Divergente - New Directions
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Notas iniciais
Cara: POV
Eu não conseguia acreditar na cena a minha frente. Tudo tinha passado como em uma câmera lenta. Beatrice entrou na frente de Lauren, para salvar ela e o bebê de serem esfaqueados e agora ela esta desfalecida no chão, e seu sangue estava ao seu redor. Ela estaria morta? Eles a mataram?
Shauna gritava desesperadamente por ela, e sem nenhuma resposta. Ela segurava suas mãos, e depois seu rosto, sacudia seu corpo, e mesmo assim, Shauna não obtinha nenhuma resposta da mulher no chão. Os olhos dela estavam fechados, e ela estava mais branca do que antes. Mas ainda assim, ela era bonita.
— Tris, por favor... Acorde!
Shauna implorava, com seus suas lágrimas escorrendo pelo rosto, ajoelhada ao lado de Beatrice com suas roupas e mãos já sujas de sangue. Eu não tinha reação. Eu estava congelada. Ainda estava processando tudo o que tinha acontecido. Eu não sei o que teria feito no lugar dela, mas, ela salvou a Lauren e o bebê do homem que nós duas amamos. Lauren estava ao meu lado, olhando Beatrice, e eu não reconhecia e nem saberia dizer o que era aquela chama que estavam em seus olhos.
— Ligue para a emergência!
Escutei alguém gritando, e me empurrando para o lado para se aproximar de Tris. O destino gosta mesmo de brincar com as pessoas não é? Desde que ela tinha entrado nas nossas vidas, todo mundo só tinha olhos para ela. TODOS. Inclusive o Tobias. Ela era linda, e realmente uma pessoa muito doce, não existia modo de não se apaixonar por ela. Eu também gostava dela, a achava engraçada, elegante, bonita e também bondosa. Só que meu ciúme me cegava, e eu cheguei a acreditar que um dia poderia ter Tobias para mim, se ela não estivesse perto da gente.
Mas eu me enganei, e me enganei feio. Meu único problema nessa vida tinha nome e sobrenome. E não era Beatrice Prior.
Barulhos de sirene invadem minha cabeça, e quando dou por mim, Beatrice já esta sendo socorrida por médicos e enfermeiros. Shauna não queria sair de jeito nenhum, e nesse momento eu precisei entrar em ação. Segurei minha amiga pelos braços e a puxei de encontro ao meu corpo. Abracei Shauna o mais forte que pude e assim nós duas desabamos em lágrimas. De inicio, nem eu entendia o que estava acontecendo comigo, mas depois eu me dei conta de que assim como Shauna e os outros, eu não queria que ela estivesse morta.
— Ela esta viva!
Um dos paramédicos nos informou.
— Se afastem!
Outro gritou, e foi o que nós fizemos. Demos espaço para que eles conseguissem erguer Beatrice na maca, e levarem ela para a ambulância. Shauna já tinha se afastado de mim novamente, e já estava correndo ao lado de sua amiga. Elas iam juntas na ambulância.
— Eu vou com ela, Cara. (Shauna me diz)
— Eu imaginei que diria isso. (Eu digo) – Quer que eu ligue para o escritório?
— Eu... (ela respira fundo antes de voltar a falar) – Eu ligo para lá. Encontre-me no hospital.
— Okay.
Afastei-me da ambulância dando espaço para que ela conseguisse sair do lugar. A muvuca que havia se formado já estava se dissipando. Aos poucos ficaram alguns gatos pingados, acompanhando junto comigo a ambulância se afastar.
Mesmo depois de ela ter virado a rua, eu ainda estava parada olhando para o nada.
— Eu já sei o que vamos fazer para nos livramos dessa aguada. (Lauren sussurra em meu ouvido)
— O que? (eu olho para ela de olhos arregalados)
— Vamos aproveitar que ela já esta morrendo, e vamos terminar o serviço que aquele imundo não terminou. (ela diz com um sorriso diabólico no rosto)
— Esta falando sério?
— É claro, Cara. Quando ela for de vez, teremos o Tobias todo para nós duas. (ela pisca para mim)
Eu estava estatelada com a declaração de Lauren para mim. Não poderia deixar isso acontecer, precisava dar um jeito de parar ela.
Tobias: POV
Beatrice estava demorando de mais do almoço com Shauna, eu já estava ficando preocupado e ansioso. A cidade não estava das melhores e vira e meche aparecia uma noticia de que alguém levou um tiro, ou que encontraram um corpo em um beco. Tinha também os relatos de assaltos, assaltos com estupro, e sinceramente ter Tris fora do meu alcance ou do alcance dos meus olhos, estava me deixando agoniado.
Já faz dias que ela não tenta ficar perto de mim, o que me deixa ainda pior, e isso esta atrapalhando em tudo, até na minha vida profissional. Não consigo concentração. Não consigo não pensar nela. Beatrice esta em todos os meus pensamentos, piorando aquele aperto no meu peito que me incomodava desde a hora em que ela saiu para almoçar.
Escuto barulhos vindos de fora, e quando dou por mim, vejo Christina adentrando a minha sala de forma brusca. Eu não estava focado no trabalho, mas não deixei de me assustar. Eu já estava prestes a dar uma bronca nela pelo modo brusco como ela entrou na minha sala, mas, assim que olhei para seu rosto, vi que havia alguma coisa errada acontecendo.
Christina estava com os olhos vermelhos e lágrimas desciam pelo seu rosto. Will apareceu na porta da minha sala com sua carteira na mão, e Zeke logo atrás dele. Meus amigos me olharam como se tivessem alguma coisa muito ruim acontecendo, e pela expressão de Zeke, Shauna estava envolvida.
Meu coração perdeu uma batida quando voltei a olhar para Christina. Ela soluçava e falava coisas que eu não conseguia entender. Eu olhava para Will e Zeke, e depois para Christina novamente, mas eu não conseguia entender.
— Tobias... (escutei Zeke me chamar)
— O que esta havendo, Zeke? Por que Christina esta desse jeito? (eu olhei para Zeke e Will e apontei para Christina)
— Aconteceu uma coisa...
— E nós precisamos que você mantenha a calma. (completou Will)
— O que houve? (eu estava tremendo, mas me controlando para não explodir)
— Tris esta no hospital...
Eu não escutei mais nada depois disso. Ouvir o nome dela foi o suficiente para me fazer perder o único fio que me mantinha ereto e estável. E agora eu não tinha mais nada. Tris estava em um hospital, à voz de Zeke já tinha sumido, e a única coisa que eu conseguia ouvir, eram os choros de desespero de Christina.
— Tobias... Você precisa ter calma! (Will voltou a falar)
— Que porra Will, como posso ter calma em uma situação dessas? (eu grito saindo de trás da mesa) – Eu vou até aquele hospital agora ver a minha mulher. E não tentem me impedir! (eu praticamente rosno para eles)
Aquela altura, eu já tinha arrancado meu paletó e já tinha corrida para fora da minha sala e corrido para o carro. Quando já estava dentro dele, a única reação que eu tive foi a de socar o volante. Ela estava ferida, machucada e ela precisava de mim. Eu não estava lá para proteger ela.
Soquei, xinguei e chorei. Tudo isso junto e diversas vezes, até que finalmente chegamos ao hospital. Não perdi tempo procurando um lugar para estacionar, deixei o carro em um lugar e joguei a chave para Will.
Zeke correu comigo para dentro do hospital. Meu coração estava acelerado, e a angustia estava crescendo dentro de mim, tomando cada pedaço do meu corpo.
Depois de uma eternidade, encontramos Shauna aos prantos ao lado de Cara. Meu coração perdeu uma batida assim que reconheci sangue nas roupas dela. Eram dela? Ela estava muito ferida?
Minha amiga correu para os braços de Zeke e o abraçou chorando. Ela não conseguia se conter e nem se manter, ela chorava desesperadamente para piorar minha angustia. Cara, ainda estava parada, analisando as coisas ao seu redor. Ela possuía sangue nas mãos, mas não era tanto como as das roupas de Shauna. Elas não conseguiam falar. Estavam em choque.
— Cara, o que houve com Beatrice? (eu perguntei angustiado olhando para Cara)
— Tobias... Foi muito rápido. (ela começa) – Em uma hora ela estava em pé, e na outra já estava caindo com a faca na barriga. (ela começa a soluçar) – Não deu tempo de fazer nada!
— Ela esta bem? (Christina pergunta assim que chega perto da gente)
— Não sabemos ainda... Ela esta lá dentro desde a hora em que chegamos. (Shauna consegue falar)
Depois do que foi uma eternidade, eu andava de um lado para o outro como um leão enjaulado. Meus amigos estavam cansados e pediam para eu me manter tranqüilo e sossegado que tudo ia dar certo. Eu estava com medo, angustiado, eu não conseguiria viver sem ela. Eu precisava dela ao meu lado. Eu precisava ver Beatrice.
A porta da sala da emergência abre, e um homem de meia idade aparece tirando suas luvas da mãos. Ele caminha até a gente com uma expressão cansada.
— Família de Beatrice Prior.
Todos nos levantamos, e ficamos olhando para o homem de jaleco branco na nossa frente.
— A noticia que eu tenho para dar a vocês não é nada boa.
Ele fala suspirando no final da frase. E eu já temo pelo pior.
— Beatrice esta em coma, e precisa com urgência de um transplante.
Meu coração parou de bater naquele momento.
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