Divergente's Refúgio - Interativa
43 Caindo a ficha
Notas iniciais
Narrador
– Não assim, ok?! Você não teve culpa de nada o que aconteceu! – disse Raven novamente a fim de tranquilizar ao menos um pouco a amiga, contudo nem mesmo passava por sua mente a aceitação de que aquilo realmente estivesse acontecendo.
Ouviu-se um murmúrio qualquer vindo de Lena em meio as lágrimas, se é que ainda tinha mais alguma água no corpo para que pudesse chorar. Já estava quase anoitecendo e sem mais sinais de Katherine, Alek ou qualquer membro do outro grupo, e, quem sabe, ninguém ali estivesse com a preocupação centralizada naquela genuína e travada batalha.
Por via das dúvidas, Luke, Mia, Tyler, Tanner e Rose tratavam de fazer uma espécie de vigia para evitar qualquer assassinato, até porque, aquele dia já estava sendo difícil demais para qualquer um.
– Vocês estão bem? – perguntava, um tanto afastadas dali, Alice a Violet e Sarah que desde então se mantinham mais unidas do que nunca.
– Acho que sim! – Violet disse num tom um tanto incerto, ainda chocada com o que estava acontecendo. Perdas demais em pouco tempo, mas sabia no fundo que tinha que se acostumar, querendo ou não, com aquilo. Era fato e não havia nada que pudesse realmente fazer a não ser cuidar de si e tentar ajudar os que ainda podem ter salvação.
– Sarah?! – repetiu Alice, abraçando a irmã.
– Eu to bem. Pelo menos, vou ficar! – deu um sorriso frouxo – Mas afinal, – mudando de assunto – o que Scott ainda faz de tão importante daquele notebook?! Nem sei como ainda tem bateria.
– Não sei direito – mordeu o lábio inferior – Ele não quis me dizer. É algo quanto a Erudição. Acho que ele não quer que saibamos para nossa proteção.
– Segredos entre namorados... Nenhuma curiosidade, Alice?! Sério mesmo?! – alfinetou Violet.
– Ei! Do que você está falando? – questionou Alice, porém corou de imediato involuntariamente.
POV Lucy
– Vê se toma mais cuidado dessa vez! Eu não vou ficar bancando sua babá, Caleb!
– Ok! Desculpa! – fez uma cara de culpado – Temos que ajudar Isaac e Estela. Aquele primo deles não é de confiança.
– Espero que eles estejam bem! – sussurrei e recebi um “eu também” como resposta em uníssono de Caleb.
Ainda estava claro, mas não exatamente de tarde. Não tinham muitos ventos, mas ainda sim estava serenando.
– Vamos! – caminhamos quase que instintivamente e normalmente em direção àquele casebre, mesmo sabendo do risco de sermos baleados. Caleb caminhava pouco mais atrás de mim e eu podia escutar seus dentes rangendo de nervosismo, o que não me ajudava muito naquele momento.
– O que vocês estão fazendo aqui? – perguntou Bryan assim que nos postamos a soleira da porta, ainda em posição protegida de qualquer tiro vindo da cozinha, porém não fazia a mínima ideia onde ele poderia estar.
– Acalme-se, Bryan! Nós estamos aqui em uma missão de paz. Nada de pânico. Só queremos conversar. – anunciou Caleb com aquele comportamento típico da Erudição, lembrando-me só então que por ventura ele teria participado dessa facção.
– Estela e Isaac estão bem? – perguntei, ignorando completamente qualquer coisa dita nesse intervalo de tempo.
– Estela está, mesmo sabendo que ainda há muito a aprender, mas tenho certeza que uma boa sessão de corretivo venha a ajudar. – cerrei as mãos em punhos quando o escutei falando isso. De forma alguma ele seria da Amizade. Podem ser gentis demais, alegres demais, inofensivos demais para qualquer um que fosse se encaixar naquele perfil, isso era fato. Qualquer um podia saber disso caso não tivesse dormido na aula de história das facções ou simplesmente tido algum amigo proveniente da mesma, e no meu caso, foram os dois.
– Mas afinal, você não é da Amizade, né?! – perguntei, dando as mãos a sorte, entrando com a pistola abaixada e ficando a circundar rapidamente cada canto do interior daquele casebre tentando encontrar onde Bryan poderia estar ou Estela e/ou Isaac – Não é primo de Estela.
– Na verdade, sou sim primo de Estela, mas não, não sou da Amizade. É uma facção muito ridícula – deu de ombros, saindo de trás da geladeira ainda com a pistola em mãos – Na verdade, sou Erudição, mas tive alguns treinamentos na Audácia.
– Mas como se eu nunca te vi por lá? – indagou Caleb, entrando na casa novamente, sem nenhuma proteção ou cuidado.
– Ele deve ter sido treinado por Eric e mandado para vigiar as casas fora da cerca da cidade. – conclui e Bryan gargalhou calorosamente, deixando-me incrivelmente irritada e com uma forte de lhe dar um tiro, mas ainda precisava saber onde Isaac e Estela estavam.
– E você acha mesmo que está fora de Chicago? – gargalhou novamente – A cidade é bem mais longa do que imagina. Estamos somente numa pequena fronteira. Acredite, Jeanine não é burra! Se essa cerca que você passaram era alta e flexível demais para ser escalada, mas por algum motivo, vocês conseguiram fazer um buraco e passar. Isso aqui é uma floresta, mas depois de tudo que já aconteceu, se é que prestou em algum momento atenção nas aulas de história sobre a formação da cidade, que com tantos perigos fora das fronteiras de Chicago, só existiria uma frágil cerca?
Fiquei abismada e sem palavras. Realmente, ele tinha razão. Tyler e Josh já tinham comentado algo sobre marcas de pneus aqui e ali quando estavam em busca de Cassie e em meio a um de meus passeios com Caleb, também vi aqui e ali algumas marcas, mas achei simplesmente que era de caminhões da Amizade, só que essa era a única fazenda da Amizade por perto e as marcas estavam longes demais...
– Então quer dizer que Jeanine sabe que estamos aqui? – perguntou Caleb.
– Nossa! – ironizou Bryan, batendo palmas – Esse menino é um prodígio! Tem certeza que é esse caminho que pretende seguir? Com essa mentalidade genial, poderia liderar ao lado de Jeanine na Erudição.
Narrador
– Ainda bem que vocês chegaram! – levantava-se Peter da relva de uma árvore – Achei que tinha desistido do plano – direcionou a Quatro.
– Você sabe muito bem que não! – replicou Tobias, secamente.
– E ai, Careta? Como vai o ombro? – e um feixe de dor retornou ao corpo de Tris. Com tantas coisas acontecendo, as dores no ombro após aquele tiro no dia do ataque a Abnegação parecia ter sido quase terna com toda aquela situação.
– Estou bem! Obrigada por perguntar! – respondeu Tris com voz vacilante – E você? Ainda dói muito o tiro que lhe dei?
– Meninos, sem brigas, tudo bem?! – intermediou a voz de Marcus, que apareceu sabe-se lá de onde.
– Então, tem certeza que a passagem está livre na cerca? – perguntou Quatro, ignorando a presença do pai, encarando Peter, indiferente – Podemos passar tranquilamente e entrar de novo em Chicago?
– Mas é claro! – cuspiu de lado no chão e retomou a fala – Como está anoitecendo, acho que não terão patrulhas perto da cerca. Só resta saber exatamente o horário em que o trem passa. Assim fica mais fácil de não correr o risco de assim que chegarmos lá termos algum tipo de companhia surpresa.
– Eu sei o horário que o trem passa. – arfou Tobias, logo a mão de Tris tocou a dele levemente, perdendo contato em seguida.
– Então quando vamos? – perguntou Marcus.
– Agora mesmo né?! – interpretou Peter já virando-se.
– Se quiser, vá sozinho! – deu de ombros Quatro – Ainda temos um pouco de tempo.
– Para...? – inquiriu Peter e Tris interveio.
– Tenho que encontrar Caleb. Não vamos embora sem ele.
– Caleb? Affs! Outro careta!
POV James
Tinha acabado de fechar a sacola com algumas frutas quando senti aquela leve mão em meu ombro, acolhedora e inquieta ao mesmo tempo.
– Onde você vai? – perguntou Kylie.
– Está muito perigoso aqui! – respondi.
– Eu sei... – murmurou – Mas para onde vai? Estamos sendo caçados por Jeanine e nem sabemos onde os outros da Audácia estão. Não temos para onde ir.
– Não sei ainda, mas aqui não podemos ficar.
– Não faz sentido! – Kylie repudiou a ideia, como imaginado.
Mas por quê? Helena, sua melhor amiga ali, tinha morrido naquele mesmo dia, e o primo dela, Josh, foi morto não muito antes. Como ela ainda tem toda essa calma e ainda pretende ficar? É quase caótico isso! Não há simplesmente mais nada que a prenda aqui.
– Não faze sentido continuarmos aqui sem mais nem menos por simples capricho! – retruquei – O que te liga aqui, hein?!
– Tenho amigos aqui. Tem Violet, Sarah, Alice, Raven, Alyssinha e os outros – hesitou por uma fração de segundos – Aliás, não temos para onde ir! – ainda com tom baixo, porém um tanto exaltado na forma irregular como falava.
– Em frente, Kylie! – segurei suas mãos – Aqui é muito perigoso...
– Há perigo em todo lugar e toda hora! – interrompeu-me, contudo prossegui.
– Mas é bem melhor se seguirmos em frente.
– Pois é! – ela puxou as mãos que, suadas, escorregaram facilmente – Pena que o seu “em frente” é diferente do meu no momento.
– Kylie, eu...
– Vai, James! Eu quero ficar! Nada está te prendendo aqui.
– Você me prende aqui, eu me prendi a você.
– Sinto muito ser um peso na sua vida, mas minha decisão vai continuar sendo a mesmo. – virou-se, saindo sem olhar para trás.
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