Divergente - New Directions
23 Lauren : POV
Lauren : POV
Depois do que havia acontecido no escritório de Tobias, eu esperava que a tal Beatrice se mancasse de que Tobias não era para o bico dela, e nem para o de nenhuma mulher que não fosse eu. Nós dois namoramos por um longo tempo, e sempre nos entendemos muito bem. Já estávamos noivos quando eu conheci uma outra pessoa, e esta pessoa me virou de cabeça para baixo, e perto dele Tobias não era ninguém. Convencida, eu larguei meu futuro marido e o troquei pela paixão avassaladora que me consumia dia após dia. Mas, como já era de se esperar, meu pai não aceitou a troca de genros quando a profissão do novato foi exposta para a família. Logo depois, já sofrendo tonturas e enjôos, eu descobri que estava grávida. Então, pressionada pelo meu pai, e com medo de perder minha herança pomposa, eu voltei atrás na minha decisão. Imaginei que naquela altura, Tobias já estivesse nos braços de alguma golpista como a Cara.
Nós duas somos amigas, sem sombra de dúvida. Mas, eu sei o quanto ela gosta do Tobias, e o quanto ela ansiava pela minha separação dele. Fiquei sabendo rumores de que ela estava tentando flertar com ele, sem sucesso, óbvio.
Meu passarinho fofoqueiro, esqueceu de me contar, que Beatrice, a novata aspirante do escritório, estava tomando toda a atenção de Tobias para si. E pude perceber que ali estava rolando muito mais do que apenas um flerte... Eles estavam se entregando um para o outro, assim como Tobias fizera no passado para mim.
Eu sei que não deveria estar sentindo raiva pelo modo como as coisas estavam caminhando, mas, eu não iria deixar Tobias fugir por entre meus dedos, para ficar ao lado de uma mulher que não tem absolutamente nada na vida. E, não duvidaria se me dissessem que ela esta tendo dar um golpe de mestre nele.
Algumas horas depois da nossa saída do escritório, recebi uma mensagem de Cara, avisando que Tobias já estava se preparando para ir embora, e que ele não aparentava estar nada bem. Eu nem precisava perguntar o motivo desde que eu já sabia o que estava deixando meu amorzinho para baixo. Certamente, aquela mosca morta da Beatrice, não quer mais nada com ele, e de fato, ele deve estar indo se afogar em algum boteco sujo.
Me aproveitando dessa informação, eu corro para o banheiro, e no fim do meu banho, eu abuso na langerie, colocando uma bem decotada da cor preta. Faço uma maquiagem de abalar as estruturas de qualquer homem, e um vestido decotado que eu sei que Tobias ama. Assim eu saio de casa.
Robert, meu motorista, já estava me esperando com seu carro, e assim que ele me vê percebo seus olhos arregalarem, o que me dá uma excitação intensa. Robert, abre a porta do carro para que eu entre, e antes dou uma olhada para a janela do escritório do meu pai. Para minha “não” surpresa, ele estava lá nos encarando, e eu já sabia o que ele diria na minha volta, e o que faria com o Robert.
Já estávamos na rua com o carro, quando sinto olhares queimando em mim. Ao olhar para frente, percebo que Robert me observa com olhos devoradores, aumentando minha excitação. Eu reviro os olhos, e Robert bufa.
— Até quando vamos ficar nisso, Lauren? (ele me pergunta)
— Robert por favor...
— Sinceramente, eu não acredito que você esteja desistindo de tudo, por conta do seu pai! (ele diz bravo e eu suspiro)
— Robert vai muito além disso. (eu finalizo)
— Muito além? O que quer dizer com isso? (ele para o carro e me olha pelo retrovisor)
— Eu estou grávida. (digo calmamente)
Suas mãos se fecham em punho no volante e ele segura com força no mesmo, visualizo um Robert estupefato pela informação, e um sorriso se forma em meu rosto. Ele encosta com suas costas no banco de couro, e suas mãos caminham em sua cabeça passando para o pescoço. Sua boca esta se mexendo de forma inaudível, então não consigo ouvir o que ele esta dizendo. Quando eu decido abrir a boca, Robert se vira bruscamente para mim, com um sorriso gigante em seu rosto.
— É meu bebê? (ele olha para a minha barriga) – Eu vou ser pai, Lauren?
Apesar de gostar de Robert, de me sentir atraída, e de querer fazer loucuras com ele, eu não o queria como pai do meu filho. Nós dois tínhamos um relacionamento intenso, que encendeia qualquer lugar, mas isso só vale entre quatro paredes, não dá para levar no mundo real, e o mundo real de Robert é uma esposa que ao invés de gastar seu dinheiro, junte para que dê para comprar comida ou fraldas no dia de falta. Eu sei muito bem a vida que teria ao lado de Tobias, e sei a vida de turbulência que teria ao lado do meu motorista sexye. Preciso por um fim nesse relacionamento, antes que tudo caia por água.
— Robert... O que meu filho precisa agora, é de um pai, que dê a ele tudo o que ele precisa. (eu digo e ele me encara) – Você ... Bem, nós dois sabemos, que você não tem nada para dar ao seu filho, e nem a mim. (eu forço um sorriso para ele e percebo que Robert congela na minha frente)
— O que quer dizer com isso, Lauren? (ele praticamente sussurra me impossibilitando de ouvir o que ele diz)
— Eu já decidi quem vai ser o pai do meu filho Robert. E ele não é você!
Os olhos de Robert ficam duros conforme ele absorve as palavras que eu cuspi sobre ele.
— Você não vai me deixar ser pai do nosso filho... (ele diz mais para ele do que para mim) – Eu não vou poder cuidar do nosso filho? (agora ele pergunta para mim)
— Robert, você poderá ter contato com ele. Você o verá, mas será como empregado e patrão. Pois é isso que ele será para você. (ele enruga sua testa e me encara)
— Você esta feliz com isso? Nós dois sabemos que esse filho é meu...
— Cale a boca Robert. (eu praticamente grito com ele) – Esse filho é do Tobias. E eu não quero nenhuma palavra sobre isso.
— Você é louca de achar que eu vou deixar aquele playboy cuidar do meu filho... (ele me olha feio)
— Eu não sou louca, e você não tem que achar nada! A minha decisão já esta tomada, e se você tentar qualquer coisa para mudar isso, meu pai vai adorar lidar com você. (pisco para ele)
— Você é um monstro sem coração! (ele cospe para mim, e eu olho para ele) – Você não tem o direito de fazer isso comigo e com nosso filho, Lauren!
— Sua opinião é insignificante para mim. Vamos até aonde eu mandei você ir. Minha decisão já esta tomada!
— Olha aqui sua garota mimada... (ele aponta seu dedo fino para mim) – As coisas não vão ficar desse jeito. Eu não vou deixar você me afastar do meu filho. Você não pode simplismente jogar as coisas assim na minha cara e acabar por ai. Vai ter volta! (ele sai do carro batendo forte a porta)
— Aonde pensa que vai? (eu grito para Robert)
— Qualquer lugar longe de você e das suas loucuras!
Fico parada ali olhando Robert se afastar. Mesmo não acreditando na reação dele, e interessada a ir de encontro a Tobias, eu acabo pegando no volante e dirigindo rumo a casa dele.
Assim que chego, eu dou uma olhada para mim no retrovisor do carro, e quase não me reconheço. Minha maquiagem esta toda derretida em meu rosto, por conta das lágrimas que derramei por Robert. Eu quero o Tobias pelo dinheiro, pelo sexo, pela boa vida... Mas Robert eu queria pelo prazer, e pela felicidade, pois eu só era verdadeiramente feliz quando estava junto dele.
Eu me ajeito, arrumando minha maquiagem novamente, e quando olho no relógio percebo que Tobias ainda não chegou, e que se ele já saiu da empresa e ainda não chegou em casa, é porque ele foi até a casa dela.
Mando uma mensagem para Cara, pedindo o endereço da tal Beatrice, e quando eu chego até lá, vejo o carro de Tobias parado na frente do prédio. O bairro não é dos piores, mas mostra que ela gosta de uma boa vida. Eu encosto com meu carro no meio fio, e sem sair do mesmo, eu observo as janelas buscando por um dos dois, ou por um sinal de briga vindo de algum dos apartamentos, mas, quando finalmente chego ao andar dela, eu os vejo.
Tobias estava sem sua camisa, e eles estavam se beijando abraçados. Senti meu coração pular de ódio dentro de mim, e minha vontade era de entrar naquele apartamento e acabar com a farra de ambos. Mas, esperarei até o dia seguinte para falar com ela.
—
Eu adormeço no carro ali mesmo no meio fio, e quando o sol começa a bater na minha janela esquentando o carro, eu acordo, e percebo que o carro de Tobias, já esta saindo da vaga aonde ele parou. Essa no entanto é minha deixa para mostrar para a Beatrice, quem eu sou.
Eu aproveito a distração do porteiro, e entro no prédio seguindo até o andar aonde ela se esconde. Procuro pelo número do apartamento e quando encontro, eu fico um tempo analisando os meus próximos passos.
Toco a campainha, e aguardo. Não demora muito, e Beatrice aparece. O sorriso que estava em seu rosto, certamente pela noite que tivera a noite com Tobias, murcha assim que ela me reconhece. Nossos olhos se encontram, e eu lanço a ela um sorriso.
Nós ficamos ali por um tempo, olhando de uma para a outra, até que eu me canso.
— Não vai me convidar para entrar? (eu pergunto e ela revira os olhos)
— O que quer aqui?
— Vim conversar com você, Beatrice... Ou Tris... Como prefere? (eu pergunto já entrando em seu apartamento)
— Quem deixou você subir? (ela me pergunta e percebo irritação em sua voz)
— A segurança desse bairro é uma decadência, Tris... Não sabemos o que pode nos acontecer aqui. (eu digo lançando a ela um sorriso maroto)
— Esta me ameaçando? (ela arqueia as sobrancelhas para mim)
— Não sou mulher de fazer ameaças, Tris... (ela me interrompe)
— Para você, eu sou Beatrice.
— Ah claro. (eu começo a analisar as suas fotos)
— Ainda não disse o que veio fazer aqui.
— Eu vim por muitos motivos, Beatrice. (ela suspira) – Vim ver aonde é que meu futuro marido se alivia quando esta extressado. (ela arregala os olhos)
— Se aliviar? Acredito que ele não venha aqui apenas para isso. (ela cruza os braços)
— Pelo o que mais você acha que ele vem aqui? (eu pergunto pegando um porta retrato) – Você não sabe nada sobre ele, nem o conhece.
— Eu conheço o bastante. Não preciso de sua opinião. (ela pega o porta retrato da minha mão) – Me diga Laure. O que quer aqui?
Percebo que Beatrice, esta vermelha de raiva, e ver ela assim esta me dando uma boa idéia. Para separar os dois, eu poderia começando por machucar de leve, apenas para assustar.
— Quanto você quer para se afastar de Tobias?
Beatrice arregala os seus olhos no momento em que lanço minha oferta. Minha mão caminha até a minha barriga, e eu acaricio como se estivesse embalando meu bebê.
— Meu filho precisa do pai dele presente de corpo e alma, e não gastando tempo com você. Quanto quer?
Ela não me responde, fica apenas virada para o lado sem me encarar, suas mãos estão caídas ao lado de seu corpo, e percebo os olhos dela vermelhos. Águas estão se acumulando ali, e percebo que a qualquer momento ela vai explodir.
— Vai embora da minha casa, Lauren. (ela fala) – Sai agora da minha casa!
— Eu não vou enquanto você não falar seu preço! (ela volta seus olhos para mim)
— Meu amor por ele não esta a venda! Eu não vou deixar ele por que você quer Lauren! (agora ela esta gritando) – Saia agora da minha casa!
— Sua vadia! Eu quero seu preço! Toda vagabunda tem seu preço! Toda piranha quer alguma coisa em troca ! Me diga sua vagabunda, quanto você quer para deixar meu futuro marido em paz!?
Nós duas estávamos gritando, e quando eu explodi a chamando de vagabunda, senti apenas a dor latejante quando me atingiu em cheio na lateral do rosto. Minha hora de fazer cena!
— O que você fez? (eu pergunto manhosa) – Você bateu em uma mulher grávida!
— Chega de cena Lauren! (ela grita) – Saia agora da minha casa!
— Alguém me ajude! (eu grito e ela arregala os olhos)
— Pare com isso Lauren. (ela me pede) – Aqui não tem platéia para você! Saia agora da minha casa!
A porta do apartamento abre bruscamente, e um homem de cabelos castanhos e de pele branca, aparece pela porta. Seus olhos estão arregalados, e ele examina a cena em que estamos. Eu começo a puxar lágrimas, e quando finalmente acontece, Beatrice arregala os olhos para mim.
— O que esta havendo aqui, Tris? (ele pergunta caminhando até mim)
— Ela me agrediu! (eu aponto para ela e depois coloco a mão na minha barriga) – Aaai, minha barriga esta doendo! (eu choro e eles se olham assustados)
— Você bateu nela, Tris?
— Dei um tapa em seu rosto Caleb... Ela estava me ofendendo...
— Mentira! (eu digo e grito por uma falsa dor) – Preciso ir ao médico! Vou perder meu bebê!
Os dois se olham vacilantes, e o homem é o primeiro a falar.
— Vou levar ela comigo, pegue dinheiro. Vamos levar ela para o hospital.
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