Divergente - New Directions
33 Volta para Mim
Notas iniciais
Caleb: POV
Estava na sala da enfermaria quando vi uns médicos correndo em direção a ala de operados. Senti meu coração se apertar com a hipótese de que algo errado estaria acontecendo.
Beatrice precisa de você.— Escutei meu subconsciente falando comigo, e eu não parei para refletir. Larguei a planilha de remédios em cima do balcão sinalizando para que outra pessoa terminasse por mim, e corri em direção à ala de operados, seguindo os médicos.
A cada passada que eu dava mais forte e frenético meu coração batia, até que senti um líquido quente em minha garganta que me impedia de respirar de forma correta, quando vi onde os médicos estavam entrando.
Era o quarto dela.
— O que esta havendo? (Escutei um médico perguntar)
— Ela esta morta? (Escutei outro entrando no quarto)
— Parada cardíaca. (O enfermeiro próximo dizia)
Parei alguns passos antes da porta, me chocando com Albert. Ele me segurou pelos ombros e abaixou a cabeça para olhar diretamente para mim. Só que não prestei atenção nas coisas que ele dizia, já que outro médico que estava dentro do quarto dela, disse:
— Ela já esta morta... Não se há, mas o que fazer. (e saiu)
Meu coração estava entrando em óbito conforme as palavras entravam na minha cabeça. Albert ainda me segurava e me balançava, eu via a sua boca se movendo, mas eu não estava ouvindo.
Um filme inteiro da minha vida ao lado dela se passou na minha cabeça. Eu não cuidei direito da minha irmã, eu não fui um bom irmão para ela, e agora ela estava morta. Como meus pais ficariam com isso? E Tobias, que apesar dos danos pelo relacionamento a ama incondicionalmente. Como conseguiria eu dizer que ela não sorriria e nem abriria seus olhos azuis para nós novamente?
— Caleb! (Albert grita comigo me sacudindo ainda mais forte me tirando do transe) – Mano, sua irmã esta viva!
O que? Mas, o médico falou que ela estava morta.
— Sua irmã teve uma parada cardíaca, os médicos cuidaram dela. (ele prosseguiu antes que eu pudesse dizer algo) – Ela esta bem e viva, Caleb.
— Graças a Deus! (foi a única coisa que eu consegui dizer antes de me soltar de Albert e correr para o quarto dela)
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A cena que vi no quarto de Tris, não saia da minha cabeça. Ela estava deitada, ainda imóvel sobre sua cama. Havia ainda um médico sobre ela, prestando atenção em seu batimento cardíaco e se certificando de que ela estaria realmente bem. Ao lado de sua cama, ainda estavam os equipamentos que mostravam os batimentos dela, e o soro para deixar ela hidratada, mas ao lado uma mulher grávida me encarava. Eu a reconhecia sabia quem ela era. O que eu me perguntava era o que ela estava fazendo ali.
— Essa mulher... (Albert aponta para um corpo no chão) – Tentou envenenar sua irmã. Mas, aquela ali... (ele aponta para a grávida) – Ela impediu que o pior acontecesse.
— Como elas chegaram aqui? (eu perguntei olhando para a grávida)
— Eu vi Cara entrando escondida, não tive tempo de chamar a atenção de ninguém já que todo mundo estava eufórico pela melhora dela. (a vejo olhar para minha irmã sem emoção e depois olhar para mim) – Eu a segui até aqui, e quando cheguei, Cara estava com uma seringa e estava para injetar no corpo dela. (ela gesticula para minha irmã e depois repousou sua mão na barriga de grávida)
Albert estava ao meu lado, e eu não conseguia tirar os olhos da grávida. Alguma coisa naquela história não estava batendo, mas eu não tinha como ter certeza. Um coração agitado, não era prova de nada. Afinal, eu poderia estar assim pela preocupação e o medo de quase ter perdido minha irmã mais nova para sempre.
— Como ela morreu? (eu perguntei e ela arqueou as sobrancelhas para mim)
— Você é enfermeiro ou policial? (ela me pergunta com sarcasmo)
— Sou o irmão da mulher deitada naquele leito. (me aproximo dela e a encaro) – E tem alguma coisa me dizendo que você esta mentindo.
— Caleb. (Albert segura em meu ombro me puxando de volta e me repreendendo) – Ela ajudou sua irmã. Relaxa. Ela esta bem. E a assassina esta morta. Deixe a polícia trabalhar agora. (eu respiro fundo e olho para a mulher novamente e em seguida para Tris)
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— O que? (Christina praticamente grita) – Como assim, ela tentou envenenar a Tris? (todos olham curiosos e amedrontados para o médico)
— Pelo que podemos entender, a tal Cara, entrou no quarto de Beatrice com uma seringa e nela possuía uma substancia conhecida como cianeto. (ele mostra a seringa dentro de um plástico) – Graças a Deus, uma pessoa a viu entrado na ala e depois entrando no quarto da paciente. (vejo meus pais me olharem preocupados) – Se não fosse por essa pessoa, Beatrice poderia estar morta agora. (ele finaliza e eu esfrego meus olhos)
— Quem impediu que ela fosse envenenada? (Tobias pergunta emocionado)
— Lauren Cullen. (eu olho para Tobias que retribui o meu olhar com sua testa vincada)
— Tem certeza sobre isso? (ele pergunta me encarando e eu apenas assinto)
— Isso não é possível. (uma voz masculina se sobressai sobre as outras)
— O que não é possível? (Tobias pergunta olhando para o homem moreno ao seu lado)
— Cara estava comigo na hora em que o médico deu a noticia sobre a Tris. (ele continua) – Ela estava ali no canto olhando para a gente, e depois, ela precisou sair. Disse que iria resolver umas coisas.
— Nesse meio tempo ela foi até o quarto de Beatrice para tentar matá-la. (o médico diz concluso)
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Estava tomando café quando uma mão pequena e familiar segurou em meu braço. Eu não precisava olhar para saber quem era. Minha mãe.
— Filho... (ela fala baixinho me fazendo rir) – Sua irmã esta mesmo bem?
— Sim mãe. Esta tudo bem com ela. (eu afago sua mão e olho em seus olhos) – Ela é forte e daqui a pouco saíra daqui.
— Não quero deixar ela sozinha aqui. (ela me diz visivelmente preocupada) – Ela esta muito vulnerável.
— Eu vou estar aqui mamãe. (digo para tranqüilizar) – Não vou para casa. Não depois de hoje. (a sinto suspirar) – O que foi?
— Aquele rapaz. (ela olha em direção a Tobias)
— O que tem ele mãe? (ela olha para mim com um sorriso)
— Ele esta apaixonado pela nossa menina. (ela diz) – E esta doido de saudades dela.
— Ele te disse isso?
— Não... E também não precisa. É só olhar para ele. (ela fica um tempo encarando Tobias até que desvia seus olhos e volta a me olhar) – Vou para um hotel aqui perto para descansar com seu pai. Não temos mais idade para ficar dormindo em sofás de hospitais. (ela faz careta e continua) – Vamos estar do outro lado da rua, tudo bem?
— Tudo bem mãe.
Ela sorriu para mim me dando um beijo em cada bochecha, depois seguiu até Tobias colocando em seguida uma mão sobre o ombro dele. Ele a olhou e deu um sorriso fraco para minha mãe. Meu pai se juntou a eles logo depois e antes de sair meu pai veio falar comigo para se despedir.
Agora na sala só restava eu e um Tobias destroçado.
Tobias: POV
Alguma coisa de muito errado estava acontecendo dentro da ala dos operados. Era uma correria de médicos e enfermeiros de um lado para o outro fazendo todos os que estavam na recepção se entre olhar.
— O que será que esta acontecendo? (Escuto Zeke falar do meu lado)
— Não tenho idéia, Zeke. (eu balbucio preocupado)
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Depois de um século esperando para saber sobre ela, Caleb apareceu pela porta com uma expressão séria e pensativa. Do mesmo modo que eu percebi, os outros perceberam.
Queria falar com o meu cunhado, mas, fui interrompido pelo médico que viera trazer noticias para a gente.
Em todo o momento em que ele falava tive súbitas mudanças de humor. Uma hora senti raiva insana por não estar cuidado do modo certo ao ponto de deixarem uma louca invadir o quarto de Tris e quase matá-la. Depois me senti grato e feliz por saber que uma pessoa de bom coração não deixou que ela morresse. E uma tristeza contida, por saber que Cara não estaria mais entre nós.
A todo instante enquanto o médico falava, eu via os meus amigos prestando atenção em cada palavra dele. Mas, eu estava prestando a atenção em Caleb. Ele não estava feliz com alguma coisa, e eu estava agoniado querendo saber o que estava se passando de verdade.
— Lauren Cullen. (Escutei o médico dizer e encarei Caleb, que me olhava sério)
Eu sabia que alguma coisa estava errada. Cara nunca fora amiga de Beatrice. Isso sempre ficou as claras para mim, e para qualquer um que conhecesse as duas. Ela tentou de algum modo me fazer brigar com Tris, mas tudo não passara de um joguinho bobo e infantil. Meu relacionamento com Tris era, mas forte que esses joguinhos. No entanto, meu problema maior, era Lauren, que desde o inicio se mostrou odiar Beatrice, e de todos os modos tentou me afastar do meu amor.
Que elas eram loucas, isso eu sabia.
O que eu não sabia era que Cara seria capaz de matar, e que Lauren capaz de salvar sua inimiga.
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Já era quase nove horas da noite, e eu estava sozinho na recepção. O pai de Tris estava longe um pouco olhando pela janela, e a mãe dela estava em algum ponto conversando com Caleb.
Eu estava com meus braços apoiados em meu joelho e encarava o chão sobre meus pés. A saudade que estava crescendo em mim, estava me deixando louco. Eu precisava ver Beatrice ou iria acabar surtando de vez.
Zeke foi para casa a mais ou menos uma hora, e disse que voltaria depois das onze. Ele iria tomar um banho e tirar uma soneca e logo voltaria para ficar no meu lugar.
Eu até aceitei a proposta dele, mas não disse a ele que faria isso. Não vou me afastar dela, principalmente depois do que aconteceu.
Uma mão leve repousa sobre meu ombro me fazendo olhar para cima. A mãe de Tris estava aparentemente cansada, mas ela sorria para mim, e eu pude ver um pouco de Tris nela.
— Ela esta bem. Caleb me confirmou! (ela sorriu e eu me esforcei para retribuir) – Sei que esta com saudades dela. Mas daqui a pouco, ela estará aqui com você. (ela afaga meu ombro e eu apenas assinto não tendo o que falar)
Dito isso, ela e o marido se afastaram de mim e caminharam de encontro a porta do hospital. Caleb apareceu instantes depois com um copo de café na mão e ofereceu para mim. Eu segurei o mesmo e olhei para ele.
— O que esta de errado Caleb? (eu perguntei tomando um gole do café quente)
— A história que sua ex contou não me desceu Tobias.
— Eu sei. Pensei a mesma coisa quando o médico nos informou o que havia acontecido.
— O que você acha de fato que aconteceu?
Bebo mais um pouco do meu café sentindo o gosto dele e engulo, depois olho para o cara sentado ao meu lado.
— Eu acho que Lauren seria incapaz de salvar a vida da Tris. (eu digo) – Posso estar errado sobre dizer isso. Mas não deixa de ser verdade. Ela não pensa em ninguém que não seja ela. E tirar Tris do seu caminho, seria excelente.
— Eu acho a mesma coisa. (ele fala) – O modo como ele olhava para Tris, não era o modo como uma pessoa preocupada olha para a outra. Você acha que ela seria capaz de matar a tal da Cara? (ele me pergunta e eu sinto a curiosidade fluindo dela)
— Eu não conheço mais a Lauren. (mordo os lábios) – Eu há conheci um dia, ou pelo menos acho que conheci.
— Vamos aumentar a segurança no quarto da Tris. Não queremos que isso aconteça novamente.
Eles iriam aumentar a segurança, isso era ótimo. Tris e Shauna estariam seguras de qualquer coisa que pusesse a vida delas em perigo. Zeke estava louco mais cedo, pensando que alguém poderia querer fazer mal a ela, mas depois de um tempo ele se tocou, que as três mulheres envolvidas na fatalidade, eram de certa forma problema meu.
Nunca tive nada com a Cara, e nem nunca quis. Ela até poderia ser bonita, mas nunca representou nada para mim. Ela se mostrou outra pessoa quando Beatrice deu as caras na empresa, e sei que o problema delas, era apenas ciúmes. Tris tinha ciúmes por saber que ela daria em cima de mim. E Cara tinha ciúmes, por saber que meus olhos, mente e coração pertenciam a Tris.
Já Lauren, é um problema a parte. Grávida de um filho meu, ela decidiu por conta própria que nós seríamos uma família. Uma vez eu havia pedido, mas depois eu desisti já que ela nunca aceitou minha proposta. Tris era um gigante empecilho para ela, já que eu não deixaria Tris para ficar com ela.
Eu estava enlouquecendo com tanta coisa na minha cabeça. Precisava dela, mesmo que só um pouco dela.
— Caleb... (eu murmuro o nome dele, mas consigo chamar sua atenção) – Preciso vê-la. Mesmo que de longe.
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Assim que adentrei o quarto dela e pude olhar para ela, eu me senti novo novamente. Mesmo ela estando daquele modo tão frágil na cama, eu me sentia inteiro por dentro. Era como se ela fosse minha peça completa de um jogo de quebra a cabeça.
Ela estava mais magra, e possuía olheiras. Eu não estava diferente dela.
Aproximei-me da cama e me sentei no pequeno espaço que tinha. Eu hesitei antes de pegar em sua mão, e assim que fiz, senti uma corrente intensa de amor e desejo passando por toda a extensão do meu corpo.
Eu queria que ela reagisse assim como o meu corpo reagia ao contato dela. Mas ela não o fez, e isso fez meu coração se partir.
— Eu preciso de você, Tris. (eu digo segurando a mão dela) – Não agüento mais de tantas saudades suas. Eu estou me sentindo vazio... Eu preciso que você volte amor. (beijo a mão dela e em seguida me aproximo tocando de leve seus lábios) – Preciso de você amor. Chega de dormir. Abra seus olhos para mim. (eu beijo os lábios dela uma, duas, três vezes)
Nada ... Tris não se meche e as lágrimas que eu estava contendo acabam saindo sem minha permissão. Por ela eu me permito chorar.
— Tobias. (Escuto Caleb me chamar) – Esta na hora. Não posso te deixar aqui por mais tempo.
Eu não respondo e apenas assinto. Fico ainda parado ali um tempo olhando para ela, até que me levanto. Não quero ser chamado de novo e nem quero que me proíbam de entrar novamente. De forma tranqüila, eu começo a caminhar em rumo a saída, e quando já estou quase nela, escuto a voz que eu mais queria ouvir.
— Amor...
Eu me viro para encontrar a voz mais doce do mundo, e vejo que finalmente ela abriu os olhos.
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