Acordo com Christina me cutucando.

– Catarina, acorda- Eu queria soca-la, estava com muito sono, mas sei que não era culpa dela- Eu, Tris e Will vamos tomar café depois vamos para o teste. Vem com a gente.

Percebo que Tris faz um coração com a mão e logo em seguida aponta para a porta. O que ?Logo em seguida ela faz um Z com a mão. Claro, Zeke está na porta do dormitório. Faço um sinal para ela esperar. Levanto cobrindo meu corpo com os lençois, mas percebo que tinha dormido de roupa.

– Bom dia Will- digo, sorrindo

– Bom dia Catarina- Ele se vira para Chris- Amor, já te contei que essa menina era a razão dso meus pesadelos na infancia...

Ele começa a contar o que já aprontei com ele.O que são realmente muitas coisas e não quero perder tempo conferindo se elas são veridicas.

Saio do dormitório. Zeke me abraça. Ele tenta me beijar mas recuo:

– Na frente de todo mundo não- sussuro.

– Posso pelo menos segurar na sua mão?

– Aham.

Saimos de mãos dadas até o refeitório.

Algo anda me incomodando desde a ultima vez que estive sozinha com Zeke. O que ele realmente sente por mim? Sei lá, sou uma menina baixinha, de braços finos e olheiras cronicas que veio da Erudição, cheia de manias e conceitos filosóficos. Tenho medo dele não gostar de mim como eu gosto dele. Retiro esse pensamento da minha cabeça e sento ao seu lado quando chegamos nas mesas.

– Tudo bem amor?- repreendo com um olhar- Quer dizer Catarina?

Tris me encara como se quisesse dizer "Aproveita que você pode assumir seu namoro publicamente enquanto eu não"

–Não muito- solto sua mão e coloco elas em meu rosto- Hoje o dia vai ser difícil. Quero comer meu café em paz. Só isso.

– Você... Você quer que eu saia?

–Só hoje eu prometo- Apoio meu cotovelo na mesa e cobro toda minha mão com o rosto.

– Ok- ele beija minha bochecha e sai.

–Catarina!- Tris me repreende- O que está acontecendo com você?- Ela se aproxima para que só eu escute, não que Christina e Will estivessem prestando muita atençao- Ontem o Tobi... Quatro esperou quase uma hora pra falar com você e hoje você trata ele assim.

– Tris Prior, a conselheira amorosa- digo com ironia.

– Como você sabe meu sobrenome?

Aponto para a tabela com os nomes dos iniciandos.

–Ah... Claro. Vamos.

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Quando chegamos na sala de espera.Está cheia. Uriah, irmão do Zeke, está lá. Ele faz um sinal com a mão para eu e a Tris irmos para lá.

– Quer sentar no meu colo Tris?- Uriah brinca.

– Não, obrigado- Tris responde.

–Oi cunhadinha- Uriah brinca olhando para mim- O namoro está firme?

–Zeke te contou?- pergunto surpresa

– Minha cara, é mais fácil você perguntar o que Zeke não me contou.

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Chega minha vez. Entro na sala e Eric me cumprimenta.

– Oi Catarina. Pronta?

– Aham- respondo nervosa.

– Calma. Vai dar tudo certo. Tira o cabelo do pescoço- Ele retira uma seringa da mala em cima da mesa e injeta no meu pescoço.

Ele sai da sala e me deixa lá, sem saber o que fazer.

Tudo fica escuro,muito escuro. Não consigo ver mais nada. Começo a andar para trás.O primeiro já foi, Escuridão penso.

De repente uma mão cobre minha boca e amarra um pano em meus olhos Sequestro.Talvez demore muito para acabar.Ficar calma,acho. Tento ficar o mais tranquila, nesse meio tempo sou jogada em um carro e levada em silêncio a algum lugar.

O pano se desfaz.

Estou na cede da Erudição. Papai e mamãe estão brigando.

– Parem! Parem os dois!

Mas eles agem como se eu não estivesse ali.

– Parem!

Papai tenta dar um soco no rosto da mamãe mas seguro a mão dele.

–Pai para- começo a chorar.

Ele olha para mim e dá um tapa em meu rosto. Caio no chão e quando abro o olho estou no dormitório. Dormitório?O que está acontecendo? Will entra.

– Você é idiota, Catarina.

– Oi?

– Você sabe todas as coisas que você fez comigo. Eu não esqueci. Eu ainda me lembro de você como a menina assustadora da casa ao lado.

.. entendi. Medo de que Will não tenha me perdoado. O que faço?Ele vai ficar discutindo eternamente comigo se eu deixar.

Olho fixamente para ele e o abraço. Não está funcionado.Seja sincera. Procure o pouco de amor que você sente por ele. Abraço-o mais forte. Lembro das vezes em que brincamos juntos e quando na infancia já fui apaixonada por ele. Começo a chorar. A simulação do Will se disfaz.

Começo a subir uma escada. Ela é muito alta. Fito um degrau especifico e quando piso nele, ele quebra. Começo a cair. Não vou parar enquanto não me acalmar. Relaxo. Demoro dois minutos para parar de cair. Os piores dois minutos da minha vida.

Estou em um tubo de ensaio. Um tubo de ensaio gigante. Líquidos começam a cair. Não é água. Componetes quimicos, minha pele começa a sangrar. Estou toda queimada. Isso é só um teste.Respira.Expira.Respira.Expira. Caio no chão.

Estou no fosso. Olho envolta. Vejo apenas Zeke. Quer dizer, a simulação dele. Tento me converser disso.

Ele começa a correr em minha direção. Ele vai me abraçar e essa simulação vai acabar. Fácil. Não. Ele passa direto por mim. Olho para trás.

– Oi amor. Que saudade- Giovanna o abraça

– Oi amor. Te amo tanto- Zeke diz. Desabo. Coloco a mão na boca para abafar o som do choro.Não que eles estivessem se importando.

– Também te amo- Giovanna o beija- Agora me responda. Você terminou mesmo com aquela vadia não é?

– Claro — Zeke começa a rir- Talvez se ela não tivesse sido tão fácil...

Paro de ouvir daí. Saio correndo até onde posso. Me encolho num canto e choro. É só um teste Catarina. Tem pessoas te assistindo, se recomponha. Mas quando levando o rosto a cena já mudou.

Estou na escola. Odiava a escola. Lugar a onde eu tinha que ser a mais esperta da sala apenas por ser da Erudição. Odeio meus antigos professores com todas as forças.

Estou sentada na mesa da frente.

– Catarina, Se bi ao quadrado é igual a sete. Se juntarmos os denominadores teremos?

– Isso nem faz sentido.

–Então quer dizer que a Erudita da classe não sabe.

Olho para trás procurando Will, ele estudava comigo, nada. Todos da amizade, abnegação, audacia e franqueza, nenhum da Erudição.

Todos começam a rir.

– Quatro professora- responde uma voz familiar atrás de mim. Mas não olho para ver quem é.

Alguém passa e empurra meu rosto contra a mesa.Meu nariz começa a sanguar. Tudo fica embaçado. A sala de desfaz.

Eric entra na sala:

– Muito bem inicianda, você passou- Ele me cumprimenta- Vá atrás da Lauren que ela te dará as instruções para amanhã.

– Tudo bem.

Saio da sala tonta. Lauren me diz que tenho que chegar cedo ao refeitório para ver se estou dentro ou não da Audácia, e que se passei vou receber algum tipo de localizador.

Queria falar com Tris, mas Zeke estava na porta com aquele sorriso que deixava minha perna bamba. Ele faz um gesto com a mão para que eu vá até ele. Dou-lhe um abraço que achei que jamais acabaria.

–Quer conversar agora?- pergunta Zeke

–Quero- sussurro em seu ouvido- Não me importo se me beijar agora.

–Está assustada?

–Muito- começo a chorar. Zeke beija minha bochecha- Vamos sair daqui?

Ele concorda e me leva para seu quarto.

–O que aconteceu com você Catarina?- Zeke pergunta enquanto sento na cadeira.

–Zeke, eu tenho medo de estar sendo precipitada. Talvez você esteja apenas aproveitando o momento e eu estou aqui, apaixonada, me iludindo. E provavelmente você está aqui apenas porque eu fui fácil, mas eu não quero ser fácil...

Zeke me interrompe:

–Catarina, senta aqui. Você está nervosa. Eu também já fiz a paisagem do medo seu como é.

–Estou bem em pé- digo com os braços cruzados, mas acabo em sentando.

Coloco as pernas em cima da cama e fico em uma posição em que possa olhar para seus olhos.

–Você ainda me ama?-pergunto

–Claro que eu te amo- Ele afirma olhando nos meus olhos

–Promete?

–Catarina Bonfim, você é a menina da minha vida. Eu te amo desde o dia que você esbarou em mim no corredor-foi impossível não rir- Viu é isso que eu gosto em você. Esse eu sorriso lindo. Se você quiser a gente pode ir mais devagar.

Concordo com a cabeça. Beijamo-nos.

Algo naquele beijo foi diferente. Aproveitei cada movimento como se fosse o ultimo. Coloco a mão em seu cabelo e faço carinho em sua nuca. Ele responde segurando meu queixo e fazendo carinho com o polegar. Entre um beijo e outro ele sussurra “Eu te amo” “Te amo muito”.

Tive a melhor tarde da minha vida. Ficamos a tarde toda deitados conversando, rindo e falando sobre a vida.

Descobri que Zeke já quebrou um dente de Uriah na infância e ele riu muito quando contei as coisas que já aprontei com o Will.

–Você tem que ir mesmo?- Zeke me abraça apertado.

–Talvez eu possa ficar-tento parecer calma com a ideia- Tem alguma camisa pra eu dormir?

Ele aponta para uma camiseta preta do outro lado do quarto.

Dormimos abraçados enquanto ele dizia que me amava, e eu também o amo.