Divergente's Refúgio - Interativa
30 Bônus
Notas iniciais
Seus olhos estavam mais vingativos que o normal e ele simplesmente encarava aqueles monitores procurando um mínimo de chance possível de avistá-lo.
– Eric? Estão lhe chamando. – entrou uma moça na sala rapidamente e em reflexo, o rapaz lançou lhe uma faca que atingiu a parede, direção ao lado de seu pescoço, e ele gargalhou.
– Já não avisei para não entrar na minha sala sem bater antes, Christina? – ele destinou um olhar quase mortífero e a jovem engoliu a seco qualquer palavras que fosse dizer. Sua pele morena agora estava suada e seus pelos arrepiados.
– Sim. Desculpe! – saiu lentamente.
– Espere! – ele lançou outra faca, mas dessa vez, Christina foi rápida o suficiente par desviar – Bom! – em seguida a olhou novamente, agora se aproximando e encurralando a parede – Você tem certeza que não sabia sobre Tris e Quatro?
– Já falei o que sabia. Não tenho nada a ver mais com essa história, Jeanine me liberou... – dizia quando foi interrompida.
– Jeanine só está disfarçando, porque assim como ela, eu estou de olhos abertos e fixados em você. Não pense que só porque seu namoradinho morreu que o mesmo não pode acontecer com você, ou pior, posso te pendurar no abismo de novo o que acha? – ela não disse nada, então Eric se afastou um pouco – Vai logo. Avisa que daqui a pouco estou indo.
Sem pensar duas vezes, Christina virou-se e seguiu, parando somente na porta, respirando fundo, contendo o impulso de olhar para trás e seguindo o caminho.
– Eric, Eric, Eric... – exalou uma voz feminina.
– Sim?! – ele virou-se a encarar Jeanine com os olhos em mãos, enquanto o própria brincava com um canivete. Ela fechou a porta e se aproximou mais.
– Pelo visto ainda nenhuma notícia de Quatro e Tris, não é?!
– Sim. Tenho quase certeza que saíram aos limites da cerca, caso não...
– Ah, poupe-me, Eric! Nós dois sabemos que isso seria o mais óbvio que eles fariam. Nãos e atreveriam medir forças com nosso exército nesse momento. Tris está machucada e é praticamente inofensiva.
– Acho – caminhou até uma mesa onde um computador ligado vistoriava uma espécie de coordenada – Que devíamos mandar alguns grupos para lá. Quem sabe...
– Eric, não seja ingênuo! Eles podem estar nos odiando agora por querer a paz na medida certa, mas nós dois sabemos, ou melhor, eu sei que eles não vão durar muito tempo sem a cidade. Estão em um lugar desconhecido. Podem sobreviver por algum tempo, mas uma hora ou outra vão ceder.
– Ou falhar!
– O que quer dizer com isso?
– Simples! Você mandou um grupo com dez dos meus melhores homens para além da fronteira num trailer que voltou sozinho e com falta de uma de nossas integrantes.
– Isabela? Ela era uma Divergente traidora. Carta fora o baralho. Sua utilidade não foi efetiva e assim que chegasse, você mesmo poderia matá-la.
– Seria muito tentador, mas estou falando que mais um do exército morreu e isso não é muito bom para nossa próxima investida, sem contar que não está tão fácil conseguir o apoio da Amizade.
– A Amizade é só recorte. Se submeteram aos vencedores. Não são muito especiais. Já a Franqueza fica discutindo assuntos quanto a compartilhar o poder, quando vencermos.
– Ok, mas eu estava falando no porque você mandou o pessoal para lá se por acaso seria uma missão inútil como acabou de falar.
– Meu caro, em momento algum eu disse que a missão é inútil. Isso depende do ponto de vista. – ele a encarou sério e entretido enquanto ela caminhava pela sala – Há um rapaz que era da Erudição, Scott, muito inteligente por sinal, que não me conformo com o fato dele ser Divergente. Ele me auxiliava com alguns projetos após o roteiro de sua iniciação junto com Clarissa, mas nem mesmo sabia do que estava fazendo.
– Como assim?
– Eu tinha dado a honrada missão dele codificar alguns futuros projetos que eu tinha para por em prática futuramente sem ter chance alguma que alguém fora do círculo descobrisse, assim como você. – virou a encará-lo – Porém quando ele fugiu, deixou o trabalho incompleto e a parte principal codificada.
– Qual era o problema? Você mesma disse que ele não sabia o que estava fazendo e...
– Mas tinha comentado com ele sobre alguns projetos avulsos, acho que ele nem percebeu, contudo as ideias dele eram bem interessantes e oportunas, então pedi para que ele codificasse junto ao que pedi, sem contar a mais ninguém o que estava fazendo.
– Nem mesmo a você? Essa devo dizer que foi uma ideia estúpida, Jeanine.
– Cale-se! Ele ainda estava por tirar novas conclusões e como parecia de confiança, muito próximo a Clarissa. Achei que seria bem fácil domá-lo e teria bastante tempo depois dos resultados dele para poder alterar o que fosse necessário.
– E? Você achou que eles poderiam se casar e te servir lealmente até o último suspiro? – dobrou os braços para trás e encostou a cabeça nas mãos como se estivesse cansado da conversa, mesmo mantendo a feição de entretido.
– Então o mandei codificar tudo e depois me passar o relatório que posteriormente seria incinerado devido a confidencialidade, no entanto...
– As coisas não saíram como você esperava. O Nerdzinho fui com sua sobrinha para algum lugar durante nosso ataque a Abnegação e levando com ele todas as informações, te deixando sem absolutamente nada. Me admira ver Jeanine Mathews sem escolha após anos na Erudição...
– Após anos na Erudição, foi graças a mim que você ganhou esse cargo na Audácia e está vivo até agora, até porque, você é o que menos pode falar levando em consideração que seu irmão mais novo um ano, Bruce, era igualmente Divergente e traiu a facção e pode sujar seu nome se descobrirem.
– Jeanine, nós temos um trato.
– Sim, temos um trato. Fraco como folhas secas. Se você falhar comigo, vai se arrepender e quem sabe pode acontecer mais do que seu segredinho ser revelado? – deu as costas enquanto se direcionava a porta, colocando a mão na maçaneta.
– Sabe?! Ainda não respondeu minha pergunta.
– Inteligente da sua parte. Será que não é um Divergente também? – ela abaixou a mão, pôs na cintura, virou-se para Eric, arqueando a sobrancelha esquerda e levantando um pouco da direita com um leve sorriso sarcástico nos lábios.
– Não estou para brincadeiras. – respondeu sério.
– Muito menos eu – seu sorriso se desfaz – Preciso que ele me passe o relatório, ou melhor, decodifique o arquivo para mim.
– Um erro ai! Ele saberia o que você está tramando.
– Não. A decodificação dele cairia num sistema novo que desenvolvi e ele não tem nenhum conhecimento ainda. Como ao decodificar o arquivo ficaria grande, prestei a confiança de seus homens dois pen drives para trazê-los a mim em segurança, porém só um chegou até mim, com a parte final do arquivo.
– E por acaso eu posso saber como você conseguiu convencer esse tal de Scott a fazer o que queria? Não me diga que a Senhora da Razão preferiu a força.
– Eu? Nunca! Não faço esse tipo de coisa. Sou a mente do negócio. Vocês são a força bruta. Sabe, Eric? Eu sei como ter meus informantes em todos os lugares, assim como você sempre foi um aqui na Audácia, então descobri sobre seus coleguinhas e chegamos a duas meninas e com uma fácil ameaça, ele se propôs de herói para salvá-las. Porém foram salvos por um golpe de sorte deles e incompetência dos seus homens.
– Nem todos merecem mesmo ser da Audácia. Mas sinto que não ficou muito feliz em saber que sua sobrinha está ao lado dele.
– Por enquanto. Está ao lado dele assim como seus queridinhos Tris e Quatro.
As mãos de Eric cerraram em punhos. Jeanine vagarosamente abriu a porta e se retirou, lançando por fim um último olhar calculista antes de deixar completamente o recinto.
Eric tocou os piercings presos a sobrancelhas, girando de forma que era possível visualizar suas entradas na pele do rapaz. Sentou enfim na cadeira, antiga sala de monitoramento onde Quatro trabalhava e se colocou novamente a analisar cada imagem antiga no sistema e a procurar inutilmente qualquer vestígio entre as gavetas da mesa
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