Divergente's Refúgio - Interativa
33 "Campion"
Notas iniciais
POV Alice
Quando eu voltar ao acampamento, com certeza, vou agradecer a Lucy. Scott já estava ficando meio paranóico com todos aqueles números. Ódio eterno a Jeanine! Se bem que Lucy falou que daria um jeito de carregar o notebook, mas... ESTAMOS NUMA FLORESTA! Não têm tomada ou corrente elétrica por aqui. Ou será que tem e eu não sei?
Estava tudo perfeito. Finalmente o sol se punha e era possível ver um alaranjado ao longe através da copa de uma árvore com as folhas de detalhe como um risco branco.
– Está feliz com Sarah aqui? Quero dizer, ela está melhor? – Scott coçava a nuca enquanto andávamos devagar, bem devagar mesmo.
– Está bem sim. Não sei se já agradeci e se sim, digo de novo: Obrigada! – ele corou e pude me sentir corando também – Você foi muito corajoso decodificando todos aqueles números confusos e inteligente em pegar parte do arquivo. Se bem que você é inteligente sempre, né?! – rimos.
– Não é tão legal quanto parece. Ah! Tenho uma coisa para te mostrar. – ele segurou em minha mão e puxou, levando até uma árvore que apresentava uma abertura natural pequena e úmida, pelo menos eu acho que era, em seu tronco rijo – Olha só! – ele falou apontando para o buraco.
– O que é para eu fazer? – perguntei encarando.
– Veja o que tem lá dentro. – apontou. Bem, não me parecia alguma coisa muito legal sem contar que... E se tivesse algum bicho lá dentro? Uma aranha? Ou uma cobra? Ou... – Eu garanto que não tem nenhum bicho ai dentro. Pode confiar! – ele apertou minha mão novamente como se soubesse exatamente o que eu estava pensando. Era seria telepata também?
Respirei fundo e soltei sua mão para evitar que a casca pontiaguda da árvore me desse coceira depois, mas ainda sim arranhou a palma da minha mão esquerda.
– Está um pouco escuro. – falei.
– Não, não! Olhei para baixo e não para frente. – senti tocar meu ombro. Estava difícil porque a abertura não era maior que a mão de uma criança. Enfim, consegui enxergar o que ele tinha falado. Era lindo. Uma flor muito fofa com as pétalas brancas e ao mesmo tempo um tanto lilases. Ela era tão simples e frágil que nem sei como descrever sua formosura.
– Que espécie é?
– Esta espécie de Campion é particularmente rara e só é encontrada nos penhascos elevados de Gibraltar. Acreditava-se que esta planta estava extinta por toda a comunidade científica, pois até 1992 todos os vestígios da planta tinham desaparecido. – parei de olhar para encará-lo — Em 1994, um único espécime foi descoberto por um alpinista sobre as falésias inacessíveis. Eu a achei perto daquele precipício onde Isabela e Lena lutaram. Estava prestes a morrer e de fato morreu, mas consegui recuperar a raiz e a coloquei ai. Não custava tentar, não é mesmo?! – ele deu de ombros ainda sorrindo.
– Ela é linda! Não sabia que era bom com botânica também.
– É um talento inútil, mas...
– Não! Não é! Você acabou de mudar uma planta de lugar e ainda sim ela sobreviveu. Quando eu tinha sete anos, peguei uma mudinha de rosa branca que tinha perto da escola e levei para casa. Queria que ela ficasse grande e bonita para dar de aniversário para minha mãe. Coloquei em um vaso com terra sob a luz do sol e molhei constantemente.
– O que aconteceu com ela?
– No dia seguinte estava seca até o talo. – dei de ombros e então rimos.
– Fico feliz que alguém goste disso. – colocou as mãos nos bolsos.
– Com certeza! Você é demais! Quem não gostaria de uma coisa só em você? – Opa! Falei demais! Encaramo-nos por algum tempo e desviei o olhar, envergonhada. Não tinha percebido até então que estava tão próxima de Scott, tanto que já podia sentir sua respiração em meu rosto.
POV Josh
– O que aconteceu com ela? – perguntou Tyler tomando Cassie nos braços.
– Eu não faço à mínima ideia. Quando a encontrei desabou no meu colo. Levei para o riacho e tirei o sangue seco do rosto e dos braços dela. – respondi o mais claro que pude. Confesso que fiquei meio nervoso ao ver que Tyler também estava com a camisa suja de sangue, agora fresco e rasgada no tórax. – O que aconteceu com você?
– Sua priminha fez as honras de me esfaquear. – tirou os cabelos do rosto de Cassie e voltou a me encarar – Olha, vai cuidar de Helena, ok?! Ela também está machucada e sangrando. Bateu com a cabeça na pedra quando tentei me defender. Eu fico aqui e cuido de Cassie.
Helena machucada? Como eu não fiquei surpreso? Ela SEMPRE nos metia em confusão quando pequenos e saia com algum machucado ou hematoma.
Eu não fazia à mínima ideia de onde ela poderia estar, mas ainda sim resolvi procurar. Dei uma volta onde aos poucos os outros se instalavam, já que estava anoitecendo.
Em meio a busca, que posso dizer que foi menor do que eu imaginei já que Helena gostava de se esconder nos piores lugares do mundo, esbarrei com Rose e Tanner em entreteres melosos com beijos e abraços, Lucy e Caleb voltando juntos de não sei onde com o notebook que Scott cutucava mais cedo e Tris e Quatro andando de mãos dadas para lá e para cá.
Finalmente encontrei Helena. Ela estava em meio a muita fumaça. Seus cabelos estavam pingando e as poucas encharcadas.
– O que aconteceu? Onde conseguiu o cigarro? – não consegui conter. Essa fumaça me fazia tossir constantemente.
– Primeiro: aconteceu um monte de coisa. Segundo: quem conseguiu o cigarro foi Emma.
– E onde ela está?
– Lembra onde Hiendi caiu morta com Bruce e tal? Ela brigou com uma lagartona sinistra e morreu. R.I.P!
– Ai você jogou ela lá no “poço”?
– Como você está esperto hoje, Josh! – ironizou – Sabe onde fica, né?!
– Sei... – respondi entediado – Eu salvei a Sarah lá.
– Nosso herói! – disse tragando novamente e soltando bem mais fumaça, porém não tossi dessa vez. Na verdade, nem respirei.
– Sinto muito por Emma. Eu tínhamos tanto em comum.
– Também se mutila?
– Não! – essa parte obscura era o que me dava medo em Emma – Eu to falando das dúvidas. Ela nunca confiou em Alek e no final estava certa. Agora estávamos desconfiados da...
– Não estou muito a fim de saber das suas histórias de Sherlock. – ela me interrompeu.
Ela não olhou para mim, então simplesmente me levantei e sai. Tinha dado mais ou menos de sete passos, o suficiente para sair da área de fumaça e Helena gritou, chamando minha atenção.
– O que?
– Avisa ao Luke que Robert disse que se ele quiser ter as armas de volta é para voltar onde eles lutaram da última vez para batalhar e que pode levar a Mia. – assenti e sai.
Narrador
– Tudo bem! – Luke deu de ombros – Sei que vou ganhar dele mesmo.
– Olha só! Quanta confiança! – brincou Mia.
– Robert joga sujo! Só isso que eu aviso. Ele e Helena já tiveram um lance. – comentou Josh – Você vai ter que estudar bastante antes de fazer qualquer coisa.
– Sem problemas! Eu percebi o quanto ele é baixo. – disse Luke – Apela demais!
– Veremos então! – disse Mia apoiando-se no ombro de Luke – Eu vou com você!
– Não acho que seja uma boa ideia. Robert não ia...
– Ela pode ir. – Josh levantou-se e saiu. Mia deu um soco fraco no braço de Luke e ambos riram.
Scott e Alice já haviam retornado e o rapaz retomou o trabalho, ainda surpreso com o fato de Lucy e Caleb terem recarregado o notebook.
– Vai, Lucy! Onde foi? – pediu Alice fazendo um tanto de charme.
– Com uns colegas – era só o que Lucy respondia, em seguida, olhou para Caleb.
A noite foi calorenta e calma. Nenhum ruído fora escutado de outras partes da floresta. Os poucos que circundavam o ambiente eram de Reyna e Dimitry brincando com Alyssa e alguns outros casais como Raven e Dean cochichavam uns nos ouvidos dos outros.
O amanhecer foi exatamente o mesmo que o crepúsculo. O sol parecia ainda mais ardente tocando a face de todos como um leão sedento, ao contrário da lua que se manterá escondida a noite anterior toda como uma gata manhosa.
POV James
Kylie e eu estávamos tentando ajudar Tyler com Cassie. Sei que não sou das pessoas mais indicadas para cuidar de alguém, mas ainda sim isso era algo para qual valia a pena tentar ajudar. Cassie tinha sido uma grande amiga desde que cheguei aqui e agora estava incrivelmente pálida.
Enquanto Tyler e Kylie conversavam sobre as maneiras de como poderiam fazê-la acordar. Cassie abriu os olhos. Começou a mexer lentamente os lábios como se tentasse dizer algo, mas eu não conseguia entender.
– Gente, olham em aqui! – chamei e Tyler abriu o sorriso preocupado em ver como Cassie reagia.
– Cassie?! – sussurrou Kylie acariciando seus cabelos.
– Em... – foi o único som que saiu da boca de Cassie, o restante continuou somente ao movimentar de seus lábios até vir o – Sa...
– Hã?! Como assim? – inquiriu Tyler cuidadosamente.
– Esquece, Tyler! Depois ela fala o que aconteceu! Quando estiver recuperada. – veio Kylie com a voz da razão. Apaixonante essa menina, não?!
Narrador
– Acho que o Frangote não vai aparecer! – falou Mia andando em círculo em torno de Luke.
– Vai sim. Robert vai vir. Ele quem marcou aqui.
– Loirinho, você tem que aprender a não esperar tanto dos outros. – Mia chutou o ar.
– Ora, ora, ora! – Robert apareceu acompanhado de Alek e Katherine, sendo que a última carregava o arco e a bolsa com flechas de Luke – Vejo que é mais corajoso do que pensei. E burro também! – ele riu.
– Cadê Lucy? Fugiu, foi? – Alek colocou a mão na cintura arqueando a sobrancelha.
– Não foi avisado que era para ela estar aqui. – falou Mia.
– Kisha... Argh! Não sabe dar um recado direito! – revirou os olhos.
– Não tem problema! Se quiser eu acabo com você em dois tempos! – piscou Mia.
– Katherine, eu acho melhor você voltar – disse Robert.
– O que? Não, não! – retrucou – Eu quero assistir.
– Eu falei para você voltar! Você e Alek. Preciso que dêem continuidade aos nossos planos, bombom. – pediu e ambas se foram – Agora acho que Mia pode ir também. Ou será que você precisa dela para te salvar quando estiver implorando pela vida?!
– Mia... – dizia Luke ao ser interrompido.
– Pode deixar! Eu sei como é uma luta e ter platéia ia ser chato mesmo. – virou e saia quando gritou por fim – Acaba com esse babaca e se sair muito machucado eu é que te mato, ouviu bem?!
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