— Tobias : POV

Minha cabeça estava rodando, estava confuso sobre o que havia acontecido entre Tris e Lauren, e isso só piorou quando Tris disse que preferiria conversar em outro lugar, sem interrupções. Eu aceitei, e me mantive em silêncio. Percebi que Tris estava tensa, mesmo depois de dizer que a amava, o que indica que ela esta amedrontada. Os pais de Lauren mandam olhares maldosos para Beatrice, e isso me tira do sério, e logo decido me aproximar dela novamente. Estávamos abraçados, quando o médico chegou junto com Caleb na sala de espera. Todos nos olhamos apreensivos, e a única coisa que eu queria saber, era seu o bebê, meu filho, estava bem.

— Como esta meu filho doutor? (eu pergunto ao médico e sinto a mão de Tris sobre a minha)

— Bem, não á com o que se preocupar. A senhorita Cullen apenas passou por um estresse, mas, não vai precisar ficar internada e nem passar por nenhuma cirurgia. A única coisa que nós recomendamos, é a de que ela por estar grávida precisa evitar estresse, brigas. (todos respiramos aliviados) – O bebê também esta bem, e saudável e não vai precisar de nenhuma atenção médica, além do já necessário para os cuidados dentro da barriga. (ele olha para mim) – Evite deixar ela pegar coisas pesadas, bebidas nem pensar, fumar muito menos, e o que eu já disse antes, a questão do estresse. Logo, eu irei dar a alta da senhorita Cullen.

Quando ele acaba de falar, todos respiraram aliviados, e sinto mãos se apoiarem em meu ombro, me dando conforto. Naquele momento percebo que Tris não esta mais ao meu lado e no mesmo minuto sinto falta do contato de sua mão quente, e quando viro meu rosto buscando por ela, a vejo conversando com Caleb em outro espaço. Eles parecem estar brigando, e vejo o rosto de Tris vermelho. O que esta havendo ali? Mas quando eu decido me aproximar, o médico que a pouco estava falando conosco, me chama.

— O senhor é o pai do bebê? (ele me pergunta)

— Sim, sou eu. Esta mesmo tudo bem?

— Sim... Apenas achei que o senhor fosse querer ver a mãe do seu filho... (ele fala) — É claro!

— Oh sim... Eu posso ir ver como ela esta? (eu pergunto) – Quero mesmo falar com ela.

— Tudo bem... Vamos entrar.

Eu caminho junto do médico, e antes de entrar dou mais uma olhada para o lugar aonde Beatrice e Caleb conversavam, só que eles já não estavam mais lá, e rapidamente eu dou uma olhada no ambiente, sem nenhum sucesso.

— Vamos? (o médico fala novamente comigo)

— Sim.

Nós entramos na ala que leva até os quartos, e assim que entro o quarto aonde Lauren esta, vejo que ela olha para o lado e depois olha para a porta. Assim que me vê ela sorri e estende a mão para mim.

— Tobias... Você veio. (ela diz com a voz embargada)

— Por que achou que eu não viria? (eu me sento ao lado dela) – É meu filho. Quero dar toda a atenção possível e necessária. (eu digo e ela me olha nos olhos)

Nós ficamos em silêncio por um longo tempo, até que ela volta a falar.

— Te contaram o porquê eu estou aqui? (ela me pergunta e eu solto a mão dela)

— Sim, Lauren. (eu digo) – Me contaram por alto.

— Por alto? (ela me pergunta) – Beatrice me bateu Tobias. Ela bateu em uma mulher grávida. Grávida de um filho seu. (ela diz e percebo que agora ela soluça)

Beatrice bateu em Lauren? Não posso acreditar nisso. Ela jamais faria uma coisa dessas, principalmente com uma mulher grávida... Ou faria?
Afasto esses pensamentos da minha cabeça com um balançar de cabeça e eu me levanto, me afastando de Lauren.

— Não acredita em mim? (ela me pergunta) – Então pergunte a ela. Se ela é tão verdadeira quanto parece, irá te falar a verdade. (ela implica comigo)

Que alguma coisa havia acontecido entre elas, isso eu já sabia. O que eu queria realmente saber, era o que Lauren estava fazendo na casa de Beatrice, e como ela sabia que eu estaria lá?

— Lauren... Eu queria entender outra coisa. (eu digo e ela me olha severamente)

— Deixe eu adivinhar... Vai me perguntar o que levaria a ela a me bater. Não é mesmo? Pois bem, eu te digo o que você quer ouvir Tobias.

— Não é isso, Lauren. Errou. (ela me olha confusa) – Eu quero saber o que foi que você foi fazer na casa de Beatrice? E como você sabia onde ela mora?

Lauren me olha de forma perplexa, e eu praticamente consigo ver que ela esta pensando em uma resposta falsa e mentirosa. Olhando para ela deitada naquela cama, parecendo tudo, menos doente, eu fico me perguntando, em como eu consegui amar a ela.

— Você esta preocupado com isso? (ela agora rosna para mim) – Achei que você me perguntaria pelo bebê...

— Lauren o médico já disse tudo para a gente lá fora. Mas agora eu queria saber de você. (eu digo) – Como sabia aonde Beatrice mora e o que foi fazer lá? (eu cruzo meus braços e a encaro)

— Isso é um absurdo... (ela choraminga) – Você esta me humilhando, e pondo aquela mulher na frente do nosso filho.

— Eu só quero entender, Lauren. (eu digo convicto para ela) – Você não sabia onde Beatrice morava. A não ser que tenha me seguido. E se me seguiu e ficou na porta da casa dela me esperando sair, então quer dizer que você ficou a noite toda sobre o sereno com o meu filho na sua barriga. (eu aponto) – Além de insana esta sendo também negligente não é mesmo? (ela me olha confusa)

— Você só pode estar de brincadeira comigo... (ela bufa) – Eu aqui deitada, depois de ter passado mal e quase perdido nosso filho...

— Corta essa Lauren. (eu a interrompo e ela me fuzila com os olhos) – O médico disse que você nem passou perto de um aborto. Não diga sandices, certo? Eu só quero saber a verdade.

Lauren praticamente me engole com seus olhos, e se ela pudesse me matar agora, já estaria fazendo.

— Eu fui até lá, para tentar fazer ela ver a verdade.

— Quer verdade? Estou confuso.

— Você e ela não podem ficar juntos, Tobias. Não consegue ver isso?

— E porque não posso Lauren? Por que vamos ter um bebê? (eu digo)

— Nosso bebê precisa de uma família Tobias. (ela acaricia a barriga) – Nosso filho não sabe nem como é o toque da sua mão na minha barriga. Os bebês conhecem os pais desde muito antes de nascerem. (eu suspiro)

— Eu sei disso.

— Então Tobias. Você acha realmente justo deixar nosso filho sofrer desse jeito?

— Essa criança vai ser muito bem amada Lauren. Não tenha dúvidas sobre isso.

— Ela me bateu Tobias. (ela diz me pegando de surpresa) – Ela me bateu e conseqüentemente me jogou no chão sem nem ao menos se preocupar com o nosso bebê... E tudo o que você tem a me dizer é que ele vai ser muito bem recebido e amado. (ela começa a chorar) – Ele vai ser bem recebido por quem? Por uma mulher que bateu em uma grávida sem pensar duas vezes? Por um homem que tem relações sexuais com a secretária e não esta nem ai para o filho...

— Já chega dessa conversa. (eu a interrompo) – Você baixou o nível.

— Quem baixou o nível foi você, escolhendo ela a mim. (ela me diz) – Vou fazer uma ação contra você. E não deixarei você chegar perto do meu filho.

— Você não seria capaz disso. (eu alerto a ela)

— Me testa Tobias. Você não sabe do que eu sou capaz.

Cansado de ser ameaçado, eu saio do quarto de Lauren e caminho de volta para a sala de visitas. Assim que chego vejo Geraldo me lançando olhares preocupados e raivosos, e eu nem ligo. Zeke se aproxima de mim, e então eu vejo Beatrice conversando com Chris.

— Cara, esta tudo bem? (Zeke me pergunta)

— Esta sim... Lauren esta bem, e do modo áspero como ela fala, nem parece que esta internada. (eu suspiro e coço a minha nuca)

— O que houve? (Zeke percebe meu nervosismo)

— Preciso conversar com a Tris. (eu digo e Zeke ergue as sobrancelhas)

— Por que? (ele me olha confuso) – O que houve?

— É o que eu quero descobrir.

— Vai com ela então. Nós ficaremos aqui.

— Obrigada Zeke.

Ele bate em meu ombro, e então eu caminho até Beatrice. Assim que ela me vê seus olhos ficam temerosos, e apesar da minha dúvida sobre o que aconteceu entre elas, me dói pensar que ela esta agindo assim por medo de uma represália da minha parte. Eu tento então parecer confortável com a situação, e assim que me aproximo dela, eu sorrio e estendo a mão para que ela a pegue.

— Amor... Vamos? (seus olhos se estreitam para mim)

— Tem certeza?

— De você eu sempre tenho certeza. (eu pisco e ela cora) – Vamos comigo.

Beatrice então, segura a minha mão, e juntos caminhamos para fora do hospital.

— Tris : POV

Nós entramos no carro de Tobias em silêncio. Não sei o que Lauren falou para ele, e não sei como ele esta se sentindo por dentro. Eu queria falar com ele, mas não sabia por onde começar.

— O que houve entre vocês duas, Tris? (ele me pergunta calmamente)

Eu suspiro não sabendo por onde começar. E por mais que eu queira despejar meus sentimentos nele, eu preciso ter calma e cautela.

—Nós brigamos... (eu começo) – Ela estava-me xingando, e eu perdi a cabeça. (suspiro)

— Por que Lauren estava te xingando?

Ele para o carro em frente a um lago, e percebo que esta deserto ao redor. Eu me viro para ele ficando de frente, e Tobias me encara com uma expressão de curiosidade.

— Lauren me ofereceu dinheiro para ficar longe de você... Disse que eu estava atrapalhando a vida de vocês. (eu abaixo a cabeça)

— Ela fez isso? (me pergunta ainda calmo)

— Sim... (eu murmuro)

— E depois?

— Depois eu perdi a cabeça por completo, e, dei um tapa em seu rosto. (vejo ele me olhar surpreso)

— Bateu nela?

— Eu perdi a cabeça, Tobias...

— Você poderia ter pedido a ela para se retirar.

— Eu pedi, implorei, inúmeras vezes.

— E ai partiu para a agressividade? (ele fala chateado)

— Nem todo mundo tem sangue de barata, Tobias. E eu não sou saco de pancada de ninguém. (eu viro para frente)

— Eu não estou dizendo isso, Beatrice... (Chegamos enfim ao Beatrice)

— E o que você quer dizer então Tobias. Não consigo entender. (eu digo)

— Só acho que as coisas não precisavam chegar ao lugar que chegaram.

— Não chegaríamos se você tivesse feito o que era necessário antes. (eu abro a porta do carro e saio)

— Tris... (escuto ele me chamar) – Pare com isso. Eu vou fazer as coisas certas agora, mas preciso de sua ajuda. (escuto a porta do carro dele bater)

Meus pés estão enterrados na areia, e eu fico olhando o horizonte. Sinto que Tobias esta atrás de mim, mas não quero olhar para ele, e nem ouvir mais nada. Meus olhos enchem de águas e eu volto a pensar se seria realmente certo, essa vida que andamos tendo.
Eu o amo com todas as minhas forças, mas não quero ficar sendo humilhada, e nem viver no meio deles como uma intrusa.

— Eu não quero mais ficar engolindo sapos toda vez que encontrar Lauren e a família dela, Tobias. (eu murmuro)

— Sei que estou pedindo de mais de você. (ele me diz)

— Não sei se vou agüentar essa situação...

De repente as mãos de Tobias me puxam para ele, ele encosta sua testa na minha, e ele segura meu rosto com suas mãos firmes.

— Eu posso suportar qualquer coisa, menos ficar sem você. (ele me diz olhando em meus olhos)

— Tobias... (sinto minhas lágrimas no meu rosto e ele passa o dedo limpando elas)

— Por favor Tris, não termine comigo.

Ele fala suplicante, e meu coração se afunda dentro do meu peito.