Divergente - por Tobias Eaton
11 Capítulo 11
Notas iniciais
São 11:30 quando caminho para o refeitório.
O dia de ontem foi cheio e exaustivo, mas ainda tenho muita coisa a descobrir. Uma das minhas principais características é ser desconfiado demais, e da Erudição eu só espero o pior.
“Hey, Quatro.” — Diz Zeke assim que me vê no inicio do corredor, ele está acompanhado por outros Destemores. — “Estava te procurando, adivinha para onde nós estamos indo?”
“Pra onde?” — Pergunto sem animação.
“Para o nosso famoso ritual.” — Ele responde e a excitação em sua voz é inegável.
“Deixa de besteira Zeke!” — Shauna o interrompe. — “Estamos indo para o edifício vazio do Hancock para descer na tirolesa. Vai dessa vez?”
“Sem chance, tenho coisas mais importantes para fazer do que está saltando de edifícios.” — Digo sem revelar a real razão de não querer ir.
“Ah, hoje vai ser melhor, vamos levar os nascidos Destemor.” Guigo fala com empolgação. — “As reações vão ser hilárias, Quatro.”
“Quero só ver os gritos de medo de Uriah.” — Alguém comenta e todos riem. Zeke os olha furioso.
“Isso é ridículo.” — Ele retruca.
“Não! Deixa para a próxima.” — Digo chegando mais perto de Zeke. — “Quando chegarem quero saber os detalhes dos gritos de Uriah.”
Zeke bufa e sai na frente e todos o acompanham rindo. A família dele leva muito a serio o fato de pertencerem ao Destemor. Eles foram criados rigidamente por isso, então, não é admitido aceitar covardia de ambos e muito menos demonstração de medo.
Durante o almoço falo com todos, procuro Tris em sua mesa habitual. Ela não está lá, o que é estranho. Vou ter que me conformar por não tê-la visto hoje, pois ‘graças’ ao que aconteceu a Edward, os transferidos tiveram o dia de folga.
Depois de retirar-me da cantina, atravesso o corredor e ao virar à direita, sou parado.
“Com licença?” — Um homem moreno, com cabelos cortados alinhadamente, usando óculos simples, com roupas da Erudição. — “Meu nome é Nysso, e essa é Klayhn, nós somos da...”
“Erudição.” — Termino.
“Sim e estamos aqui com o propósito de pedir opiniões sobre a liderança da Abnegação.” — Ele conclui.
“Mas é claro, sem causar conflitos Inter-faccionais. Nós sondamos os registros e descobrimos que para o Destemor, vieram apenas dois de lá e que um deles é você e gostaríamos de um depoimento seu.” — Klayhn termina.
“Exatamente, você escolhe o local e publicaremos assim que chegarmos.” — Ele acrescenta.
Por um momento olho para ambos, esperando que seja algum tipo de piada e eles me encaram ansiosos. Sinto minha raiva crescendo e se espalhando pelo meu corpo. Além de estarem recebendo arquivos do Destemor com pedidos de mercadorias suspeitas e usarem energia elétrica quebrando todos os tipos de leis existentes, estão aqui para falar mal, e como se não bastasse associar Abnegação a uma fraude corrupta.
“Vocês só podem está de gozação!” — Bufo.
“Nós entendemos que é difícil, mas você precisa nos ajudar cooperando com a versão da Abnegação pela qual você passou.” — Ela diz.
“Não seja ridícula, eu escolhi Destemor porque aqui era meu lugar, mas a Abnegação sempre foi um bom lugar e a sua Liderança governamental não poderia ser melhor.” — Falo quase gritando. — “Mas eu duvido que mentirosos e aproveitadores como vocês publiquem isso.”
“Vai devagar meu jovem, você não sabe com quem você pensa que está falando, se eu...” — Nysso começa.
“Se você o quê? Aqui é o meu complexo, você não tem direito de fazer ameaças idiotas. Eu sugiro a você que vá infernizar outros com seus argumentos ridículos e mentirosos.” — Falo secamente encarando-o. — “A menos que você queira virar o artigo de amanhã, como o homem morto no complexo do Destemor, se eu quisesse aturar seus conhecimentos imbecis teria entrado na sua facção.”
Ele me olha apavorado, vejo o sangue sumir de seus olhos. Ela segura sua mão tremula e me encara por um momento.
“Você é um sem educação.” — Diz ela puxando-o para longe do corredor.
“E você é uma mentirosa aproveitadora.” — Digo encarando-a até ela sumir do corredor.
Ainda estou ardendo de raiva, ando até meu quarto e jogo-me na cama. Eu preciso esfriar minha cabeça se não vou socar o primeiro babaca que eu ver na minha frente.
A raiva que me consumiu me deixou mais exausto que antes. A noite anterior dormi poucas horas já que os arquivos que vi e a imagem de Al e Tris fizeram com que meu sono me deixasse, sendo assim, após alguns minutos deitado acabo cedendo ao sono.
...
Depois de me trocar vou até o inicio do Complexo e vejo Shauna e Zeke. Ótimo, meus amigos são tudo que eu preciso me desligar pelo menos um minuto.
“Não vão me contar o que aconteceu?” — Digo sorrido enquanto me aproximo deles.
“Claro que vamos.” — Diz Shauna sorrindo antes de trocar um olhar cúmplice com Zeke e se virar para mim. — “Adivinha quem veio com a gente?”
“Não faço a mínima ideia, só não me diga que foi Eric, pois tenho certeza que as argolas em sua boca não permitiriam esse feito.” — Digo e os dois sorriem.
“Não, não. Foi uma pessoa que você que te interessará saber.” — Diz Shauna fazendo charminho.
“Hm, bastante até.” — Zeke diz.
“Vocês vão continuar com essa brincadeira da Amizade, ou vão começar a falar?” — Pergunto me sentando entre os dois.
“Até que eu estou gostando de ver a sua cara de curioso, mas vou acrescentar algumas informações como dicas: É a iniciante mais corajosa dos Transferidos...” — Shauna começa.
“É bonita...” — Zeke fala e ganha uma tapa nas costas. Shauna o encara por um momento, depois continua.
“Era da Abnegação.” — Ela pausa e me olha.
“A Tris!” — Falo e olho para os dois que começam a gargalhar.
“Sim era ela...” — Zeke limpa a garganta.
“E aí o que aconteceu? Vocês a forçaram a pular? Pensei que o ritual fosse só para os nascidos!” — Não consigo nem esconder minha ansiedade para saber mais coisas dela.
“Há sempre uma primeira vez certo? Na verdade Uriah a chamou e ninguém a forçou pular. Ao contrário disso, ela parecia bem entusiasmada” — Shauna fala me analisando por um momento.
“O que EU tenho a dizer é: Não podemos mais chamá-la de ‘careta’ ela provou ser muito destemida hoje! Ficaria surpresa se ela não se classificar aqui.” — Ela completa.
“Tenho que admitir esperava medo nos olhos dela e o que eu vi foi ansiedade.” — Zeke se manifesta.
“E quando ela desceu ainda perguntou quando nós iríamos de novo.” — Diz Shauna rindo. — “Não posso falar nada de Uriah, mas Tris fez um comentário bem legal sobre ele.”
“Deixa de besteira Shauna” — Ele a repreende. “Você não sabe quem era que estava falando de você para Tris” — Ele aponta para a Shauna.
“Shauna?” — Por um segundo temo pelo que ela poderia ter dito à garota.
“O quê? Só disse que você já tinha comentado sobre ela. Tris ficou bem interessada nisso.”
“Ah é? E o que ela disse?” — Pergunto tentando parecer casual.
“Ah, isso você vai ter que descobrir Quatro!” — Ela ri debochada. — “Talvez se você deixar de ser tão rígido ela pode deixar de te ver como instrutor do mal, quando falei de você, ela só te mencionou como: ‘Quatro, meu Instrutor’, agora parando falar de Tris não vou resistir, Uriah estava desesperado.”
Começo a rir e conversamos mais. Contudo, embora eu estivesse prestando atenção e interagindo com os dois, parte da minha mente pensava nela.
Fale com o autor