor, a dor
So let me give your heart a break / Então, me deixe dar um tempo ao seu coração
Give your heart a break, / Dar um tempo ao seu coração"
– Obrigada por tudo! – uma lágrima de agradecimento escorreu pela face de Raven – Não aguentaria sozinha.
– O quê? Aguentaria sim! Você é maravilhosa, forte e corajosa! – afirmou Dean e ganhou um sorriso sincero e confortante de Raven.
"Let me give your heart a break, your heart a break / Me deixe dar um tempo ao seu coração, seu coração um tempo
There's just so much you can take / Você não vai aguentar tudo sozinho
Give your heart a break / Dar um tempo ao seu coração
Let me give your heart a break, your heart a break / Me deixe dar um tempo ao seu coração, seu coração um tempo"
– Acho que EU preciso mais de vocês do que vocês de mim. – revelou Dean.
– É assim numa família. Um cuida do outro. – Raven encarou Dean – Bem, isso se você quiser fazer parte dessa família. Aceita?
– Como? Eu com duas mulheres? Acho que ficarei louco. – Dean riu com o pequeno espanto – Ainda mais louco para não me separar de vocês nunca mais.
Raven envolveu seus braços em torno do pescoço de Dean e se aproximou. O rapaz finalizou com a distância e seus lábios se selaram num beijo úmido e sereno. Para complementar, uma brisa, dessa vez fresca e agradável, fez-lhes os cabelos balançarem. Terminando-o, Raven olhou nos olhos azuis acinzentados de Dean, como nunca viram, eles estavam felizes. O mesmo o rapaz pôde notar nos dela. Uma alegria quase completa. Faltava somente Alyssa. Uma família agora?!
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